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Cidades, Polícia, Segurança pública

Cães & gatos

Oito gatos e dois cachorros foram encontrados mortos por envenenamento na área da feira da Pedreira, no dia 15. Dois dias depois, dezenas de ativistas fizeram uma justa manifestação de protesto contra essa matança. Tentaram alertar os eventuais interessados na eliminação dos animais, sobretudo os feirantes, e chamar a atenção das autoridades para o problema. Podiam ter aproveitado a energia e a indignação para incluir no protesto os cinco mortos e 14 feridos, seres humanos, na chacina do dia 6, em outro birro, ainda mais periférico, a Condor.

Até agora, quase duas semanas depois, as autoridades da segurança pública ainda não apresentaram qualquer prova concreta sobre os assassinos, embora tenham colocado nas ruas, em Belém e no interior do Estado, 1.600 homens em operações ostensivas – sem resultados à altura dessa inédita mobiliação de força. Quem sabe, apontem os responsáveis pelo envenenamento dos cães e gatos, assim satisfazendo os dignos ativistas.

Discussão

13 comentários sobre “Cães & gatos

  1. Arena Romana ao tucupi…

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    Publicado por Luiz Mário | 18 de junho de 2017, 17:53
  2. Lamentavelmente, algumas vidas importam mais que outras. É mais fácil lidar com a morte de cães e gatos, pois suas vidas acabam quando terminam, as​ vidas​ dos homens só acabam quando há dignidade e justiça em seu sepultamento.

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    Publicado por Paloma Franca Amorim | 18 de junho de 2017, 18:11
  3. Uma cousa é uma cousa; outra cousa é outra cousa.
    Existe casos de violência de todos os tipos. Todas causas indignação aos seres racionais de boa vontade.
    Agora, existe grupos organizados que defendem bandeiras específicas, como a defesa dos animais. Isto não quer dizer que os casos com os humanos não sejam mais importantes. Porém, existe muito mais leis e entidades voltadas para a defesa dos direitos humanos que dos animais e da natureza.
    Protestar pelos que não têm voz e voto, raciocínio e armas, para enfrentar as insensibilidade, insanidade, poderio e monstruosidade humana, além da omissão de autoridades e de nossas elites governantes e pensantes, é necessário sim, mesmo que haja outras causas que pareçam mais importantes aos olhos da maioria. Elas não se excluem!

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    Publicado por JAB Viana | 18 de junho de 2017, 18:27
    • Não se excluem, mas podiam se combinar. Ainda mais porque desta vez nem as organizações sociais pareceram chocadas pela brutalidade, as características inusitadas e os mistérios dessa chacina. Parece que a morte de animais sensibiliza e causa mais indignação do que a de humanos.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 18 de junho de 2017, 20:36
  4. Não é isso , Lúcio.Não é ausência de sensibilidade . É que as pessoas da cidade reagem , protestam e eventualmente se organizam em torno dos problemas mais próximos vividos no seu cotidiano . Os cães e gatos são seres que habitam esse cotidiano da feira da Pedreira , a chacina é do bairro da Condor , o massacre é do município de pau d’Arco … e por aí vai . Neste sentido , o massacre dos animais atinge mais diretamente aqueles que desfrutavam da convivência diária com os bichos .Cada qual no seu ‘ quadrado” . Tem moradores que são mais sensíveis ao sofrimento dos animais domésticos abandonados , outros às arvores derrubadas , outros às pessoas abandonadas ou executadas .
    Não se trata de ” mais ou menos” , mas de formas diferentes de envolvimento .

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    Publicado por Marly Silva | 18 de junho de 2017, 21:58
    • Concretamente, ao que parece, o que menos emociona, indigna ou mesmo interessa é a matança diária de gente em Belém. E não é só por imediatismo, a sensibilidade à flor da pele em relação apenas ao mais próximo. O estupro da jovem do Rio de Janeiro provocou uma catarse no blog. O estupro de uma menina de 16 anos aqui passou em silêncio. A rotina das mortes nesta que é uma das cidades mais violentas do mundo parece ter entorpecido o público. Ele é mais ativo na leitura das páginas policiais dos jornais, nos programas barra pesada da televisão ou na contemplação dos cadáveres deixados nas ruas.
      Aliás, sugiro a algum fotógrafo com perspectiva antropológica e histórica que pesquise as fotos dos cadáveres expostos nas vias públicas e separe as imagens das crianças ao redor. Dá um ensaio chocante, hoje. E no futuro, o que serão essas crianças entregues aos azares do dia na periferia de Belém?

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 19 de junho de 2017, 14:47
  5. E por falar de bichos, o Temer vetou as mudanças nas unidades de conservação no Pará. Enquanto isso a FEAPA e o seu presidente (Carlos Xavier) perderam novamente a oportunidade de ficarem calados. Ao invés defenderem uma agricultura sustentável em áreas degradadas feitas por gente responsável, a entidade empresarial preferiu lutar contra as unidades de conservação em nome de um tal desenvolvimento que só existe na cabeça deles.

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    Publicado por Jose Silva | 19 de junho de 2017, 18:50
  6. Boa, José!

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    Publicado por Luiz Mário | 20 de junho de 2017, 08:18
  7. Com tanta coisa para desenvolver, como as cadeias produtivas do cacau, da mandioca e outras que precisam de apoio e são praticadas em áreas já alteradas, não há necessidade de se avançar sobre áreas preservadas e florestas, rios e demais recursos da Amazônia e adjacências. Veto, sim!

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    Publicado por JAB Viana | 21 de junho de 2017, 23:11
  8. Lucio,
    O estupro da jovem não passou totalmente em silêncio .
    No domingo , dia 11 de junho, em um ato público contra a violência no campo e na cidade ,na praça da república , estendemos uma faixa repudiando este crime . Também na mesma data , estendemos uma faixa lembrando os 30 anos do assassinato de Paulo Fonteles , primeiro presidente da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos e conhecido advogado de posseiros .

    Creio que os leitores podem conferir esses registros em fotos no blog do ” Observatório do Massacre de Pau D’arco” .
    Mas isso é pouco , sem dúvida. As feministas e estudiosas do gênero poderiam ser muito mais ativas nessas horas, isso sem dúvida fortaleceria o movimento de resistência das mulheres locais contra a violência e o feminicídio .

    Sua sugestão de um ensaio etnográfico do cotidiano infantil em torno de corpos tombados é bem interessante . Tomara que alguém se interesse por ela .

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    Publicado por Marly Silva | 21 de junho de 2017, 23:29
    • Além de você, Marly, que tem um interesse acadêmico mais amplo, quantas pesquisadoras universitárias dos temas de gênero aparecem em atos públicos ou pelo menos se manifestam nos meios de comunicação de massa? Do mesmo, modo, os intelectuais da academia: quais são os que intervêm nos debates públicos para agregar-lhes seu conhecimento e dar-lhes utilidade social?

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 22 de junho de 2017, 10:28
  9. Qual seria o perfil partidário dos “intelectuais da academias” ante a arena romana ao tucupi, que se assiste?

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    Publicado por Luiz Mário | 22 de junho de 2017, 10:35

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