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Justiça, Política

O dilema de Jatene

Com a decisão de ontem da justiça eleitoral do Pará, o governador Simão Jatene passou a viver um dilema. Se o recurso que seus advogados irão apresentar tramitar rapidamente pelo Tribunal Eleitoral em Brasília, ele poderá recuperar o mandato e a elegibilidade antes do prazo de apresentação das candidaturas para a eleição de 2018, que ele pretende disputar, caso reforme a decisão de ontem. Se a instrução do processo se prolongar, ele estará definitivamente fora da competição eleitoral do próximo ano.

Mas nesse caso ele pelo menos teria o consolo de permanecer mais tempo à frente do governo, talvez até, na hipótese – embora improvável – de lentidão demasiada do processo, de ir até o final do mandato, concluindo o seu feito: o primeiro governador eleito por três vezes pelo povo para o governo paraense. E usando a força do cargo para influir sobre a eleição.

Todas as especulações começam a ser feitos a partir do tempo que transcorrerá até a decisão definitiva da instância final e o trânsito em julgado da sentença. O primeiro recurso ao alcance da defesa de Jatene é o embargo. Mas é medida meramente protelatória. Pode ser punida com multa se caracterizada, o que pode influir sobre o ânimo do julgador seguinte.

Se realmente a defesa dispõe de provas mais robustas sobre o fato que motivou a denúncia, de abuso do poder político e econômico para influenciar o eleitor e induzir a votação, por meio do cheque moradia, a apelação terá alguma possibilidade de reformar a sentença do TSE. Sem falar no jogo de influência de bastidores.

Do contrário, a hipótese mais provável será a confirmação da punição, que só poderia ser postergada através de obstruções ao processamento da ação para que dure o máximo.

Uma decisão rápida e contrária a Jatene também poderia criar um quadro novo nos arranjos políticos: sem perder a condição de ser candidato, o vice-governador, Zequinha Marinho, podia se apresentar como candidato ao governo pelo seu partido, o PSC. Com o apoio dos evangélicos e, talvez, uma ajudazinha de Jatene.

O desfecho parcial da novela, portanto, voltou ao ponto de sempre: tudo muda para tudo ficar igual.

Discussão

3 comentários sobre “O dilema de Jatene

  1. Absolutamente igual. É isso que o povo gosta: conservadorismo extremo!

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    Publicado por Jose Silva | 31 de março de 2017, 11:21
  2. Interessante o jornal O Liberal, na internet, somente apresentou as alegações de defesa do governo, com relação as acusações, somente insinuações.

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    Publicado por Everaldo | 31 de março de 2017, 11:47
  3. Fora a lupa que tive que usar pra achar a matéria.

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    Publicado por Pedro Pinto | 31 de março de 2017, 13:36

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