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Cidades, Política, Transporte

Dinossauros sobre rodas

Quem anda pelas ruas da região metropolitana de Belém percebe um fato escandaloso: a impunidade dos ônibus. Os motoristas fazem o que querem: queimam parada, fecham cruzamentos, desrespeitam o sinal luminoso, ignoram a faixa que hes é reservada, saem a dar trombadas em veículos menores, abusam do seu tamanho e por aí afora.

Essa impunidade, evidentemente, não é patrimônio dos motoristas. É prerrogativa dos donos dos ônibus que eles dirigem. É um dos maiores negócios urbanos no município, assim como a coleta e o tratamento do lixo. Ambos serviços deficientes, mas muito bem remunerados. Tanto que são excelentes negócios. Pelo volume de dinheiro que movimentam, diariamente no transporte público, lhe conferem poder excepcional.

Uma prova desse poder é a frequência com que os ônibus dão pane nas ruas da cidade. Ficam no “prego”, atravancando o trânsito pelo tempo – geralmente demasiado – necessário para serem rebocados. Não há multa. Ou, se há (imunidade não escrita que tem prática corrente), é tão insignificante que não inibe as empresas de transporte coletivo.

Devia ser o contrário: multa tão pesada que obrigaria os concessionários do serviço a melhorar a manutenção dos seus ônibus. Às vezes eles pifam no início do dia, mal saídos da garagem. Além de checar os veículos para impedir que eles agravem ainda mais o caótico trânsito de Belém, as empresas teriam que renovar ainda mais a frota e lhes acrescentar ônibus melhores, não os de sempre, deficientes para atuar numa região quente, úmida e com muita chuva.

Como nenhuma providência oficial é adotada, vou, mais uma vez, sugerir uma boa interatividade ao usuário da internet leitor deste blog: documentar os ônibus que observa no “prego” e mandar os dados para este espaço, que registrará a informação. Pode não tirar a autoridade competente da sua letargia, mas funcionará como atestado do seu imobilismo.

Discussão

10 comentários sobre “Dinossauros sobre rodas

  1. Ano passado,eu e minha namorada apanhamos um ônibus da linha Pedreira Condor. Era um carro velho (proveniente de 2005). Na hora de descer, o motorista, com uma pressa injustificável, arrancou o ônibus e fechou as portas na hora em que minha namorada estava descendo. As pessoas gritaram para que ele parasse. Ela desceu chorando de dor. Na hora: explodi. Xinguei o motorista de todos os palavrões possíveis. Ele não foi embora, provavelmente com medo de represálias dos passageiros. Um rapaz de um bar ofereceu água. O cobrador, veio com um sorrizinho desprezível nos lábios como se nada tivesse acontecido. Continuei xingando o motorista pedindo para que ele caísse fora. Ele veio dizendo que poderia levar ela para o pronto-socorro, mas ela recusou. Só queria ir embora dali. Fui pra casa com a sensação de nunca mais andar de ônibus com ela. Desde esse dia, faço questão de leva-la de carro pra todos os locais.

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    Publicado por Anônimo | 9 de maio de 2017, 14:46
  2. E eu pensei que um dia a época daqueles sacrabalas-nazaré que caiam aos pedaços assustando a todos se transformaria em coisa do passado quando a cidade ficasse um pouquinho mais civilizada. Pura ilusão. Gostamos mesmo de gastar nosso suado dinheirinho usando esses trambolhos.

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    Publicado por Jose Silva | 9 de maio de 2017, 16:11
  3. Pior, muito pior, é a fila dupla. Hoje de tarde, precisei fazer várias atividades de carro. Em todas as ruas, principalmente as de tráfego mais intenso, filas duplas. O paraense é egoísta, mal educado. Faz o que quer, onde quer, apenas porque quer. Foram-se as leis e os outros.

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    Publicado por Edyr Augusto | 9 de maio de 2017, 17:38
    • Diz-se, caro Edyr, que no Pará o motorista, quando liga o pisca-alerta, está avisando aos navegantes que encontrou um lugar para estacionar, mesmo que na fila dupla ou tripla ou quádrupla. Esquece o mundo, o direito, a educação e a civilidade.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 9 de maio de 2017, 17:51
      • Lucio,

        Civilidade não existe na nossa terra. Nas minhas andanças raramente vejo um bom dia, um ato de cortesia, um ato sequer de civilidade. Não tem como negar, somos mesmo broncos. Raríssimas são as exceções.

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        Publicado por José Silva | 9 de maio de 2017, 20:10
  4. Estamos imersos no #caos da insalubridade, da arrogância dos gestores, da omissão de muitos… Vigora p/ toda RMB. Urge a abertura das caixas-pretas da coleta do lixo (tratamento não há), e do transporte público. Via twitter já fiz vários questionamentos p/ #Semob s/ retorno, sobre a permissão de tráfego aos ônibus completamente sucateados da empresa águas lindas que opera linha Júlia Sefer, bem assim Curuçambá, águas brancas, águas lindas e tantas outras. Recentemente quase presenciei o óbito em caso análogo acima citado (e fui eu quem a socorreu até a UPA Marituba,q. c/ o impacto da fechada de porta o susto e a pressão contra o peito lhe causou quase morte súbita… foi surreal) de uma funcionária da AutoviáriaParaense linha J.Sefer-P.Vargas (soube depois q a mesma sobreviveu, porém não processou a empresa). A carga de poluentes emitidos por esses veículos são altamente poluentes, além de toda precariedade do sistema (?!) operacional. c/ motoristas em verdadeiros rallies de velocidade.
    Deixei há 17 anos o Reduto em busca de sossego e maior qualidade de vida. Ledo e abissal engano. Ananindeua é município sem mínima ordenança territorial, destruição crescentes dos poucos espaços verdes que lhe restam, o fomento às invasões de áreas contendo precários assentamentos urbanos, violência crescente, e ostentando inclusive o pior saneamento do país. Este espaço é um resgate da nossa cidadania extirpada pela incúria dos péssimos representantes que escolhemos.

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    Publicado por Amélia Oliveira | 10 de maio de 2017, 03:59
  5. Quando o Jibóia Branca passa pela Mário Covas, na altura do SESI, me sinto uma britadeira.

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    Publicado por Pedro Pinto | 12 de maio de 2017, 18:01

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