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Cidades

O inferno de Belém

Há um único caminho contínuo de entrada e saída de Belém. É através da BR-316, que se liga à avenida Almirante Barroso em território da capital paraense. As raras alternativas e derivações convergem todas para a rodovia federal. O município tem 1,3 milhão de habitantes. Em torno dele gravitam quatro municípios da área metropolitana, se aproximando dos dois milhões de moradores. Suas sedes estão se ornando cidades dormitórios. Daí o fluxo de ida e vinda cada vez mais intenso pela BR. Nesse perímetro, ela se tornou um dos locais mais martirizadores dentre todas as capitais brasileiras.

Quem trafega por esse corredor do inferno sabe da dor de estar dentro do seu carro em momentos de paralisação completa ou de fluxo lentíssimo. Às vezes há uma causa objetiva, bem visível: um acidente ou um veículo no “prego”, na maioria das vezes um dos velhos e maltratados ônibus (sem que as empresas responsáveis por essa negligência sejam punidas na medida da sua irresponsabilidade).

Muitas vezes não há um motivo fático. O motorista enervado passa pelo ponto de bloqueio e não vê nada que justifique a lentidão. A culpa é da física, que não consegue acomodar tantos corpos em movimento num espaço onde eles não cabem. O afunilamento poderia ser evitado se a Polícia Rodoviária Federal tivesse quadros humanos e meios materiais à altura do problema. Mas não tem.

O que só raramente se vê nessa sucessão de problemas é a presença de um representante do poder público, na figura de um servidor ou no atestado de uma obra. As que existem parecem construídas para prejudicar e não beneficiar o cidadão. Os viadutos, por exemplo, não passam de vias elevadas que começam e terminam numa rua que já havia. Não houve a modificação do espaço para o motorista sair do fluxo de veículos, fazer o contorno e retornar ou seguir num local livre para que ele se reintegre ao trânsito. Um benefício é concedido junto com a criação de um novo malefício, geralmente maior.

O buraco cavado no Entroncamento, por exemplo, a que dão impropriamente a designação de túnel. Ao longo do dia ele se torna várias vezes um estacionamento compulsório para os veículos. Ao finalmente sair do buraco, eles estancam diante da muralha de ônibus que se engalfinham e se espraiam por todos os espaços atrás das paradas destinadas aos passageiros dos ônibus, instaladas onde não deviam estar: logo depois do túnel.

Todos os sofridos usuários do transporte público parecem formar uma torre de Babel, nada atenuada em seu caos  por falarem a mesma língua. Têm que correr de um extremo ao outro para pegar o seu ônibus, à unha, com uma disposição capaz de impedir que o motorista queime a parada, um dos seus exercícios sádicos favoritos. O efeito é a montagem de uma barreira compacta de ônibus bloqueando a passagem de outros veículos.

Já em frente ao supermercado Líder, a passagem se afunila em duas ou três faixas porque um longo trecho da estrada apresenta crescentes crateras no seu leito, nas faixas mais próximas da margem. Quando chove, os buracos viram piscinas de água suja, isolando os pretendentes a passageiros de ônibus e os expondo ao risco de um banho inesperado e indesejado. Os motoristas mais experientes ou já informados fogem desses imensos buracos e s comprimem no espaço que lhes sobra.

A situação perdura há muito tempo, sem qualquer providência de quem devia ser a instância competente para enfrentá-la e resolvê-la. Ninguém resolve nada na BR-316, a pior via metropolitana do Brasil. O governo é o autor dessa façanha. O povo, que sofre os seus afeitos, parece anestesiado por algum sentimento equiparável ao masoquismo – e à incivilidade imposta pelos seus representantes.

Discussão

32 comentários sobre “O inferno de Belém

  1. A PRF não tem quadros ou não coloca os quadros na rua para ajudar a resolver a situação? Também, onde termina a responsabilidade da PRF e inicia a responsabilidade da gestão municipal? Desde tempos imemoriais, essa saida da cidade sempre foi congestionada. Entra e sai governo e a situação somente piora? Qual seria a solução? Viadutos? Desapropriar amplas áreas ao redor da rodovia para dar mais espaço aos carros? Alguém tem uma solução concreta?

