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Cidades, Saúde

Até quando o fedor?

O trânsito parado durante cinco horas formou, hoje, a maior fila de carros da história da BR-316. A Polícia Rodoviária Federal diz que foram sete quilômetros de paralisação absoluta, com milhares de pessoas retidas pelo bloqueio da estrada, no sentido da saída de Belém.

Mas o efeito do bloqueio foi muito maior. Pessoas que deviam pegar a pista da rodovia desistiram e voltaram aos pontos de origem, quando isso foi possível. Outras procuraram caminhos alternativos de retorno. Além dos danos subjetivos, o prejuízo objetivo foi muito grande.

A reação dos moradores de Marituba, no entanto, era previsível. Eles dormem e acordam com o mai cheio empestando o ar. A empresa responsável por esse odor penetrantemente agressivo, a operadora do aterro dito sanitário, a Guamá Tratamentos de Resíduos, admitiu em nota que as fortes chuvas dos últimos meses prejudicaram a operação lixo.

Eximiu-se, porém, de responsabilidade sobre os danos ambientais ou à saúde de moradores da vizinhança do depósito, que está no perímetro urbano de Marituba. Com um argumento direto: para cumprir a sua tarefa, não pode deixar de movimentar o lixo, “o que pode causar picos temporários de geração de odor”.

O problema está na capacidade dos moradores de suportar essa grave agressão a um movimento que nenhum ser vivente pode deixar de fazer: respirar. Seria maravilhoso se todos pudessem reter a respiração até que todas as providências fossem adotadas para sanar o gravíssimo erro de origem: ainda aceitar que o tratamento do lixo seja feito da forma usada em Marituba, a céu aberto e por compactação com terra.

Além de primário e já superado, o método está sujeito a efeitos de um fator externo, mas constante nesse período em Belém: chuvas fortes e quase diárias. O fedor se torna insuportável. Toda vida em Marituba, com seus mais de 100 mil habitantes, virou um inferno.

Não lhe resta opção. Tem que aceitar a condição insuportável como necessária parta a resolução do problema. É o que se deduz da nota que também a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade divulgou.

Nela, garante que está “cumprindo o que foi acertado em reunião com a população do entorno do empreendimento, vistoriando diariamente a área do aterro e monitorando as medidas que foram determinadas pelo órgão ambiental para que os impactos causados pela má operação do empreendimento sejam minimizados”.

A secretaria está tranquila porque “recepcionou solicitações de cartas consulta por parte de outros empreendimentos referente à situação de fechamento do aterro, também discutida com a comunidade”.

Tudo bem. Mas como vai ser a vida de quem sente o fedor do lixão em Marituba até que a situação anterior lhe seja devolvida?

Discussão

7 comentários sobre “Até quando o fedor?

  1. Lúcio! Sei bem o que essas pessoas estão passando. Moro no bairro da Cremação há mais de 40 anos e lá funcionava o forno crematório de lixo que se não me engano foi desativado na década dos anos 1980. O odor era insuportável nos momentos de pico na queima de lixo e até de animais como cavalos, muitos adoeciam por causa desses transtornos. No início dos anos 2000 o local foi transformado no que é hoje a praça Dalcídio Jurandir que aliás causaria até constrangimento ao grande escritor, pois a praça é local de constantes assaltos, viciados e moradores de rua!.

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    Publicado por Emerson Soares | 4 de abril de 2017, 16:28
  2. É bem simples resolver. Basta levar o odor as moradias do prefeito e governador que logo o problema será solucionado. Sem experimentar o problema, os tomadores de decisão não tomam decisão. Essa é a regra número um do gestor público brasileiro.

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    Publicado por José Silva | 4 de abril de 2017, 20:54
  3. Oportuna a reportagem, porém inócua quanto a sua eficácia. Temos um problemão pra resolver, onde despejar o lixo diário de Belém, Ananindeua e Marituba? Não existe um lugar para essas operações, o que fazer ? Deixar as cidades apodrecer ? Como querem certos políticos ? Vamos ser mais realistas .

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    Publicado por João Carlos Ribeiro de Pontes | 5 de abril de 2017, 09:17
    • Temos que ser realistas sem renunciar à inteligência. Basta comparar o lixão de Marituba, réplica quase do Aurá, para verificar a imensa distância que nos separada de soluções adotadas em lugares um pouco mais exigentes do que nós. De fato, agora o bode está na sala e o que fazer com ele? Uma solução adequada levará meses ou anos, mas tem que começar já. Com que dinheiro? Com que disposição efetiva?
      Enquanto isso, todos os dias o lixão de Marituba engordará 1,5 mil toneladas? E a população, suportará a continuação do fedor, agravado pelas chuvas? Fechará de novo a BR? Ou virá em caravana até Belém e acampará em São Braz, bloqueando a saída dos carros da capital insensível, indiferente ou incompetente para resolver os problemas do interior, sob a sua jurisdição política?
      Não sei. O que não pode é o drama prosseguir com esse ritmo de faz de conta.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 5 de abril de 2017, 10:40

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