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tráfico de drogas, Violência

Andreza, a quase-miss

A senhorita Andreza foi a campeã dos acessos e comentários em toda história deste blog. Não por ter participado do Big Brother nem por possuir um cãozinho de raça, saber fazer quitutes tirados de um livro para gourmet ou por causa de um selfie em Paris. Andreza conseguiu finalmente a grande fama que buscava ao ser assassinada numa rua da periferia de Belém com cinco tiros, a poucos metros da sua casa e da delegacia de polícia. Dois homens a mataram e fugiram. A polícia ainda não tem pista deles.

A vida da senhorita Andreza tem todos os componentes para interessar aos sempre assustados e temerosos belenenses e paraenses em geral. Ela era pobre, feia (mas produzida para atrair a atenção), moradora da selvagem periferia metropolitana, delinquente, drogada, talvez traficante, mãe jovem, vivendo maritalmente sem relação jurídica formal, seu companheiro sendo criminoso, assassinado quatro meses antes dela. 

Mas era inteligente, esperta, audaciosa, criativa. Passou a cultivar o desejo de ser famosa, como Gaby Amarantos ficou, talvez, ou como a Bruna Surfistinha – ou quem mais que a engrenagem do marketing e do oportunismo tira a pinça da imensa, informe e rejeitada massa dos “nacionais”, que deixam de ser número quando comparecem a um prontuário policial. Por essa ultra seleção, os transforma em exemplos da capacidade de absorção do enjeitado pelo “sistema”, que assim prossegue sua rolagem social.

Andreza queria emergir dessa lama cruel, mas a rotina da delinquência, que é uma roleta russa anônima, a pegou primeiro e a despachou do universo. No seu blog, Rafaela Sidrim apresentou essa face da busca pela sobrevivência da moça de 22 anos que morreu como bandida, traficante, ser repulsivo, animal. Reproduzo a postagem de Rafaela como contribuição ao prosseguimento do debate sobre o tema imanente ao fim da senhorita Andreza.

Eu conheci a Senhorita Andreza e muito me entristece ver tantos amigos e familiares comemorando e fazendo piadinhas com a morte dela.
No ano passado participei de um concurso de beleza de miss tattoo.
Na primeira fase do concurso lá estava a Ariani, mais conhecida como “Senhorita Andreza”. Confesso que me bateu um leve desespero devido a má fama da moça e os meus traumas de vida. Cheguei a questionar a participação dela com a organização do evento que defendeu a candidata que cumpria todos os requisitos para o concurso.
Na semana que antecedeu o primeiro desfile foi criado um grupo de WhatsApp com todas as misses. E a Ariani falava estritamente o necessário mesmo as meninas (inclusive eu) tirando gracinhas com ela que a festa “ia ter embaçamento”, o que era inevitável. A propósito, estávamos interagindo com nada menos que a famosa senhorita Andreza! Ela levava na esportiva e quase não se manifestava em meio à tantas “matracas” tagarelas.
No primeiro dia de desfile (dia que fizemos essa foto), conheci a Ariani pessoalmente e me senti mega mal por que vi que ela era uma menina super tímida, não conseguia olhar em nossos olhos, desfilou de cabeça baixa toda envergonhada e quase não falava nada. A torcida que ela levou era composta apenas de sua família e talvez alguns amigos mais próximos.
Ariani não foi classificada, mas conhecer aquela figura me fez refletir sobre muitas coisas, principalmente sobre a hipocrisia de tanta gente que cultivou ódio e repudio a essa moça que nada mais era que o resultado desse sistema de merda que diminui jovens negros da periferia.
Não estou defendendo, muito menos endeusando a Ariani, mas estou repudiando todos vocês brancos de classe média hipócritas que comemoraram o assassinato da moça que era uma “bandida marginal” mas que não abrem mão daquela droga que vocês cheiram aos fins de semana e nem a maconha pra dar aquela relaxada, né?
Melhorem!

Discussão

34 comentários sobre “Andreza, a quase-miss

  1. Pela postagem eu concluo: (a) todo mundo que mora na periferia é classificado de negro, mesmo que pelas fotos a moça em questão fosse branca; (b) a droga ocupa toda a cidade, pois tanto ricos como pobres precisam dela para relaxar; (c) a sociedade está muito dividida, pois ninguém reconhece os seus próprios erros, pois fica sempre mais fácil colocar a culpa nos outros e sempre haverá um outro disponível para culpar. Triste cidade, triste sociedade. Belém merecia coisa melhor. Onde foi que erramos?

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    Publicado por José Silva | 15 de abril de 2017, 17:21
    • Oi José, a Andreza se identificava como mulher negra. Pelas imagens é possível perceber sua miscigenação. Abraços

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      Publicado por Paloma Franca Amorim | 15 de abril de 2017, 19:45
      • Obrigado Paloma. Esse continua um grande mistério para mim. Porque é difícil assumir que somos um país mestiço? Porque sempre optamos pelos dualismos? Brancos e pretos? Ricos e pobres? Esquerda e direita? Não é uma visão pobre de um mundo tão diversificado? Porque não assumir a nossa diversidade étnica?

        Uma vez tive que preencher uma ficha de um país sobre qual grupo eu pertencia. Acabei marcando branco, preto e índio, pois sou mestiço, tal como a maioria da população brasileira. Para mim é uma dávida. Para outros pode ser uma vergonha. Sei lá.

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        Publicado por José Silva | 16 de abril de 2017, 02:00
      • José Silva, concordo com você. Mas vou além e tentar penetrar em algumas razões que entendo do porquê de ser assim.

        Hoje os rótulos de natureza estética suplantaram em importância os rótulos de natureza moral. Chamar alguém com base nas suas características físicas, p. ex., de “tição”, “macaco” ou “preto” se tornou mais grave que chamar de “fdp”. Você pode ofender o sujeito com um sonoro “fdp”, degradá-lo em sua condição humana, uma ofensa que transcende a pessoa objetiva e alcança a mãe do xingado, atingindo a imagem da mulher e sua natureza como fundamento da família, mas não ouse chamá-lo de “macaco”! Aí você está ferrado! Pode ir preso! Chame-o mesmo de “fdp”, que é menos grave, embora degrade mais.

        Vivemos a era da rotulação, ideia cuja intenção tende a destruir o conceito de raça humana, o senso de igualdade. A pessoa deixa de ser vista como igual e passa a figurar segundo suas características estéticas e fenotípicas. Trata-se de dividir a sociedade em grupos acalentando mágoas, para reivindicar direitos. Esse é o cerne da mentalidade esquerdista da atualidade. Não se trata mais de revolução armada para a tomada do poder, mas de destruição da sociedade a partir da destruição de seus conceitos consagrados, ‘modus operandi’ do recalque, da inveja, da incapacidade pessoal de chegar à imagem que se faz de si próprio. Assim passa a existir uma razão para figurar como “pessoa de bem”, reivindicar direitos do estado, e as pessoas já não têm mais a menor noção de que estão fomentando a própria desgraça futura.

        Veja que a nossa melhor cultura moral já está tão desfigurada, que foi preciso que a blogueira salpicasse rótulos no texto para ganhar a aceitação (ganhou a atenção do mestre Lúcio, que a replicou para rescaldar a polêmica), destruindo a própria ideia da imoralidade que tornou Andreza um “sucesso”. O crime perdeu em importância na nossa escala moral. Tornou-se menor que os rótulos e a necessidade da blogueira de se postar como moralmente boa. É a ditadura do politicamente correto. É a necessidade do “eu”, de chamar a atenção mesmo sem fazer nada para mudar a realidade. O estereótipo de Andreza como expoente do comportamento criminoso perdeu espaço para essa necessidade de um mascote para a “boa causa”.

        É o tipo de discurso que pode ser invocado para a fabricação legal de minorias, as quais vão um dia reivindicar direitos coletivos especiais, o que vai contra a própria noção de igualdade expressa em nossa Constituição (art. 5º), pela qual o estado não deveria discriminar contra ou oferecer tratamento preferencial com base na raça, sexo, cor, etnia ou nacionalidade.

        É uma contradição só. A Constituição estabelece o princípio, mas esse tipo de discurso acaba gerando mais discriminação, mais leis discriminatórias, mais desigualdades! As ações governamentais que dividem o povo por meio da raça deveriam ser vistas como essencialmente suspeitas, vez que tais classificações promovem noções de inferioridade racial que conduzem a políticas de hostilidade. Em vez de reduzirem as desigualdades, acabam reforçando a crença de que os indivíduos devem ser avaliados pela cor da pele e condição social. Mas não, ninguém percebe a vigarice. Andreza passa a ser vista como igual apenas no ponto da apropriação do discurso politicamente correto.

        Note o ódio explícito na postagem que o Lúcio trouxe, quando a blogueira diz “brancos de classe média hipócritas que comemoraram o assassinato da moça que era uma “bandida marginal” mas que não abrem mão daquela droga que vocês cheiram aos fins de semana e nem a maconha pra dar aquela relaxada”. De onde essa criatura tirou essa ideia de culpa de brancos e que a regra geral é de pessoas comemorando a morte de Andreza? Eis o “vítima da sociedade”. Eis a mentira disfarçada pelo politicamente correto. Perceba como essa inversão não passa de uma ficção, para dar vazão ao ódio discriminatório da própria blogueira, transformando a exceção em regra! Desavisados caem nesse “conto do paco”. Não bastava dizer “veja, quem em rio de crocodilos se banha, um dia acaba virando comida de… crocodilo”. Quem com bandidos anda, um dia acaba sendo morto por eles. É o conselho que qualquer mãe daria a um filho primeiramente, ao invés de vê-lo andar com a criminalidade e ficar só criticando a sociedade.

        Mas hoje toda ficção é direito. O sujeito pode colocar um cocar na cabeça, dizer que é índio porque seu tataravô morou em tal terra, e reivindicar direitos sem problema algum, sem ter de provar nada de sua condição. Ele se autodeclara índio, e pronto! Não precisa provar mais nada, já está provado, ele é índio se assim se sente e diz que é, mesmo que todo mundo vê que não. Andreza não era vítima da sociedade, mas de si mesma, mas quem vê a coisa dessa forma é um insensível a ser execrado em público. Hoje qualquer um pode ser o que quiser, desde que não seja igual. Há essa necessidade permanente de distinção.

        Veja como funciona a contradição no comentário acima (já sabem quem, né?). Andreza pode se identificar como mulher negra, ao mesmo tempo em que se diz que “pelas imagens é possível perceber sua miscigenação”. Ora, quanta contradição! O conceito de miscigenação é exatamente a mistura, quando os elementos misturados substituem o elemento original, que deixa de existir, ou seja, esvazia o conceito de raça branca ou negra, não podendo mais se distinguir o preto do branco, não cabendo jamais para o caso qualquer gradiente para dita rotulação. Se eu tenho café numa xícara e leite noutra, eu tenho duas coisas. Mas se eu os misturar, já terei uma terceira coisa, que em nada se iguala aos ingredientes originais. Partindo desse princípio, como estabelecer raça branca ou raça negra num país altamente miscigenado? Não dá, né?

