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Imprensa

Em causa própria

As duas notas de abertura do Repórter 70, a principal coluna de O Liberal, na edição de hoje, mostram o uso da imprensa para o atendimento de interesse particular do dono do jornal a pretexto de fazer campanha de interesse público.

A primeira dá continuidade à série de ataques que a coluna vem fazendo à direção do Paissandu porque ela não segue o conselho (na verdade, ordem) que o redator anônimo (já que o espaço não é assinado) tem dado. O clube teria que vender um terreno nos fundos da sua sede da avenida Nazaré, que alcança a rua paralela, a valorizada Braz de Aguiar.

A alienação seria medida de higiene pública. Ali sobrevive uma antiga e abandonada piscina, foco potencial de doenças. Seria também útil para fortalecer as combalidas finanças alvi-azuis, dilapidada por má gestão. O redator estranhava a resistência a iniciativas para ele tão óbvias e salutares para o Paissandu (não adoto o “y” no nome).

O MISTÉRIO

Hoje, o Repórter 70 desvenda o mistério:

“A Quadra Engenharia é quem quer comprar o terreno que dá acesso ao Payssandu, na Braz de Aguiar, para depois o seu presidente, que é sócio da Quadra, facilitar a venda da piscina do Payssandu. Esta é a pura verdade. Esta empresa, ‘Quadra Engenharia’, é quem está plantando notas no ‘diário das mentiras’… é realmente a interessada… A torcida do Payssandu tem que tomar muito cuidado com esses empresários que comandam o Clube visando interesses próprios”.

O terreno da briga tem cinco metros de frente. Fica entre a sede da Rádio Liberal (em prédio que já abrigou a sede da Mercúrio Publicidade, de Abílio Couceiro, tio do atual presidente do Paissandu e um dos nodos da Quadra Engenharia, da família que mais representa o clube) e a ORM Cabo.

Quem iria querer um terreno com essa diminuta fachada e nesse contexto para um empreendimento imobiliário a partir de uma piscina deteriorada?

A resposta é óbvia: quem comprasse o terreno para integrar aos dois prédios que já possui. Os Maiorana, é claro. Segundo se sabe, pagando dois milhões de reais, oferta apresentada ao Paissandu – mas por outra pessoa, naturalmente. Muito abaixo do valor de mercado, of course.

Há outra circunstância que compromete a lisura do noticiário. Romulo Maiorana Júnior usou o seu jornal para uma campanha contra um prédio que a Quadra levantou na avenida Pedro Álvares Cabral.

O edifício ficou na área de visão do empreendimento paralelo da empresa do executivo na mesma avenida. RM Jr. tentou até a implosão da construção do concorrente, sugerindo que ele fosse derrubado – como sempre, para atender o interesse público.

Na verdade, para valorizar a comercialização das caríssimas unidades, que propagandeavam a vista panorâmica para a baía do Guajará como o seu maior trunfo.

Por fim, se os atingidos pelas notas escrevessem uma carta, no exercício do direito de resposta, para retificar as informações, O Liberal a publicaria? Os leitores do jornal já encontraram alguma carta de crítica à folha dos Maiorana? Eles só podem ser elogiados. Criticados, nunca.

MIAMI

A outra nota saúda o anúncio de que a Azul começará a voar de Belém para Fort Lauderlale, na Flórida, no ainda distante dia 10 de dezembro (“próximo”, segundo a coluna). Passará a concorrer com a Latam, que opera sozinha para Miami, “mas tem sido alvo de reclamações dos usuários”. A iniciativa, “sem dúvida, quebra o monopólio da Latam e servirá de estímulo para a queda da tarifa”.

A coluna está certa. Mas não se importava com os sofrimentos dos clientes da Latam quando Romulo Maiorana Jr. ia – constantemente – para Miami no seu jato executivo, graças ao bom faturamento junto ao seu principal cliente, o governo tucano de Simão Jatene. Passava como um marajá indiano pelas filas com seu aplomb de indiferença.

A ação do Ministério Público do Estado, graças à ação isolada de dois dos seus integrantes, Nelson Medrado e Armando Brasil, interrompeu o fluxo abundante de dinheiro do erário para os cofres da ORM Táxi Aéreo. Romulo Jr. teve que passar à linha comercial, mas resguardado na classe especial. Agora que está na vala comum do avião da linha, virou defensor dos pobres mortais.

