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Cidades, Cultura, Imprensa, Política

A cultura? Só a oficial

Nenhuma palavra da administração municipal sobre a venda de livros usados na praça da República. O prefeito Zenaldo Coutinho, a quem me dirigi pessoalmente, também me ignorou. Além de criticar a diretriz adotada pela Secon no trato com esses verdadeiros agentes culturais, a par do seu negócio comercial, fiz sugestões concretas. Nada disso interessou ao prefeito e seus auxiliares.

A atitude confirma sua péssima maneira de tratar a imprensa: só leva em consideração aqueles veículos nos quais as manifestações do governo municipal são abrigadas com ônus para os cofres públicos. Ou seja: com o pagamento de anúncios, na velha e infeliz prática de toma-lá-da-cá. Zenaldo não quer diálogo: quer submissão à sua vontade.

Pessoalmente, lamento muito. A relação com a imprensa que não age movida pelo tilintar dos 30 dinheiros podia ser mais positiva e favorecer àquele que devia ser o destinatário da ação de todos os homens públicos: o povo.

Diante do silêncio oficial, reproduzo o ofício que os livreiros enviaram ao secretário de economia na busca pelo diálogo em proveito do interesse público.

 

Ofício nº 001/2017                                                           Belém, 21 de junho de 2017.

Ao Ilmo. Sr. Mário Freitas

Secretário Municipal de Economia – SECON

ASSUNTO: Solicitação de prorrogação de prazo de recadastramento de livreiros da Praça da República no ano 2017

Nós, abaixo assinados, vimos, por meio deste, solicitar a Vossa Senhoria a prorrogação do prazo de recadastramento do grupo formado por seis livreiros que hoje ocupam o espaço atrás do anfiteatro da Praça República. Como justificativa, informamos que a regularização dos livreiros do referido logradouro foi uma conquista negociada com a SECON ao final do ano de 2016, após a apreensão de material dos trabalhadores da área. Que após o estabelecimento das normas de regularização feitas por esta Secretaria, todos os seis livreiros abaixo assinados, que hoje ocupam o referido espaço, veem cumprir as tais normais, mantendo-se em dias com as suas obrigações municipais. Ocorre também que nos foi informado, informalmente, que o novo recadastramento só ocorreria ao final do corrente ano, ao passo que um fiscal nos informou, mais recentemente, no local de vendas, que o novo recadastramento ocorreria ao final de junho. No outro domingo, dia 18 de junho, já nos foi informado, por outro agente da Secretaria, que o prazo acabara em abril passado. Tal desencontro de informações gerou o atraso e perda do prazo estabelecido por esta secretaria, não sendo este fato má fé ou desleixo e sendo que os fatos aqui narrados são reiterados por todos os abaixo assinados, haja visto que todos testemunharam as diferentes comunicações feitas ao grupo.

Pedimos que seja considerado que o espaço de vendas de livros é um espaço cultural, que, além de dinamizar a economia do local, promove interação social e desenvolvimento da leitura e apreciação da arte, sendo a retirada inicial dos vendedores comentada pela imprensa alternativa local. É com base nessa justificativa que os livreiros da Praça da República abaixo assinados veem pedir de forma republicana e humildemente o deferimento desta solicitação, desejando, de antemão, os votos de uma boa gestão pública em favor dos belenenses por parte de Vossa Senhoria.

Diante do exposto pedimos deferimento desta solicitação coletiva.

Atenciosamente,

__________________________

Antonio Jorge Sinfronio de Souza

RG: 1601988 – SSP-PA

CPF: 197.665.722-91

_________________________

Charles Pinheiro Torres

RG: 2408565

CPF: 575.809.102-25

_________________________

Elielton Alves Amador

RG: 2485817 – SSP-PA

CPF: 429.764.052-04

_________________________

Jefferson Assayag

RG: 4559464 – SSP-PA

CPF: 199.371.562-20

__________________________

Joseny de Souza Santos

RG: 2440364-SSP-PA

CPF: 443.185.962-49

__________________________

Sergio Augusto S. de Carvalho

RG: 2353582-SSP-PA

CPF: 431.803.292-20

Discussão

12 comentários sobre “A cultura? Só a oficial

  1. A atitude desse senhor não me surpreende em nada, o contrário seria uma surpresa, caro Lúcio Flávio.
    Esse cidadão tem um viés da pior boçalidade da elite paraense.
    É uma fraude como político e é chegado a ao papel de “salvador da pátria”, utilizando-se da velha e surrada prática de criar o problema para “$$$ facilitar sua solução $$$”.
    Sua performance ridícula na campanha do plebiscito que poderia ter criado os Estados do Carajás e Tapajós, que poderia ter tirado o Pará desse “buraco” em que se encontra e não para de aprofundar, diz tudo do caráter desse político vulgar e sem nenhum conteúdo.

