//
você está lendo...
Cidades, Cultura

Prefeito: salve os livros

O Brasil ainda tem 13 milhões de analfabetos. Outros muitos milhões são analfabetos funcionais, aqueles que sabem ler e escrever, mas têm dificuldades de compreensão e expressão. O Brasil se comprometeu a erradicar o analfabetismo em 2021, mas não deverá cumprir a meta. Não cumpriu as últimas com as quais se comprometeu. Com a péssima educação atual, o analfabetismo funcional deverá continuar a se expandir. É uma tragedia. Tudo que puder ser feito para ao menos amenizá-la deve ser apoiado.

A venda de livros nas ruas, por exemplo. Ao invés de reprimir esses camelôs culturais, como continua a fazer, a prefeitura deveria dar-lhes todo apoio – gratuito – para que eles mantivessem esses respiradouros de inteligência no panorama da incultura local. Claro que regularizando-os e fazendo-os obedecer as posturas municipais. Ao invés disso, a Secretaria de Economia persegue os sebos de rua, apreendendo seu material e destruindo-os, se a multa imposta não for paga.

Recentemente o panorama clareou um pouco. A prefeitura aceitou a presença de vendedores de livros na praça da República, de onde eles tinham sido despejados. Cobrou uma taxa de permanência e exigiu que usassem estantes, ao invés de deixar os volumes no chão. Pois agora, ao invés de multiplicar essas feiras livres culturais, parece estar havendo um refluxo repressivo, a pretexto do pagamento de nova taxa. É um absurdo, que sepulta o passado de Belém como o principal centro cultural do norte do Brasil. Com inúmeras e ricas bibliotecas particulares.

Faço um apelo pessoal ao prefeito Zenaldo Coutinho. Críticas e ressentimentos à parte, sou grato a ele, quando deputado federal, por ter cumprido a promessa de me enviar o Diário da Câmara até deixar o mandato. Só outro parlamentar fez o mesmo: Osvaldo Melo. Outros prometiam e não cumpriam. Em virtude desse passado e também do papel de poeta que o prefeito assumiu, com seu segundo livro, lançado pouco tempo atrás, peço ao prefeito que determine uma radical mudança de postura dos fiscais.

Quem sabe não consigamos evitar uma versão parauara da atitude dos nazistas, que queimaram livros nas ruas. Nossa imntolerância e barbárie contra os livros não chega a tanto, mas é triste.

Discussão

15 comentários sobre “Prefeito: salve os livros

  1. Até certo ponto, a lógica aplicada para invisibilização dos sebos, ou acervos de obras “materiais”, sem tecer juízo de valor ao planejamento ou a falta deste pela gestão municipal em Belém. Acompanha de certa maneira, a ascensão dos acervos virtuais, com os e-books e demais conteúdos dos repositórios virtuais.

    Sinaliza portanto, o distanciamento da população vulnerável intelectualmente dos mateirais essenciais para sua emancipação cultural.

    Curtir

    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 21 de junho de 2017, 16:03
  2. excelente sugestão. As feiras livres de livros podiam ser descentralizadas . A Prefeitura reservaria os espaços, stands, cedendo sem custo, aqueles que se obrigassem a receber, trocar/vender os livros.
    ler é preciso.

    Curtir

    Publicado por valdemiro | 21 de junho de 2017, 17:02
  3. os pontos do BRT podiam ter espaços para entrega/recolha de livros usados.

    Curtir

    Publicado por valdemiro | 21 de junho de 2017, 17:04
  4. Lucio,

    Ideia muito boa. Livro abundante e barato é sempre muito bom para qualquer sociedade.

    Curtir

    Publicado por Jose Silva | 21 de junho de 2017, 19:57
  5. A venda de livros na praça da republica já acontece a mais de 10 anos, a alguns meses tivemos a situação rehularizada depois de termos centenas de livros apreendidos. Agora estão dizendo que perdemos o prazo de recadastramento e ameaçando nos tirar da praca, sendo que não fomos avisados desse recadastramento e por isso nenhum livreiro foi até a SEC regularizar a situação. Estamos preparando um documento endereçado ao secretário de economia pedindo a prorrogação deste prazo. Vamos esperar os próximos capitulos

    Curtir

    Publicado por Sérgio | 21 de junho de 2017, 21:56
    • O cadastramento é pago?

