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Polícia

Ainda o caso Gueiros

Reproduzo, na íntegra, a mensagem que Mônica Gueiros, mãe do advogado Hélio Gueiros Neto, escreveu às suas amigas em defesa do filho, acusado de matar a esposa e denunciado por esse crime pelo Ministério Público do Estado, que se baseou no inquérito da polícia civil. A ação penal ainda não foi instaurada. Mônica, casada cm Hélio Gueiros Filho, reclama do tratamento parcial que a imprensa estaria dando ao caso. Seu direito de expressão é sagrado. Falta a manifestação dos demais atores do enredo: Ministério Público do Estado, Instituto Médico Legal, a imprensa.

Meu coração anda despedaçado por esses tempos. Eu tento recolher os pedaços para continuar a vida, mas não consigo.  A angústia e o desgosto travam o sorriso, os olhos marejam, as mãos tremem. Eu me sinto impotente, sem nada poder fazer, diante de tanta maldade de quem eu depositava a crença em um estado mais sério e justo. No meio de tanta ignomínia, eu tive a consideração, o carinho e a solidariedade de vocês, minhas queridas e meus queridos. Posso dizer sem medo de errar que se não fossem pelas manifestações de vocês nas redes sociais, o meu filho estaria, nessa hora, preso.

Não adiantou, na madrugada da absurda morte, ele ter – depois de carregar, nos braços, a Renata até o Hospital da Unimed na Doca, ido à Delegacia de São Brás registrar, na presença da delegada de plantão, o boletim de ocorrência. Não adiantou ter esperado pelo carro do IML, na Unimed, até o meio da manhã e submeter-se, novamente, a perguntas e exames no instituto.

Não adiantou o primeiro exame realizado ter apontado morte natural por aneurisma da aorta. Não adiantou, na exumação do corpo da Renata, sem o conhecimento do meu filho, de novo, os médicos legistas do IML ratificarem, confirmarem o primeiro laudo.

As autoridades, delegado e representantes do ministério público, sempre afirmaram que os laudos eram inconclusivos. Na verdade, eles sempre esconderam a conclusão. Insinuaram corrupção dos médicos legistas do Estado do Pará, mas aceitaram o laudo de um médico aventureiro que tem seu nome associado a qualquer possibilidade de processo que possa render um bom dinheiro.

Esse senhor foi considerado, pelas autoridades, pessoa idônea para indiciar e denunciar o meu filho. Não conseguiram decretar sua prisão, na semana passada, porque meu marido publicou, no Face Book, que os membros do ministério público, expressamente, não tinham pedido a prisão. Era véspera de feriado. Sempre na véspera de feriado.

Na segunda-feira, a nobre juíza, presidente do feito, entra com um atestado médico, válido até quinta-feira. Véspera de feriado. Segunda, terça e quarta-feira, as televisões Liberal, a Record, a Gazeta, o SBT, os jornais da cidade, bombardearam o meu filho com notícias fabricadas. Mostraram e entrevistaram apenas pessoas para incriminá-lo.

Não perguntaram nada a nenhum médico legista do Renato Chaves, não entrevistaram o chefe deles, não publicaram os laudos realizados pelos legistas estatais, nem o primeiro, nem o da exumação. Na segunda-feira, meu marido publicou a verdade sobre o 2º laudo, o da exumação. As autoridades não sabiam que o tínhamos porque, até agora, praticamente não nos deram acesso a nada.

Desmentimos a mentira que se repetia. O 2º laudo não era inconclusivo. Na realidade, ele sempre foi escondido, primeiro pelo delegado, depois pelo ministério público. Nenhuma prova que inocentava o meu filho serviu para as autoridades paraenses. Mas serviu a solidariedade de vocês. Quando vocês nos apoiaram pelas redes sociais, ficaram receosos com a imagem que se teria deles. Sem vocês, essa mãe cairia em um pranto sem fim.

Meu filho não se escondeu, não obstruiu a Justiça, não atrapalhou o trabalho de ninguém, submeteu-se a tudo que lhe foi exigido, cumpriu todos os passos da lei, teve as provas colhidas pelos órgãos competentes, todas, sem qualquer exceção, a seu favor, mas, sem vocês, estaria preso.

Será que essas autoridades não possuem filhos? Por que alguém se presta a destruir a vida de um jovem rapaz? Quem pode lucrar com isso? Meu muitíssimo obrigado as queridas e queridos que eu tenho a felicidade de conhecer e, principalmente, a quem não conheço, por terem tido piedade de uma mãe que não tinha a quem recorrer. Graças a vocês eu continuo acreditando no ser humano. Que Deus os abençoe e os guarde. Vamos continuar na nossa luta contra os poderosos. Conto com vocês.

Discussão

10 comentários sobre “Ainda o caso Gueiros

  1. Lamentável, tal situação.

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    Publicado por Luiz Mário | 1 de maio de 2017, 20:24
  2. Chamar-me de “médico aventureiro” é ofensivo e pode ensejar ação judicial para reparação de danos.
    Dr. Leví Inimá de Miranda – Perito-Legista Independente

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    Publicado por LEVÍ INIMÁ DE MIRANDA | 1 de maio de 2017, 23:53
  3. Não entendi. O rapaz não está preso por causa das manifestações das redes sociais? Eu pensei que a razão principal seria que não há evidências para justificar a prisão. Será que as redes sociais comandam a justiça agora? Tempos sombrios.

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    Publicado por José Silva | 2 de maio de 2017, 08:22
  4. “Pai, por que me abandonastes?”

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    Publicado por Luiz Mário | 2 de maio de 2017, 18:02
  5. Nobre Jornalista Lúcio Flávio Pinto!

    Cordialmente o cumprimentando, indago-lhe se o senhor pode me conceder o Direito de Resposta, por eu ter sido citado na postagem da Senhora Mônica Gueiros, como “médico do Habib’s”, ora reproduzido em sua coluna.

    Em caso positivo, peço que me envie sua autorização. E, para tanto, forneço-lhe meu e-mail: inimademiranda@uol.com.br

    Ou pelo telefone (21) 97024-7643.

    Grato.

    Att,

    Dr. Leví Inimá de Miranda
    Perito-legista Independente
    Perito-legista Oficial aposentado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro
    Tenente-coronel Médico Reformado do Exército
    Escritor

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    Publicado por Levítico Inimá de Miranda | 10 de agosto de 2017, 21:54
    • Desculpe a demora. Um caminhão mais alto provocou o rompimento da fiação. Por isso fiquei sem conexão com a internet. Ainda sem computador em condições, recorro a aparelho alheio. Pode enviar o direito de resposta. Publicarei imediatamente a sua mensagem. Obrigado pela atenção.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 13 de agosto de 2017, 10:44

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