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Política

A história na chapa quente (232)

Eleição de Belém:

vai ter clássico?

(Artigo publicado no Jornal Pessoal 315, de janeiro de 2004)

Um dos principais aspirantes ao cargo de prefeito de Belém já está definido: é a senadora Ana Júlia Carepa, do PT. A definição da outra candidatura de peso está dependendo exclusivamente da vontade do ex-governador Almir Gabriel. Se quiser encarar a principal disputa eleitoral deste ano, ele já conta com o apoio público do seu sucessor, Simão Jatene, que praticamente o lançou para a volta ao Palácio Antônio Lemos (desta vez, por eleição direta e não mais por indicação biônica, como ocorreu em 1985, quando foi nomeado pelo então governador Jader Barbalho).

O confronto Ana Júlia versus Almir era previsível. Ambos são os políticos de maior densidade eleitoral de seus partidos. Nem o PT, que comanda a principal prefeitura do Estado, nem o PSDB, que mantém a administração estadual há nove anos, querem perder essa prévia de 2006. Só lançarão outra candidatura se os melhores nomes não quiserem aceitar a fatalidade. Perder Belém significa reduzir as possibilidades de vitória para o governo do Estado dentro de dois anos.

A escolha de Ana Júlia significa uma revolução para o PT belenense. Mesmo sendo a política petista que mais votos tem no Pará, a senadora não chega a controlar um quinto do diretório do partido na capital. É de tendência oposta à do prefeito Edmilson Rodrigues. Foi hostilizada pelo titular do cargo e hostilizou-o o quanto pôde, quando pôde.

As duas tendências vinham se engalfinhando nos bastidores. Quem podia, engolia as posições do outro. E a Força Socialista de Edmilson foi podendo cada vez mais, até dominar pelo menos metade dos cargos do partido na capital, além de usufruir o domínio da máquina administrativa, oferecendo cargos aos aderentes e fortalecendo sua militância.

A opção por Ana Júlia acabou chegando ao PT de Belém como uma onda impositiva partida de Brasília. Lula não há de querer ficar privado da prefeitura de uma capital na sua própria luta de 2006. O Palácio do Planalto, por isso, prometeu mundos e fundos (pelo menos os que o doutor Palocci autoriza) para demover Ana Júlia do seu propósito de aguardar no Senado a possibilidade de disputar o governo dentro de dois anos.

Ela, que nunca completou nenhum dos seus mandatos eletivos, sabe que essa volubilidade lhe será desgastante na campanha. Mas recebeu a garantia de que verbas federais darão conta desse flanco exposto.

A senadora poderá contar com a fidelidade dos seus inimigos internos? Em princípio, não. A reação da ala da Força Socialista, que permaneceu recalcitrante à decisão superior, revelada ao público quando começou a ser reprimida, há duas semanas, mostrou o grau de antagonismo de certo setor do PT.

Evidenciou também a disposição do prefeito de cortar na própria carne se isso lhe assegura a manutenção dos planos para 2006: sair candidato ao Senado (enquanto o deputado federal Paulo Rocha é o nome que vem sendo trabalhado para o governo).

Esses petistas parecem temer pelo que Ana Júlia fará quando sentar na cadeira de Edmilson, repetindo o que fez nas interinidades. Enquanto alguns se valorizam para um acordo mais compensador, outros saem atirando. Inclusive porque não lhes restava outra alternativa. É que estão caindo do poder.

Já a decisão do ex-governador Almir Gabriel depende de um arremate final: seu convencimento sobre o grau de risco do desafio. O lançamento da candidatura por Simão Jatene, na virada de ano, deve ajudar nas pesquisas de opinião, que devem estar sendo feitas para dar ao candidato tucano números mais confiáveis.

Esse pouco que falta, entretanto, é decisivo para quem não gosta de perder, como o doutor Almir. Ele quer entrar para ser consagrado, não só para vencer. E esse resultado ainda não pode ser garantido porque há variáveis fora de controle, ao menos no momento.

Mas pode-se apostar que o ex-governador, depois de oito anos com as rédeas da máquina estadual, sabe o quanto custa ficar mais dois anos na sombra. Provavelmente por isso deixará as orquídeas mais uma vez de lado para ir colher na horta dos votos.

Discussão

Um comentário sobre “A história na chapa quente (232)

  1. Infelizmente, a cabeça vaidosa e teimosa do Gabriel desenvolvia outra lógica que o levou a ficar sem nada e a termos que padecer sob Dudu, por oito anos em Belém e Júlia, por 4, no Estado.

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    Publicado por JAB Viana | 17 de junho de 2017, 00:27

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