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Cidades

Até quando?

Neste mês, o BRT de Belém completa quatro anos sob o comando do prefeito Zenaldo Coutinho, que levou certo tempo para retomar um projeto que seu antecessor, Duciomar Costa, do PTB, lhe repassou como herança maldita. É quase metade do tempo de duração da maior obra em andamento na região metropolitana de Belém. Por quanto tempo mais ela irá se prolongar? Até o final do segundo mandato de Zenaldo, em 2020? Ultrapassará esse limite? Por quanto sairá então? Quanto já foi gasto até agora? Em que ponto do cronograma físico-financeiro está esse BRT?

Perguntas e mais perguntas são feitas e repetidas todos os dias por algumas centenas de milhares de pessoas (500 mil?) que circulam à margem dos 20 quilômetros pelos quais os ônibus de tráfego rápido deveriam passar. Perguntam-se pela realidade desse monstro postado ao lado, de forma irracional, surrealista. E não têm respostas. Quem acessar o site do consórcio BRT Belém, por exemplo, vai ler: “Breve maiores informações”. Por quanto tempo já não se prolonga esse “breve”? Todos os espaços virtuais reservados ao BRT são incompletos, insuficientes ou embromam quem os procuram, desrespeitando o público, que suporta financeiramente a obra com seus impostos.

O povo, o mais sofrido, esmagado em ônibus superlotados desde o alvorecer, podendo passar até duas horas entre a sua origem e o seu destino (Icoaraci e Belém), tempo que o BRT deveria reduzir em 70%, quanto prejuízo já não contabilizou, desde os materiais (perda do dia de trabalho, descontos, custeio de transporte alternativo) até os imateriais (tensão, ansiedade, stress, doenças)? Quanto da sua expectativa de vida foi comprometido pelos desgastes diários no ir e vir pela Grande Belém?

Dias, meses e anos se passam sem que entidades e organizações de representação da sociedade movam uma palha sequer para socorrer as vítimas da incompetência, incúria, leviandade, improbidade ou corrupção responsáveis pelos atrasos físicos, encarecimento dos custos e desinformação que têm caracterizado a trajetória do BRT da capital paraense.

O Ministério Público do Estado, por tradição silencioso e omisso, não se sente obrigado a chamar à ordem os responsáveis por esse espetáculo vexaminoso de uma obra concebida para aliviar o mal que ela tem agravado com sua inconclusão onerosa. Não convoca uma audiência pública imediata para cobrar respostas às perguntas angustiosas dos que deveriam ser beneficiários do novo serviço e se tornaram vítimas dos seus tantos erros.

Se o MPE não se move nessa direção, por que o Ministério Público Federal não se apresenta, já que a maior parte do recursos é de origem federal? A convocação poderia ser feita em duas etapas. Na primeira, um debate técnico – mas bem amplo – entre a prefeitura e seus empreiteiros e concessionários e as organizações sociais, das universidades aos especialistas e entidades como a Ordem dos Advogados.

A participação seria através de inscrição, franqueada aos que lidam com a questão da mobilidade urbana e correlatos, além de indicações institucionais. A partir das conclusões desse primeiro encontro, formalizadas em documento para a mais ampla divulgação, haveria a audiência pública, num auditório capaz de comportar um grande público.

Um dos efeitos dessa iniciativa seria o bloqueio de todos os recursos de capital da prefeitura de Belém para a conclusão das obras do BRT. De início, acabando com os absurdos tapumes que protegem terminais – prontos ou em obras – na avenida Almirante Barroso, enquanto o que foi construído se deteriora e o trânsito é atravancado. Ao mesmo tempo, fazer o mesmo na avenida Augusto Montenegro, enquanto não se ataca a urbanização em toda via para que a alternativa seja real e não apenas teórica.

Sem esquecer de ir atrás dos responsáveis pela adição de elementos de escândalo numa obra que define Belém como uma cidade incapaz de resolver seus próprios problemas e ilegítima para continuar à frente de um Estado como o Pará.

Discussão

14 comentários sobre “Até quando?

  1. Pouco mais de três anos a Operação Lava-Jato vem demonstrando e comprovando que a corrupta elite é a única responsável pelos males que assolam o país. Elite política, elite de engenharia civil, elite do agronegócio, (talvez a elite do judiciário?), encadeadas formam o alicerce da ditadura da corrupção que deprime, oprime e vitima a grande maioria dos brasileiros – sobretudo os mais humildes -, infelizmente. No plano local a configuração seria a mesma?