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    Publicado por Jose Silva | 1 de abril de 2017, 11:06
  2. Esse problema que você relata é uma prova viva da irracionalidade e incapacidade de nossos intelectuais e elites políticas, sindicais, federativas e sociedade organizada em geral, de pensar e perceber que sempre se faz tudo errado.
    – Primeiro, concentrou-se a maioria dos investimentos públicos em saúde, educação e infraestrutura na Capital do Estado e, depois, área metropolitana, tornando-se um ímã migratório, o el dorado urbano da Amazônia, onde todas as oportunidades estariam a espera dos desbravadores em busca de empregos e ascensão social, deixando-se a maioria dos municípios à própria sorte. Desconcentrar é preciso, através de investimentos em outras cidades de estruturas de educação, saúde e segurança.
    – Segundo, temos uma costa imensa e rios caudalosos que poderiam dar suporte ao transporte de cargas destinadas à Belém e Barcarena, bastando fazer-se portos, portos secos e bolsas de mercadorias e de fretes, nas cidades ao longo de rios como o Capim e Guamá. Toda carga pesada e interestaduais poderia ser transbordada em Paragominas ou São Miguel do Guamá, ou outra localidade mais privilegiada para se fazer centros logísticos de distribuição de cargas, que depois de transbordados ou em carretas/contêineres, viriam em balsas direto pelo rio até os portos e, no caso das destinadas a Belém, poderiam desembarcar nos portos credenciados a fazer a armazenagem e distribuição aos destinatários. Com isto, centenas de carretas deixariam de entrar diariamente na metrópole aliviando a pressão sobre o tráfego na BR316.
    – Terceiro, com mais investimentos em parcerias públicas privadas com hotéis, restaurantes e estabelecimentos de logística, construir ao longo do Guamá uma orla turística, de marinas, portos e de escoamento de trânsito pelo menos até alça viária, reforçando o porto da Ceasa para receber as cargas destinadas a atacadistas.
    – Quarto, criar um novo sistema de transportes urbanos públicos em Belém, integrando através de estações completas os BRTs; ônibus de vizinhança e circulares; ferryboats cobrindo a mobilidade pelos rios e baía do Guajará, desde Marituba, pelo Maguary, Mosqueiro, Outeiro, Icoaraci, Belém e Barcarena, amparados por estações hidroviárias, com segurança, conforto, serviços e estacionamento para carros, motos e bicicletas; heliportos e tudo o mais que possa garantir a viabilidade da integração e mobilidade urbana.
    – Quinto, criar a figura do gestor da mobilidade urbana, uma estrutura inteligente e informatizada capaz de perceber problemas e encontrar as soluções imediatamente. Toda a sinalização deveria estar preparada para essa gestão através de um sistema em rede de administração, acoplado a um grupo gestor presente integralmente 24 horas/dia.

    É muito? Não acho. Pior será a falência do atual sistema e todos desesperados com os prejuízos decorrentes da imobilidade urbana. No mínimo iremos empobrecer, perdendo poder de competitividade no mercado.

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    Publicado por JAB Viana | 1 de abril de 2017, 14:42
    • Parabéns. É uma agnda que não faz parte da ação pública, defasada, ineficiente e viciada.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 1 de abril de 2017, 15:04
    • Ideias muito boas. Precisamos pensar macro para resolver os microproblemas.

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      Publicado por José Silva | 1 de abril de 2017, 23:17
      • Só falta dizer aonde vai brotar o dinheiro para tudo isso. Se nem um brtzinho…

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        Publicado por Paul Nan Bond | 2 de abril de 2017, 18:35
      • Paul,

        Voce tem razão. Por isso que o prefeito eleito precisa ter credibilidade para mobilizar os recursos. Nenhum dos nossos prefeitos eleitos pelo povo da cidade tinha qualquer credibilidade, nem mesmo para conseguir um empréstimo na quitanda da esquina. Viva nós.. Somos bons demais nas nossas escolhas.

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        Publicado por José Silva | 3 de abril de 2017, 00:30
      • Mesmo que houvesse dinheiro, o Zenaldo fez toda essa presepada com o BRT, faça ideia os estragos que faria em outros projetos maiores.

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        Publicado por Jonathan | 3 de abril de 2017, 16:49
  3. “O governo é autor dessa façanha”

    Leia-se Simão Jatene que não tirou do papel o prolongamento da Avenida João Paulo II que desafogaria bastante o trânsito da BR-316. Aliás, por que essa obra, que já era para estar pronta há anos, simplesmente não anda? Alguém sabe explicar o porquê? Projeto antigo, desde os tempos de Almir, que ainda não tem nem 8Km prontos. Já se passaram 12 anos de Jatene e nada. E ninguém cobra nada. Todos calados. Parecem todos satisfeitos.

    PS: Discordo de você sobre essa ser a pior via. A pior via da Região chama-se Augusto Montenegro graças ao Zenaldo e seu fajuto BRT que não terminou e nem vai terminar. Mas todos estão contentes, não ? Elegeram ele de novo.

