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Justiça, Política

Um lance audacioso

Jader Barbalho deixou os bastidores do Senado na semana passada, trocando o confinamento pelo combate de peito aberto e à plena luz do dia. Seu pronunciamento, de 15 minutos, foi ouvido em silêncio pelos seus pares.

O ex-governador do Pará deu um lance de audácia surpreendente. Expôs a sua cabeça, pedida a prêmio por algumas Salomés da república, no mais veemente e contundente discurso que o Senado acolheu nos últimos tempos.

Ao defender dois dos políticos com mais votos no país, o ex-presidente Lula, do PT, e o senador Aécio Neves, do PSDB (que se elegeu por Minas Gerais com sete milhões de votos), Jader assumiu a liderança de um movimento pelo fortalecimento da política à base da sua principal arma: a adesão do povo. É algo que não possuem os integrantes do poder judiciário, em cujas mãos se encontram os destinos de pelo menos uma centena de parlamentares.

Falando com veemência, Jader salientou que não está no Senado por uma deferência do imperador, para exercer um cargo honorífico. Sua investidura só foi possível por se ter submetido ao teste do voto popular e ser por ele aprovado. Essa é a base da democracia, que o ex-governador considerou ameaçada porque o poder judiciário se investiu no papel usurpador de poder moderador.

O ex-ministro criticou o Senado por se curvar a esse poder a partir da prisão do senador Delcídio Amaral, que era líder do PT e do governo. Não havia flagrante, logo o Supremo Tribunal não podia destituí-lo do mandato. “Isso é vagabundagem jurídica”, Jader quase gritou. “É a ditadura do poder judiciário”.

Se a justiça pode usar a delação de um bandido para punir um parlamentar, “o braço direito do procurador geral da república atravessou a praça dos Três poderes para defender o delator. Isso não é corrupção?”.

Jader se disse feliz por esses juízes e ministros não terem vivido em 1964 ou 1970 como coronéis ou generais, porque abusariam do poder. Ainda assim, lhes deu uma definição áspera e agressiva: “são Médicis togados”, referindo-se a Garrastazu Médici, o militar que governou o Brasil na fase mais dura do regime de exceção.

A agressividade de Jader Barbalho pode ser um ato de desespero diante do risco de ser alcançado pela Operação Lava Jato, acusado de corrupção? Talvez. Mas o movimento que fez em peça-chave no tabuleiro do xadrez do poder é um toque de reunir do populismo, unindo pelo menos os três maiores partidos – PMDB, PSDB e PT – numa aliança surpreendente em torno dos seus principais líderes, incluindo Michel Temer.

Dará certo? É impossível dizer sem uma rigorosa base do que acontece nas entranhas do poder. Mas o gesto de Jader foi de um senso da oportunidade que constitui a maior das ferramentas específicas dos políticos. Sua sorte e a dos demais políticos está lançada.

Discussão

33 comentários sobre “Um lance audacioso

  1. Ele só esqueceu de dizer que o voto popular so lhe dá direito de defender o povo é não malfeitores. O discurso dele foi muito claro. Ele disse de qual lado está. Nenhuma surpresa aqui. Não creio que foi senso de oportunidade, mas apenas o último gemido de quem sabe muito bem qual o destino que lhe resta. Poderia ter feito coisa melhor se tivesse honra. Há vários bons exemplos de políticos japoneses.

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    Publicado por Jose Silva | 3 de julho de 2017, 20:40
  2. O discurso está consoante a decisão do ministro Marcos Aurélio de Mello, livrando dois conhecidos achacadores da cadeia e restituindo a um deles, o direito de meter a mão no cofre da República, sem a menor cerimônia. Estamos navegando num barco tripulado por sórdidos marinheiros. A nossa esperança era o STF …

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    Publicado por Rodolfo Lisboa Cerveira | 3 de julho de 2017, 21:59
  3. Discurso certo na boca errada .

