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Justiça, Militares, Polícia, Segurança pública, Terras, Violência

Policiais da chacina presos

Onze policiais militares e dois policiais civis foram presos hoje por ordem da justiça, a pedido do Ministério Público do Estado. Eles são acusados de participar da chacina de na fazenda Santa Lúcia, em Pau D’Arco, que resultou na morte de 10 trabalhadores rurais.

A prisão, por enquanto temporária, com validade de 30 dias, prorrogáveis por mais 30, se tornou inevitável. Seis dias atrás a reconstituição dos fatos no local, que fica em Redenção, realizada pelo Ministério Público e a Polícia Federal, desmontou a versão dos policiais.

Eles alegaram ter reagido a um ataque de emboscada  dos posseiros, que tentavam impedir a missão da tropa, de investigar crimes que esses suspeitos teriam cometido. Os indícios são de execução deliberada das vítimas e de arranjos para ocultar o que realmente aconteceu. Nenhum policial foi ferido, os cadáveres foram removidos do local em que foram mortos e o cenário completamente alterado.

A situação se agravou ainda mais dois dias atrás, com o assassinato a tiros de um dos líderes do movimento de ocupação da fazenda. Ele estava no município de Rio Maria, para onde fugiu depois de receber ameaças de morte. A Secretaria de Segurança Pública não descarta a hipótese de o crime ter ligação com o massacre, embora ressalte que ainda não tem pista para confirmar essa hipótese.

Foram presos hoje. da Polícia Militar,  o coronel Carlos Kened Gonçalves de Souza, tenente Rômulo Neves de Azevedo, 3º sargento Orlando Cunha de Sousa, 2º sargento Advone Vitorino da Silva, sargento Ronaldo Silva Lima, cabos Cristiano Fernando da Silva e Ricardo Moreira da Costa Dutra, soldados Rodrigo Matias de Souza, Jonatas Pereira de Silva, Neuily Sousa da Silva e Welington da Silva Lira. Mais o investigador Euclides da Silva Lima Júnior  e o escrivão Douglas Eduardo da Silva Luz.

Discussão

6 comentários sobre “Policiais da chacina presos

  1. O que continua me deixando perplexo é a maneira como as notícias são dadas nesta Terra de Vera Cruz. Como as notícias são apresentadas desprezando-se qualquer lógica temporal dos fatos, como se os acontecimentos, fossem autônomos. Até parece que estamos no mundo Quântico, onde foi criada uma lei da física, chamada Princípio da Incerteza de Heinsenberg, que diz que nunca saberemos a exata posição das coisas.
    Vejam o conflito entre posseiros e policiais é tão-somente o resultado da política agrária ineficaz.
    Vejam o INCRA tivesse feito a sua parte neste processo de desapropriação, se os posseiros não tivessem invadido uma fazenda produtiva, se o governo Federal tivesse uma polícia para tratar os assuntos agrários, ao invés da polícia militar, se não tivesse havido um assassinato de um segurança da fazenda, se o Juiz não tivesse expedido 16 mandados de prisão dos posseiros, são tantos “se”……..Mas só de fala no conflito final. Vamos evoluir o debate sobre temos tão importantes, ou vamos continuar como meros “analistas urbanos”, escrevendo crônicas, de péssima qualidade:
    Leiam um resumo dos fatos:
    O Incra fez a vistoria técnica da fazenda Santa Lúcia. Em 10/12/2015 o imóvel foi avaliado como grande propriedade produtiva. Em 16/12/2015, o Incra fez a proposta pra ele [Honorato Babinski Filho] no valor de R$ 21.951.353,00. Posteriormente, no dia 21/12/2015, ele não concordou com o valor e não citou porque não concordou com esse valor. No dia 28/12/2015 ele se manifestou, queria R$ 22.683.794,00. O Incra em Marabá encaminhou no dia 04.02.2016 esse valor para análise em Brasília. Esse impasse de valores e com o processo da cadeia dominial ainda não foi concluído, o proprietário não quis mais vender a propriedade, desistiu. Em 17/08/2016, o proprietário protocolou um ofício desistindo da negociação e requereu o arquivamento do processo administrativo”, disse o ouvidor agrário regional Wellington Bezerra da Silva em entrevista à Amazônia Real.

    Apesar da desistência da família Babinski na venda do imóvel rural, o Incra disse que continuou investigando a cadeia dominial da fazenda Santa Lúcia 1. “É para sabermos a origem dos títulos das terras da fazenda. E, em contrapartida, estamos analisando fazer uma nova proposta para ser discutida com os proprietários”, disse o ouvidor agrário regional.

    O levantamento da cadeia dominial é, de acordo com o Incra, a relação dos proprietários de determinado imóvel rural, desde a titulação original pelo Poder Público até o último dono (atual proprietário). No estudo podem ser encontradas irregularidades como falsificação de documentos e grilagem de terra. O levantamento, que é feito junto dos cartório de registro de imóveis, permite o Incra cadastrar imóveis rurais e emissão do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural, o CCIR. A fazenda Santa Lúcia tem registro em nome do empresário Honorato Babinski Filho, um dos herdeiros do espólio de Honorato Babinski, já falecido.

    Após desistir do negócio com o Incra em 2015, a família de Honorato Babinski Filho ingressou com ações na Justiça pedindo a reintegração de posse da fazenda Santa Lúcia 1. Também contratou vigilantes da empresa Elmo Segurança Especializada, que tem sede em Barcarena.

    A reportagem não conseguiu localizar o fazendeiro Honorato Babinski Filho para ele falar sua versão sobre a negociação da compra do imóvel rural com o Incra. O site “Ver-o-Fato” de Belém publicou uma declaração do o advogado Ailtamar Carlos da Silva, que afirma ter atuado na negociação com o Incra como representante dos proprietários da fazenda Santa Lúcia 1. Ele disse que “o valor de R$ 21,6 milhões (o Incra fala que propôs R$ 21,9 milhões ) pelos 5 mil hectares da área foi aceito pelos fazendeiros, mas o Incra demorou seis meses e não fez a audiência pública para que a transação fosse fechada”, o que o levou à desistência. “O Incra foi omisso e desidioso, por isso a negociação não avançou”, afirmou Ailtamar Caros da Silva Silva.

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    Publicado por Valdenor Brito | 11 de julho de 2017, 00:29
    • A crítica, ao menos a minha, não é urbana. Em 1980 saiu um livro meu (pela editora Hucitec, de São Paulo), No Rastro do Saque, só de artigos e reportagens sobre questões agrárias e fundiárias na Amazônia, que eu já percorrera algumas vezes, passando por todos os Estados da região.As origens do conflito não foram esquecidas. A (ir)responsabilidade do Incra é óbvia e antiga. O agravamento do conflito tem essa cronologia que você citou. Tudo isso tem que ser levado em consideração. Mas o desfecho foi terrível. Um indicador grfave de que voltamos a um ponto de violência e irracionalismo que parecia superado. É a matéria de capa da próxima edição do Jornal Pessoal, que espero colocar nas ruas na quinta-feira.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 11 de julho de 2017, 06:03
    • Ah, sim:o nome Babinski integra a genealogia da ocupação do sul do Pará, como as de outros bandeirantes, principalmente paulistas, como os Lunardelli. Vários pareciam se sentir como na época das primitivas entradas e bandeiras no sertão brasileiro, com a incômoda presença de floresta tropical densa no novo capítulo..

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 11 de julho de 2017, 06:05
  2. O mais que degradante, e criminoso, é imaginar que ainda há quem defenda a ideia de que os povos originais atrapalham e por isso não deveriam existir.

    PS: seminal a expressão “genealogia da ocupação”. Parabéns, Lúcio!