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    Publicado por http://blogdovalmutran.blogspot.com.br/ | 25 de junho de 2017, 11:33
  2. SOBRE O COMENTÁRIO
    A INTERNET também serve para isso, pessoas destilar todo o seu ódio seu conteúdo nenhum. sabe qual é o resultado desta discussão, colocada nestes termos “resultado de soma zero”. ou seja, nenhuma contribuição traz ao debate ao contrário faz dele um de debate de tolos, onde nós só estamos perdendo tempo e, desperdiçando a nossa energia para se importar com verborragia desnecessária e intempestiva.
    Aprendemos com o que está escrito em Eclesiastes, capítulo 7, versículos 15 e 16″ 15. No decurso de minha vã existência, vi tudo isso: há o justo que morre permanecendo justo e o ímpio que dura apesar de sua malícia. 16. Não sejas justo excessivamente, nem sábio além da medida. Por que te tornarias estúpido?”

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    Publicado por Valdenor Brito | 25 de junho de 2017, 14:58
  3. Governo da mesquinharia e da indigencia politica , onde cidadãos honestos – 0 que não é pouca coisa numa republica de ladrões profissionais de colarinho branco – tem que recorrer a abaixo assinado para vender livros no espaço público !!!!
    O Zenaldo merece o olho da rua , cassado que foi duas vezes por ter cometido crime eleitoral , duplamente cassado .
    A praça tem que se transformar numa ampla manifestação pública pelo sua cassação, isto sim .

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    Publicado por Marly Silva | 25 de junho de 2017, 15:27
  4. Lucio,

    Boa tentativa, mas nenhum resposta seria esperada do pior prefeito na história de Belém. Não se trata de ódio e nem de rancor como querem dizer alguns, mas simplesmente uma constatação baseada nos resultados que o alcaide produziu até hoje. Basta olhar os números: Belém se tornou uma cidade horrorosa sob a gestão do Coutinho.

    Zenaldo se distanciou da população, se cercou de gente de qualidade e integridade duvidosa, e agora prefere observar o caos que se transformou a cidade lá do seu apartamento enquanto cultiva suas poesias.

    Tanto o Jatene como o Zenaldo abdicaram das funções para quais foram eleitos, mas, como sempre, esqueceram de comunicar ao povo.

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    Publicado por Jose Silva | 25 de junho de 2017, 17:13
    • Finalmente alguém que concorda comigo. Pior prefeito disparadamente.

      A gestão desse sujeito é tão patética que o serviço de coleta de lixo na minha rua foi praticamente suspenso. Antes passava todos os dias. Agora, passa apenas uma vez na semana. Tem semanas em que ele não passa em nenhum dia. A rua fica coberta de lixo por todos os cantos. Vem um carroceiro e recolhe alguns sacos e joga no canal da Visconde, que já virou um lixão. Moro aqui há 20 anos e nunca tinha visto situação como essa. Em contrapartida, o IPTU chega todo ano para pagar. Já telefonei para o Jornal Liberal, porta-voz do PSDB, já mandei fotos e nada. Silêncio.

      E isso sem falar no BRT que não anda, no hospital incendiado e as outras obras paradas que não saem dos tapumes. Se eu for listar todas as mazelas de Zenaldo, escrevo um Irmãos Karamázov. Absurdo que alguém ainda defenda essa gestão.

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      Publicado por jonathan | 25 de junho de 2017, 19:48
      • Um amigo meu estrangeiro esteve em Belém um ano antes do Zenaldo assumir. Depois voltou a visitar a cidade duas semanas atras. Ele confessou que a cidade está deteriorada demais e que como turista não se sentiu seguro e nem bem recebido na cidade. Achou as pessoas muito estressadas e ansiosas demais e percebeu que não há governo mais na cidade. Calçadas e ruas esburacadas, praças mal cuidadas, serviços péssimos de transporte, prefeitura ausente, etc.

        Creio que só defende este prefeito quem não gosta da cidade e dos seus moradores. Em um lugar civilizado e com moderada consciência política Zenaldo não teria nunca sido reeleito. Fazer o que? Tem gente que gosta mesmo de viver no lixo.

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        Publicado por Jose Silva | 26 de junho de 2017, 00:19
      • É o prefeito da paz. Ele fica tão em paz que não fez nada no primeiro mandato e nem fará no segundo. O povo que votou nele também é tão da paz que aceita de bico calado todos os desmandos e calamidade que esse sujeito provoca na cidade.