        Enfim, pelo jeito mesmo, Andreza não passou de um animalzinho de estimação da intelectualidade local e suas necessidades psicológicas, sua inversão de valores e seus ódios na busca por uma fama efêmera tal qual a de Andreza. Chama-se inveja. Parece até que o Brasil precisa de mais Andrezas.

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        Publicado por Paul Nan Bond | 16 de abril de 2017, 11:26
      • O Brasil vai ter cada vez mais Andrezas num universo oceânico de anônimos, bons ou ruins, “normais” ou desviados, criminosos ou cumpridores dos seus deveres – uma massa que a desatenção e a desídia das elites alimenta. Não vejo a senhorita Andreza como símbolo ou heroína, mas como aquilo que os teólogos chamam de “sinal dos tempos”. Ela não conseguiu escapar à morte prescrita pelos seus assassinos, o que é lamentável e absurdo. Mas pelo menos nos obrigou a refletir sobre o contexto, que a transcende, mas, no caso, passaria incólume sem a morte dela.
        O Brasil fascina e assusta, atrai e causa repulsa. Mas é o nosso país. Difícil entendê-lo e quase impossível dar-lhe um rumo. Mas ele existe e é enorme, um paquiderme que se move lentamente e, nesse cruel avançar, esmaga mais do que carrega.
        Lembro que, a propósito do estupro coletivo da jovem no Rio de Janeiro, fui massacrado por pessoas politicamente corretas em seus gabinetes, divãs e avatares. E que, depois, se calaram. Como lembrava Drummond: muitos se calam, mas a maioria sequer se expressou. Uns desistiram, mas a maioria nem tentou lutar. Continua a caçar borboletas imaginárias no ar escuro ou soltar espirais multicoloridas a partir do seu narguilé de gato de Ceshire.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 16 de abril de 2017, 12:00
      • Espero ter contribuído com essa reflexão.

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        Publicado por Paul Nan Bond | 16 de abril de 2017, 12:22
    • Essa é uma discussão profunda e interessante.
      No Brasil o racismo é fenotípico, ou seja, quanto mais escura uma pessoa é maiores serão as violências sociais. Os negros mais claros, por conta dessa questão, muitas vezes são lidos como brancos, ou se autodeclaram brancos ou pardos, de modo a se afastarem racialmente da negritude. Isso tudo tem a ver com uma mentalidade globalmente difundindo de que o negro escuro não é um ser humano, então quem nasce mais claro em alguma medida “melhora a raça”, veja quão violenta é essa premissa e como ela divide a população negra no Brasil. Eu mesma me identifico como mulher negra nas dentro dos padrões do racismo eu seria vista como “mulata” e não como negra…
      Vivemos o mito da democracia racial, em que a mestiçagem é exaltada como a grande alegria do brasileiro, mas lembremos que essa mestiçagem só ocorreu as custas de muita dominados, violência e violação do corpo de mulheres negras e indígenas na história brasileira. (Eu tenho uma bisavó que foi “índia pega no laço”, ou seja, à força).
      A Andreza no período das eleições se declarou mulher negra, eu entendi portanto que ela, dentro de sua mestiçagem, quis se orientar para a negritude e não para a branquitude, como faz a maioria dos brasileiros que se declara parda ou branca mesmo sendo claramente mestiça. Quando nos declaramos negras essa é uma forma de afirmar a resistência histórica de uma raça e constatar um conflito racial inerente às condições dá colonização do Brasil.
      É óbvio que essa questão nesse momento é um pano de fundo para o real problema que se anuncia com a morte da Andreza, mas é sempre bom apresentar outros caminhos para o debate, sem perder de vista a pauta principal.
      Abraços

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      Publicado por Paloma Franca Amorim | 16 de abril de 2017, 10:39
      • Obrigado, Paloma.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 16 de abril de 2017, 11:50
      • A conversa está boa. Vou sintetizar um pouquinho para facilitar a discussão.

        1. Paloma e Paul concordam então que os brasileiros avaliam as pessoas por características físicas e não por suas virtudes culturais ou éticas. Este é um fenômeno recente devido aos facebooks da vida ou antigo? Lucio, o que você acha?

        2. Paloma sugere que a sociedade brasileira discrimina o seu lado africano, procurando se distanciar via esbranquiçamento ou, melhor, mestiçagem, mesmo que, apesar de tudo, a maioria da população seja mestiça e a nossa cultura, que está aí para qualquer um ver, é uma cultura mestiça. Lucio, como podemos negar a nossa origem mestiça, quando, nossa cultura, que nos guia diariamente, é mestiça?

        3. Paloma indica que a nossa democracia racial é um mito. Paul sugere que talvez este não seja o caso, pois a lei maior do país diz que todos são iguais perante a lei e que discriminação por raça, cor, etc, não é permitido. Há discriminação baseada nas características físicas? Se sim, ela é direcionado somente aos mais escuros ou a todos aqueles que são diferentes? Lembro que discutimos isso aqui uma vez. Há vários exemplos recentes de discriminação contra japoneses, latinos, chineses, índios, etc.