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    Publicado por Jonathan | 1 de abril de 2017, 15:09
    • Em um determinado momento teremos que tomar decisões: melhor ter mais espaço para carros ou ter mais espaço para gente.

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      Publicado por José Silva | 1 de abril de 2017, 23:19
      • Para diminuir o uso de veículos particulares, seria preciso, basicamente duas coisas:

        1- Um transporte público rápido e eficiente como um metrô. Os BRTs fajutos do PSDB, do modo como eles executam, de nada valem e ainda gastam dinheiro inutilmente.

        2- Diminuição e controle da violência urbana. O uso de veículos particulares está diretamente relacionado à violência urbana, especialmente em coletivos. Assaltos a ônibus aumentaram consideravelmente nos últimos anos. Consequentemente, o cidadão busca o carro achando que se livrará de assaltos nas ruas e ônibus.

        O uso das bicicletas é a solução mais barata. Entretanto, nessa época do ano, fica muito difícil fazer uso delas: muita chuva e bastante alagamentos.

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        Publicado por Jonathan | 2 de abril de 2017, 09:45
  4. Oi Lúcio, vc escreveu BR163 no texto, dê uma olhada.

    Outro problema do “túnel” foi o isolamento do pessoal do Entroncamento do lado da Travessa Aparecida, Mariano e região. Agora é praticamente impossível atravessar para a praça onde funciona a feira, bancos e etc. Prejudicou sobremaneira aqueles moradores.

    (Sem contar q somando túnel com viaduto, destruíram a praça com a bela escultura de Niemeyer)

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    Publicado por Filipe Saraiva | 1 de abril de 2017, 15:49
  5. Quem precisa utilizar essa via todos os dias, que o diga. É mais estressante que um dia inteiro de trabalho. A sensação é de impotência, diante desse crescente congestionamento, que torna as pessoas ainda mais impacientes e incivilizadas. Além disso, os atropelamentos são recorrentes na rodovia; uma tragedia diária que parece não ter fim.

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    Publicado por Marilene Pantoja | 2 de abril de 2017, 00:05
  6. Nossa cidade parou no tempo. Somos uma das capitais brasileiras que mais perdeu importância nos últimos anos, seja política, econômica, etc
    Basta sair de Belém e não precisa ir muito longe pra perceber o quão atrasado estamos. Em algumas capitais já se discute um novo modelo de transporte em substituição aos terminais de integração, pois estes já existem há 10, 15 ou mais anos. E agora que tão querendo instala- lista aqui é a passos de tartaruga. Ontem, um jornalista que não me recordo o nome, publicou no caderno TDB, do Diário do Pará, que Belém nada produz, que as faculdades jogam dezenas de novos desempregados no mercado de trabalho todos os anos. Não há como esses recém formados serem absorvidos, pois Belém estagnou economicamente. A cidade nada produz, não se desenvolve. E o pior, não há perspectiva de melhora.

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    Publicado por Hiran | 2 de abril de 2017, 09:56
  7. Pois é .

    A pergunta que não quer calar é a seguinte : por que a classe média motorizada , informada e instruída que mora para aquelas bandas , não se organiza politicamente num movimento de usuários da rodovia urbana -metropolitana para lutar objetivamente contra esse estado de coisas que ela tanto reclama ?
    Será que classe média metropolitana ainda não se deu conta que ela precisa fazer/agir para além do blablablablabla ?
    Será que nada aprendeu com os movimentos populares urbanos ?
    Vai esperar , esperar , esperar ….pelos próximos governos metropolitanos …..e vai continuar reclamando que a ” culpa é do povo que vota errado” ?

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    Publicado por Marly Silva | 2 de abril de 2017, 10:00
    • As perguntas estão feitas. Quem se digna respondê-las?

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 2 de abril de 2017, 10:28
      • Nada se resolve porque quando chega na hora da mudança real, o que acontece é que todas as classes, independente se mobilizam ou não, preferem votar nos mesmos de sempre. A nossa sociedade é conservadora: gosta de votar em picareta. Por isso o business as usual permanece e nada de inovador acontece na cidade. E a famosa história dos carangueijos em um paneiro: quando um tenta fugir os outros puxam o coitado de volta.

        Por fim, movimento popular só funciona quando ele é inclusivo. Está é a razão que os movimentos populares da cidade conseguiram tão pouco..são extramente fragmentados e lutam por coisas pontuais e não por transformações que beneficiem a todos. Tudo isso acaba levando a mais conservadorismo, seja de esquerda ou de direita, se é que existe isso de verdade.