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    Publicado por Pedro Paulo | 3 de julho de 2017, 23:07
  4. Antes de fazer bravata, ele deveria explicar porque o imóvel da RBA não consta em nenhum cartório de registro de imóvel de Belém. Enquanto nós pobres mortais, pagamos milhares de reais para fazer regularização.
    Explicar também o porquê de sempre ficar em péssima avaliação em quesitos elementares para um parlamentar.
    Agora com relação ao discurso veja, ele já está sim de olho em 2018, pois, a junção PT-PMDB-PSDB seria conveniente para suas pretensões, pois, ele vai com certeza disputar a reeleição para o Senado e se pudesse haver menos candidatos competitivos seria bem melhor pra ele.
    Pra a Tribuna do Senado que já teve Paulo Brossard, Juscelino Kubitschek, dentre outros, como oradores, só resta dizer como na música de Chico Buarque “Pai afasta de mim este cálice, pai. ……………………………..”

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    Publicado por Valdenor Brito | 3 de julho de 2017, 23:29
    • Defendendo Temer para também manter o filho como ministro, fundamental para os planos de 2018 e a sobrevivência até lá.
      Mérito do discurso à parte, Jader é o político que resta ao Pará. Pobre Pará.
      Faltou você lembrar o maior orador político do Pará depois de 1964: Jarbas Passarinho. Seus confrontos com Brossard são antológicos.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 4 de julho de 2017, 07:28
      • Que é isso Lúcio! Entre os nossos políticos ainda temos o brilhante Wlad. Melhor representante da nossa sociedade e cultura nã há :).

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        Publicado por Jose Silva | 4 de julho de 2017, 09:18
      • Já era difícil Hélder ganhar carregando o nome do pai corrupto. Com o seu nome envolvido na Lava-Jato, a derrota é certa.

        Repito: vocês superestimam demais os Barbalhos.

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        Publicado por Jonathan | 4 de julho de 2017, 11:00
      • Jonathan,

        Será que estão superestimando os Barbalhos ou a nossa capacidade coletiva de tomar boas decisões?

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        Publicado por Jose Silva | 4 de julho de 2017, 11:59
      • José Silva,

        Não estou superestimando nada e nem ninguém. Os resultados das últimas eleições falam por si.É neles que eu me baseio.

        Jáder perdeu para o Almir Gabriel; sua ex-esposa perdeu para o Edmilson; seu cunhado perdeu três eleições (duas municipais e uma estadual); Hélio Gueiros também perdeu outra municipal; e seu filho perdeu outra estadual. As únicas exceções foram a Ana Júlia em 2006 e o Jatene em 2010. Mas os dois viraram as costas pros Barbalhos depois. Ana Júlia se bandeou para o lado do Duciomar e o Jatene para o lado dos Mairoanas- por isso o Diário bombardeia o governador 24 H por dia.

        Para complementar: Jáder se elegeu senador, mas ficou atrás de Flexa Ribeiro. Quem domina esse estado é o PSDB. Antes eram os Barbalhos. Entretanto, quase não há diferença entre os dois.

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        Publicado por Jonathan | 4 de julho de 2017, 17:09
      • Parece que os discursos durante a CPI do jornal Última Hora, na década de 1960, também foram antológicos. O brasileiro talvez seja o povo mais musical e isso reflete em nosso gosto por uma oratória bem tratada.

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        Publicado por Aldrin Iglesias | 5 de julho de 2017, 23:26
      • O musical dominante de hoje é cacofonia caótica.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 6 de julho de 2017, 06:56
  5. E os sociais-democratas, com sua sociologia da reeleição, tentarão enfiar goela abaixo do mundo fezes como se chocolate fosse, afirmando que o culpado disso é “opovo”.

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    Publicado por Luiz Mário | 4 de julho de 2017, 10:30
    • Quem escolhe os políticos? Pelo seu argumento deve ser um grupo de alienígenas de um planeta muito distante. Deve ser uma saudade imensa do chupa-chupa.

      Acho que está na hora de acabar com esta posição infantilizada de não assumir os próprios erros. Quem sabe se a sociedade amadurecer um pouco e se tornar responsável por suas próprias ações o pais não melhore. Este é o príncipio básico da cidadania em um regime democrático. O resto é balela.

