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Imprensa

Fraco aniversário

O Amazônia, o irmão mais novo de O Liberal no dia a dia da imprensa paraense, completou ontem 17 anos. Circulou com uma edição maior, de 64 páginas, 38 das quais de publicidade. Em formato menor, repassadas para o tamanho standard representam 32 páginas. Aniversário magro, portanto. Tanto pela crise econômica externa quanto pela deterioração da publicação.

O setor público contribuiu com 11 páginas de anúncios. A maioria deles foi paga pelo governo do Estado, que entrou com quatro páginas, duas das quais para saudar a nova secretaria, dedicada a cuidar – extraordinariamente – dos municípios sustentáveis, entregue a Izabela Jatene, filha do governador, que era secretária  – também extraordinária – de integração social. Agora, diretamente ligada aos prefeitos e políticos municipais, a pretexto de torná-los mais corretos ambientalmente (e eleitoralmente?) poderá cuidar melhor da sua possível candidatura a deputada federa no próximo ano.

Os outros anunciantes do setor público foram a precária prefeitura de Belém de Zenaldo Coutinho (dois anúncios), a câmara municipal, o Banco do Estado do Pará e a prefeitura de Moju, com uma página cada um. Por que o Moju foi o único dos 143 municípios do interior a anunciar – e uma página inteira?

As respostas frequentemente nada têm a ver com a eficácia do anúncio, a natureza do negócio ou a prestação de serviço público. Visa apenas reforçar os elos do anunciante com a direção do jornal, que lhe foi pedir um anúncio, O investimento é feito com a intenção de obter reciprocidade no caso de alguma necessidade ou interesse. Calar a imprensa sobre algum fato desagradável. Ou ter sua cobertura extensiva, simpática, utilitária.

Em alguma dessas hipóteses se enquadram os anúncios do Sebrae, Fiepa, Fecomércio, sindicato dos donos de postos de combustíveis ou de ônibus, sindicato das mineradoras, Grêmio Literário Português, shoppings centers. Pode-se especular também sobe anúncios constrangidos, como o da Celpa. Normalmente a concessionária de energia era mais generosa. Mas anunciar num veículo que lhe é devedor de expressiva quantia não permite maior generosidade. Também não impede que conceda algum. A ausência pode custar muito mais caro do que a meia página veiculada.

Melhor se saiu a própria “casa”. Três páginas e meia do jornal foram ocupadas por anúncios dos veículos das Organizações Romulo Maiorana. Ajudaram a dar a impressão de que o Amazônia é bom, de larga circulação e poderoso, conforme proclamam os testemunhos de encomenda como se fossem o parabéns pra você.

Discussão

5 comentários sobre “Fraco aniversário

  1. No cruzamento das avenidas Independência com Mário Covas, os gazeteiros só exibem o Amazônia e o Diário.

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    Publicado por Pedro Pinto | 1 de maio de 2017, 11:48
  2. Foi erro de revisão, certamente, mas até que se encaixa bem o trecho: “Os outros anunciantes do setor púbico…”

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    Publicado por JAB Viana | 1 de maio de 2017, 14:42
  3. Coitado do Amazônia. A idéia era boa, mas a execução foi precária. O que eu não entendo é porque clubes como o Grêmio e sindicatos precisam fazer anúncios. Será somente beija mão?

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    Publicado por Jose Silva | 1 de maio de 2017, 15:22

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