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Política

A decisão

É evidente: depois de se empenhar pelo impeachment de Dilma Rousseff, a Globo – um dos maiores grupos de pressão do Brasil – quer a renúncia de Michel Temer. Não para a imediata convocação de eleições gerais e diretas, através do atalho de uma emenda constitucional, mas para seguir o que dita a constituição atual: substituição do presidente da república pelo presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia, e eleição do sucessor de Teme pelo Congresso Nacional no prazo de 90 dias.

Não é golpe. Essa é a normalidade democrática. Tem até suas vantagens. O novo chefe do executivo terá mandato curto. Apenas um semestre para consolidar uma possível candidatura a novo mandato. Por isso, talvez prefira fazer um governo de transição para a volta da plena normalidade política e legal com a eleição de 2018, na qual não será candidato. Atitude de estadista, a maior carência humana no Brasil.

Era esta a opção mais nobre de um mandatário na atual conjuntura. Mas Temer renunciou a ela quando a oportunidade lhe caiu no colo. Quis foi se manter no poder máximo. Deu no que deu. E continuará assim se os políticos não reconhecerem que são eles, pelo que fazem, a desgraça do país. Podiam se redimir. E não continuar a travar a vontade nacional, mesmo que seja para a repetência no erro desastroso que os brasileiros têm cometido.

O dilema persiste. Para que a solução corrente tenha alguma eficácia, diante do agravamento da crise nacional, seria preciso que um parlamento manchado de ilegitimidade escolhesse alguém consciente de que sua maior missão será servir de ponte para o futuro da nação e não para si mesmo e o seu grupo. Deveria encaminhar as reformas sem a mediação da negociata, do jogo sujo travado nos bastidores. Tudo à luz do dia, de meridiana clareza diante da sociedade.

A eleição direta, neste momento de aflição e desespero, é a antessala dos falsos messias, dos aproveitadores, dos predadores e dos oportunistas do discurso fácil e populista, da marcha a ré para um falso futuro, com o combustível da desmemória e do desaprendizado dos erros e falcatruas?

Talvez. O Brasil não é este eterno gigante adormecido, o país de um futuro fantasioso. por fatalidade geográfica. É assim por desperdiçar as raras oportunidades de se aproximar da realização do seu enorme potencial de riqueza – como a atual.

Discussão

7 comentários sobre “A decisão

  1. Parece que as redes sociais, (PARECE!), estão queimando línguas. Para o desespero do carcomido império romano…..

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    Publicado por Luiz Mário | 27 de junho de 2017, 18:20
  2. a solução para os problemas do Brasil teria sido a cassação da dupla dinâmica no TSE. Evidências de maracutaias ocupavam toda Brasília. Entretanto a máfia do judiciário atuou contra o país e a favor dos seus interesses imediatos. Se a sorte tivesse colocado outro juiz do STF no lugar do Mendes, a situação hoje seria completamente diferente. Como se vê, nem sorte o Brasil tem mais..

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    Publicado por Jose Silva | 27 de junho de 2017, 21:17
  3. Existem vários Brasis. Pena que queiram unificá-los em um Brasil podre. Precisamos urgente, rever o pacto federativo e instalar uma confederação de Estados independentes, unidos em torno de objetivos comuns como segurança nacional, unidade na formalidade educacional e validade de diplomas, saúde pública básica unificada e um mercado de produtos e serviços comum, nos moldes de blocos econômicos, com uma legislação tributária que evite guerras fiscais, cobranças de impostos indiretos entre Estados e liberdade pactuada de ações, investimentos e segurança social, como se nações independentes fossem. Um sistema parlamentar na matriz da confederação e o presidencialismo nos Estados. É uma ideia não trabalhada, mas que poderíamos começar a discutir.

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    Publicado por JAB Viana | 28 de junho de 2017, 13:32
    • Difícil, pois a nação não foi criada de baixo para cima, mas de cima para baixo. Agora é tarde. Nunca conseguiremos ser um Estados Unidos do Brasil, o nome fictício proposto na primeira constituição republicana e que permaneceu batozando o país até a constitução da redentora.

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      Publicado por Jose Silva | 28 de junho de 2017, 13:51
  4. Discurso da Sociologia da Reeleição é isso, caro José.

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    Publicado por Luiz Mário | 29 de junho de 2017, 10:01
  5. E os políticos ignoram mais uma vez o pedido do povo de votar. Diretas Já.
    Se antes queríamos votar para presidente depois de período sem votos de uma intervenção militar hoje queremos o direto de se redimir e expulsar quem não fez seu trabalho, mudança geral, de uma nova escolha.
    E até agora, de novo e novamente os políticos embargam. Seja pelo impedimento de investigação ou não elaboração de organização de uma regra eleitoral para votação direta após impeachment do vice.

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    Publicado por Fabrício | 19 de setembro de 2017, 00:25
  6. Temer teve a oportunidade de ser estadista e realizar mudanças necessárias e perdeu a pouca popularidade que tinha, ele tinha e tem muito mais poder ao comando do governo. Perdeu a oportunidade de agir com gesto nobre e pedir para sair diante do deterioramento do planalto. Perdeu também a hombridade ao não cumprir com a palavra, pois em fevereiro disse que investigados seriam afastados e réus seriam demitidos, mas prefere menosprezar acusações.
    Se tornou politico pequeno, mesquinho, apegado ao poder. Temer quer manter a posição de um dia ter sentado na cadeira do planalto posando de presidente brasileiro, um superego do poder e de todas as portas que se abrem por estar nesta posição, inclusive de pedir dinheiro com ar superior apara as maiores empresas do pais.
    Manteve e agravou a politica rasteira do toma-lá da cá colocando gente incompetente para continuar um fisiologismo e se manter no cargo, do Supremo a ministérios importantes. De dois modos atuou, quando acusados ou pegos em flagrantes mede o peso das acusações, menospreza os acusadores ou abandona antigos aliados, se o tamanho do politico é maior e são pessoas importantes ignora e faz ouvidos moucos. Moreira Franco e Eliseu Padilha são pessoas suspeitas que a muito rondam a politica brasileira e que tem sempre lugar em um ministério independente do partido no poder.
    Não temos a inflação dos tempos de Sarney, a pesar dos riscos terem sido altos, a desestrutura e desorganização da economia foi muito maior e atingiu muitos outros pontos seja de produção, desestimulo, desemprego entre outros. Mas mesmo assim Temer quer concorrer a pior presidente brasileiro. Talvez por isso hoje ele seja figura decorativa.

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    Publicado por Fabrício | 19 de setembro de 2017, 13:15

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