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        Publicado por José Silva | 3 de abril de 2017, 00:14
      • Pois é. No fundo, gostam de viver na calamidade atual que é a cidade de Belém. Se pensassem diferente, não reelegeriam o Zenaldo.

        Até mesmo cidades pequenas sabem ser mais ativas que Belém. Em Castanhal, os dois favoritos que representavam a mesmice (Milton Campos e Titan) foram derrotados.

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        Publicado por Jonathan | 3 de abril de 2017, 11:29
      • Jonathan,

        Bom exemplo. Quando a sociedade quer, muda. Quando não quer, se alia a mediocridade. Que o Zenaldo seria um desastre já sabíamos de antemão. Basta ler os posts das discussões durante a eleição.

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        Publicado por José Silva | 3 de abril de 2017, 21:18
  8. Meu sonho é pegar essa BR e nunca mais voltar pro atraso. Esse sonho vem desde a década de 90 quando comecei a romper divisar e conhecer outras plagas.

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    Publicado por Max André | 2 de abril de 2017, 13:44
  9. O brt era um projeto bom quando concebido, lá nos anos 80 com Jaime Lerner, em Curitiba, no entanto nem lá mais funciona bem. Por conta da copa todos as capitais foram compelidos a fazer, num esquemas montado pelo Lula/Dilma para beneficiar a empreiteiras, que já entregam aos municípios os projetos prontos.

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    Publicado por António Carlos de Andrade monteiro | 2 de abril de 2017, 22:37
    • Antonio,

      Você tem razão. Estamos sempre atrasados em relação ao mundo. Somos conservadores, gostamos mesmo é de mediocridade. Ser avançado cansa muito. Para que o esforço?

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      Publicado por José Silva | 3 de abril de 2017, 00:34
      • Falando na BR-316, a situação vai piorar (e muito) caso resolvam fazer o tal “BRT Metropolitano”. Ficará praticamente impossível sair e entrar da cidade com isso. Todos nós sabemos qual é o ritmo do PSDB: obra extremamente lenta para puxar votos e mal-feitas – vide a Perimetral.

        Enquanto isso, o prolongamento da João Paulo continua lá parado. O fundo do poço ainda está longe. Sempre pode piorar.

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        Publicado por Jonathan | 3 de abril de 2017, 11:15
  10. Pois é . Ao fim e ao cabo há uma resistência ao fato de se colocar em questão a classe média , pq a classe média não gosta de se ver nessa condição de objeto de questionamentos de seus valores e comportamentos , por isso mesmo muitos preferem agarrar-se às generalizações , às ideias-feitas , aos velhos chavões de sempre como culpar “o povo e a sociedade” . Ah! o povo !!! Como é difícil ir além das aparências e olhar-se no espelho ,não ?

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    Publicado por Marly Silva | 3 de abril de 2017, 20:24
    • Pefeito, Marly. Mas como se aborda/educa/conscientiza essa classe média conservadora e hipócrita? Como fazer vê-los exatamente o que vc colocou? Infelizmente, e com certeza, não será “acusando-a”(revelando) de ser assim. Como fazer uma política inclusiva entre os que mais sofrem com tudo nas periferias abandonadas, e os que sofrem menos nos centros, e embora tentem, são atacados (literalmente) pelo choque de realidade nas ruas com a cidade abandonada na qual fingem flutuar, mais ilesos que “o povo que nao sabe votar”? Como mostra-lhes(nos) esse espelho?

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      Publicado por Marlyson | 4 de abril de 2017, 05:58
  11. Tem gente que adora distorcer os fatos. Quando se fala a população de uma cidade, refere-se a todos independente de classe social. Quando se admite que a sociedade a qual a pessoa pertence é conservadora na hora da tomada de decisão, é claro que está mais do que explícito uma auto-critica. O que mais me espanta é que as pessoas que sugerem espelho para as outras são geralmente as que mais usam chavões e abusam de velhas generalizações concebidas durante a revolução industrial.

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    Publicado por José Silva | 3 de abril de 2017, 21:10
  12. Enquanto prevalecer a mentalidade religiosa, anualmente retroalimentada pelo círio de nazaré, a Arena Romana agradece…

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    Publicado por Luiz Mário | 3 de abril de 2017, 23:56
    • Excelente lembrança. A resignação e eterna espera por messias sem dúvida também tem sua grande parcela de influência e contribuição.. somada à baixa escolaridade generalizada então…

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      Publicado por cidadão | 4 de abril de 2017, 06:00
  13. Alguma informação sobre a visita ao Papa?

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    Publicado por Luiz Mário | 4 de abril de 2017, 11:22

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