        4. Paloma sugere que Andreza se declarou negra, mesmo que ela tenha, pelo menos nas fotos que eu vi, nunca demonstrado a sua negritude. Se a aparência física é a que importa para esta geração, então porque ela usava cabelo vermelho e não um cabelo afro?

        5. Paloma sugere que a mestiçagem brasileira foi construída na base da violacao e dominação. Isso é verdade. Entretanto, qual a nação no mundo que foi construída sem violência e dominação? Eu não conheço uma. Por exemplo, os hoje evoluídos nórdicos roubavam, violavam e sequestravam as inglesas. Será que o processo vergonhoso (que segundo consta foi ordenada pelo Marques de Pombal) que gerou a nossa mestiçagem é razão suficiente para renegarmos a nossa origem mestiça? Será que essa mestiçagem é a razão da nossa falta de visão de país? O Estados Unidos é diverso, mas não é mestiço, mas pelo menos eles conseguiram criar uma ideia de país.

        6. Lucio sugere que a juventude, principalmente a mais pobre, está abandonada pela elite. A minha pergunta básica é sobre quem é a elite nesse país? A elite existe como um grupo? Ou é uma categoria difusa que usamos como bode expiratório para as nossa incapacidade de resolver os nossos problemas sociais?

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        Publicado por José Silva | 16 de abril de 2017, 16:27
      • Já defendi diversas vezes, a última delas na plataforma de campanha do anticandidato a prefeito de Belém, que o governo invista pesado nos mais pobres, discriminados ou excluídos das melhores oportunidade na vida. Boas escolas, professores qualificados, assistência social e psicológica desde o ingresso pela primeira vez na escola pública, transporte escolar, suporte didático-pedagógico eficaz e acessível, bons centros esportivos, alimentação nutritiva e gostosa, apoio às famílias, aproximação das escolas dos bairros onde estão instaladas, valorização dos que mais estudam, são melhores atletas, demonstram vontade de fazer, inventividade, etc., garantindo oportunidades iguais.
        Utopia? Sim. Mas sem esse tipo de utopia vamos envelhecer dizendo as mesmas coisas e constatando os mesmos fracassos, o mesmo paradoxo entre o que podia ser e o que é.
        Já dei vários exemplos. Lembro só um: a criação de um centro poliesportivo e cultural onde hoje está a Importadora, no Jurunas, com as melhores instalações que se pode ter, os melhores instrutores, fluxo garantido de jovens da periferia através das linhas de ônibus que circulam pelo local, que é bastante central. Esse seria o modelo para outros centros nos bairros mais populosos e em todos da periferia. Para que os pais se orgulhassem, valorizassem e defendessem esses centros frequentados por seus filhos e estes pudessem sentir, sem demagogia nem fantasia, que realmente passaram a ser o centro das atenções do governo.
        Claro que estes centros acompanhados por várias outras iniciativas, mas com uma capacidade de aglutinação e difusão que hoje não temos.
        Há um fundo de velha verdade no dito popular sobre os três pês: pobre, preto e puta. É uma verdade que acusa e exige mudança. Mas há nela certo grau de conformismo e fatalidade, que também precisa ser eliminada de uma vez. Não apenas por remissão da consciência de culpa (matriz do hipócrita e obtuso “politicamente correto”), mas por amor a este país e aos seus filhos, tão diversos e distintos, às vezes tão sanguinários e intolerantes, mas nossos companheiros no mesmo território e num destino comum.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 16 de abril de 2017, 17:32
      • Acho importante pensar que as mulheres negras, e pessoas negras em geral, não precisam ser todas iguais, ou apresentar grandes penteados afro, ou usar capulanas, brincos africanos etc… Essa é uma ideia que se faz da negritude a partir, sobretudo, de movimentos autoafirmativos nos Estados Unidos, nas décadas de 60 e 70. Mas uma ideia. Há múltiplas negritudes no mundo, assim como existe diversidade entre brancos. Eu tenho cabelos lisos e pele escura, minha irmã tem cabelas crespos e pele mais clara, nós duas somos negras dentro da diversidade do que significa ser negro no mundo.
        Então, respondendo a sua pergunta, José, não há contradição alguma no fato de Andreza se identificar como mulher negra e pintar os cabelos de ruivo. Isso não faz dela menos negra do que a Ângela Davis, por exemplo. Assim como não são menos negras as mulheres que alisam seus cabelos para talvez tentarem uma sorte outra no contexto estético racista. Essa seria minha posição sobre a questão.
        Há alguns meses o Lúcio falou do James Baldwin aqui no blog, fui procurar seus escritos e esse ano descobri que ele participa de um filme chamado Eu Não Sou Seu Negro no qual as questões estéticas e políticas da negritude são discutidas de forma contundente.
        Ainda assim, reitero que acho ser esse o menor dos problemas nessa história toda dá Andreza.
        Obrigada pelo diálogo.
        Abs

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        Publicado por Paloma Franca Amorim | 16 de abril de 2017, 18:06
      • Paloma,

        Obrigado. Se eu entendi bem o teu argumento, se auto-identificar como negro (ou qualquer outra cor) hoje é uma posição política, correto? Não é mais uma posição mais baseada na genealogia, tal como os americanos usavam. Desta perspectiva, o fenótipo pouco importa. O que importa é a auto-afirmação.

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        Publicado por Jose Silva | 16 de abril de 2017, 21:54
      • Deturparam JFK. Nesse ponto tenho de concordar com o Lúcio que é preciso melhorar as escolas (sem partido, pois vê-se aqui o resultado da escola com partido). Talvez essa gente aprenda mais a história verdadeira. Foi corrompida até os ossos, vitimando as pessoas pela deturpação “de caso pensado” para reescrever a história.