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      Publicado por Jose Silva | 4 de julho de 2017, 10:55
      • Digo o mesmo para aqueles que dizem que o povo é “manipulado” para vender o voto.Ora, quer dizer que o povo é composto por um bando de pessoas extremamente ingênuas que não sabem o que fazem? Não têm consciência alguma? Me poupe.

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        Publicado por Jonathan | 4 de julho de 2017, 17:13
  6. Sem dúvida que o silêncio, até certo ponto duradouro, do senador Barbalho foi denominado, pelos observadores de “medo”. Esqueceram de que, desde o início da vida pública, o senador Barbalho foi considerado um articulador, estrategista de elite. É , ainda, uma voz firme e forte no Senado em favor da mais legítima democracia, de que tanto necessitamos!

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    Publicado por José de Arimatéia M. da Rocha | 4 de julho de 2017, 10:55
  7. Seria a ciência a serviço do crime ou da social-demo….? Deixa pra lá!

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    Publicado por Luiz Mário | 4 de julho de 2017, 12:29
  8. Dizer que o Jarder fez discurso em favor da democracia soa como escárnio, basta, o fato de ele ser dono de meios de comunicação sendo parlamentar que implica em falsa democracia, porque ele usas estes meios para criticar os adversários e mais manipular informações, omitir informações, negar fatos aos seus ouvintes e leitores, tudo isto usando uma concessão pública em afronta a Constituição.
    Já com relação ao povo ser desinformado na hora de votar, alguém tem dúvida disto, agora não é só o dito povão não a internet está infestada de pseudointelectuais, basta vê, os comentários do artigo “Buraco Negro” publicado aqui neste blog, a grande maioria até entende que o País quebrou, mas, está mesma grande maioria atribui isto a corrupção (não que ela não tenha aprofundado a crise), mas veja, a compreensão correta dos números é a seguinte: – que quebrou o País foi a Política Econômica equivocada com viés de esquerda. Qualquer estimativa do impacto da corrupção no descalabro fiscal é infinitamente menor do que as decisões da Política Econômica. Só pra citar um único dado: A mudança do regime de concessão para partilha no pré-sal, vejam, por causa desta mudança foram 8 anos sem leilões, agora, vejam, com quebra do EUA e Europa em 2008, 5 trilhões de dólares ficaram disponíveis, já que o tesouro americano passou a ter juros negativos, agora vejam, se não tivesse havido esta mudança equivocada parte deste recurso poderia vir para o Brasil, neste caso, mesmo com corrupção a Petrobras não quebraria, pois, sua dívida seria muito menor e sua participação também, sabem para onde foi estes dólares: Polônia, Colombia, México, etc.
    Vejo críticas descabidas aos sociais-democratas, mas as ideias que deram certo em economia de estado que vem desde Adam Smith passando Milton Friedman foram sem dúvida as únicas que produziram prosperidade. Mas a esquerda adora Flertar com o moderno, também, só que escolhe o lado mais nefasto da escola Keynesiana ou Keynesianismo que pregava entre outras coisas que um pouco de inflação é tolerável e que na ruína fiscal, deve-se fazer mais déficit em cima de déficit para a roda da economia girar, no Brasil petista, estes conceitos foram levados ao máximo.
    Estas duas máximas do Presidente Reagan, nós deveríamos refletir antes de toda eleição:
    “O socialismo é um sistema que só funciona no Céu, onde não precisam dele, e no Inferno, onde ele já existe.”
    “A visão do governo sobre a economia poderia ser resumida em poucas frases curtas: ‘Se ela se movimenta, taxe-a. Se ela continua se movimentando, regule-a. E se ela para de se mover, subsidie-a’.”

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    Publicado por Valdenor Brito | 5 de julho de 2017, 00:03
  9. A social-democracia consolidou a ditadura da corrupção terceiro-mundista, para deleite capitalista.

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    Publicado por Luiz Mário | 5 de julho de 2017, 10:35
  10. Social-democracia em plena vigência capitalista não poderia ser outra coisa, caro José. Que tal observar a Casa-Grande na Amazônia?

