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Ecologia, Economia, Política

Estado versus JBS

O grupo JBS, um dos visados pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que tem praticamente o monopólio do processamento de carne no Pará, fechou três frigoríficos no Estado (em Altamira, Novo Progresso e Eldorado de Carajás), demitindo centenas de empregados.

Diante da situação, o governo estadual assinou um protocolo com a empresa, comprometendo-se a lhe conceder incentivos fiscais para a operação de um porto. Mas o protocolo acabou sendo cancelado porque a empresa não cumpriu a sua parte no acordo.

Por isso, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineral e Energia, Adnan Demachki, pediu vistas de dois processos da JBS/Friboi no Conselho Estadual do Meio Ambiente, em dezembro do ano passado. A empresa foi autuada por despejar resíduos provenientes do processo produtivo diretamente no solo sem autorização do órgão ambiental competente. O voto do relator era para prover o recurso que ela apresentou e anular o auto de infração lavrado pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade.

Quando o pedido de vistas foi apresentado, o representante da JBS, Luiz Gustavo, interveio para ressalvar que a questão destacada pelo secretário era comercial, não devendo ser usada  “como razão de decidir ou não da formação do convencimento para a manifestação do voto de cada um” sobre outra questão, relativa ao meio ambiente.

Ele queria que, nesse caso específico, os conselheiros do Coema “deveriam ater-se apenas às questões técnicas que envolvem um dos procedimentos de licenciamento ambiental”.

Demachki admitiu ser necessário “que se abra um diálogo com a JBS para elencar esses fatores”. Defendeu o pedido de vistas dos processos, por ser seu direito, mas que, “a partir desse procedimento de diálogo, dá-se as boas vindas ao empreendimento no Estado”.

Ou seja: a posição do Estado poderá mudar, dependendo dessa conversa, certamente a ser travada em ambiente fechado. O assunto não voltou mais à pauta do Coema.

Discussão

11 comentários sobre “Estado versus JBS

  1. O Coema sempre foi usado como instrumento de pressão do estado sobre as empresas. Por isso os Coemas deveriam ser composto majoritariamente por técnicos com formação qualificada e indicados pela sociedade civil e não por representantes do governo.

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    Publicado por José Silva | 29 de março de 2017, 13:07
  2. Estado burguês contra capitalistas?

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    Publicado por Luiz Mário | 29 de março de 2017, 17:36
  3. José Silva, você é uma Graça
    Primeiro que o jornalista se equivocou. Não existe nenhum Porto como ele se referiu
    E o adnan segurou o processo forçando o JBS reabrir os 3 frigoríficos que comprou e fechou pra fazer monopólio
    Ora, se um representante do estado sabendo desse monopólio absurdo não puder retaliar quem está agindo assim, é melhor não ter estado

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    Publicado por Marcos Roberto Carvalho | 30 de março de 2017, 13:33
    • Marcos,

      Então você confirma que houve retaliação? Qual a razão para esse comportamento? Interesse do estado? Qual é o interesse real do estado nesse setor? Quais são as metas? e as politicas? Quem são os beneficiários? Quem aprovou?

      Ser transparente em suas ações é fundamental para qualquer bom gestor público e, principalmente, para quem quer ser candidato a governador.

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      Publicado por Jose Silva | 30 de março de 2017, 16:08
    • O porto não existe: ainda é projeto.
      O que você sabe sobre a alegação da JBS que a levou a fechar os três frigoríficos?
      Por que, numa análise técnica, o secretário não apresenta motivos estritamente ecológicos para vetar o pedido da JBS e deixa para a área econômica, financeira e política a retaliação?
      A opinião pública precisa ser bem informada antes de firmar uma posição a respeito num terreno tão escorregadio e lodoso quanto a BR-163.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 30 de março de 2017, 17:49
  4. Ué, ele foi transparente. Ele assinou um acordo com JBS e publicou no Diário Oficial pro JBS reabrir 3 frigoríficos que eram dos concorrentes e JBS comprou e fechou. Um em Altamira e mais dois no sul do Pará. Aí o JBS não cumpriu e o Adnan revogou os incentivos s publicou no diário oficial de novo, mesmo diante de muitos pedidos políticos pra não revogar
    E aí chega um benefício pro JBS no COEMA o que você faria? Aprovaria sem reclamar que o JBS não foi correto com o Estado?

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    Publicado por Marcos Roberto Carvalho | 30 de março de 2017, 17:51
    • Marcos,

      Não tenho mais detalhes sobre o assunto. Deixo para o Lúcio dar mais informações.

      Eu, por exemplo, nem daria incentivo público a JBS. Qual o custo/benefício desse acordo? O pior de tudo foi ser passado para trás pela companhia e ter que cancelar os benefícios, indicando que a negociação não foi bem feita.

      Sobre a infração, nem precisa retaliar com argumentos econômicos. Precisava somente usar, tal como o LFP mencionou, o argumento ambiental para fazer a empresa cumprir a lei. Só isso…

      Por fim, quem era esse relator do COEMA que estava passando a mão nas infrações ambientais da JBS?

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      Publicado por Jose Silva | 30 de março de 2017, 18:10
    • Por gentileza, mande os textos oficiais. Enriquecerá o necessário debate sobre tema tão importante.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 30 de março de 2017, 18:36
  5. Se você quer informações oficiais pede pra Semas ou pro COEMA. Como bom jornalista deves ouvir todos os lados
    És um jornalista que merece respeito, mas precisas ser mais humilde em buscar informações mais precisas
    1- em nenhum momento se falou em Porto como você do.
    2- aumentou se multa pra desmatadores e estavam com valores. Baixos
    3- diminuiu se multa pro geleiro que fez gelo pro peixe e pra dona da pensão que não tinha licença.
    4- parece que você está fazendo a defesa do JBS enquanto tentava se dar ao JBS o que ele merece
    Tchau

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    Publicado por Marcos Roberto Carvalho | 30 de março de 2017, 20:21
    • Tudo que escrevi está nas atas 60 e 61 do Coema. Não tinha que ouvir ninguém. As atas são publicadas e aprovadas pelos conselheiros. Basta ler os documentos.
      É estranho que o secretário peça vistas desse número incrível de processos e substitua o trabalho dos fiscais, que aplicaram as autuações, do departamento jurídico, que lhes deu o respaldo legal, para sair deliberando a torto e a direito. Tudo que você diz pode ser verdade e pode dar a aparência de defesa do bom e do melhor, do mais profundo altruísmo e defesa da causa pública. Mas é estranho, inusual, para-legal. No mínimo.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 30 de março de 2017, 20:42
  6. Sem dúvida Lúcio! Porém, não é inusual. É o modus aeternum vigorante. E repugnante. Vistas jamais poderiam ser manejadas por estranhos ao P.Ad. Ademais Dec.Est. Uma coisa é subsídio, outra coisa é cumprimento de infração, e plena adequação às Leis vigentes. Setor agronegócio trás em si um rastro nebuloso ao país, à soberania alimentar, promovendo concentração de terras, grilagem, trabalho escravo, invasões áreas pop.tradicionais, Desmatamento,… Aliás, excelente a operação dá PF. Precisava nos mostrar q toda #CadeiaProdutivaAgro precisa de #Transparencia #Regularização Afinal até a Caixa e BNDES par são sócios do JBS (q teve como CEO o atual min.Fazenda Meirelles…)

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    Publicado por Amélia Oliveira | 30 de março de 2017, 23:59

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