        É o contrário do que a Paloma disse. A afirmação de que “as mulheres negras, e pessoas negras em geral, não precisam ser todas iguais, ou apresentar grandes penteados afro, ou usar capulanas, brincos africanos etc… é uma ideia que se faz da negritude a partir, sobretudo, de movimentos autoafirmativos nos Estados Unidos, nas décadas de 60 e 70” é totalmente equivocada. A expressão “ação afirmativa” ingressou na linguagem legal americana em 1961, quando JFK emitiu a Ordem Executiva 10.925, que criou o Comitê de Oportunidades Iguais de Emprego e ordenou que os projetos financiados por fundos federais adotassem “ações afirmativas” para assegurar práticas de contratação e emprego ISENTAS DE PROPENSÕES RACIAIS. Mas na versão dos arautos das políticas de discriminação reversa, as ideias nela expressa vem sendo exibidas como o começo de tudo, o que não é verdade, pois essa Ordem Executiva de JFK situava-se no campo do combate à discriminação, antecipando um dos aspectos da Lei dos Direitos Civis. Textualmente, o documento associava a noção de “ação afirmativa” com as obrigações de contratar empresas ou empregar pessoas SEM LEVAR EM CONTA SUAS RAÇAS, CREDO, COR, OU ORIGEM SOCIAL. Portanto, não há que se falar em ideia de promover “negritudes no mundo”. Pelo contrário!

        Com relação ao comentário do Lúcio, é utopia sim, pois parte da premissa de que é o estado a mudar a sociedade, com investimentos de bilhões, enquanto a partida deve sair do cidadão, seja ele da tal “elite política”, seja do comum do povo, atuando-se para isso, em discussões como essa, pela mudança de mentalidade do cidadão brasileiro. Tudo o que temos no Brasil atual é uma construção da sociedade… brasileira. Lembremo-nos de Hong Kong, Cingapura, Coreia do Sul, Japão (destruído pela guerra), que se ergueram como potências sociais a partir da vontade de seu povo, pela compreensão do mundo, não por uma imposição de governo.

        O que o Lúcio propõe é mais estado, mais corrupção, mais ineficiência, invertendo a lógica de que as mudanças partem de dentro da abstração “estado”, ao invés das pessoas. É um sociólogo, portanto, deve saber disso melhor que eu. Claro que melhores equipamentos públicos são essenciais, mas não é tudo; é apenas uma parte do processo. Se não mudarmos o cidadão, tudo será destruído em pouco tempo. E não é só na escola que se faz isso. Muito também se aprende na base da tentativa e erro e em debates como este.

        Lúcio propõe ainda o uso público da propriedade da Importadora para seu centro esportivo (mas aqui não vou me aprofundar, pois não sei a situação do imóvel ou da empresa) – só vi que o Lúcio demonstra mesmo sua linha de pensamento, que definitivamente não é liberal no sentido econômico. De resto, concordo mesmo que haja certo grau de conformismo e fatalidade.

        Com relação ao item 5 do José Silva, discordo totalmente. A concordância entre Paloma e José de que a mestiçagem brasileira foi construída na base da violação e dominação não é verdade. Isso certamente fez parte do processo. Mas não foi predominante. Não foi o que nos fez chegar até aqui como sociedade. É, portanto, uma exceção.

        No mais, os Estados Unidos são sim um país de mestiços, a maior nação de mestiços (no sentido de povo de laços culturais comuns). “Nação de imigrantes”, mas com o branco e sua cultura como elemento marcante.

        Por fim, a tal elite somos nós aqui: eu, o Lúcio, o José Silva, a Paloma e os outros comentaristas, as cabeças pensantes com poder de transformação, para o bem e para o mal, funcionando como tarrafa, em que se puxa um ponto e os outros se vão elevando em sequência. Sigamos elevando os pontos.

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        Publicado por Paul Nan Bond | 16 de abril de 2017, 22:03
      • Não vou me estender. Há mais gente que precisa se manifestar. Só para esclarecer: não estou defendendo a tomada de propriedade de ninguém. Proponho uma transação de compra e venda ou uma desapropriação. O terreno é amplo e está sub-utilizado.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 16 de abril de 2017, 22:23
      • Paul,

        Obrigado pelos comentários. Permita-me discordar de um alguns pontos.

        1. Eu falei que o Estados Unidos é um país diverso, pois acolheu pessoas de vários lugares do mundo, mas não é um país mestiço pois esses grupos quase não se misturam do ponto de vista genético. De qualquer forma, eles tem um projeto de país, coisa que não temos. Aqui perto de nós, o Suriname e Guiana são paises diversos, mas não são mestiços, pois os grupos étnicos lá não somente se misturam eventualmente. Vale a pena visitar esses países e comparar com a mestiçagem que é o Brasil.

        2. A miscigenação brasileira foi ordem dada pelo Marquês de Pombal, como uma estratégia de consolidar o poder sobre a então colônia. Nesse processo, milhões de pessoas morreram ou foram forçados a fazer coisas que eles (e elas) não queriam. Qualquer livro de história do Brasil decente conta a mesma história. O meu ponto foi que esse mesmo processo de dominação e violência caracterizou a história inicial de qualquer nação.

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        Publicado por Jose Silva | 16 de abril de 2017, 22:52
      • Certo, José Silva. Cabem questionamentos, mas no critério biológico você tem razão (não o cultural) – dependendo da linha historiográfica. O marxista Hobsbawm, por exemplo.

        Mas querem ver como se transforma uma sociedade? Esperem só como a Globo vai contar o (contra)Golpe de 1964. Essa é a elite que controla a mentalidade do povo brasileiro, que acaba aprendendo tudo errado sobre si mesmo. E nada muda. Também, o que esperar de uma emissora que põe uma sereia nadando em águas cristalinas no Ver-o-Peso e acha que o paraense é nordestino?

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        Publicado por Paul Nan Bond | 16 de abril de 2017, 23:45
  2. Parabéns, Rafaela, pela coragem de olhar nos olhos. Avante, sempre!

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    Publicado por Luiz Mário | 15 de abril de 2017, 17:47
  3. Comentário sobr drogas ilegais típico do capitão Nascimento do Tropa de Elite 1.
    Quanta pobreza de referenciais, não?

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    Publicado por Olivio Fernandes | 15 de abril de 2017, 18:09
  4. Não vivi seus problemas, suas dúvidas , suas conquistas, seus fracassos , seus medos , seus erros, suas tristezas , suas alegrias. Quem sou eu para julgá-la?

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    Publicado por susana santos | 15 de abril de 2017, 19:56
  5. Eu como muitos professores da rede estadual se deparam com várias Senhoritas Andresas no cotidiano de trabalho. É uma triste realidade. Moram num pedaço de casa em condições insalubres, inadequada para qualquer ser humano, onde pouco existe a presença da mãe e do pai, pois vivem trabalhando para ganhar a miséria para sobreviver, ou morreram ou estão no presídio.
    Sua ascensão depende da sua capacidade de passar pelo perverso filtro social.
    Difícil vida, quem não conhece faz julgamentos sem propriedade nenhuma, como aquela apresentadora do SBT, que era para levarmos para nossas casas tais pessoas.
    A questão é muito ampla, é um longo debate.
    Quer conhecer um pouco, faça um levantamento nos colégios públicos de periferia, pergunte aos funcionários e depois procure conhecer o cotidiano dos alunos. Será ótimo.

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    Publicado por Eduardo Barbosa | 15 de abril de 2017, 20:40
  6. Você foi acertivo no comentário, eu fiquei chocado e com.muita pena da situação dos jovens das periferias belenense , que sem qualquer possibilidade de futuro entram no jogo perigoso da droga, ainda não demos a solução que o caso requer…

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    Publicado por José Bento Andrade Gouveia Junior | 15 de abril de 2017, 22:47
  7. Achei interessante encontrar pessoas que tem um pensamento parecido com o meu.
    Me senti péssimo ao ver a repercussão da morte dela com comentários perversos, tratando-a como a bandida, traficante da periferia de Belém que recebeu o que merecia.
    Se ela era, enfim, não cabe a mim julgar. Sei que suas ações acabaram por coloca-la sob esse prisma, mas sempre me perguntei: e se fosse uma amiga, que por qualquer situação adversa, trilhou um caminho errado? Uma irmã, prima, enfim. Será q se fosse algum conhecido o comentário seria o mesmo, ou seria: “pobrezinha…não teve muigas oportunidades e acabou sendo influenciada por más companhias”?
    Meu entendimento é o seguinte: ela cometeu erros e crimes pelos quais deveria pagar (como deveriam pagar todos os criminosos do nosso País), mas daí demonstrar satisfação com sua morte, com comentarios sádicos e sarcasmo em ultimo grau…acho q nao é por ai.
    Porém esta é a minha opinião. Infelizmente sou apenas uma gota neste oceano de falta de amor e compaixão que vivemos.
    Abraços e sucesso.

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    Publicado por Fabio Lopes | 15 de abril de 2017, 23:42
  8. Querido mestre. Humildemente acho que o “buraco é mais embaixo” e não somente essas considerações rasteiras tanto a favor tanto quanto contra essa “heroina” da marginalidade regional que alcançou seus “15 minutos de fama” ao convidar a galera via web pra uma de suas festas regadas a elementos proibidos por nossa legislação atual. Infelizmente esses próprios elementos variantes de sua triste realidade(que no final das contas é vivida por todos nós de uma forma ou de outra) foram os responsáveis pela sua, digamos assim, deletação, tanto da realidade conotativa, quanto denotativa. Triste reflexo de nossa infeliz realidade pseudo democrática e capitalista.

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    Publicado por Marcio Monteiro | 16 de abril de 2017, 00:09
    • O problema é que se tdos os delinquentes forem deixados ao justiçamento pela lei da selva, o morticínio não só persistirá: será cada vez maior, uma imensa tragédia nacional. Às vezes a recuperação se torna impossível quando uma base mínima de adesão foi destruída. O personagem já não quer mais se recuperar. Mas até esse estágio há várias etapas em que o Estado podia intervir e mudar a trajetória de crianças, meninos e adolescentes que rumam para a criminalidade. O sucesso dessa missão é mínimo – e decrescente – no Brasil, país cruel e injusto.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 16 de abril de 2017, 09:33
  9. Enquanto não pararmos de lamentar a morte dessas “vitimas” do sistema, vamos continuar comemorando a morte dos trabalhadores honestos, vítimas da insegurança que resulta do tráfico de drogas e do crime organizado. Tudo indica que a impunidade e o tráfico de drogas são as principais causas da insegurança de nossas cidades, e a hipocrisia, Lúcio Flávio, é não reconhecer que os traficantes devem ser combatidos sim, e que é muito melhor que eles se matem, porque a lei, a polícia, e o Judiciário não podem nos livrar deles e das consequências de seus crimes. Tenham pena de seus filhos e de vocês mesmo, porque os traficantes e os criminosos não têm pena de ninguém.

