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Polícia, Terras, Violência

Violência & violência

Frustrou-se a sessão que a comissão externa da Câmara Federal, encarregada de apurar a morte de 10 pessoas no sul do Pará por policiais civis e militares, no dia 24, programou para hoje de manhã, em Belém. O deputado federal e delegado Éder Mauro, do PDS, discutiu asperamente com o deputado estadual Carlos Bordalo, do PT, inviabilizando a sessão.

Éder queria questionar o relatório assinado por Bordalo, presidente da comissão de direitos humanos da Assembleia Legislativa, um dos três autores do trabalho. A conclusão do documento é que não houve confronto entre os policiais, que teriam sido recebidos a bala quando cumpriam mandados de prisão, e os posseiros (ou criminosos, na versão oficial). Os policiais teriam simplesmente executado as pessoas que encontraram no acampamento montado no interior da fazenda Santa Lúcia, em Pau D’Arco, objeto de um violento e longo conflito fundiário.

O delegado-deputado ficou irritado ao ouvir que Bordalo leria o relatório e sairia da sala dos presidentes do legislativo, onde se realizava a reunião, porque queria questioná-lo. Aos gritos, Éder Mauro chamou Bordalo de “covarde” e “bandido”. O petista reagiu chamando o candidato derrotado à prefeitura de Belém de “fascista”. Foi quando o delegado-parlamentar tentou agredir Bordalo, sendo contido por pessoas presentes.

Os deputado federais da comissão externa esperavam obter o máximo de informações, orais ou em documentos, com as quais deveriam produzir um relatório sobre o caso para encaminhá-lo ao governo federal. Não seria uma audiência pública e sim uma reunião técnica. Éder Mauro liderou um grupo que defende os policiais, formado pelo deputado estadual coronel Neil, vereador sargento Silvano, delegados e representantes de associações de policiais,

No Pará violento, até a busca por informações sobre o tema acaba como hoje: em mais violência.

Discussão

3 comentários sobre “Violência & violência

  1. Resta provado: o Estado dentro do Estado.

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    Publicado por Luiz Mário | 5 de junho de 2017, 18:39
  2. Escrevi o comentário que segue sobre o assunto: Após mais um desfecho doloroso dos conflitos agrários (10 mortes), a ACRIPARA – Associação dos Criadores do Estado do Pará publicou na imprensa local uma nota lamentando o fim sangrento de uma missão policial, que na linguagem dos tribunais conhece-se como “Reintegração de Posse”. Naturalmente que o discurso da associação foi em defesa dos proprietários rurais no molde que estamos acostumados a ver e amparada nos princípios vigentes. Ela foi mais enfática no apelo que fez às autoridades constituídas no sentido de lhe oferecer condições de trabalhar pelo desenvolvimento do município e propiciar melhores condições para desempenhar sua missão de colaborar com a dieta alimentar da população paraense. No que tem toda a razão. Entretanto, assegurou no contexto de seu comentário, que o entrevero deve ser encarado como mero “combate a criminalidade”, opinião que a maioria das pessoas que acompanha o desenrolar da questão agrário-fundiária, no estado nacional brasileiro, deve discordar porque se há bandidos infiltrados nos movimentos dos que lutam pela posse da terra, deve-se identificá-los a fim de que recebam os reparos previstos na lei. No Pará, particularmente, o assunto sempre teve uma ampla discussão na sociedade civil organizada, embora não haja a repercussão que merece nos órgãos que deveriam se interessar pelo tema. O ITERPA, ainda existe? O INCRA, suposto responsável pela distribuição, licitação e acomodação desses infelizes compatriotas que compõem o MST, num ínfimo pedaço de terra, vive encrencado numa infernal burocracia. A tal de Ouvidoria Agrária, é uma figura decorativa. O judiciário só comparece quando é acionado, mesmo assim existem inúmeros casos de assassinatos de sem-terra, com soluções discutíveis até esta data. Tivemos e ainda vamos ter muitas mortes trágicas no campo, desde desconhecidos agricultores, cujos nomes simplesmente se agregaram as estatísticas oficiais, a personagens como a missionária norte-americana Dorothy Stang abatida intransigentemente enquanto exercia o nobre ofício de resignar os nossos patrícios com o quinhão de terras oferecido pelo Estado, mas que vinha sendo disputados por malfeitores de todos os vernizes. É fato que os proprietários rurais de pequenos e grandes latifúndios, adquiridos por meios legais ou por “grilagem” (uma forma de aquisição muito usada nos negócios fundiários, segundo a crônica dos tempos) têm todo o direito de defendê-los da ação predatória de terceiros, mas é preciso ressalvar quem é malfeitor consagrado, bandido, marginal, etc., do simples lavrador sem-terra que busca meios para subsistir das agruras da vida e não tem o respaldo de quem lhe deveria assistir permanentemente: o Estado.

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    Publicado por Rodolfo Lisboa Cerveira | 5 de junho de 2017, 19:15

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