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Economia, Justiça, Política

Em boa hora

Na sexta-feira passada, dia 12, a Polícia Federal conduziu Wesley Batista para depor sobre denúncia de que a empresa da qual ele é um dos donos fora beneficiada com aportes irregulares da BNDESPar, subsidiária do BNDES. Outro mandado judicial era para a condução coercitiva do irmão dele e principal executivo da corporação. Mas  Joesley estava fora do país.

As medidas faziam parte da Operação Bullish, criada para investigar os repasses feitos à companhia depois que a empresa de consultoria do ex-ministro petista Antonio Palocci foi contratada. As operações teriam causado prejuízo aos cofres públicos, calculados pela Polícia Federal em 1,2 bilhão de reais, pela compra de ações a um preço supostamente superior ao de mercado.

Para capitalizar a empresa, tornando-a competitiva no mercado internacional, a partir do primeiro mandato de Lula como presidente da república, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social se tornou sócio minoritário da JBS (com 21% das ações).

Nada mandava, mas colocou à disposição muito dinheiro. Só para a JBS adquirir o frigorífico americano Pilgrim’s, foram 3,5 bilhões de reais, aplicados na compra de debêntures, ações sem direito a voto.

Com a operação, Palocci mudou de ideia e resolveu negociar um acordo de delação com os investigadores da Operação Lava-Jato. O anúncio fez o mercado financeiro tremer então tanto quanto hoje. O ex-ministro da Fazenda possui informações privilegiadas sobre um setor ainda não alcançado pelas investigações da Lava Jato: os grandes bancos.

Cinco dias depois da Bullish, O Globo vaza os segredos das delações dos dois irmãos, posicionados entre os maiores bilionários do país e do mundo. Desta vez, não era só Joesley que estava no seu suntuoso apartamento em Nova York: Wesley o acompanhava. Ambos fora do alcance geral, graças à liberação dada pelo Supremo Tribunal Federal.

Boa hora. Além da Bullish, outras quatro operações da Polícia Federal visaram empresas da holding do grupo JBS, a J&F. Em julho do ano passado, a Operação Sépsis, investigou pagamento de propinas para obtenção de recursos do FGTS. Em setembro do mesmo ano, a Operação Greenfield foi em cima do recebimento irregular de fundos de pensão por parte da Eldorado Celulose.

Em janeiro deste ano, a J&F foi investigada pela Operação “Cui Bono?”. Ela teria sido beneficiada pela concessão de créditos pela Caixa Econômica Federal em um esquema que envolveria o ex-deputado Eduardo Cunha (que, agora se sabe, recebia mesada mensal da empresa) e o ministro Geddel Vieira Lima. Dois meses depois a Operação Carne Fraca apurou o pagamento de propinas para que carnes irregulares da JBS fossem vendidas.

Quem vai dar atenção a isso agora?

Discussão

2 comentários sobre “Em boa hora

  1. Viva as redes sociais!

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    Publicado por Luiz Mário | 18 de maio de 2017, 20:20
  2. Parece que o Wesley era o moderado e trabalhador. O Joesley era o homem das confusões e articulações políticas. Acostumado a tratar com bois e vacas, não teve problema em entender como manejar os rebanhos compostos pelos nossos políticos em Brasília.

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    Publicado por José Silva | 18 de maio de 2017, 20:47

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