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    Publicado por Luiz Mário | 11 de julho de 2017, 11:11
  3. A prisão é uma boa notícia neste caos que é o nosso estado. Quem sabe assim não cria-se uma referência para orientar os PMs sobre o que eles podem e o que eles não podem fazer…

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    Publicado por Jose Silva | 13 de julho de 2017, 01:19
  4. Hoje, 13/07/2017, após uma reportagem sobre a violência no Rio de Janeiro , mostrando atrocidades como a morte de um adolescente que não reagiu ao assalto, no Bom Dia Brasil da Globo, o apresentador e âncora do programa passou para a violência no Estado do Pará, quando em cumprimento de uma ordem judicial policiais civis e militares estão sendo acusados de chacina por seus acusadores e parte da imprensa.
    Mesmo que sejam julgados culpados, o comentário do apresentador e âncora do programa foi demasiado, chegando até mesmo a magoar àqueles que consideram incompetente e nefasto o aparato e sistema público de segurança do Estado, cujo chefe maior só pensa em pescar.
    Pareceu-me rançoso o comentário, na forma e oportunidade em que foi feito, não dividindo as responsabilidades com todo o Brasil e com o poder central da União, condenando desde já o sistema de segurança do Estado Pará, comentando por sobre a notícia da violência no Rio falido, que não era novidade em um Estado onde não imperaria a lei, ressurgindo o estereótipo de não civilizados, em contraste e oposição ao civilizados do eixo Sul do País maravilha.
    Sem julgar o comentarista e seu comentário, parece-me que o assunto mereceria mais atenção antes de ser propalado para milhões de telespectadores, pois se o Pará vive décadas de violência e confrontos no campo, isso passa pela gestão de comandantes do País que o usam como solução para os lixos e necessidades do Brasil, sem compensá-lo com políticas públicas de socorro contra o crescimento do círculo vicioso da miséria que as ações nacionais causam ao Estado.
    O Pará é responsável pelos problemas agrários e violências no campo do Brasil? da reforma que nunca saiu do discurso, mesmo em 13 anos de Governo que se dizia popular e voltado para o povo?

    Foi o Pará que tentou resolver os problemas das secas do sertão brasileiro, desde o século XIX, do Nordeste miserável, recebendo levas de milhares de retirantes miseráveis, sem ajuda estruturantes da União?
    O Exército da borracha, a Transamazônica, hidrelétricas de Tucuruí, Xingu, minerações, Vale, Hidro, incentivos da Sudam para a derrubada da floresta, trocando o mato, a rica biodiversidade por capim e a pata do boi, foram pedidos pelos paraenses? A lei Kandir? Isso tudo não abalou nossa cultura e segurança social?

    Tudo que foi feito com e no Estado do Pará, foi pensando em solucionar problemas nacionais e não locais.
    As exportações estavam com problemas no Brasil no governo FHC? Impôs-se a Lei Kandir, retirando do Pará sua arrecadação de impostos sobre os minérios arrancados de seu solo. Aumenta-se as exportações, os lucros da Vale e multinacionais mineradoras, mas atrai-se para esses projetos milhares de migrantes em busca de empregos e oportunidades, gerando efeitos incrementadores de um círculo vicioso de misérias quase irreversíveis sem ajuda externa, obrigando o Estado a investir o que não possui em aparato de segurança pública, social, alimentar e educacional com recursos que seriam destinados ao seu desenvolvimento ou mesmo tomado emprestado.

    Se a violência no campo é grande, na cidade não está melhor. Tudo em função dessa função de ser ao mesmo tempo gerador de riquezas ao Brasil, sem fixá-las no Estado, e também ser o ímã de atração da miséria nacional.
    Mesmo assim, ante o quadro Nacional, não se pode apenas apontar o dedo ao Estado, como fez o apresentador, que aqui impera a barbárie. Há de se reconhecer a situação péssima em que estamos e buscar as soluções conjuntas, especialmente co o resto do Brasil que usufrui de nossas riquezas e de nossa capacidade de abraçar os irmãos que foram exclusos da sociedade de seus Estados de origem.
    Não excluindo as péssimas gestões do novo milênio em nosso Estado e no Brasil, das responsabilidades pela atual insegurança pública que paira sobre todos, a segurança está em xeque e demanda uma solução nacional, mas não de rótulos, estereótipos e acusações vazias.

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    Publicado por JAB Viana | 13 de julho de 2017, 10:19

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