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    Publicado por Luiz Mário | 14 de junho de 2017, 10:15
  2. CREA, OAB, conselho de contabilidade, MP, possuem obrigação de promoverem uma ampla auditagem.
    As perguntas que fazes, entre outras, precisam ser respondidas. A lei, a transparência, reguarda teu pedido. Se a administração municipal se cala, há que intimá-la a falar.
    Como engenheiro uso este espaço para pedir que o CREA saía de seu ninho. Afinal nós engenheiros somos águias ou simples galinhas?
    eng. Valdemiro
    crea 1832 D

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    Publicado por valdemiro | 14 de junho de 2017, 14:33
  3. O belenense continua digitando 45 e confirmando. Fazer o quê? Ele gosta de sofrer.

    PS: Dessa vez, o nome do responsável por transformar essa obra em uma aberração foi citado no texto: Zenaldo Coutinho, pior prefeito a assumir a PMB.

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    Publicado por Jonathan | 14 de junho de 2017, 17:17
  4. Um turista chega ao aeroporto. É sua primeira visita a Belém. Pega o taxi em direção ao centro da cidade. Tanto faz se o taxista use a Duque de Caxias ou a Pedro Alvares Cabral, o resultado será o mesmo: o turista terá vontade imediata de voltar ao aeroporto e nunca mais voltar. Ruas esburacadas, falta de planejamento, puxadinhos em todos os lugares, trânsito caótico, motoristas ruins e mal-educados, lixo para todo lugar, esgoto a céu aberto, paredes pichadas, etc, etc. Belém não tem governo. Belém virou uma grande porcaria. Parabéns a todos, conseguimos!!!

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    Publicado por Jose Silva | 14 de junho de 2017, 20:46
  5. A história nos mostra que para se tornar uma potência: Países que dela fazem parte tiveram que passar por um genocídio ou alguma catástrofe para depois então ter um hino. No Brasil não sei qual das duas ocorre, só que de maneira lenta contrariando o que foi deturpado por Maquiavel: “Quando fizer o bem, faça-o aos poucos. Quando for praticar o mal, fazê-lo de uma vez só.”
    As oligarquias são tão cruéis quanto a tirania. Vivemos numa ditadura oligárquica desde que os europeus corromperam os Índios com o escambo, tanta impunidade e um demos tão manso as consolida fortemente no sistema.
    O pão é renovado constantemente, com a diminuição do desemprego matéria paga, saque do FGTS para pagar dividas que se tenha com bancos! Veremos se ano que vem o povo irá depor membros de alguma oligarquia do poder. Ou se continuará o mando e desmando dessas. Prezado Lúcio tinha vontade de fazer jornalismo, mas depois de assistir “Muito além do cidadão Keane, penso apenas em ter o diploma e não queima – ló ao assinar acordo com o diabo para trabalhar em RBA ou ORM muito menos em TV RECORD que paga os colaboradores dela com dizimo oriundo da lavagem cerebral sugada dos pusilânimes que delas fazem parte.

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    Publicado por Henrique Miranda | 15 de junho de 2017, 07:01
    • Sou eternamente grato por ter trabalhado – por ordem cronológica – em A Província do Pará, Correio da Manhã, Diário de S. Paulo, Diário da Noite, Veja, Rádio Eldorado, Realidade, O Estado de S. Paulo, Istoé, Opinião, Versus, Ex, O Liberal, TV Liberal, SBT, Gazeta Mercantil (por um átimo) e etc. Aprendi muito, convivi com excelentes pessoas, conheci meu país, parte da América Latina e uma fraçãozinha do mundo. Quando me exigiram o que não aceitava, pedi o boné e fui embora. Nunca fiz algo que violasse os meus princípios. Quando no Estadão estabeleci uma relação direta com o dono do jornal, Júlio Mesquita Neto, que apoiou um projeto inovador (revolucionário?) que lhe apresentei e ele aprovou. Quando vi que o projeto morrera, pedi novamente o boné e saí, depois de 18 anos ininterruptos na empresa.
      Se aceita meu exemplo, Henrique, é excelente começar por uma grande empresa jornalística. A porta de entrada e a mesma de saída. Dependerá só de você entrar e sair.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 15 de junho de 2017, 09:22
  6. Prezado Henrique Miranda,

    Um adendo, apenas: que tal observar que ao “extermínio” dos povos originais segui-se a introdução do povo africano em seu lugar, onde os homens morriam escravos e as mulheres eram estupradas, tudo sob o beneplácito da Santa Igreja Católica Apostólica Romana?

