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Justiça, Política

O teste da verdade

Os executivos da construtora Odebrecht que fizeram delação premiada com o grupo tarefa da Operação Lava-Jato disseram aos seus interrogadores que deram 1,5 milhão de reais para a campanha eleitoral de 2014 de Helder Barbalho, do PMDB, ao governo do Estado, e de Paulo Rocha, do PT, ao Senado. Deram a pedido pessoal dos dois. O dinheiro não foi incluído na prestação de contas que apresentaram ao Tribunal Regional Eleitoral.

Parte desse total (ou um valor acrescido, não há clareza a respeito) foi também distribuída ao então prefeito de Marabá, João Salame, e ainda a Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e Mário Amaro da Silveira, Barbalho, em três parcelas.

Com essa propina, paga pelo Setor de Operações Estruturadas do grupo Odebrecht, criado só para fazer corrupção, a empresa esperava que os beneficiários cuidassem dos seus interesses no Pará, “notadamente em área de saneamento básico, espaço em que a empresa almejava atuar como concessionária”, segundo o despacho do ministro Edson Fachin, que autorizou a instauração de inquérito para apurar a prática dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro de Helder e Rocha, que têm foro privilegiado.

Na nota em que se defende, o ministro da Integração Nacional  procura desqualificar a acusação. Salienta que “não tenho ou tive qualquer ingerência sobre a área de saneamento do Pará”, de responsabilidade da Cosanpa, “ligada ao Governo do Estado, que já manifestou publicamente sua intenção de privatizá-la”.

A sutil intenção de Barbalho é desviar o tiro para outro alvo. Além de ser o chefe da Cosanpa e pretender vendê-la, com isso harmonizando sua intenção à da Odebrecht, interessada no negócio, outro elemento reforçaria a suspeita sobre Jatene: ele usa cavanhaque. E cavanhaque foi o codinome aplicado pelo setor de corrupção da Odebrecht para camuflar o verdadeiro nome do político que corrompeu.

Mas há outras pistas no mistério, que a exiguidade das informações até agora divulgadas alimenta: como é que o então prefeito João Salame entrou no circuito da Odebrecht? Seria porque ele também pretendia privatizar o serviço de água e esgoto de Marabá, o quarto município mais populoso do Pará?

Nesse caso, se explicaria sua presença ao lado de Helder Barbalho e de Paulo Rocha, aliados políticos, com acesso direto à então presidente Dilma Rousseff, podendo usar essa influência em favor da Odebrecht. Esticando a interpretação, o cavanhaque podia ser referência a Rocha, que ostenta o seu, uma associação com o Barbalho de Helder (barbudo) ou até com Salame, também portador de cavanhaque.

Será possível decifrar o enigma pelo acesso a todas as informações contidas nas delações premiadas dos 78 executivos e ex-executivos da empreiteira baiana. Como afirma sua inocência e diz acreditar na justiça, o ministro e o senador poderão prová-la, demonstrando a sinceridade das suas notas de ontem. Do contrário, serão facilmente desmascarados.

O teste da verdade começou.

Discussão

11 comentários sobre “O teste da verdade

  1. Lúcio, bom dia!
    Gostaria de ler sua opinião sobre o seguinte:
    As Delações informam os valores repassados como “propina” “doação” etc..
    Os Políticos negam dizendo que as “doações” estão registradas nas prestações de contas das campanhas.
    Como vai desatar esse nó?

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    Publicado por João Lobato | 12 de abril de 2017, 11:48
    • Em muitos casos, parte menor do dinheiro vira doação oficial de campanha eleitoral. A outra parte sai pelo caixa 2. O trabalho de investigação terá que encontrar as provas da entrada e da saída (ou saídas) do dinheiro nesse caso, de lavagem e falsidade ideológica. A propina é outra coisa.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 12 de abril de 2017, 12:42
  2. “Cavanhaque” talvez poderia ser uma referência a uma barba(lho) menor.

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    Publicado por Luiz Mário | 12 de abril de 2017, 12:00
  3. Ou parte menor dela…

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    Publicado por Luiz Mário | 12 de abril de 2017, 12:01
  4. Cavanhaque é filho do BARBAlho .
    Simples assim. Codinome , não é o nome .

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    Publicado por Pedro Paulo | 12 de abril de 2017, 12:54
  5. Eu sou medido a esperto e essa do Helder ser conhecido como “Cavanhaque” no circuito propineiro eu não consigo matar a charada, de 100% eu não conseguir nem 0,05% de coerência ? Não me perdoe tem algo que não fecha a porta!

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    Publicado por Mestre Chico Barão | 12 de abril de 2017, 17:13
  6. Não importa se é Cavanhaque, barbudo, cara limpa , wisque, …., o problema e o dinheiro que abasteceu todas as campanhas do PT , PMDB , DEM , PSDB , PC do B, PSOL , todos os partidos receberam grana sem exceção a diferença é q no jogo o partido que tem mas chance de vencer e o que recebe mais, não importa se é 1 real ou 10 milhões, tem que investigar e punir todos os culpados independente do partido, ,,
    essa bomba é colírio nos olhos do Doria e pioneiro futuro presidente 2018 e futuro governador em 2018,

    eu falo vocês são teimosos em me ouvir , kkkk

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    Publicado por Pablo Xavier | 12 de abril de 2017, 17:31
    • Talvez seja assim: o partido que está no poder tem maiores chances de receber doações. Isso é fato, pois brasileiro só investe em que está ganhando. E essas doações sempre tem como objetivo receber futuros favores de quem for eleito. Se os favores não forem feitos, não há dinheiro para a próxima eleição.

      As doações podem entrar por via legal ou virar caixa 2. Minha hipótese e que so vira caixa 2 na magnitude que virou quando o partido é muito fragmentado, pois cada grupo quer acumular o seu para poder ganhar as guerras internas no partido.

      Foi essa extrema fragmentação que ferrou o PT. Cada um dos seus líderes queria uma conta separada para o seu grupo. Ao invés de fazerem a arrecadação para o partido como um todo (o que favoreceria a doação legal) cada um focalizava os esforços no seu grupo às escondidas. No final das contas, não havia doador que aguentasse, pois eram inúmeros pedidos. Foi por isso que o Odebrecht criou contas específicas para o caixa 2 que eram gerenciadas por certas pessoas. Por isso a conta do amigo Lula era gerenciada pelo Palloci.

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      Publicado por José Silva | 12 de abril de 2017, 18:36
    • Pioneiro governador do Pará?????? Essa foi boa. Deus me livre guarde, ele e Helder Barbalho destruíram Ananindeua literalmente. Imagine o que farão no resto do estado.

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      Publicado por Daniel | 13 de abril de 2017, 11:45
  7. Boa, caro Pablo.

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    Publicado por Luiz Mário | 12 de abril de 2017, 17:34
    • Pra essa inverticao so um barbeiro das antiga pra começar baixando na navalha o cauvanhaque desses bandidos e corrupitos…ate deixar ele com a cara limpa….os tempos mudaram Hélder… nao e so meter a mao e fazer caixas p próximas eleicoe…evert o q roubou.. p roubar mais….c essa teu sonho d saquear o nosso estado de transformar o para em mega barbearia acabou. . com um cauvanhaque ….Beneditode cauvanhaque…melhor um Blake pawer..🕵🕵🕵🕵

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      Publicado por Juvenal galvao | 12 de abril de 2017, 21:01

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