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Polícia, Política, Segurança pública, Violência

Por que o prefeito foi morto?

O delegado-geral da polícia civil, Rilmar Firmino, fez uma previsão sobre o assassinato do prefeito de Breu Branco, Diego Kolling, que tem todas possibilidades de ser verdadeira, embora possa parecer contraditória com os resultados da investigação, que já identificou e prendeu seis envolvidos no crime. Firmino observou que esse é “o tipo de crime de difícil resolução: os que matam, são os que vão chorar com os familiares”.

A “riqueza de provas testemunhais e periciais” levaram a polícia a concluir que houve dupla motivação para o assassinato do prefeito: tanto política quanto econômica. Quem financiou a candidatura de Diego, dando continuidade a um esquema que já funcionava na prefeitura de Breu Branco, queria continuar a deter contratos superfaturados e dispor de licitações viciadas.

Segundo o delegado, o principal suspeito, Ricardo Lauria, criou uma empresa de fachada (ou “laranja”) para participar (e vencer) concorrência para realizar o transporte escolar. Surpreendentemente, porém, o prefeito revogou a licitação, por considerar muito baixo o preço oferecido. Foi então que o empresário decidiu mandar matar Diego Kolling.

Se verdadeira a versão, o prefeito de Breu Branco se tornou um caso raro de gestor público que não aceitou a corrupção, mesmo ela sendo gerada em torno dele, com base em acerto político que lhe permitiu se eleger, como candidato do PSD. Daí o delegado apontar para o círculo em torno da família como a origem do crime. Ele sabe que haverá resistências ao avanço da ação policial.

Por isso mesmo, ela se torna ainda mais importante. Se todo o esquema montado para manter a elação promíscua entre prefeito e o sistema financeiro que o viabiliza politicamente for desvendado e os envolvidos devidamente presos, talvez se consiga conter a onda de assassinatos de políticos, que já atingiu três municípios da região do lago da hidrelétrica de Tucuruí.

O caso de Breu Branco parece diferir não só em relação ao de Goianésia e Tucuruí, onde foram presos os participantes do complô, como da situação de tensão crescente que cresce nos bastidores das administrações públicas do interior do Pará. Provavelmente se os atentados não tivessem chegado a Tucuruí, um dos municípios que mais arrecada no Estado, a Secretaria de Segurança Pública não teria montado um esquema de apuração com 40 homens, entre policiais civis e militares, para apresentar resultados imediatos sobre a morte de Diego Kolling, ocorrida em maio, e a de Jones William Galvão, nesta quinta-feira, 27.

Agora, a polícia precisa seguir as pistas até onde elas realmente vão, sem estancar em ambientes nos quais os mandantes das mortes estejam a chorar junto com os parentes das suas vítimas, como deve estar acontecendo em Breu Branco.

Discussão

Um comentário sobre “Por que o prefeito foi morto?

  1. Caro Lucio Flavio, vc como sempre mexendo em vespeiros amazônicos, particularmente paraenses. Ainda bem que tem gente com coragem nessa terra onde política e corrupção são, salvo honrosas exceções, irmãs siamesas.

    É um prazer cumprimentá-lo e informar que estou em Belém até terça feira proxima, dia 2/8, quando retorno ao Rio.
    Se puder me contactar para nos encontrarmos, será um prazer.
    Estou no Hotel Regente.
    luizalfredosalomao@gmail.com
    Grande abraço

    Curtir

    Publicado por Luiz Alfredo Salomão | 30 de julho de 2017, 13:06

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