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Justiça, Política

O contra-ataque do delatado

Pela primeira vez, em mais de três anos, um delator da Operação Lava-Jato foi levado às barras da justiça para responder pelo que disse a fim de conseguir a delação premiada, capaz de atenuar (ou eliminar) a punição por crimes confessados e atribuídos. Hoje, o presidente Michel Temer protocolou uma queixa-crime contra o empresário Joesley Batista. Temer agiu em seu próprio nome, sem representar ao Ministério  Público Federal, que sua condição de servidor público lhe possibilitaria. O MPF só será ouvido se o juiz, deferindo o pedido de Temer, abrir vistas do processo ao chamado parquet.

É a observação que se pode fazer já na abertura da peça. Ela não trata da defesa do presidente. Com objetividade técnica, limita-se a extrair trechos da entrevista que o dono da JBS concedeu à revista Época, divulgada neste final de semana, enquadrando-as nos tipos criminais de calúnia, difamação e injuria. A calúnia resulta da classificação que Joesley fez do presidente como chefe de uma organização criminosa, a mais perigosa do país, com seus ilícitos. São fatos objetivos, que o empresário terá que provar. As ofensas são mais de natureza subjetiva, envolvendo a definição do ânimo de difamar e injuriar, que é evidente na entrevista.

A busca pela objetividade não impede, porém, que Temer introduza componentes políticos na ação. Ele acusa Joesley de ter medido suas denúncias de tal maneira a ocultar seus parceiros no enriquecimento vertiginoso do seu grupo durante as administrações do PT, com generoso dinheiro do BNDES. Seu objetivo seria atacar o presidente e seus aliados em detrimento (ou em favor) dos petistas. Mesmo que essas considerações não se desenvolvam na instrução da ação, o recado está dado.

A primeira reação de um delatado ao ataque de um delator pode ser uma novidade positiva para que o debate em torno da investigação da corrupção no Brasil se torne mais dialética e, pelo confronto dos contrários, aproxime mais os discursos da realidade.

Discussão

12 comentários sobre “O contra-ataque do delatado

  1. Lucio. Você leu sobre a carta do deputado Eduardo Cunha, sobre o encontro entre Ele, lula e Joesley. O Advogado dele confirmou quer foram vários encontros. Uma pergunta? Na casa de um empresário poderoso, um ex-presidente, o presidente da Câmara que tinha poder sobre a abertura do impeachment, do que será que eles trataram???????????

    Curtido por 1 pessoa

    Publicado por Valdenor Brito | 19 de junho de 2017, 21:29
  2. Eu realmente não acredito que a insanidade de vc e parte de seus leitores chegou a tanto Lucio…
    Meu Deus…

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    Publicado por iure | 20 de junho de 2017, 16:43
  3. Paloma tá correta, José tá correto é Lucio tá corretíssimo,…e o juiz já rejeitou a ação…kkk …só ele deve está errado!!!! O pior cego é que não quer enxergar.

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    Publicado por Norman | 21 de junho de 2017, 12:42

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