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        Publicado por Jonathan | 26 de junho de 2017, 01:24
  5. Os tucanos paraenses são ridículos. Enchem o bolso de artistas e atletas para cantarem no Círio ou segurarem uma tocha, mas para vender um livro na Praça é preciso essa burocracia toda. Esse é o exemplo de cultura que passam.

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    Publicado por Jonathan | 26 de junho de 2017, 01:28
  6. Eis o mais que perfeito exemplo de desrespeito ao público. Ao povo.

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    Publicado por Luiz Mário | 26 de junho de 2017, 10:04
  7. Como avido consumidor desta feira apoio a cobrança feita pelos livreiros. Antes haviam muitos outros livreiros em diferentes pontos da praça, alguns menores não aceitaram as cobranças ou desistiram da venda. Estes poucos que assinaram o Ofício já trabalham a muito tempo pela praça e são velhos vendedores conhecidos por quem muito passa por lá. Há alguns outros pequenos que levam um pano para colocar ao chão e tentar vender alguns poucos livros que possuem tentando vender a pesar da proibição. Acho em algum momento ao menos houve certa união entre estes livreiros. Mesmo assim ainda padecem de intempéries como a chuva sem uma proteção adequada improvisam uma lona para proteção de seus produtos com o riscos de deteriorarem e se perderem.
    Lembro quando ocorreu o recolhimento dos livros alguns livreiros apreensivos discutiam o que faria daquilo. Recordo de um, com os livros na garupa da bicicleta não arriscava tirá-los das caixas, mas na ausência de fiscais para pessoas mais próximas permitia se verificar incomodamente os livros entre as caixas, como se tivesse a vender coisas ilegais. Em outro ponto famoso na frente do Colégio Gentil Bittencourt o vendedor já teve seus livros recolhidos diversas vezes pela prefeitura, mas insistentemente volta a seu ponto, disse que teve de diminuir a quantidade para não ‘tomar o espaço da rua’ e que teve que comprar um carro velho para quando os fiscais chegassem. Já não se encontram mais tantos livreiros naquela esquina pelo final da avenida Nazaré, a grande parte desistiu ou decidiu alugar espaços específicos em galerias, esperando o público cativo.
    Há varias tentativas de organização de pequenas feiras periódicas, mais ou menos de três em três meses, onde diversas pessoas ofertam seus livros para venda ou troca em uma área especifica, como próximas a estátua central da praça, sob algumas arvores. Apesar de ocorrer algumas vezes, da muita divulgação em diversas mídias digitais a prefeitura já havia avisado que não toleraria mais as vendas.
    Este espaço vende além de livros, revistas, cds e diversos outros produtos, se especializando em suas vendas. Vendem produtos produtos como quaisquer outras daquelas barracas, como algumas de lá que já vendem algusn livros entre outros produtos como quadros, antiguidades, mas com diferenças como espaço e quantidade. Claro que a questão do número de barracas presentes na Praça deve ter uma quantidade limitada e concorrida que já cresceu e envolve boa parte dos arredores da praça. Acho que deveria ter um espaço próprio que respondesse as necessidades especificas. Criar além de cadastros dos vendedores, um sistema com os a catalogação de livros mais importantes em plataforma especificas para venda, cursos para adaptar a esses sistemas, formação de preço, identificação de livros raros, restauro e conservação, entre outras coisas.
    Claro que os livreiros já devem ter sua própria forma de comunicação e um contato entre eles. E enquanto fisicamente as coisas não andam a venda digital vai tomando espaço. Organização de venda de livros em mídias digitais se expandiu bastante e dá condições iguais de venda para pequenos e grandes vendedores.
    Ou poderia desapropriar uma daqueles prédios próximos a praça para organizar um espaço especifico para venda de livros dando o nome de Raimundo Jinking. Um espaço especifico com revezamento de vendedores particulares que acumulam alguns livros e eventualmente decidem vender, ou simplesmente regulamentar a feira do livro usado. Espaço com espaço de venda de livros caseiros e autorais, com escritores e poetas, pequenas editoras que poderiam manter contato e negociar a venda, tudo sobre a anuência da prefeitura.
    Acho que a discussão é longa e deve ser aberta, a quem tiver mais ideias, favor, é só falar, também estou interessado em saber. Mas que não acuse de discurso de ódio ao prefeito, mas uma cobrança de obrigação que caberia a prefeitura organizar, onde caberia a este também se pronunciar. Enquanto ele não fala agente cobra e debate o assunto.

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    Publicado por Fabrício | 26 de junho de 2017, 19:05

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