//
você está lendo...
Polícia, Violência

O estupro silencioso

A menor, de 16 anos, foi convidada pessoalmente para participar da festa na casa de Jackson, no conjunto Jader Barbalho, no Aurá, em Ananindeua. Chegou na hora, às três e meia da tarde do dia 26 de maio. Ia ficar até as cinco e depois seguiria para a aula noturna do 1º ano do ensino médio numa escola pública. Por isso, levava o uniforme na mochila. Mas ela nem foi à escola nem apareceu na sua casa. Uma irmã mais nova, de 15 anos, saiu atrás dela e a encontrou na casa de Jackson.

Quando conseguiu entrar na casa, forçando uma das portas, todas trancadas, viu vários homens bebendo, que se assustaram pela sua presença. Em seguida apareceu a irmã, que estava nua, apenas com os seios cobertos por um top. Estava tonta, desorientada. Aceitou ser levada. Alarmada, a família fez um boletim de ocorrência na Seccional da Cidade Nova. Policiais foram até o local da festa, já abandonado.

A família se queixa de que havia preservativos espalhados pelo chão. Podiam servir de prova para a denúncia da menor, de que provavelmente oito homens a estupraram seguidamente, depois de terem-na drogado, deixando-a inconsciente. Na mesma noite ela foi submetida a perícia no IML (o laudo deverá ser divulgado em um mês). Três dias depois o BO foi encaminhado à delegacia do Aurá, mas somente no dia 2 chegou ao setor competente, a Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e o Adolescente. Até agora ninguém foi preso. A identidade da menor está sendo mantida em sigilo. A família se queixa de estar recebendo ameaças anônimas de morte.

O caso impressiona por vários motivos. Primeiro, pela pouca atenção que lhe foi dispensado. O Diário do Pará lhe deu maior destaque por motivo óbvio: a campanha que faz contra o governo do Estado. Mas o noticiário é fraco em informações. Já O Liberal o minimizou por outro motivo óbvio: seu apoio ao governador Simão Jatene, que só falha quando a verba oficial diminui.

Assim, não se sabe se realmente a polícia viu-se impossibilitada de fazer o flagrante ou não o consumou por não ter dado a importância que esse tipo de crime lhe impõe. Como outros locais semelhantes espalhados pela periferia de Belém e a região metropolitana, a casa de Jackson é um covil, que atrai adolescentes com promessa de festa e diversão. Não é desconhecido pela polícia.

A estrutura permanente do aparato de segurança pública é extremamente limitada e deficiente para agir imediatamente em seguida ao recebimento de denúncia de crimes contra crianças e adolescentes, especialmente quando submetidos a abusos sexuais. Devia ser uma polícia bem adestrada para prevenir o que aconteceu: a fuga do principal responsável pelo estupro coletivo – que, desta vez, ao contrário do que aconteceu com uma adolescente da mesma idade, no Rio de Janeiro, não provocou clamor público.

 

Discussão

8 comentários sobre “O estupro silencioso

  1. É muita desgraça, tudo- junto e ao mesmo tempo, para pouca reação, rebelião , contestação, revolta , revolução !
    Vivemos no contexto de um estado do bem estar social negativo, flagrantemente fracassado e decadente e de uma sociedade civil , amorfa, espiritualmente pobre,anestesiada , débil,sonâmbula…testemunhamos , passivos, a um só tempo , as formas mais brutais e insanas de auto-destruição de nós mesmos .

    Curtir

    Publicado por Marly Silva | 5 de junho de 2017, 01:23
  2. É estarrecedor a policia saber deste local e não fazer nada.
    O DOL da mais algumas noticias do caso. Sem mais detalhes diz que a policia civil falou que seriam pelo menos mais cinco outras crianças que haveriam sido vitimas neste mesmo local. Seis suspeitos teriam sido presos. algumas vitimas teriam declarado ter sido mais do que oito pessoas envolvidos neste caso. Demorou pra ter dado fim nisso tudo.
    Essas informações são utilidade pública e o povo deveria se indignar mais, debater mais sobre estes absurdos. Será que a policia acabaria com isso tão rápido se não fosse noticiado em jornal? Mesmo em noticia anódica.
    http://www.diarioonline.com.br/noticias/policia/noticia-421050-.html

    Curtir

    Publicado por Fabrício | 5 de junho de 2017, 15:52
  3. Acho q por aqui p/ “chamar a atenção” somente via “chacina”. Oo q o órgão #Propaz têm dizer?! Estamos entrincheirados 😦

    Curtir

    Publicado por Amélia Oliveira | 7 de junho de 2017, 11:56
  4. Vivemos em um apocalipse sem fim do mundo. As bestas soltas pelas ruas e os justos acuados. Triste Belém!

    Curtir

    Publicado por JAB Viana | 7 de junho de 2017, 14:16
  5. O caso é estarrecedor, entretanto, a jovem foi de livre e espontânea vontade, deveria saber que no local a droga corre solta, e talvez não fosse a primeira vez que participava do bacanal. Os paia tem que tomar mais cuidado com seus filhos, procurar saber co quem andam etc…….

    Curtir

    Publicado por Valerio Alves. | 7 de junho de 2017, 18:52
  6. Nesses casos nunca é feito uma reflexão: “Aonde está a educação dos pais que devem orientar os filhos ao ter cuidado quando forem abordando por alguém na rua”?
    Hoje em dia a violência está banalizada porquê as TVs Abertas alimentam aquilo que o povo gosta: “Ver o outro levando a pior para amenizar os sofrimentos que esse passa por escolha e não possuir nenhuma inteligência emocional para administra – los.”

    Curtir

    Publicado por Henrique Miranda | 17 de junho de 2017, 07:32

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: