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Justiça, Polícia, tráfico de drogas

O caso da overdose: silêncio geral

O suposto assassinato de um dos herdeiros do grupo Líder e sua contribuição para a crise interna da empresa no topo do comércio varejista do Pará estão fora do noticiário da imprensa. É inacreditável que O Liberal e o Diário do Pará (ao menos por razões jornalísticas) tenham absorvido a versão oficial de que João de Deus Pinto Rodrigues foi vítima de um crime de encomenda por overdose, cometido em fevereiro de 2015, A versão não resiste ao mais simples questionamento, que os jornais costumam fazer quando envolve pessoas sem o destaque dos donos do grupo Líder.

A promotora Rosava Cordovil não apresentou qualquer prova da materialidade do delito atribuído a Jeferson Michel Miranda Sampaio, ao pedir a sua prisão preventiva. Ele teria matado João de Deus dando-lhe uma dose letal de uma substância química produzida a partir do LSD, a mais agressiva em uso por quem pode assumir seu alto custo. Algo inconcebível para um traficante de drogas, que tinha na vítima do seu atentado, talvez, o seu principal cliente, ao lado de outros jovens do mesmo círculo de amizade, que, a partir desse episódio, passaram a denunciá-lo.

O incrível assassinato se explicaria porque Michel agiu como matador de aluguel. Alguém teria encomendado (a dinheiro, certamente) a morte. Quem? A promotora admite que não sabe. Com qual motivação? Menos ainda. Mesmo assim, sem o cumprimento de regra elementar da lei penal, a denúncia foi feita pelo seu substituto interino,  José Rui de Almeida Barboza. A própria Rosana Cordovil, assumindo a vara, pediu a prisão do acusado por homicídio qualificado e o juiz Moisés Flexa a concedeu. Michel, que estava sendo processado por tráfico, se apresentou espontaneamente. Agora será submetido ao tribunal do júri.

Não bastasse a tosca denúncia, cheia de falhas e incorreções, o tio de João de Deus, Oscar Rodrigues, o principal executivo do grupo Líder, afirmou em seu Facebook que não houve homicídio, mas sim morte acidental por overdose. E que o irmão, João Rodrigues, estava forçando a justiça a assumir a tese inverossímil, talvez com o propósito de limpar a nódoa da morte do filho, viciado em mais drogas do que simplesmente a maconha, segundo o tio, ou agravar a crise da família na empresa.

São elementos suficientes para derrubar a versão oficial e provocar uma nova reabertura do caso, ampliado do alegado homicídio por overdose (registro inédito nos anais criminológicos mundiais) a irregularidades administrativas do grupo Líder.

A semana terminou com o silêncio da grande imprensa, da justiça, do Ministério Público e da Secretaria de Segurança Pública. Essa omissão se manterá na semana que começa?

Discussão

11 comentários sobre “O caso da overdose: silêncio geral

  1. morrer bebendo cachaça vai ser também homicídio? Coitado dos donos de bares…
    Entretanto, deixo consignado: no meu caso será alcolicídio… rs rs

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    Publicado por nadia kalime mai | 24 de setembro de 2017, 19:30
  2. Eu como sei a dor de perder um filho independente do motivo,sinto muito o desiquilibrio de ambos,acho que um abraço,uma mão no ombro poderia ajudar,qual família não tem seus atritos?

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    Publicado por Lúcia Helena de Souza lima | 24 de setembro de 2017, 22:53
  3. podemos processar o fabricante de armas? to gordo e vou processar o dono da mc donalds…

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    Publicado por marcos | 25 de setembro de 2017, 10:31
  4. Lúcio, se os jornalecos publicarem que morreu por overdose, por culpa própria como foi noticiado na época, NÃO será mais notícia “boa” para o leitor sair informado de casa. Para os jornalecos é preciso requentar e retemperar a comida para dar mais sabor ao distinto e enganado público, fazendo-o crer que é prato do dia.
    A notícia para essa gente pouco compromisso com a verdade dos fatos tem. É o sininho do carro de pipoca passando, não importando a estridência, “pois o que eu quero é vender pipoca!”.
    Não tem pé nem cabeça essa história de homicídio, um delírio de falta de lógica. Mas isso pouco importa, e, com a justiça que temos, acaba que os jornalecos poderão ter razão sem nunca terem tido alguma.

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    Publicado por Anônimo | 25 de setembro de 2017, 17:03
  5. Rapaz, a criatividade dessa turma é sensacional. Sugiro que a promotora Cordovil e o senhor João Rodrigues vendam esse roteiro pro Netflix. Finalmente teríamos roteiristas paraenses talentosos conhecidos mundialmente. Te cuida Glória Peres!

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    Publicado por Antonio Duval | 26 de setembro de 2017, 08:47
  6. E o silêncio continua…

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    Publicado por José Silva | 26 de setembro de 2017, 20:19
  7. senhores, ao meu ver, vamos respeitar a dor desta família que perdeu um filho para as drogas, vamos concentrar esforços para que não aconteçam com os(as) nossos(as) , todos sabem desdes pequeno o mal que as drogas fazem e qual é o final (morte), levem seus filhos nas clinicas de reabilitação de usuários de drogas é perguntem a eles se é isto que eles querem para o futuro dele?
    para os ricos: LSD , BALA, COCAINA,
    para os pobres, craque
    todas levam para o caixão o usuário e infelizmente as vezes o pai é a mãe por se sentirem culpados ou etc. e tal .

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    Publicado por Pablo Xavier | 28 de setembro de 2017, 10:47
  8. O nome também estaria errado neste texto, citando apenas Jeferson Michel de Almeida Barbosa. No segundo e terceiro paragrafo.

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    Publicado por Fabricio | 7 de dezembro de 2017, 18:32

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