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Polícia, Segurança pública

A guerra nas ruas

Em 2014 foram assassinados 24 policiais. Em 2015, 29. No ano passado, só da Polícia Militar, foram 26 baixas. Nos primeiros quatro meses deste ano, até ontem, foram 15. Mantida essa média, as mortes na PM somarão quase 50, o dobro em relação a três anos. Sem incluir os demais policiais.

Ontem, o sargento Edson Wander Ramos foi o 15º PM assassinado no Pará. Ele sobrevivera a dois atentados anteriores, o último em outubro do ano passado. Conseguiu reagir ao ataque, depois de receber dois tiros pelas costas, e chegou a empunhar sua pistola. Os atacantes conseguiram fugir. Ontem, ele andava pela feira do Icuí-Guajará, próximo à sua casa, quando recebeu três tiros, um deles na cabeça. Morreu na hora. O assassino subiu na moto de um comparsa e fugiu. No atentado anterior, também eram dois autores, mas usavam um carro.

O militar, de 48 anos, 23 na corporação, atuando na cavalaria, vinha recebendo ameaças de morte. O provável, portanto, é que tenha sido executado. É a motivação da maioria dos atentados. O acerto de contas pode resultar da atuação profissional do policial, que lhe atrai o ódio e o desejo de vingança dos criminosos que combate. Mas como proporção considerável dos assassinados já estava na reserva, uma hipótese é sua atividade como segurança particular ou em outra modalidade semelhante, ate mesmo em milícia para-militar.

A morte de um policial costuma ter seguimento em matança vingativa. Mesmo quando não há essa represália, que atinge inocentes, incentiva a guerra entre criminosos e policiais, com prejuízo para a ordem pública, a segurança dos cidadãos e a estabilidade das famílias. Mudar essa situação é imperativo da segurança coletiva e da proteção individual.

O governo devia providenciar o melhor adestramento dos policiais, tanto para operações de rua quanto para a qualificação técnica, a atualização tecnológica, o melhor preparo psicológico, em reciclagens permanentes. Também devia oferecer à tropa vantagens indiretas, sem repercussão salarial direta, para não se generalizar: plano de moradia, saúde e educacional,ticket alimentar de maior valor, assistência social e psicológica de bom padrão.

Sobre uma base mais sólida, o Estado podia combater dois agentes perigosos para o aparato policial: a violência e a corrupção. Oferecendo mais e melhor para os agentes da segurança de todos, podia separar melhor o joio do trigo e eliminar os maus servidores públicos numa das áreas mais importantes, sensíveis e perigosas: a defesa da vida em sociedade.

Discussão

8 comentários sobre “A guerra nas ruas

  1. Os dados estatísticos mesmo revelando a realidade diuturna da tropa, não são aplicados como parâmetro a ser revertido. A curva do indice permanecerá ascendente, e será equiparado em “Balanços” no final de 2017, com os dados dos homicidios registrados no Estado do Pará.

    Logo, as sugestões para valorização do profissional de segurança pública atenuaria o flagelo que o cidadão assume ao se esforçar para ser aprovado em concursos públicos, percorrer a preparação como alunos e receberem a nomeação do governador.

    Ainda, vivemos tempos de humanização e valorização dos profissionais de segurança. Em momentos de “terceirização da força de trabalho no Brasil” e substituição de algumas profissões por robôs no contexto europeu, cenário que em breve quem viver verá, patrulhando nossas ruas.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 16 de abril de 2017, 14:25
  2. Lucio,

    Como você bem escreveu, a morte é um produto barato na prateleira. Que a sociedade continue se servindo dela até não haver mais alguma coisa que se possa chamar de sociedade.

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    Publicado por José Silva | 16 de abril de 2017, 16:46
  3. Mas nunca o assassinato de um policial militar vai ter a comoção de uma Srta. Andreza. Aqui mesmo a quantidade de comentários nem se compara ao post sobre o assassinato da mesma.
    Para reflexão.

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    Publicado por Gleydson | 17 de abril de 2017, 00:44
    • Realmente, Gleydson.

      Sigo refletindo sobre essa disparidade antagônica de valores!

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      Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 17 de abril de 2017, 10:10
      • Os homicídios estão banalizados. As pessoas passam a considerá-los como parte da vida diária. Não há mais capacidade de indignação na sociedade. Tanto faz um policial como uma senhorita. O espetáculo durará poucos dias e depois desaparecerá…até um outro homicídio, tão espetacular como, ocupar o seu espaço. Viva nós! Conseguimos finalmente uma posição de grande destaque entre as cidades brasileiras.

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        Publicado por Jose Silva | 17 de abril de 2017, 19:08
  4. Para tentar auxiliar na reflexão é necessário levar em conta um fator: as redes sociais contra os barões da mídia…

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    Publicado por Luiz Mário | 17 de abril de 2017, 18:13
    • José, sem querer minimizar a insegurança no Pará, nem tão pouco comparar realidades, a situação de Pernambuco também está alarmante!

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      Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 17 de abril de 2017, 22:19
      • Thirson,

        Isso é verdade. Pernambuco sempre foi muito inseguro. Recife, então, era um horror. Aparentemente eles melhoraram um pouco nos últimos anos, enquanto o Pará seguiu o caminho inverso. Precisamos olhar as estatisticas.

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        Publicado por Jose Silva | 18 de abril de 2017, 13:38

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