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Cultura, Política

A casa da mãe Joana (e do pai Jatene)

A cultura oficial virou a casa da mãe Joana no Pará. Um verdadeiro caso de polícia.

De uma só vez, numa única edição do Diário Oficial, do dia 18, o governo gastou 621 mil reais para promover 10 espetáculos musicais, realizados por 25 artistas individuais e (ou) bandas, em cinco municípios paraenses.

Quatro desses shows em Belém e três em Ananindeua, redutos do PSDB do governador Simão Jatene, através dos prefeitos Zenaldo Coutinho e Manoel Pioneiro. Foram 127 mil reais para Belém e 181 mil para Ananindeua.

Chaves, município pobre da pobre ilha de Marajó, teve um  único show com verba oficial. Mas foram R$ 100 mil, o mais caro de todos, para alegria do prefeito Bira Barbosa, que também é tucano. Três bandas tocaram por três dias para receber quase R$ 34 mil cada uma, mais de R$ 10 mil por noite.

Os outros espetáculos foram em Curuçá (R$ 79 mil) e Cametá  (R$ 34 mil), que têm prefeitos do DEM.

Os contratos foram assinados diretamente pela Fundação Cultural do Pará  com os empresários dos artistas. Neury Monteiro Augustin Jr. foi presenteado com quatro contratos. Tryce Pantoja Produção e Eventos, com três. A fundação deixou de fornecer os endereços dos os contratados, desrespeitando assim a exigência legal. Os termos terão que ser republicados para não serem invalidados.

A inexigibilidade de licitação foi adotada porque é pública e notória a qualidade dos contratados, que são: Rosemary (contratada três vezes), Ivana e Kássio, Recorda Som, Danny Lucio, Renan Sanches, Alta Frequência ee Roberta Brito (duas vezes cada um). E mais (um contrato): Madeirada, Arrochaê, Tubarões do Forró, Pedrinho Calado, Tamarock, Anacelma, Acordalice, Kim Marques, Edilson Moreno, Esdras, Balada Mil, Serginho Nóbrega, Zona Rural, Ranilson, Banda Puro Desejo, Jorginho e Banda II Via e Banda 007.

Como tanto dinheiro foi parar nas mãos desses famosos artistas? Através de emendas parlamentares. O deputado estadual designa quem quiser para receber cachês que não costumam ser pagos nem em praças muito mais abastadas e a Fundação de Cultura do Pará manda pagar.

O dinheiro vai mesmo integralmente para os artistas? Eles cumprem a agenda? Há algum critério de seleção? Há fiscalização posterior? Os órgãos de controle externo acompanham a destinação do dinheiro público?

Ou, por vias transversais, a verba acaba tendo um uso político e outros usos?

E assim, usando como biombo o nome da cultura, um erário carente financia esse esquema fisiológico na cara de todo mundo e ninguém diz nada? Nem os artistas? Nem os representantes da cultura?

Discussão

17 comentários sobre “A casa da mãe Joana (e do pai Jatene)

  1. Cultura da corrupção?

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    Publicado por Luiz Mário | 25 de julho de 2017, 18:14
  2. O que esperar de um poste?

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    Publicado por JAB Viana | 26 de julho de 2017, 00:23
  3. Gostaria que seus textos pudessem ser compartilhados pelo aplicativo do wattsapp!

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    Publicado por Fabio | 26 de julho de 2017, 05:34
    • Lamento, Fábio. Não tenho a menor intimidade com a internet. Mas o Miguel republica meus artigos no Face que leva o meu nome. Não sei se é melhor.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 26 de julho de 2017, 09:34
      • Lúcio, Lúcio, te atualiza, mano… pelo menos nas maneiras de encontrarem teu ofício. Exemplo: instagram é um ótimo divulgador. Não serve pra leitura, é puramente fotográfico. Lá, devido o nicho de impacto visual e sua restrição como fundamento, ainda assim, podes botar o link da matéria para os interessados. E para os interessados por ocasião, mesmo assim vale pela lembrança do teu nome. Bora, homem, titoca dos paranauês virtuais….

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        Publicado por THIAGO | 26 de julho de 2017, 11:49
      • Pode continuar a orientar os leitores, Thiago. Obrigado pela ajuda.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 26 de julho de 2017, 11:53
    • Oi, Fábio. Tudo bem? Caso uses o Chrome pra ver as matérias aqui, basta tu clicares no menu que fica no canto superior direito – no meu caso, é um samsung. Lá, vais encontrar a opção “compartilhar”. Clicando nesta, aparecem vários apps que podes compartilhar, incluindo Wsapp. Abraço.

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      Publicado por THIAGO | 26 de julho de 2017, 11:41
  4. Nessas horas me pergunto: cadê o bendito Ministério Público? É revoltante ver essa pilhagem do nosso dinheiro e nós nem temos conhecimento. Se tu não divulgas ou se não lemos teus artigos ficamos sem saber dessa canalhice toda debaixo dos nossos olhos e com o nosso dinheiro. E ainda que estejamos informados, o que fazemos? Ficamos trocando ideias aqui no teu blog? Precisamos fazer alguma coisa; não aceito mais ser roubada e desrepeitada.
    É incrível como a cara de pau não tem limites!

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    Publicado por Marilene Pantoja | 26 de julho de 2017, 19:14
    • Tens sido a pessoa que mais se indigna com essas indignidades, Marilene. Ainda bem que existes, com um pouco número, tão pouco mesmo, de pessoas que ainda se indignam e não querem ficar só nesse sentimento. Se mais pessoas se manifestassem e exercessem seus direitos, talvez tivessem estancado essa inacreditável dilapidação de dinheiro público a pretexto de fazer cultura, ora pelo alto (com uma ópera como Don Giovanni, a minha favorita), ora por baixo (com o folclore maneirista que mistura rural e urbano de forma comercial). É um verdadeiro assalto aos cofres públicos.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 26 de julho de 2017, 19:22
  5. Cerpa bem gelada ao som de artistas caríssimos.

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    Publicado por Jonathan | 27 de julho de 2017, 12:19
  6. Onde está o excelente e imparcialíssimo jornalismo do Grupo Liberal que não divulga esses causos escabrosos envolvendo a ORCRIM (PSDB e trupe) que governa o parazinho e suas maiores cidades.

    Lembrei de uma matéria, de uns dez anos atrás, com título, salvo engano, “Jornalismo de Quitanda”, em justa homenagem ao jornalismo do Grupo Liberal.

    Quanto custa aos paraenses esse silêncio?

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    Publicado por Angélica Souza | 29 de julho de 2017, 09:00
  7. É verdade!
    Vi alguns shows desses artistas, nas praças de Ananindeua, Icoaraci, Marituba…
    Assim como também as apresentações de Lucinha Bastos,Deyse Adario,que não fora mencionadas nessa lista….
    Aí eu pergunto: não foram mencionadas porque elas fazem parte da elite cultural do Pará, por vínculo político ou pôr amizade?

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    Publicado por Daimon Silva | 8 de agosto de 2017, 21:43
    • Já foram citadas em outros textos sobre a mesma questão. Não foram citadas neste porque nenhuma delas consta nos contratos publicados pelo Diário Oficial, que serviram de fonte para a matéria. Jornalismo não é compadrio nem ação entre amigos. Ao menos assim tem sido comigo há meio século.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 8 de agosto de 2017, 22:10

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