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Polícia, Segurança pública, Violência

Mais uma matança

É de espantar o tempo que decorre entre um crime de grandes proporções e uma tentativa de resposta pelo aparato policial do Estado. Quando a resposta é imediata, ela é inacreditável de tão tosca, como no caso das execuções na fazenda Pau D’Arco, no sul do Estado.

A versão oficial caiu em descrédito quase ao mesmo tempo em que o secretário de segurança, general Jeannot Jansen, a apresentava: de que os 29 policiais civis e militares que entraram na área do acampamento de posseiros (ou pistoleiros) foram recebidos a tiros, reagiram, mataram 10 pessoas e não sofreram qualquer baixa, nem mesmo um ferimento leve.

A gravidade desse caso se deve tanto à quantidade de mortos quanto à má qualidade técnica (se admitida a incrível versão oficial) da operação para o cumprimento de mandados judiciais. Sem um elementar trabalho de inteligência (ou por falha imperdoável ou por se tratar de uma missão de execução), a operação teria sido vergonhosamente falha, se o que o secretário disse sobre o que teria ocorrido fosse verdadeiro.

De tudo que se possa dizer em favor ou contra a ação policial, uma coisa é inquestionável: a incompetência técnica do aparato estatal. Do que resultou um episódio mais grave até do que o de Eldorado dos Carajás, em 1997, pela ação direta e dirigida da polícia contra os seus alvos, sem confronto.

A má inteligência policial se revela outra vez no novo massacre, de ontem à noite, agora em plena capital do Estado, com um saldo de cinco mortos e 9 ou 15 feridos. Um dia depois do fato, o que aconteceu permanece sob uma bruma de desinformação. Os matadores somariam de um mínimo de 8 a um máximo de 15 indivíduos. Eles teriam disparado algo como 80 tiros, a partir de diversas armas (escopeta, metralhadora, revólver) aleatoriamente. Estavam ali para atirar a esmo em quem aparecesse pela frente. Uma selvagem maldade.

No entanto, ocupavam dois ou três veículos, dois dos quais bloquearam as duas vias de acesso à rua, no bairro da Condor, numa operação planejada. Atiraram muito, mas pareciam ter como alvo previamente definido um bar, no qual estavam juntos três amigos, que morreram no local – e outro no hospital. As demais vítimas entraram na conta de um acerto de contas? Por uma milícia? Por policiais disfarçados, todos vestindo roupa preta e capuz, em função de constituírem uma unidade?

A polícia diz que não tem pistas ainda porque todas as eventuais testemunhas se calaram, com medo de represálias. Mas uma boa inteligência está empenhada sempre em antecipar informações para que a espantosa frequência de execuções que massacra Belém não seja mais um fato isolado e surpreendente no cotidiano de uma cidade que se chca, se intimida e se sente impotente para evitar essa rotina de massacres.

Discussão

8 comentários sobre “Mais uma matança

  1. Alguma informação sobre os que fizeram as outras duas chacinas aqui em Belém? A investigação concluiu que foram alienígenas os autores?

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    Publicado por Márcio Macedo | 7 de junho de 2017, 18:43
  2. “Manutenção do status quo, revelando as estruturas que sustentam a Cultura da corrupção” : ….

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    Publicado por Luiz Mário | 8 de junho de 2017, 09:35
  3. O que está por trás destas chacinas? Será que é somente o mercado livre e solto das drogas?

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    Publicado por Jose Silva | 8 de junho de 2017, 09:41
  4. José, pode ser, em hipótese, facções em plena ação?

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 8 de junho de 2017, 15:25
    • Pois é Thirson, será que o mercado de drogas em Belém chegou a este nivel de consumo que há facções disputando os pontos de distribuição? Se alguém vende, é porque o consumo está enorme. Quem consome? Quem está pagando a conta?

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      Publicado por Jose Silva | 8 de junho de 2017, 18:30
      • Para mim, são grupos de extermínio. Criminosos que matam por pura maldade e sadismo, dando tiros a esmo e sem se importar com as pessoas que vão receber as balas. Isso ocorre desde 2014 nas periferias. Justamente por ser nesses locais, nada é feito e a população tem receios de denunciar.

        Infelizmente, a tendência é que as matanças se espalhem em outros pontos da cidade. Ninguém pense que estará seguro por morar no centro. O estado de inércia do governo e da sociedade permanecerá o mesmo. Logo, Belém se tornará praticamente inabitável, se é que já não é.

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        Publicado por Jonathan | 9 de junho de 2017, 01:15
  5. Realmente não houve competência técnica da polícia . Acredito que o trabalho pericial pode verificar se houve disparos efetuados por parte das vítimas .. agora tem q fiscaliza o trabalho da perícia . Sabemos que falta competência em vários órgãos do Estado .. na polícia não é diferente ; percebemos que não existe meritocracia . Deveria mudar esse povo todo , o Estado tem um delegado geral que se esconde para não dar explicações . Onde está a corregedoria da polícia na apuração dessa operação desastrosa ?

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    Publicado por Rodrigo | 11 de junho de 2017, 04:31

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