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    Publicado por Fernando Lima | 16 de abril de 2017, 16:33
    • Neste blog nunca houve qualquer tolerância a traficantes. Eu os combato há muito tempo. Entre o final de 1991 e 1993 denunciei a penetração do narcotráfico internacional em Belém, quando ele começava a atuar na Amazônia. Durante meses o Jornal Pessoal foi o único a tratar da questão, até que a apreensão de uma tonelada de cocaína, entre o Pará e o Amazonas, da mesma quadrilha, colocou o tema na grande imprensa. Ser exclusivo na cobertura foi pesado, mas não impediu que publicasse tudo que apurei.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 16 de abril de 2017, 17:20
  10. O ódio dos comentários me assusta. Vi alguns muito pesados em outras mídias sociais, um mais nojento que o outro que desisti de mostrar estas barbaridades ditas. Cheios de acusações e adjetivos.
    Vi rápidos algumas boas argumentações sobre racismo, argumentos muito bons, mas que fogem ao raciocínio do assunto inicial.
    A discussão vai muito mais além e recai em nossa cidade. A cidade empobrecida, a violência descontrolada e a cidade brutalizada. As pessoas vivendo sem segurança e dignidade com as casa com bueiros entupidos, as arvores que caem, o serviço e iluminação ruim, o serviço de aguá que tanto falta, a coleta de lixo em discussão e todo o mais mais que se pode imaginar. Assaltos, sequestros, morte e tudo que afeta as pessoas.
    Mas o fato de Belém ser a segunda em número de mortes no Brasil poucos discutem. As chacinas e o grande número de assassinatos que aparecem diariamente.
    Ligo a tv e é mais um assalto que a policia negocia com os bandidos, todos de colete a prova de balas negociando mais uma liberação de refém. Isso quando tudo dá certo. Quando não dá nem aparece na tv. É mais um assalto que a policia não estava lá. Mais um nome burocrático de um desconhecido morto, assaltante ou assaltado. A policia indiferente ao fato apenas divulga mais uma nota dizendo que está fazendo ronda permanente e diariamente. E os assaltantes mais violentos, e a policia, muitas vezes sem farda, também.
    O que tudo isso serve para o que quero dizer? Só pra voltar de novo ao fato de as pessoas comemorarem quando outras morrem. Mas um assassinato. Um extermínio de alguém que usurpa o função de advogado e de juiz. Que dá a sentença sem a chance de qualquer discussão.
    Muitos vem com o discurso da impunidade, da justiça falha, lenta e burocrática para justificar. Para dizer que a culpa da violência e do pobre e da criminalidade.
    Mas não veem a falta de politicas públicas. Mas não veem a responsabilidade da policia em tá resguardando a sociedade. Deveria resguardar a sociedade da violência diária, as execuções principalmente as faltas de internas. A verdadeira culpada da explosão de violência. E sua falência da policia não justifica extermínios. E nem tem a intenção de vitimizar, mas um questão humana.
    Ariani era mais uma. Mais visada, a muito na mira. Principalmente por se candidatar aproveitando de sua fama. Talvez alguns se incomodassem mais por ela ser mais famosa, por motivos menos nobres. O ódio dela de muitos talvez tenha a intenção de atingir a violência e o mundo das drogas, mas atinge muito mais a pobreza e tudo que que está presente no mundo de baixo da piramide invertida. Onde a violência é mais real e mais suscetível.
    É tem muitas mais perguntas para responder. Quem fez isso? Por que fez isso? Ficará essas e muitas outras portes com estas perguntas por responder? Ou estaremos lavando nossas mãos comemorando ‘menos um’, quando essa é morte?

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    Publicado por Fabrício | 17 de abril de 2017, 01:28
    • Fabrício,

      O raciocínio é simples.

      1. A polícia deveria dar segurança à população, mas não faz.

      2. O governo, que controla a polícia, deveria fazer a polícia funcionar, mas não faz.

      3. A população, que escolhe o governo, deveria selecionar somente gente boa para a função, mas não faz.

      Na ditadura, o item 3 não existe. Na democracia sim. Como aparentemente todo mundo somente culpa o governo e não assume a sua parcela de culpa, até parece que estamos vivendo em uma ditadura.

      Aparentemente as pessoas não aprenderam ainda a viver em uma democracia. Deve ser muito ruim mesmo, pois isso gera muita responsabilidade para o cidadão comum :).

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      Publicado por José Silva | 17 de abril de 2017, 09:57
      • José Silva, você sempre bate na tecla do voto. Entretanto, que opções o povo têm para votar? São sempre os mesmos nomes. Ok. Nas eleições municipais, você disse que a Úrsula era um bom nome e inclusive votou nela. Mas estamos falando das eleições para Governo do Estado.

        Nas últimas eleições para Governo, o povo não teve opções. Foram sempre os mesmos nomes. Jatene representando a continuidade de algo ruim e Hélder representando a continuidade de algo que também foi ruim em Ananindeua. Que outras opções o povo tinha para votar? Você acha que Carrera e Zé Carlos eram bons nomes? Acha que teriam alguma chance? Votar nulo não adianta.Pode até limpar a consciência, mas não muda os fatos. Se o político tiver um só voto (o dele mesmo), ele é eleito.

