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Economia, Estrangeiros, Minério, Multinacionais

Vale é “reprivatizada”

Vinte anos atrás, em 1997, a Companhia Vale do Rio Doce deixou de ser estatal. Seu controle acionário foi vendido a um consórcio que se formou pela associação de fundos federais de pensão, à frente o Previ (dos funcionários do Banco do Brasil, o maior de todos) com o Bradesco, a japonesa Mitsui e uma subsidiaria do BNDES, a BNDESpar. Hoje, reunida no Rio de Janeiro, a assembleia geral extraordinária da empresa decidiu privatizá-la de vez.

O novo arranjo societário parece complicado, mas é simples. O consórcio Valepar possuía 53,8% das ações com direito a voto, mas só detinha 33,7% do capital total da Vale. Extinta agora a Valepar, a sociedade se desfaz e cada um dos acionistas passam a ter poder decisório equivalente à sua participação societária na companhia.

Com uma diferença fundamental: eles – como todos os demais investidores que detêm esse tipo de papel –poderão converter, querendo, ações preferenciais classe “A”, que “apenas” têm preferência no recebimento de juros e dividendos, em ações ordinárias, que conferem direito a voto em assembleia, na relação de 0,9342 ação ordinária por cada ação preferencial.  Gastando menos, terão mais ações do que tinham. E maior poder decisório, é claro.

Por vias e travessas, a mudança põe fim ao hibridismo de uma empresa privada na qual o governo é que continuava a decidir. Essa ambiguidade foi escancarada quando o então presidente Lula entrou em conflito com o presidente da Vale, Roger Agnelli, o que mais tempo permaneceu no cargo, durante 10 anos.

O conflito, mais intenso nos bastidores do poder do que nos atos corporativos da Vale, prosseguiu na administração Dilma Russeff. Agora, a companhia estaria livre de interferências governamentais, ao menos as diretas. Com esse propósito, a companhia se integrou às regras do segmento especial de listagem da B3 (antiga BM&FBovespa), o Novo Mercado, que é um segmento com regras mais rígidas de governança corporativa.

A mudança não é só na cúpula da mineradora, a maior vendedora interoceânica de minério de ferro do mundo, sobretudo para a China. O minério é o segundo produto da pauta de exportação brasileira e o Pará o lidera. Os pequenos investidores com ações preferenciais, que optaram pelos papéis em busca de maior e mais rápida rentabilidade, também poderão trocá-las por ações ordinárias. A massa desses acionistas está nos Estados Unidos. Assim, a Vale também se internacionaliza mais um pouco.

Discussão

10 comentários sobre “Vale é “reprivatizada”

  1. A ciência a serviço do crime, chancelada pela S.R., pois!

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    Publicado por Luiz Mário | 27 de junho de 2017, 18:25
  2. Este artigo foi republicado, com destaque, nesta data, no Blog “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim. O Jornal Pessoal vem discutindo este assunto desde os primórdios …

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    Publicado por Rodolfo Lisboa Cerveira | 27 de junho de 2017, 20:37
  3. Só o fato de se livrar das garras do estado já é uma boa notícia. Espero que agora a Vale se profissionalizar de vez e pague o que é devido ao Pará. Pera aí. Se eles pagarem para onde vai o dinheiro? Sei não. Deixa mesmo do jeito que está até encontrarmos uma solução melhor.

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    Publicado por Jose Silva | 27 de junho de 2017, 21:28
    • Leia-se ..se profissionalize de vez..

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      Publicado por Jose Silva | 27 de junho de 2017, 21:29
    • Minha sugestão é a aplicação de uma taxa de participação do Estado a partir de certo valor de lucro líquido da empresa. O dinheiro formaria um fundo de desenvolvimento, especializado em induzir a verticalização da produção dos principais bens primários em exploração no Pará. Esse fundo seria gerido por um conselho executivo. O Estado teria o direito apenas de indicar o presidente. Outros seis integrantes seriam escolhidos por concurso público especializado em recrutar bons gestores e especialistas em investimento voltado para agregar valor ao processo produtivo. Todos sujeitos aos controles externos existentes e a um conselho consultivo eleito por um amplo conjunto de entidades de representação da sociedade, de universidades a federações de empresários e trabalhadores, e dos três poderes constituídos. O conselho executivo seria uma organização sem fim social ou de propósito específico. Tecnicamente, prestaria contas ao TCE.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 28 de junho de 2017, 06:22

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