Nada como um dia (de realidade) depois de outro (de fantasia).

Discussão

7 comentários sobre “Em causa própria

  1. Triste esse comportamento. Imagine as negociatas que ele faria se assumisse uma função pública? Dá arrepios só de pensar. Se eu fosse a diretoria do PSC eu faria parceria com uma empresa e construiria um complexo esportivo de vários andares com serviços diversos para todos os tipos de clientes.

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    Publicado por Jose Silva | 10 de agosto de 2017, 12:01
  2. Já qe estamos conversando sobre empresários tupininquins, aproveito para reproduzir aqui o artigo publicado no Eco em 2 de julho deste ano para mostrar um pouquinho sobre a qualidade e visão estratégica do nosso empresariado. Como se pode ver, não há diferença alguma entre eles e a posição de grande maioria dos nossos políticos em relação a um desenvolvimento que respeite a floresta e as populações rurais. Com este pequeno grupo de gênios definindo o futuro do nosso estado, já sabemos o que esperar: desmatamento, ressecamento, empobrecimento e subdesenvolvimento. Surpreende Pará!

    O Fórum das Entidades Empresariais do Pará, que representa 11 instituições vinculadas à indústria e ao comércio no estado, como o SENAI, o SESI e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), encaminhou na última terça-feira (27) uma carta ao presidente Michel Temer pedindo a imediata suspensão do Fundo Amazônia e sua completa revisão.

    Segundo a entidade, o Fundo vem obstruindo os setores produtivos do Pará e da Amazônia como um todo: “ (…) submissos a propósitos alienígenas utilizam os seus recursos nos financiamento de organizações não-governamentais, desprovidas de conhecimento local, prejudicando, assim, a todo custo, que o desenvolvimento chegue às comunidades secularmente interiorizadas para dar a possibilidade de sua inserção social, sem ofensa ao patrimônio natural”.

    Os representantes não deixam claro na carta como o financiamento de programas de organizações não-governamentais atinge o setor produtivo paraense, mas se mostram indignados contra o que chamam de desrespeito à soberania da Amazônia.

    “O que sentimos hoje é o desrespeito à nossa condição de amazônida e, com isso ver a nação brasileira ser humilhada quando de sua presença na Noruega, pois, é em Oslo, sua capital, que hoje se discute a soberania da Amazônia, um absurdo, uma tutela não solicitada, depreciativa”.

    Na penúltima semana de junho, o presidente Michel Temer fez uma visita oficial à Noruega. A alta do desmatamento na Amazônia e notícias envolvendo a redução de Unidades de Conservação tomou conta do encontro, que teve direito a manifestação de ambientalistas e a notícia que o país reduziria os repasses que envia ao fundo Amazônia por conta da alta da perda da floresta em 2015 e 2016.

    Para os representantes do setor produtivo paraense, o governo precisa reformular ou acabar com o Fundo Amazônia, como “forma de recuperarmos a respeito internacional”. O Fundo Amazônia financia a política de redução do desmatamento no bioma Brasil desde 2008. A Noruega é o maior financiador do Fundo.

    A carta ressalta que o país nórdico está situado “no continente europeu, que a seu modo inscreve cerca de mais de 97% de autodevastação florestal, afora os exemplos deixados na sua atuação no continente africano cujo retrato é um rastro de destruição e pobreza, não é recomendando (sic), portanto, como digna de proferir lições para nós, brasileiros”.

    Na verdade, a Noruega é um dos países que mais preserva a própria floresta: 40% do país é de floresta, outros 40% são de campos naturais e montanhas, 7% pedra e gelo, 7% água e só 3% agricultura. A população norueguesa é um pouco mais do que 5,1 milhões de pessoas. A cidade do Rio de Janeiro possui 6,4 milhões de moradores.

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    Publicado por Jose Silva | 10 de agosto de 2017, 13:53
  3. Por que se recusa a escrever Paysandu?

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    Publicado por Eduardo | 10 de agosto de 2017, 18:05
  4. Ah, rombinho, rombinho… Chamem o Silas Assis do além.

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    Publicado por Anónimo | 10 de agosto de 2017, 22:36

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