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Cidades, Transporte

Ônibus melhores

O problema parecia de solução simples e fácil. No dia 10 de abril, o vereador Gustavo Sefer, do PSD, propôs uma alteração no texto de uma lei aprovada em 2009, a partir de um projeto de Gervásio Morgado, que impunha o uso de ar refrigerado apenas a ônibus especiais, os “fresquinhos”, em número reduzido, lotação menor e tarifa especial. Não atingia a frota normal do transporte coletivo de Belém. Era perfumaria: exigia que os empresários fizessem o que eles inevitavelmente fariam, de moto próprio, pela natureza especial do serviço prestado – e por isso mais caro. Era dourar a pílula.

Um mês depois, outro vereador, Doutor Chiquinho, do PSOL, apresentou outro projeto, que imporia logo a exigência de refrigeração dos ônibus de todas as frotas do município. Sefer diz que a iniciativa é inconstitucional, de interesse político, atropelando a sua iniciativa, O vereador do PSOL podia ter pedido a revogação da lei antes de submeter aos colegas a nova lei ou então emendar a de 2009, como ele próprio fez.

Independentemente das versões, o mais relevante é que uma iniciativa dessas devia ser endossada imediatamente e aprovada por todos os vereadores, mesmo que sua implementação fosse gradual (mas não tão lenta, como gostariam os empresários). É constrangedora e absurda a posição solitária de Belém no conjunto das capitais que já ofereceram esse conforto elementar aos passageiros de ônibus, várias há muito tempo. O custo adicional é pequemo, provavelmente não afeta a tarifa. Ou é adotada ou o transporte coletivo na cidade deixa de ser concessão pública e se torna serviço completamente privado.

Agora é fazer a Câmara cumprir esse elementar dever, já que, finalmente, o grave problema, que inferniza (como outros) a circulação diária de milhares de pessoas, chegou à pauta dos ditos representantes do povo.

Discussão

13 comentários sobre “Ônibus melhores

  1. So há duas alternativas para esses vereadores da cidade: ou começam a trabalhar de verdade para a população ou pedem demissão imediata em bloco. Creio que a população já está saturada com tanta ineficiência e incompetência.

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    Publicado por José Silva | 14 de maio de 2017, 19:53
  2. Não sei, mas não acho uma boa a obrigatoriedade de toda a frota ser refrigerada. Acho que poderia ser obrigado apenas 1/3 da frota, com tarifas diferenciadas, trabalhando no regime de lotação sentada, pois lotação em pé vai ser um inferno nos momentos de grande afluxo, pois, com certeza os aparelhos não estarão aptos a responder o exigido por um calor insuportável em um veículo fechado e atopetado de gente dependurada nos corredores.
    Muitos não gostam de refrigeração e graças às doenças pulmonares e inconvenientes aromáticos inerentes à fisiologia humana, especialmente daqueles considerados “sugismundos”, prefiro ainda os ônibus das décadas de 50 e 60, feitos aqui em Belém, de madeira, muito mais bem ventilados e isolados do calor que esses monstros de metal, quentes e fedorentos.
    Antes do ar refrigerado, deveria haver a obrigatoriedade do motor ser na traseira do veículo e ser implantado um sistema de cartão de passagens vendidos em bancas de revista.
    Deveriam acabar com esse sistema arcaico monopólios de linhas de ônibus concedidas para uma só empresa/linha. Deveria haver no máximo 5 linhas tronco, que se deslocassem entre terminais urbanos ligados ao terminal de São Bras, onde haveria a integração com ônibus circulares menores de alimentação do sistema, nas duas pontas, origem e destino.
    Haveria um administrador do sistema e as empresas entrariam com veículos para dar suporte aos fluxos, conforme identificação de demanda na central eletrônica e inteligente. Tudo simples, como já deve haver em várias partes do mundo, enquanto permanecemos com um sistema do início do século, que mais parece com um sistema cartorário, um oligopólio, que não admite concorrência e consequentemente uma melhor qualidade nos serviços prestados.
    Falta Prefeito na Capital e também nas vizinhanças.

