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Economia

Yamada: a hora H

A morte de Junichiro Yamada, o principal executivo do grupo Y. Yamada, completará dois anos no dia 3 (um ato de lembrança será realizado no dia 6). Desde então, a poderosa empresa de varejo, a maior do Pará e do norte do país, desce escada rolando. Das 44 lojas de então, incluindo a rede de farmácias, não mais do que 10 estão em funcionamento. E o futuro é incerto e não sabido.

É impossível não associar a decadência da Yamada ao desaparecimento do seu mais importante dirigente, que lhe deu a dimensão que tinha. A morte de Junichiro representou, porém, a gota d’água num volume que mal era contido pela presença do líder incontestável do grupo. Sua morte fez a barragem de contenção dos conflitos internos estourar.

A gota d’água foi a transmissão do comando da Yamada ao filho de Junichiro, Fernando, ao invés de ao seu irmão e o mais velho do clã, Hiroshi, conforme era a expectativa dele. A partir daí as divergências entre tio e sobrinho se deterioraram para uma guerra aberta entre eles e a divisão dos parentes e sócios entre um e outro.

Todas as expectativas do que resta do grupo Yamada estão voltadas para a assembleia geral, ordinária e extraordinária, a ser realizada no dia 29 do mês que está começando (e não neste março que chega ao fim, conforme publiquei, por um lapso). O item mais importante da pauta – e o que mais interesse provoca – é a previsão de aumento de capital.

As interpretações quanto ao seu significado se desdobram. Poderia ser o indicador de que a empresa será reativada, através de novos investimentos. Pode ser também que, finalmente, permita a realização do projeto de Fernando: o afastamento definitivo de Hiroshi e seus herdeiros do controle acionário da companhia, com a delegação de plenos poderes a Fernando, que não aceita outra opção. Na sua visão, a Yamada poderá se tornar mais compacta (com mais ou menos 12 lojas) e moderna.

Segundo algumas fontes, o próprio Hiroshi já teria desistido de manter a disputa com o sobrinho, depois da guerra de desgaste que vêm travando, responsável pelo agravamento de problemas mais antigos, como a inadimplência do maior instrumento de venda da empresa: o seu cartão de fidelidade.

Das decisões que forem tomadas no dia 29 depende a sobrevivência da outrora poderosa Y. Yamada.

Discussão

6 comentários sobre “Yamada: a hora H

  1. Espero que se recuperem. É importante para o varejo paraense mostrar capacidade de recuperação e inovação.

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    Publicado por Jose Silva | 31 de março de 2017, 11:06
  2. E com lamentável tristeza, ficarmos de plateia e vendo um grupo que liderava a região Norte com empregos direto e indiretos muitas pessoas dependem ou continuam dependendo e do funcionamento, espero que essa briga termine e o grupo volte a ser pioneiro do estado não deixando que empresas de fora venham usufruir de nossas riquezas.

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    Publicado por Frank contador | 31 de março de 2017, 11:21
    • Grandes empresas nacionais estão entrando no mercado e grandes empresas locais saindo. É um absurdo que os centros de saber locais não forneçam à opinião pública informações e análises para definir em que consiste esse processo e quais as suas consequências. Estão em crise, além da Yamada, dentre outras empresas, a Visão r o supermercado Nazaré.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 31 de março de 2017, 12:44
      • Minha hipótese: redes maiores tem maior poder de barganha com fornecedores pois compram mais a um preço mais baixo. As redes locais não conseguem competir nessa escala. Antes eram beneficiadas com o atraso no recolhimento do ICMS, mas esse benefício parece que morreu. Como a população gosta de coisa barata e não está nem ai para a origem da loja, as redes nacionais crescem enquanto as locais desparecem lentamente ao sabor da globalização. Para mudar isso só colocando dinheiro público para subsidiar as empresas locais ou o consumidor comprar preferencialmente nas redes locais. Alguém quer fazer isso? É como a música do Chico Science: A cidade não para, a cidade só cresce, os de cima sobem, os de baixo descem.

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        Publicado por Jose Silva | 31 de março de 2017, 17:21
  3. O mais lamentável nessa situação toda e o que os yamadas estão fazendo com os funcionários é ex funcionários, que ainda está no grupo Yamada tá sem receber o salário, ticket e vale transporte e os que saíram levaram o calote. Os advogados dos Yamada ainda querem parcelar em 12x a indenização desses pobres trabalhadores e muita cara de pau deles propôr isso.

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    Publicado por Josiane | 2 de abril de 2017, 20:32

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