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    Publicado por Luiz Mário. | 15 de junho de 2017, 11:09
  7. Acho engraçado que Duciomar falava que ia terminar o BRT no mandato dele. Claro que falar por falar não significa nada, muito mais promessa, tipica dos políticos. Desde lá tudo se mudou. Onde foi parar quelas paradas circulares? Foram todas pro lixo? Aquela elevação do BRT me é uma incógnita, ainda que Nagib Charone tenha falado que aquilo dali nada serve. Ou as reportagens do Perereca da Vizinha com comparações sobre os custos. Ainda que se tenha mudado algo no projeto e entrado de acordo com o BRT metropolitano em conjunto com o governo.
    Uma coisa simples é que se não for realizado a obra dentro de uma fase completa que não coloque encha de tapume para atrapalhar a vida das pessoas que por lá passam. Que as obras não se prolonguem demais e tente de atrapalhar o minimo possível a vida das pessoas que por ali passam. Mas a regra parece a politica de colocar tapume para parecer que estão trabalhando. Um dia desses um daqueles tapumes caiu parcialmente para cima da pista atrapalhando ainda mais a passagem.
    Outra questão e quanto aos ciclista, uma vez que ali era ciclovia, a insistência dos mesmo em permanecerem circulando por ali. Ainda que sejam distantes, foram feitas ciclovias alternativas nas ruas paralelas, tanto a Duque quanto pela João Paulo II em grandes extensões. Recentemente no jornal apareceu uma reportagem de projeto paulista de direção que tenta conscientizar o motorista de ônibus dos perigos que correm o ciclista e ter cautela para com eles.
    A Duque, menina dos olhos de Duciomar, que seria exemplo de via, acabou que não se manteve a cultura de transporte e orientações por lá e vai ficando difícil o transporte. Durante muito tempo foi um troca e destroca, fecha e abre as vias de passagem tanto na Marques de Herval quanto na Duque de Caxias.
    Mas voltando aos ônibus, me custa a entender o número de paradas do BRT na Almirante. Para que tudo aquilo com paradas de entrada e saída em cada direção. Bilhete único é discurso antigo, lembro que era proposta de campanha de Ana Julia Carepa ao Governo do Estado. Isso sem contar que não temos terminais de integração. Em vários locais do Brasil em avenidas mais movimentadas pequenas paradas funcionam como terminais, há uma caixa, sem passar pelo cobrador, que se paga uma passagem e se pode subir e descer em qualquer uma dessas paradas especificas quantas vezes quiser. Passando pela proposta paulista de extinguir a função do cobrador.
    É a maior obra do governo de Zenaldo Coutinho, e herdado do governo anterior. Deixa de executar essa obra de dilapidar e muito sua carreira politica pública. Consequência muito menos para o povo que tanto sofre com essa atravancamento. Falta ficar de olho e cobrar.

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    Publicado por Fabrício | 15 de junho de 2017, 14:35
  8. É verdade Fabrício , o partido e a coligação que elegeu a ex-governadora Ana Júlia Carepa , prometeu bilhete único e terminal de integração ( pelo menos um) e não fez nada disso , e o pouco que fez, foi mal feito .

    Os governos do PT no Pará e em Belém , foram péssimos no quesito Politica Pública de Transporte de Passageiros , coisa que eles nem sabiam direito o que significava à época . Aí sim , faltou tres coisas fundamentais para um ” governo do povo “: compromisso politico , criatividade e competência . Porque quando se tem verdadeiramente compromisso moral com o povo , se vai atrás da competência ; se passa por cima de barreiras ideológicas , se coloca o compromisso acima de tudo .

    A única coisa que se salvou porque salvou a vida de muitos trabalhadores, pelo menos enquanto funcionou , foi a Ciclovia dos trabalhadores ( eu a batizei assim , não foi o PT …) da Almirante Barroso , …porque o ódio psdebista & Cia , a tudo que é de interesse popular , destruiu a ciclovia para fazer nascer o BRT, uma obra anacrônica , que já nasceu velha por duas razões : uma tecnológica ( O BRT foi superado pelo VLT ) e outra politico-partidária , por ter sido concebida não para servir à cidade mas para servir de meio de enriquecimento das grandes empreiteiras , no velho e mortal esquema de má gestão da coisa pública no país , de geração de benefícios privados com os recursos públicos .

    Instituições , Lúcio , que instituições ? Creio que no Pará , as instituições de controle externo estão mortas há muito tempo , se é que um dia nasceram …

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    Publicado por Marly Silva | 16 de junho de 2017, 14:19

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