    Curtido por 1 pessoa

    Publicado por JAB Viana | 14 de maio de 2017, 21:50
  3. Acredito que o problema do transporte público seja um pouco mais complicado que a instalação de ar-condicionado, mas percebemos por essa questão que os vereadores e prefeito não têm o menor interesse em discutir, o mesmo acontecendo com a questão do lixo, que não se resolve apenas com lixões. Na verdade não existe políticas públicas implementadas, somente arranjos, que na maioria das vezes beneficiam alguns em detrimento da sociedade.

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    Publicado por Everaldo | 15 de maio de 2017, 10:20
  4. Vereadores, deputados, deputados federais e senadores, vivem em um mundo à parte, onde disputam poder e dinheiro entre si. Quanto aos que neles votaram, nada!

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    Publicado por Edyr Augusto | 15 de maio de 2017, 13:43
  5. “§ 1o  A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.”

    Esse é o parágrafo 1o. do art. 2o. da Lei de Introdução ao Direito Brasileiro, regra básica do direito. Todo legislador deve saber essa regra. Em um debate pelo Facebook com um vereador sobre o assunto, demonstrei que o argumento deles (no sentido de que a lei de 2009 deveria ser revogada antes de ser aprovada a nova lei) não é sustentável de acordo com tal regra, pois a lei posterior revogaria a antiga (2009) tacitamente, automaticamente. O dispositivo dá duas hipóteses para que haja revogação da lei anterior de forma tácita. Após isso, o vereador que a todos respondia, inclusive os mais críticos, calou-se.

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    Publicado por Jefferson | 15 de maio de 2017, 18:37
  6. Uma coisa é certa: os vereadores ficaram com um certo receio da repercussão negativa. Antes, as pessoas nem mesmo sabiam o que se votava na câmara. Nesse sentido, a Internet foi positiva. E ainda muito pouco, mas é melhor que nada.

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    Publicado por Jonathan | 17 de maio de 2017, 11:06
  7. Vou colocar apenas um pequeno relato Lídia Rodrigues que encontrei no facebook e se disseminou. Na falta outro post, coloco aqui para falar da violência que determinados motoristas tratam os usuários.
    “Nunca meu pai ou meu avô levantou a mão pra me bater. Mas hoje sofri agressão moral e quase física dentro de um transporte coletivo em Belém.
    Fiz sinal para que parasse,e nem precisava já que eu estava no ponto de ônibus. O motorista ficou com o veículo em movimento para que eu subisse, quando eu pedi “por favor o senhor pode parar para que eu suba sem me machucar?” Ele respondeu “se quiser sobe logo” . Eu subi e falei que o que ele estava fazendo é errado,ele começou a gritar comigo usando palavras de baixo calão e disse que era pra eu passar logo pra trás ou ele ia me tirar “do ônibus dele”. E continuou me chamando de “caralho e filha da puta”. O pior foi que nesse momento tinham vários homens dentro do ônibus e nenhum,nenhum se quer se levantou pra se meter.
    Eu revoltada disse pra ele não gritar comigo e que ele não tinha que está ali trabalhando com pessoas porque ele se comportava como um animal e se eu fosse homem eu iria meter a mão nele. Nesse momento ele parou o ônibus, se levantou e disse que ia quebrar meus dentes. Me afastei pois eu não tenho como medir forças com um homem e preciso do meu rosto pra trabalhar.
    Minha família já tomou as medidas cabíveis e com certeza isso não vai ficar assim, passei a tarde na delegacia da mulher na companhia do meu tio,que também foi falar com a proprietária da empresa de ônibus. Estou assustada,pensando em como o ser humano pode desrespeitar tanto o outro,duvido se fosse um homem no meu lugar ele tinha sido tão valente assim. Eu estava indo pra aula e perdi completamente toda a minha tarde por causa desse animal,que no mínimo não deve amar nem a própria mãe pra fazer isso com uma mulher.
    Eles não respeitam os idosos,as mulheres,os deficientes,os cadeirantes,ninguém. Parece que estamos pedindo um favor.
    Eu não me surpreendo com mais nada nessa vida !”

