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Grandes Projetos, Hidrelétricas, Minério

Dias Leite e a Amazônia

O engenheiro Antonio Dias Leite foi ministro de Minas e Energia no pior período da ditadura militar, o governo do general Médici, entre 1969 e 1974, mas ao morrer na semana passada, no Rio de Janeiro, aos 97 anos, suas mãos estavam limpas. Como esse aparente paradoxo é possível? Só encontro uma explicação: não havia ninguém mais brilhante do que ele no setor.

Não só de uma inteligência excepcional: também por uma rara capacidade de trabalho. Estava em plena atividade na idade avançada e podia ter continuado assim por mais alguns anos se uma queda ao caminhar não tivesse antecipado o seu fim.

Dias Leite foi um marco na história da mineração e da energia na Amazônia. Patrocinou o Projeto Radam, o mais avançado levantamento do até então desconhecido subsolo da região. Participou da pressão que resultou no ingresso da Companhia Vale do Rio Doce em Carajás, até então reduto da multinacional americana United States Steel. Estimulou o aproveitamento hidrelétrico dos rios amazônicos e a abertura da mineração a empresas nacionais e estrangeiras.

Uma obra polêmica, é certo, sujeita a críticas, mas concebida com profundidade e sólido conhecimento de causa, que mudou de verdade a situação onde ele atuou. É uma pena que não esteja vivo para ver a repercussão do seu livro pós-morte, Meu século: O Brasil em que vivi, cujo lançamento está previsto para maio. Para os leitores, será o testemunho e o testamento de uma época.

Discussão

6 comentários sobre “Dias Leite e a Amazônia

  1. O livro deve ser interessante para entender a origem de toda essa grande confusão que vivemos hoje.

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    Publicado por José Silva | 11 de abril de 2017, 07:15
  2. No aguardo.

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    Publicado por Luiz Mário | 11 de abril de 2017, 18:20
  3. Certamente José. Inclusive valerá a leitura p/ contrapor à análise e leitura de outro lançamento “Os fuzis e as flechas” do Rubens Valente (Cia Letras) q narra- dentre outras intervenções do Estado brasileiro na Amazônia, o etnocidio cometido por ocasião da Invasão do território dos povos Waimiri Atroari. Há muito sangue (…) por ser exposto. A História vivamente nos cobra.

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    Publicado por Amélia Oliveira | 11 de abril de 2017, 21:59

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  1. Pingback: Boletim de notícias 11/abr: Vacina contra zika vírus funciona em roedores | Direto da Ciência - 11 de abril de 2017

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