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    Publicado por Luiz Mário | 5 de julho de 2017, 14:47
  11. E que tal observá-la sob a Ditadura da Corrupção, esta consolidada pela Sociologia da reeleição, caro José?

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    Publicado por Luiz Mário | 5 de julho de 2017, 17:54
    • Mesmo por esta perspectiva o seu argumento não se sustenta de forma alguma. Primeiro, não precisa de reeleição para o grupo se manter no poder. É para isso que existe parentes e apadrinhados. Segundo, a corrupção existe com ou sem ditadura, basta ter gente corrompendo e gente sendo corrompida. Desta forma, não há necessidade de novos termos e nem de novas teorias para explicar o óbvio. Para mim, basta o eleitor precisa somente ter um pouquinho de senso crítico para eliminar os corruptos da vida pública na próxima eleição.

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      Publicado por Jose Silva | 5 de julho de 2017, 18:48
  12. Sugestão:

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    Publicado por Luiz Mário | 6 de julho de 2017, 08:49
  13. Na boa!

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    Publicado por Luiz Mário | 6 de julho de 2017, 18:13
  14. Pobres políticos corruptos. Como sofrem nas mãos desses procuradores cruéis e impiedosos. Os guerreiros da democracia (Temer, Lula e Aécio) devem combinar suas habilidades de manipular,conspirar e mentir para por fim a esses procuradores ditadores sanguinários.

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    Publicado por Jonathan | 6 de julho de 2017, 22:43
    • Eles até choram quando pegos na maracutaia…veja o Gedel. E ainda tem muita gente que vão continuar votando nos mesmos. Quem quer apostar?

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      Publicado por Jose Silva | 6 de julho de 2017, 23:21
      • ..oops. Ainda tem muita gente que vai..

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        Publicado por Jose Silva | 6 de julho de 2017, 23:22
      • É aquela velha história: mexeu com a classe, todos se unem. Já vi muito isso com professores que se odiavam. Basta aparacer algo que ameace a classe que eles viram amigos de infância. Com políticos não é diferente. Lula acabou de dizer que não vai brigar com ex-governo. Quem sabe até não forma uma chapa com Temer? Seria extremamente engraçado.

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        Publicado por Jonathan | 7 de julho de 2017, 11:01
    • O aprofundamento da história da Lava-Jato revela cada vez mais a verdade contida na advertência de Brecht, pela boca de Galileu: infeliz do país que precisa de heróis. Pois heróis, ao menos made in Brasil, não há. Ou nós devemos partir dessa premissa para para examinar com rigor cada caso. O Janot pode ser competente, pode estar cheio de bons propósitos, pode estar certo, mas é evidente que ele está apagando – ou tentando apagar – algumas pegadas sujas. Se estava defendendo a causa pública, agora ficou claro que está também defendendo seus próprios interesses. Parecia que ia conseguir o amálgama de metal puro. Mas começam a se revelar impurezas graves. Como nas biografias de Teori Zavascki e de Edson Fachin. A verdade impõe realismo.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 7 de julho de 2017, 07:33
  15. É mais que deprimente “descobrir” que coisa pública é estória da carochinha, contada pela corrupta elite para manter o status quo.

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    Publicado por Luiz Mário | 7 de julho de 2017, 09:38
  16. O discurso de Jader calhou bem no momento e se adiantou aos fatos. Se de um lado Temer e Lula utilizaram para criticar as investigações Jader, hoje processado por integrar a organização criminosa do PMDB, brada esse mesmo argumento e faz dos demais acusados um discurso comum.
    Argumento de delatados como criminosos que não deve se levar em consideração as acusações, que tentam acusar sem provas estas pessoas públicas a quem denigrem a imagem com o intuito de diminuir suas penas. Além da incompetência dos investigados e a perseguição desmedida com fatos infundados.
    Claro que tudo isso vem a público e influi na eleição servindo como arma de ataque dos grupos de oposição. Mas também acredito de eleitores jaderistas são fieis a balança e não sei o quão isso pode influir no pequeno barbalho para eleição ao governo. Além da própria rejeição do Jatene nessa equação.

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    Publicado por Fabrício | 19 de setembro de 2017, 17:22

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