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Economia, Minério, Multinacionais

Nós, minério. Eles, aço

A siderúrgica que a Vale inaugurou hoje, em Fortaleza, no Ceará, é três vezes menor do que o investimento realizado na mina de minério de ferro de Serra Sul, em Carajás, no Pará. A primeira custou 14 bilhões de reais. A segunda, R$ 45 bilhões.

Mas enquanto o Pará se consolida como simples minerador, o Ceará avança um pouco na escala de transformação do minério. Significa que, se depender da Vale, o Pará continuará à margem da transformação do seu rico minério, quase integralmente exportado.

Maior investimento privado no Nordeste do país, a Companhia Siderúrgica do Pecém é uma joint-venture entre a Vale (com 50% das ações) e as empresas sul-coreanas Dongkuk (30%), maior compradora de placas de aço do mundo (produto que agora vai produzir), e Posco (20%), 4ª maior siderúrgica mundial e primeira da Coreia do Sul. O empreendimento se materializa nove anos depois do seu início.

Placas de aço produzidas desde o ano paassado foram exportadas para vários países espalhados em quatro continentes. Para este ano, a previsão é exportar cerca de três milhões de toneladas de placas, com faturamento de um bilhão de dólares. Na cadeia produtiva local, a siderúrgica estima movimentar R$ 520 milhões ao longo de 2017.

O impacto sobre a balança comercial do Ceará foi imediato. O valor das exportações cearenses em fevereiro de foi de US$ 175 milhões, ante US$ 81 milhões no mesmo mês do ano anterior – um aumento de 116%. O

s produtos metalúrgicos se tornaram os mais importantes da pauta de exportação, com 61,1% do volume total. Foram US$ 197,152 milhões exportados nesta categoria no ano passado, 926% mais do que em 2015, com menos de US$ 20 milhões.

As placas são usadas atualmente pela indústria naval, mas poderão ter aplicações em equipamentos da linha amarela, como escavadeiras, carregadeiras, retroescavadeiras, compressores, gruas, guindastes e plataformas aéreas

Discussão

11 comentários sobre “Nós, minério. Eles, aço

  1. O Para entra com o ferro e a energia e o Ceará com a inteligência. O Pará fica com os custos sociais e ambientais e o Ceará com os lucros. Somos uma maravilha de estado, que sustenta com os seus votos o pior grupo de políticos do país.

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    Publicado por José Silva | 4 de abril de 2017, 21:03
  2. Lúcio, alguma coisa a ver com vantagem locacional (infraestrutura de logística) e carga tributária?

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    Publicado por Paul Nan Bond | 4 de abril de 2017, 22:55
    • Até onde lembro, a decisão de colocar a siderúrgica lá foi puramente política, tendo inclusive apoio político do governo federal de então. No Brasil, estas decisões são todas políticas e não técnicas. É sempre assim: os benefícios das nossas riquezas são socializados com os outros, enquanto os prejuízos ficam todos nas nossas costas. Quem sabe um dia isso mudará.

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      Publicado por José Silva | 5 de abril de 2017, 08:35
      • O critério político pesa, como foi determinante na Valesul, no Rio de Janeiro, como compensação pela Albrás e a Alunorte. Em matéria de política, porém, o nosso peso é de peso leve, quase levitando.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 5 de abril de 2017, 10:23
    • Forte vantagem locacional parea um projeto de exportação, ficar no litoral, junto a um bom porto.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 5 de abril de 2017, 10:20
  3. Ainda que as vantagens geográficas (enseada protegida, bom calado, distância aos EUA e Europa, etc) do Pecém sejam excelentes do ponto de vista da exportação, porque a siderurgia e seu beneficiamento não podiam ficar no Pará, em vez de enviarmos o minério pra lá? Essa é minha dúvida também, Paul.

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    Publicado por Marlyson | 5 de abril de 2017, 06:16
    • Para ir para o interior era preciso montar um esquema como o que Minas Gerais fez para receber siderúrgicas bem distante do litoral. Um projeto de endogenia, como se dizia. Ou seja: mais coisas ao redor da siderúrgica e condições para a verticalização do empreendimento, com a decisiva participação do governo. Por aqui, tem sido mais conversa fiada. E coisa pior ainda.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 5 de abril de 2017, 10:22
    • Marlyson, honestamente eu não sei. Por isso peguntei ao Lúcio, que conhece melhor que ninguém de fora as operações da empresa. Mas posso imaginar, a grosso modo, que as razões para não ter ficado no Pará devem ter a ver com as vantagens operacionais, conjugados todos os fatores (políticos, carga tributária etc.), para a operação ser rentável (ou o preço das ações na bolsa iriam começar a evaporar em algum tempo). Obviamente, os fatores políticos têm seu peso, o Pará patina em promover investimentos (públicos e privados) em seus limites, um fator de importância, mas não o único. Com a palavra, o mestre Lúcio:

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      Publicado por Paul Nan Bond | 5 de abril de 2017, 16:22
      • Os mineiros já se uniram em algumas ocasiões para atrair e fomentar investimentos. Como já escrevi, só assim levaram a siderurgia para o sertão, tirando-a das praias, onde os brasileiros imitam os caranguejos, segundo a imagem quinhentista. O que o Pará tem? Esse Pará 2030, que é literatura sem um comandante. E, obviamente, sem a tropa. Parece que preferimos abrir portas para os verdadeiros donos da nossa riqueza e cobrar “algum” por fora.
        Os arquivos da vale, do Japão e, agora, da China um dia ajudarão a contar a verdadeira história que estamos deixando galopar velozmente à nossa frente.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 5 de abril de 2017, 16:48
  4. verticalizar é preciso…
    enquanto não houver um governar, um olhar, para além dos pés, o Pará continuará crescendo “como o rabo do cavalo”.
    acordar é preciso…

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    Publicado por valdemiro | 5 de abril de 2017, 09:53
  5. A Amazônia teria a oportunidade de se tornar o centro do mundo com a aplicação da ciência em todas as áreas, afinal, ela (ciência) é uma das refinadas vozes da Natureza. Todavia….

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    Publicado por Luiz Mário | 5 de abril de 2017, 12:22

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