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Justiça, Segurança pública

A justiça estilhaça

Num momento perigoso da vida nacional e quando sua importância se mostrava decisiva, a justiça brasileira está se fragmentando, justamente em torno da questão de maior relevância: o combate à corrupção. O rompimento é exatamente entre os dois polos extremos. No início, no juízo singular. E na última instância, o Supremo Tribunal Federal.

Temia-se que, por ser um órgão político, o STF pudesse agir politicamente a partir de um momento tenso da instrução da Operação Lava-Jato. No entanto, a maioria abonou e estimulou a continuidade das investigações, processamentos e punições, como nunca houve na história do poder judiciário. Excessos e erros cometidos não foram tão graves que dessem motivo a retrocessos.

A volta atrás está ocorrendo por uma ação coordenada de um grupo de ministros desejosos de dar um basta e impor um ponto final aos desdobramentos e aprofundamentos dos atos dos integrantes do grupo tarefa. O relaxamento das prisões preventivas de personagens-chave da ação criminosa está vindo em cascata. Não só pelo exame individual de cada situação. Segue uma ordem, um conceito: é hora de normalizar a vida do país e estancar a Lava-Jato.

Mas se alguns ministros achavam que sua ação seria categórica, podem se enganar. Os juízes federais que atuam nos vários processos reagem às ordens do STF não com insubordinação, mas exercendo ao máximo suas competências com um objetivo: embaraçar a libertação dos acusados de atos ilícitos contra o tesouro nacional e suas derivações.

Tanto Sérgio Moro quanto Marcelo Bretas agiram dessa forma, bem enquadrados na regra legal. Mas suas atitudes podem ser consideradas ofensivas ou indisciplinadas por ministros do STF. O confronto poderá se tornar inevitável. E a conjuntura se agravará ainda mais.

Discussão

3 comentários sobre “A justiça estilhaça

  1. Fica demonstrado que foi de extrema importância a chegado do PT à presidência da República, para que o reverso da medalha fosse vista.

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    Publicado por Luiz Mário | 4 de maio de 2017, 09:09
  2. Me espanta a tranquilidade desses patifes, diante da lei. Como se estivessem sabendo de negociações espúrias com os representantes do Judiciário em momentos anteriores, estão sempre quase arrogantemente inocentes. Esse Palocci dá-se ao luxo de, ao final do depoimento, mandar um recado aos demais quadrilheiros, adiantando ao juiz que teria material suficiente para ocupar seu tempo por 1 ano. Anuncia a possível delação e logo em seguida, cúmplices são postos em liberdade. De dentro da cadeia, manobram e ameaçam. Qual o dinheiro que paga esses advogados todos e, quem sabe, alguns juízes? Que promessas são feitas, eles, condenados a 30, 50 anos de prisão e nem por isso parecendo preocupados? O cara está ali, diante do juiz, talvez no momento mais grave da vida e no entanto, dá-se ao luxo de mandar recados! O mundo acabou, pelo menos como o conhecia.

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    Publicado por Edyr Augusto | 4 de maio de 2017, 14:25

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