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Cultura

Uma estrela verdadeira

Abro mais uma exceção neste blog para reproduzir matéria alheia. É uma reportagem de Aretha Yarak para o Uol sobre a nova maravilha do conhecimento humano: a americana Sabrina Pasterski, de 25 anos, que vem sendo considerada a sucessora de Einstein e Hawkings no topo da física e do saber.

Numa época em que a celebração é por miss, artista de TV, jogador de futebol ou ídolo pop, a história de Sabrina deve ser destacada. Não para fomentar desejos impossíveis de imitá-la, o que está acima do alcance de pobres mortais, como nós. Mas, do meu ponto de vista, pela determinação e a humildade que ela prova possuir, em contraste com o exibicionismo fútil da nossa época.

Segue-se o texto.

Aos 16 anos, Sabrina Pasterski se tornou a pessoa mais jovem a construir, certificar como aeronavegável e pilotar seu próprio avião. A então adolescente do subúrbio de Chicago, nos Estados Unidos, vinha de uma trajetória de sete anos em busca do seu sonho: começou a voar com 9 anos, com 10 comprou um carrinho de reconstrução, para treinar montar e desmontar um motor de avião, e aos 12 comprou um kit para construir seu próprio monomotor (ela chegou a fazer mais de 300 modificações no design original).

Foram dois anos dedicados ao avião, que ficou pronto em 2007, mas só pode ser pilotado por Sabrina em 2009.

Também em 2009, a adolescente se inscreveu para o MIT (Massachusetts Institute of Technology), uma das mais importantes instituições de ensino superior do mundo. Apesar do currículo invejável, ela foi recusada e entrou para a lista de espera. Um mês depois, foi a vez de Harvard rejeitar a norte-americana.

Mas a derrocada durou pouco. Com a ajuda de um Nobel do MIT, de um vencedor da medalha Guggenheim (importante condecoração da aeronáutica) e de um secretário aposentado da Força Aérea dos Estados Unidos, Sabrina foi convocada da lista de espera do MIT em maio de 2010.

Mulher em destaque

Em 2013, ela se tornou a primeira mulher em duas décadas a se formar entre os melhores da turma de física. E ela fez isso em três anos, e obteve a nota final máxima do MIT (5 de 5). Na sequência, Sabrina se qualificou com nota máxima para um PhD em Harvard. Impressionados com a sua mente e seu trabalho, seus professores a batizaram de a “nova Einstein”.

O reconhecimento não para por aí. Sabrina já foi citada por Stephen Hawking em 2016, além de ter ganhado diversas premiações e bolsas de estudo, como a Hertz Foundation Fellow (2015) e o MIT Physics Rising Star (2016), e um convite para o encontro anual do Lindau Nobel Laureate (2016). Também foi escolhida como uma das 30 personalidades com menos de 30 anos pela revista americana Forbes na edição deste ano da premiação.

Ao lado de Hawkings e Einstein

Hoje, aos 23 anos, Sabrina segue um caminho bastante parecido com o que cientistas de peso, como os próprios Hawking e Einstein, fizeram no início de carreira. Ela estuda um dos assuntos mais complexos e desafiadores da física: buracos negros e a natureza da gravidade e do espaço-tempo.

Seu enfoque está na compreensão da gravidade quântica, área que procura explicar o fenômeno da gravidade dentro da mecânica quântica. Novas descobertas nessa área podem mudar muito nosso entendimento de como o universo funciona.

Aos pedidos de imprensa que batem à porta, Sabrina já tem uma resposta pronta (publicada em seu site pessoal Physicsgirl): “Sou apenas uma universitária. Tenho muito a aprender. Não mereço a atenção”.

Ao declinar o pedido do UOL, a física reforçou: “Preciso realizar algo na física antes de dar mais entrevistas”.

Discussão

8 comentários sobre “Uma estrela verdadeira

  1. A serenidade no reconhecimento dela em compreender que sua obra fala por si mesma, e não o contrário, declinando a sedução midiática, revela a integridade científica a que esta devotada.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 30 de março de 2017, 11:17
  2. “ÚTERO PAGÃO!”

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    Publicado por Luiz Mário | 30 de março de 2017, 11:36
  3. Pois é..a reportagem diz que com a ajuda de um Nobel do MIT, ela saiu da lista de espera e foi aceita na instituição. Lá como aqui tem jeitinho, mas parece que o jeitinho lá gera coisas positivas. O daqui nem tanto.

    E por falar de buracos negros, vocês sabiam que a UFPA tem o Luís Carlos Bassalo Crispino, que tem uma linha de pesquisa forte estudando os ditos cujos? A Física da UFPA, graças a visão do José Bassalo e outros no passado, continua a tradição de ser uma das ilhas de excelência da nossa claudicante universidade.

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    Publicado por Jose Silva | 30 de março de 2017, 12:38
    • É verdade. Três vivas aos Bassalos.
      O jeitinho consistiu apenas em reabrir a oportunidade para a apreciação dos méritos da candidata. Ela provou que os possuía. Mais do que isso: ´possui um cérebro de gênio (a). Na esmagadora maioria dos casos, nos Estados Unidos, é o mérito mesmo quem decide. Eu, que sou um caboclo de Santarém, depois de fazer uma palestra na John Hopkins, em Washington, em 1984, recebi um convite do Ray Kennedy, diretor do Centro Latino-Americano da universidade, para ficar por lá como pesquisador. Infelizmente, não pude aceitar.
      Logo depois de ser agredido por Ronaldo Maiorana, em 2005, foi a ver de Harvard me convidar, através do antropólogo David Maybury-Lewis, com a assistência do Elio Gaspari, que lá se encontrava em um ano sabático. O Gaspari conseguiu a façanha de publicar a informação na sua coluna em O Liberal. Miriam Leitão fez o mesmo.
      Logo, por esses dois casos insignificantes, dá para verificar a razão de os americanos, com toda sua crise e Donald Trump mandando ver (e fazer), ainda têm as melhores universidades do mundo,

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 30 de março de 2017, 17:44
      • O José Bassalo era uma máquina, sempre despertando o interesse de vários alunos de áreas completamente diferentes para física. Acabei aprendendo mais física lendo os livros dele sobre história da física do que nas salas de aula.

        Sobre o mérito: quem dera se no Brasil o mérito decidisse alguma coisa. O país seria outro!

        Fica um desafio para o reitor da UFPA: conceder o título de notório saber (ou doutor emérito) para o Lúcio como reconhecimento ao extraordinário trabalho que ele fez e continua fazendo em prol de uma imprensa livre, autônoma, e de qualidade na Amazônia.

        Deixo para os outros colaboradores do blog adicionarem outros elementos para a petição.

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        Publicado por Jose Silva | 30 de março de 2017, 18:22
  4. Além de sua citação, José, quantos outros jovens cientistas e representantes da velha guarda, dedicam suas vidas em nome da ciência, e estão na notoriedade?

    O celeiro brasileiro é pródigo em formação de jovens cientistas. Regionalmente as disparidades se acentuam no quesito quantitativo de Mestres e Doutores, o que não impede produções de relevância, sobretudo no contexto da região amazônica, ” a menina-dos-olhos do mundo”.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 30 de março de 2017, 12:58
    • Thirson,

      Inúmeros. Há paraenses trabalhando e se destacando em universidades no mundo todo. Uma prova cabal que temos talento de sobra na região. O problema é que raramente fazemos um esforço especial para manter os nossos talentos aqui. Não dá para competir!

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      Publicado por Jose Silva | 30 de março de 2017, 18:29
  5. Nossa , não tinha visto essa postagem .
    Que maravilha !
    As mulheres inteligentes e decididas em fazer, ao invés de aparecer , estão podendo , mesmo , tri-legal (rs)
    Obrigada pela informação .

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    Publicado por Marly Silva | 2 de abril de 2017, 11:44

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