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Cidades, Justiça, Política, Saúde

O lixo do lixo

Tanta foi a pressão da sofrida população de Marituba que no dia 22 de março a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado, finalmente, determinou que a Guamá Tratamento de Resíduos Sólidos adotasse 25 medidas emergenciais destinadas a eliminar os impactos ambientais da usina de tratamento de resíduos sólidos – em bom português, do seu lixão, versão adaptada do lixão do Aurá, que foi interditado.

Menos de dois anos antes a empresa, controlada pela Revita, começara a operar com uma licença da mesma secretaria. Ora, se seu projeto foi aprovado, ele devia incluir a previsão dos efeitos da deposição do lixo da região metropolitana de Belém, que seriam certos e sabidos. Em tão pouco tempo de atividade, porém, ficou clara a impossibilidade de convivência entre o novo lixão, um anacronismo para a vida atual, e a comunidade em torno dele, que é vizinho direto da área urbana de Marituba.

A própria Semas admite que  nenhuma das 25 recomendações foi cumprida. Impotente e flagrada no erro, recorreu à via judicial. No dia 20, a juíza Aldineia Maria Martins Barros, no exercício da 1ª vara cível e empresarial de Marituba, concedeu liminar para que o governo do Estado nomeie um administrador judicial para o aterro sanitário instalado no município, em especial a central de processamento de resíduos sólidos.

A juíza admitiu que aos danos já causados ao ambiente e à população, atormentada pelo mau cheiro,  se acrescentarão outros, quando o chorume produzido pelo lixo mal tratado chegar aos lençóis freáticos. Logo, a empresa descumpre as normas legais.

A intervenção judicial terá a finalidade específica de adotar as medidas corretivas e preventivas apontadas pela secretaria para a solução dos problemas. Mas qual o custo – material e imaterial – para isso? E em quanto tempo os moradores de Marituba terão que esperar por essa solução?

Ao realizarem nova manifestação de protesto, ontem, eles constataram mais uma vez que precisam continuar a pressionar o governo. Ao menos neste caso, ele só se mexe obrigado, não por vontade própria. Deve saber bem o motivo dessa indisposição.

Discussão

6 comentários sobre “O lixo do lixo

  1. Na última quarta-feira viajei de carro e passei por Marituba as 4:30 horas da manhã a uma velocidade média de 50 Km/h. Em plena BR o fedor é constante e permanente. Somente posso sentir VERGONHA!!!! O meu total apoio ao povo de Marituba em todas as ações que tomarem e se puder participarei! Crime de lesa-pátria!

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    Publicado por Fausto Bezerra | 22 de abril de 2017, 19:38
  2. “isso aqui é uma montanha de crime ambiental, onde o crime foi identificado, faltando somente identificar o criminoso. E o Estado não pode ficar parecendo que protege crime e criminoso” (comentário de um manifestante).

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    Publicado por Luiz Mário | 22 de abril de 2017, 20:34
  3. Quem vai pagar a tal intervenção? Tudo indica que a população de Marituba pagará pelos erros cometidos e toda a população que paga imposto pagará novamente pelas intervenções que precisarão ser feitas para remediar o problema. Mais um exemplo do paleocapitalismo brasileiro: socializa-se os prejuízos e privatiza-se os lucros. Quem sabe um dia a população aprende. Até lá, sobrevive-se.

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    Publicado por José Silva | 22 de abril de 2017, 22:28
  4. Ipressionante a cara de pau do secretário de meio ambiente da SEMAS, Luis Fernandes. Só mudou sua postura, porque a população gritou. Pior do que ele, o governador Simão Jatene, vinha empurrando o problema com a barriga, para não contrariar a empresa que sempre lhe acolheu, nos momentos que sempre precisou. Está tudo errado.

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    Publicado por Paulo | 23 de abril de 2017, 10:22

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