        Só queria que você problemátizasse melhor o que você tanto fala. Se o povo não tem opção, não é só dele a culpa.

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        Publicado por Jonathan | 17 de abril de 2017, 14:59
      • Jonathan,

        Qual a finalidade dos partidos políticos? Representar as diferentes opiniões da sociedade.

        Quem cria os partidos políticos? Representantes da sociedade.

        Quem decide quais dos partidos políticos fica ou sai do poder? A sociedade via o voto.

        A chance de um ou outro candidato depende do projeto que a sociedade tem para a cidade, estado ou país. Votando, a sociedade indica que aceita o projeto político que foi colocado. No final das contas, tudo que se vê por ai é produto das decisões individuais de cada um dos membros da sociedade. Simples assim.

        Tem muita gente que diz que há manipulação, que fala do efeito da impresa, etc. Entretanto, o voto é secreto e individual. É o eleitor e a sua consciência em frente a urna digital. Não há nenhuma baioneta na cabeça de ninguém. Voto livre total. Pura democracia.

        A situação que se vê hoje é porque a maioria dos indívioduos que compõem a nossa sociedade prefere manter o status quo. Isso é fato. Pode ser que mude depois da LJ, mas tenho minhas dúvidas.

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        Publicado por Jose Silva | 17 de abril de 2017, 16:18
      • Você continuou não respondendo a minha pergunta:cadê as opções? Quais opções o povo tinha em 2014 no Governo do Estado, além de PMDB e PSDB? Não estou isentando o povo de culpa, mas é algo a se pensar.

        Nas últimas eleições municipais de Castanhal, havia velhos conhecidos: o então prefeito Paulo Titan (PMDB) e Milton Campos (PSDB). Entretanto, quem foi eleito foi Pedro Coelho (PPS). Ou seja, havia outra opção para o povo, além das mesmas de sempre. Isso é algo que não acontece nas eleições para Governo do Estado.

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        Publicado por Jonathan | 17 de abril de 2017, 16:31
      • Jonathan,

        Quem cria as opções políticas é a própria sociedade. Se nenhuma outra opção foi criada, é porque a sociedade estava contente (ou muito contente) com as que existiam. Todo mundo sabe quando as eleições ocorrem e o que precisa fazer para se candidatar.

        Simples assim, pois, afinal de contas, estamos em uma democracia. Democracia exige participação. Ter bons governos e uma cidade civilizada dá um trabalho danado, começando pela simples ação de votar candidatos decentes.

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        Publicado por Jose Silva | 17 de abril de 2017, 18:55
      • Bom, acho que eleição é um pouco um jogo de imagem. O negocio é apresentar propostas para realizações de um projeto administrativo na cidade, e que deveria mostrar melhores propostas. Ganha não necessariamente o que tem, podendo ter realmente melhores propostas, mas o que aparenta melhores propostas. Claro que é um negocio complexos com redes de responsabilidade que é mais fácil apontar o fim da linha falando somente do eleitor. Mas acho que são muitos os que respondem por isso e que se delegam responsabilidades e um deles responde, quem os colou tem responsabilidade assessoria, cabendo sanção da justiça se esse praticar desvios. Uma boa discussão, mas isso e outra historia que não é o tema do texto.
        Falar de qualidade de vida recai um pouco para falar da violência e to medo que assola as pessoas, principalmente os mais pobres e os mais próximos dela.
        Falei muito mais pela repercussão gerada pela noticia. Teve ao menos 6 artigos postados sobre o assunto, somando mais de cem comentários e sendo um o posto mais acessado, como Lúcio falou. Os texto noticiaram o fato, foi feito alguns comentários sobre a jovem, sua campanha para vereadora, uma descrição de seu assassinato, a repercussão, os comentários e por fim o questionamento sobre seu assassinato. Um em especial foi um belo texto.
        Mas deixei registrado os comentários raivosos que comparavam de prejulgavam tratando-a como traficante, chamando dos piores adjetivo, fazendo comparações torpes e, as vezes, até comemorando. Quando brincaram, “Quem é essa mulher? O que ela fez pra ser tao odiada? Por acaso é alguma polica do PT”. Muito disso, mas nas redes sociais ainda foi pior, com pessoas distilando ódio e associando isso ao pessoal da esquerda e declarando ódio. Hoje mal se pode falar em sociedade, população já te chama de esquerdista, associando a sinônimo de desonesto, corrupto, defensor de bandido e coisas piores.
        Nem preciso dizer que a Paloma que fez ótimos comentários e foi duramente criticada fez um ótimo artigo falando da morte de Senhorita Andreza e que também conversou com os parentes da menina assassinada Maria Eduarda no Rio de Janeiro. Os dois casos tiveram uma dura atuação da policia.
        O do Rio com uma ação precipitada como quem está presente numa guerra não se dão conta das pessoas que estão em risco, a discussão vem a tona agora quando houve uma morte. Nem preciso lembrar do assassinato delibera de duas pessoas, e filmado no lado de fora dos morros da escola. Lembrando um pouco a crise de Beslan na Russia, em proporções diferentes, quando terroristas chechenos invadiram uma escola e a policia atacou duramente causando milhares de mortos.
        Aqui Ariani foi sumariamente assassinada. Muitos procuram justificar o que não se tem desculpa e apontam o dedo para personagens diferentes quando a responsabilidade e da policia.

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        Publicado por Fabrício | 19 de abril de 2017, 23:54

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