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    Publicado por Fabrício | 21 de setembro de 2017, 17:01
    • O testemunho impressiona, mas já se tornou rotineiro em Belém.
      Vamos repassar.
      1) O serviço de transporte coletivo é concessão pública.
      2) O concessionário tem que cumprir regras de procedimento, a título precário. Se não cumprir, pode perder a concessão.
      3) O destinatário do sistema é o público. Logo, é prioridade.
      Mas quem segue essas regras? Poucos. Então, cabe cobrar providências dos responsáveis e proceder como a moça.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 21 de setembro de 2017, 17:37
  8. Poderia estender o debate sobre a proibição do aplicativo Uber na região da cidade de Ananindeua, mas voltando ao tema dos ar-condicionados, o som automotivo, João Dória e os vereadores de Belém, muitos pode perguntar qual a relação de tudo isso, aqui na nota da página do facebook Trânsito Belém.
    O postagem anterior vem contrastar com uma noticia recente de um cobrador de ônibus que encontrou um bagagem, se mobilizou na internet para encontrar a pessoa que perdeu aproximadamente quinhentos reais. Há diversos tipos de pessoas, mas temos que relatar aqui tant os fatos bons como os ruins. Depois, em outro artigo, volt a comentar sobre os erros das placas de logradouro de Belém. seguimos sobre o transito em Belém.
    “A Câmara Municipal de Belém ignora solenemente os pedidos da população para dar seguimento na aprovação do ar condicionado nos coletivos de Belém.
    Enquanto isso, projetos com relevância duvidosa e de importância menor, como aprovar como cidadão de Belém o Prefeito João Dória, som automotivo como patrimônio cultural, homenagem ao Sindicato dos Corretores e das empresas corretoras de seguros, comemoração do dia carimbó, proibição da operação de aplicativos de transporte, dentre outras pérolas fazem parte da rotina de uma casa legislativa alheia às necessidades da metrópole.
    Assuntos relevantes no que diz respeito à fiscalização das obras da cidade, estas se arrastando por anos e prejudicando a mobilidade e o bem estar da população, são deixadas de lado e esquecidas pelo Presidente Mauro Freitas e demais colegas de situação.
    Estamos vivendo um momento muito ruim no que diz respeito a qualidade de vida na mobilidade de Belém, fora outros assuntos não menos importantes como segurança, saneamento, saúde, etc.
    Infelizmente, não vemos um futuro promissor para os próximos 3 anos para a nossa cidade e região metropolitana.”

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    Publicado por Fabrício | 21 de setembro de 2017, 17:25
  9. Poderia estender o debate sobre a proibição do aplicativo Uber na região da cidade de Ananindeua, mas voltando ao tema dos ar-condicionados, o som automotivo, João Dória e os vereadores de Belém, muitos pode perguntar qual a relação de tudo isso, aqui na nota da página do facebook Trânsito Belém.
    O postagem anterior vem contrastar com uma noticia recente de um cobrador de ônibus que encontrou um bagagem, se mobilizou na internet para encontrar a pessoa que perdeu aproximadamente quinhentos reais. Há diversos tipos de pessoas, mas temos que relatar aqui tant os fatos bons como os ruins. Depois, em outro artigo, volt a comentar sobre os erros das placas de logradouro de Belém. seguimos sobre o transito em Belém.
    “A Câmara Municipal de Belém ignora solenemente os pedidos da população para dar seguimento na aprovação do ar condicionado nos coletivos de Belém.
    Enquanto isso, projetos com relevância duvidosa e de importância menor, como aprovar como cidadão de Belém o Prefeito João Dória, som automotivo como patrimônio cultural, homenagem ao Sindicato dos Corretores e das empresas corretoras de seguros, comemoração do dia carimbó, proibição da operação de aplicativos de transporte, dentre outras pérolas fazem parte da rotina de uma casa legislativa alheia às necessidades da metrópole.
    Assuntos relevantes no que diz respeito à fiscalização das obras da cidade, estas se arrastando por anos e prejudicando a mobilidade e o bem estar da população, são deixadas de lado e esquecidas pelo Presidente Mauro Freitas e demais colegas de situação.
    Estamos vivendo um momento muito ruim no que diz respeito a qualidade de vida na mobilidade de Belém, fora outros assuntos não menos importantes como segurança, saneamento, saúde, etc.
    Infelizmente, não vemos um futuro promissor para os próximos 3 anos para a nossa cidade e região metropolitana.”
    .

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    Publicado por Fabrício | 21 de setembro de 2017, 17:26

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