      Curtir

      Publicado por Jonathan | 21 de junho de 2017, 23:44
      • Sim, existe uma taxa paga anualmente a prefeitura pelo uso do espaço público. Não estamos nos recusando de pagar essa taxa. O caso foi a falta de informações concretas a respeito do recadastramento,caso esse que pode implicar na exclusão dos livreiros da praça da republica

        Curtir

        Publicado por Sérgio | 22 de junho de 2017, 09:31
    • É o momento certo de mobilização. Alguns anos atrás sugeri que aquela pretensa concha acústica do buraco da Palmeira, que o Duciomar transformou em alguma coisa não identificada, servisse para venda de objetos culturais (incluindo livros) e apresentações artísticas acústicas e livres. Com um calendário para regular e orientar a ocupação do local ao longo da semana. O mesmo na praça de São Braz, no largo do Carmo e em outros pontos da cidade, tudo organizado e sob proteção da guarda municipal. Ofereceria um programa para a cidade e estimularia a aproximação de pessoas por uma boa motivação. Como sempre tem acontecido com as minhas propostas, silêncio oficial. E ainda dizem alguns que só sei criticar.

      Curtir

      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 22 de junho de 2017, 10:19
      • Taxa anual está de bom tamanho. A secretaria só precisa ser mais organizada e menos autoritária. Claro, se tivéssemos prefeito, o impasse poderia ser resolvido. Infelizmente não temos.

        Curtir

        Publicado por Jonathan | 22 de junho de 2017, 16:51
  6. Compartilho com as opiniões apresentadas sobre o tema. A venda de livros em locais deve ter o mínimo de burocracia para que haja o estímulo a este tipo de atividade comercial que tão bem há de fazer a sociedade.
    A ideia de oferecer este serviço nas estações Mangueirão e São Braz do BRT e outras, vai com certeza despertar o interesse dos usuários pela leitura, quem sabe, criando um hábito.
    recordo-me de uma viagem ao EUA em 2007, e estive em uma livraria com meu filho por várias horas, lá pude constar uma grande quantidade de livros com preços variando de US$ 1 a US$ 5. Livros que no Brasil custariam muito mais caros. Não por acaso, compramos mais de 10 livros naquela ocasião.

    Curtir

    Publicado por Valdenor Brito | 21 de junho de 2017, 22:54
    • Num sebo de Austin, no Texas, comprei a obra completa de Shakespeare, em papel bíblia, capa de papelão simulando couro (como das edições Aguilar), com quase 2 mil páginas, por US$ 1,99. Intrigado, fui ao livreiro. Ele me explicou que aquela edição era ponta de estoque (de livros encalhados). Ele comprara cada exemplar por US$ 9 (no mercado, valeria uns US$ 40). Tinha prejuízo, é claro, mas pequeno (valor muito inferior ao de qualquer propaganda). Grande era o efeito desa promoção. Ao constatar que se tratava realmente de barganha, o visitante entrava no sebo (muito bem instalado) e comprava outros livros, bem mais caros. Era uma honesta e forte armadilha. Disso precisamos para enfrentar as barreiras de acesso ao livro.

      Curtir

      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 22 de junho de 2017, 10:24
  7. Excelente ideia, Lúcio. Belém precisa urgentemente sair dessa selvageria em que está afundada. Um espaço destinado à venda de livros sempre se torna um espaço agradável e dá um toque de civilidade a qualquer ambiente. Além disso, são alternativas de lazer a baixo custo para uma população tão carente desse serviço como a nossa. Sugiro também que esses sebos se espalhem por outros espaços como o Ver o Rio e o Portal da Amazônia.

    Curtir

    Publicado por Marilene Pantoja | 23 de junho de 2017, 13:25
    • Espaços que abrigariam os sebos de rua e de loja, e abriria espaço para poetas lerem seus versos, já que, para eles, não há nenhuma tribuna. A prefeitura faria um calendário e definiria esse circuito, atraindo as pessoas com o oferecimento de infraestrutura e segurança. Um programa barato e novo.

      Curtir

      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 24 de junho de 2017, 12:59

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: