//
você está lendo...
Justiça, Política

A hora de Jader

Jader Barbalho era governador do Pará, no primeiro dos dois mandatos que conquistou. Foi quando diz ter encontrado o lobista Jorge Luz pela primeira e última vez. Foi apresentado a ele, “que tinha um pequeno contrato de consultoria com a Cosanpa (Companhia de Saneamento do Pará) de governos anteriores, no início do meu primeiro governo, acho que em 1983. De lá até a data de hoje nunca mais o vi, nem sei dele”, afirmou o senador do PMDB em nota que distribuiu logo depois que o seu nome foi associado a Luz, considerado o maior dos lobistas a atuar junto à Petrobrás para intermediar contratos e pagar propinas, principalmente a políticos.

“Nunca recebi dele, muito menos do filho dele, nenhum dinheiro, nem contribuição partidária. Se ele usou meu nome para receber e distribuir dinheiro foi sem meu conhecimento ou trata-se de informação mentirosa”, sustentou ainda o senador.  Ressaltando que se eventualmente ambos estiveram juntos em algum local “não o vi e nem tomei conhecimento de sua presença, porque nem me lembro da cara dele”.

No entanto, Jorge Luz, preso com o filho, Bruno, há dois meses, pela Operação Lava-Jato, quer que Jader seja um dos políticos a depor como sua testemunha de defesa no processo a crimes que responde, como por corrupção, fraude em licitações e evasão de divisas.

A imprensa interpreta o arrolamento de políticos como uma tática de Luz. Ameaçando fazer delação premiada, ele espera pressionar os beneficiários da sua intermediação de dinheiro ilícito a protege-lo. Ou então os arrastará para uma sentença condenatória conjunta.

Os adversários do líder do PMDB do Pará garantem que desta vez  ele poderá ser preso. Mas se é verdade o que ele declarou com uma nota assinada, será a oportunidade de esclarecer as muitas dúvidas em torno de uma questão cheia de lacunas.

Está cada vez mais difícil de acreditar que só tenha havido um encontro entre o político e o lobista. Jorge Luz esteve no casamento do hoje ministro Helder Barbalho, em 2006. O ex-diretor da área internacional da Petrobrás, Nestor Cerveró, disse, em delação premiada, que nesse mesmo ano foi com Jorge Luz à casa de Jader Barbalho, na qual se reuniu com ele, o senador Renan Calheiros e os também ex-diretores da estatal Paulo Roberto Costa e Sérgio Machado, para acertar o repasse de 6 milhões de dólares de dinheiro não contabilizado ao PMDB.

Se essa história for comprovada, a versão de Jader Barbalho cairá – ele junto com ela, O que acontecerá a partir daí não será nada favorável ao senador e a seu filho. É a hora da prova da verdade

Discussão

5 comentários sobre “A hora de Jader

  1. Lúcio,

    Faz sentido a explicação do Jáder. Ele nunca viu luz. De outra forma, ele teria sido o melhor político paraense da história.

    Curtir

    Publicado por Jose Silva | 1 de maio de 2017, 15:09
  2. Será, mesmo, que o Torquemada de Curitiba tem tutano para prender o “pai” de muitas autoridades no Pará?

    Curtir

    Publicado por Luiz Mário | 1 de maio de 2017, 20:31
  3. Lucio, permita-me uma correção.
    Como parlamentar federal, Jader tem foro privilegiado. Moro não pode mandar prendê-lo.

    Curtir

    Publicado por Francisco Rocha Junior | 1 de maio de 2017, 20:40
  4. “É verdade.”

    Curtir

    Publicado por Luiz Mário | 2 de maio de 2017, 18:00

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: