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Cultura, Justiça

Trevas da intolerância

Em 1998, Paula Lavigne revelou à revista Playboy que perdeu sua virgindade com Caetano Veloso quando tinha apenas 13 anos.  Ele tinha 40.No ano passado, a outra revista do mesmo gênero, a Status, disse que, aos 16 anos, ao saber que estava grávida, fez um aborto. “Não queria ter um filho adolescente”.

Na perda da virgindade, Caetano tinha 40 anos, 27 a mais. Passaram-se 33 anos do ato sexual e 30 do aborto. Ela tem 47 e ele, 73 anos. São pais de dois filhos, um de 21 anos e outro de 16. Qualquer um que analisar os casos pode achá-los naturais, condená-los moralmente ou lamentar eventual despudor. É o direito de expressão livre. Mas se crimes houve, eles já prescreveram.

Não cabe mais falar em pedofilia como crime, que deixou de haver, se não para registro documental, para fazer história ou escrever biografia. Em boa hora a justiça do Rio de Janeiro mandou por fim, hoje, a uma campanha oportunista, intolerante, estúpida e malsã liderada pelo Movimento Brasil Livre e o ator Alexandre Frota.

O juiz Bruno Manfrenatti, da 50ª vara cível, disse que as acusações traduzem “ofensas caluniosas e injuriosas” contra Caetano. Caracterizam “abuso do direito à livre expressão e manifestação conferido pela constituição”.

Os acusadores tiveram o “único intuito de depreciar a imagem dos autores”, com “ofensas difamatórias e caluniosas”. Em relação a Caetano, por ter “praticado suposto ato de pedofilia”. E, no caso de Paula e Caetano, porque “apoiariam a pedofilia e integrariam uma gangue”.

Um pouco de lucidez num país que resvala pela irracionalidade pra o totalitarismo.

Discussão

8 comentários sobre “Trevas da intolerância

  1. O Movimento Brasil Livre parace ser a vanguarda do retrocesso nacional. Tudo o que o Brasil não precisa agora, pois já bastam anos de retrocesso com o coligação PT-PMDB. O Alexandre Frota é o Vlad de São Paulo. Nunca se espera coisa boa deste maluco.

    A lição aqui é que coisas privadas devem permanecerem privadas. Quem não faz isso sabe muito bem que está se expondo a nuvens e trovoadas. Tudo que vai a público tem as suas consequências não esperadas, Depois não adianta ficar reclamando para o Francisco.

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    Publicado por Jose Silva | 1 de novembro de 2017, 08:31
  2. Tudo pago com dinheiro público para conservar o status quo?

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    Publicado por Luiz Mário. | 1 de novembro de 2017, 10:06
  3. O Globo
    A intolerância dos tolerantes
    POR RODRIGO CONSTANTINO
    04/02/14 – 00h00 | Atualizado: 04/02/14 – 00h00

    O título deste artigo vem de um livro do teólogo canadense D.A. Carson, e pode parecer paradoxal à primeira vista. Afinal, como pode haver tolerantes intolerantes? Após uma reflexão, porém, a ideia fica mais clara. Há um grupo cada vez maior de pessoas que, em nome da tolerância, demonstra incrível intolerância com aqueles de quem divergem. Carson argumenta que a “nova” tolerância representa uma forma peculiar de intolerância. Antes, tolerar era aceitar a existência de pontos de vista diferentes, conviver com eles, ainda que os combatendo.

    Talvez o melhor exemplo dessa tradição seja a frase atribuída a Voltaire, que teria dito para Rousseau: “Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-lo.” Vale notar que Voltaire considerava Rousseau um “poço de vileza”. Isso é importante, pois o ato de tolerar era nobre justamente porque o filósofo rejeitava claramente o pensamento e até a pessoa a quem estendia sua tolerância. Tolerar era aceitar as diferenças, não abraçá-las como nobres em si.

    Hoje, significa aceitar os diferentes pontos de vista como se fossem igualmente válidos, uma mudança que parece sutil, mas tem grandes consequências práticas. Agora, o “tolerante” precisa tomar qualquer opinião como verdadeira. Em vez de aceitar a liberdade de expressão de opiniões contrárias, ele deve acatar todas essas opiniões.
    Essa mudança de paradigma dentro do próprio Ocidente vem pavimentando a estrada da possível destruição de seus principais valores, assim como a cultura ocidental como a conhecemos. Não precisamos apenas tolerar as ideias islâmicas, por exemplo, com o direito até mesmo de combatê-las; devemos abraçá-las como igualmente válidas, ou “apenas diferentes” das próprias ideias que fundaram a cultura de liberdade ocidental.

    Thomas Sowell diz que há poucos mais dogmáticos do que aqueles que falam em diversidade o tempo todo. Com ironia, manda perguntar, da próxima vez que escutar um “progressista” enaltecendo a importância da diversidade, quantos conservadores existem no departamento de sociologia de sua faculdade.

    Na verdade, os movimentos sociais de “minorias” costumam demonstrar bastante intolerância com certos grupos, como o de liberais e conservadores, principalmente os religiosos. A tolerância dos “tolerantes” é bem seletiva e limitada, na prática. Podem demonizar as elites, o homem branco ocidental, os ricos, os católicos, os “neoliberais”, e ainda conseguem posar de defensores da diversidade e da tolerância depois. Incoerente, não?
    Algumas feministas destilam verdadeiro ódio aos homens e às mulheres que se recusam a aderir ao discurso de vitimização do “sexo oprimido”. Veganos não toleram aqueles que pensam que animais podem e devem servir de alimento ao homem. Racialistas chamam de traidores, com baba de ódio escorrendo pelo canto da boca, aqueles negros que se recusam a aplaudir a segregação da humanidade com base na “raça”. Membros do movimento gay demandam mais tolerância, ao mesmo tempo em que repudiam com veemência aqueles que simplesmente não gostam ou não querem perto de si homossexuais. Onde está a verdadeira intolerância? Todos são obrigados a achar “lindo” o amor entre dois homens? Se fosse para usar o conceito tradicional de tolerância, esses que não gostam ou sentem aversão (e não fobia) a gays teriam, sem dúvida, que aceitá-los e manter o devido respeito como seres humanos que são. Mas é só. Tolerar não deve ser sinônimo de gostar, aprovar, aplaudir ou mesmo conviver. Discriminar é separar, selecionar, e todos devem ser livres para escolher com quem querem compartilhar seus momentos.

    Quem se coloca contra todo tipo de discriminação ou preconceito é, no fundo, hipócrita. Bastaria uma reflexão rápida e honesta para constatar que ele também discrimina e tem sua cota de preconceitos. Talvez, contra liberais que escrevem neste jornal. Talvez, contra um pastor evangélico. Talvez, contra um capitalista burguês que gosta de Miami.

    Enquanto as escolhas forem voluntárias e a segregação for pacífica, a tolerância está sendo praticada. Eu, que abomino o socialismo, pois sacrificou a vida de milhões de inocentes (inclusive os gays) no altar da utopia, tolero socialistas. Mas pretendo continuar combatendo esta ideologia nefasta no campo das ideias, e selecionando minhas próprias amizades, que englobam gays, por exemplo, mas não petistas.

    Intolerância? Não. Apenas minha liberdade de escolha. Esta que tantos “tolerantes” detestam, pois gostariam de impor sua visão de mundo estreita e uniforme.

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    Publicado por jjss555 | 1 de novembro de 2017, 11:43
  4. “Mas pretendo continuar combatendo esta ideologia nefasta no campo das ideias, e selecionando minhas próprias amizades, que englobam gays, por exemplo, mas não petistas”.

    É interessante que o iluminado pensa que amizade seleciona-se. Amizade simplesmente ocorre. Ao invés de “petistas” na frase dele, você pode ler negro, pobre, judeu, remista, tunante, etc.

    Em resumo: o cara é mesmo incapaz de ter amizade com alguém que seja diferente dele. No fundo, ele é um intolerante da mesma cepa que os intolerantes que ele critica.

    E assim caminha a humanidade.

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    Publicado por Jose Silva | 1 de novembro de 2017, 14:49
    • Olha só o José Silva, o “isentão” que às vezes dá a entender que quer menos estado, que o nosso mal maior é esse, mas vota na REDE e quer Úrsula Vidal para governadora, e que agora também parece estar precisando de umas aulas de etimologia, para saber a diferença petistas, negro, pobre, judeu (que o RC defende), remista, tunante, e os contextos.
      Tomara leia mais textos do RC (mas recomendo Ortega y Gasset sobre o tema que encantas as massas), e compreenda que palavras agridem bem menos que as ações da esquerda orientadas pelos gurus líderes da seita.
      RC apenas dá uma resposta adequada ao que esquerda vem fazendo com a cabeça (só dos infelizes idiotas úteis) dos cidadãos brasileiros e outros latino-americanos, primando pelo compromisso com a verdade, com a lógica elementar, enquanto já ficou mais do que cristalino que é a esquerda que promove a divisão da sociedade, com hostilidades, vulgaridade, grosseria, e provocação como traços da rebelião justificada contra a opressão, discriminação e exploração imaginárias (“etc e tal”?). Mas não. Melhor o discurso “tolerante” da candidata da REDE, que vai salvar a humanidade paraense sem dela quase nada saber. E assim caminha o José Silva…

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      Publicado por Anônimo | 1 de novembro de 2017, 16:45
      • Na verdade sugiro ir direto na fonte: D. A. Carson.

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        Publicado por jjss555 | 1 de novembro de 2017, 17:34
      • Você não entendeu meu ponto. Eu quis mostrar que or argumentos do RC e da esquerda que você se refere convergem em sua essência. Ambos nutrem o mesmo discurso da intolerância. Simples assim! Nem precisa fazer um esforço para demonstrar isso.

        Sobre a Rede e a Úrsula, você que está dizendo. Sabes mais de mim do que eu mesmo. Eu voto em plataformas de trabalho. Estou esperando os candidatos e suas propostas.

        Eu não quero menos estado. Eu quero um estado funcional. Para o Pará, eu quero um capitalismo responsável, aquele que gere riqueza, mas protegendo a natureza e corrigindo desigualdades. O que temos no Pará hoje é um pseudo-estado gerindo um proto-capitalismo.

        Esta visão de desenvolvimento me coloca distante de RC e outros menos sofisticados, que acham que o mercado por só será a solução de todos os nossos problemas.

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        Publicado por Jose Silva | 1 de novembro de 2017, 20:08
  5. Olá, gostaria de parabenizar o Lúcio pela atenção a critica de todo esse excesso de moralismo, discursos de ódio e toda essa propaganda negativa. Essa defesa excessiva, beirando ao ridículo, a família tradicional e aos bons costumes, como muito diz certa pessoa, mas que bem desenvolvendo tem uma boa profundida o debate.
    O caso de Kevin Space entra em um grande debate, mas apenas expõe todo esse moralismo americano. Principalmente quando se ver o excesso de denuncias de crimes sexuais aparecendo. Muitos podem destruir imagens, sendo verdadeiros ou não. Mas hipocritamente alguns políticos acusados parecem se atacar acusando e mostrado uma defesa cega inabalável, ao cara durão com fama de durão, mas o que era bom mocinho fica em situação mais complicada, quando é chamado de homossexual a questão fica ainda pior.
    É criticável, além de fundamentalmente um crime, a pedofilia e tudo associável a ela, como mesmo manter material do tipo. O fato de terem uma grande diferença de idade e cedo se relacionarem hoje constituiria crime, além do tal julgamento moral em cima disso. Não gostaríamos de ver se repetir isso com qualquer pessoa, mas tal fato ocorreu e já foi passado a limpo. Tal diferença não se mostrou tão significativa que estão juntos hoje, não mudaram de opinião ou se arrependeram, além do amadurecimento não ter alterado a ideia do ocorrido.
    Não falo nem do aborto por que é polemico e a discurso é longo. Mas me atenho a esse moralismo.
    Esse moralismo com discursos que muitos falam e muito pouco dizem, essa defesa exagerada ao liberalismo se auto declarando “tolerantes”. Sem ofensas, apenas para quem a carapuça servir. Mas os idiotas parecem ter perdido a humildade e tem defendido o direito “vital” e falar besteiras, preconceitos e demais coisas. Confundir manifestação de preconceito com direito de livre manifestação. Grupos não só como o MBL mais que também entra Rodrigo Constantino com sua idolatria judaica-israelense e ao seu direito fundamental de criticar mundo islâmico.
    Não precisa dizer quanto essa pessoas e grupos tentam depreciar e ridicularizar a esquerda e todos os partidos com essas bandeiras como fosse tudo um balaio só do mais do mesmo. O mesmo é quando se fala em politicas públicas efetivas ou sociedade e atendimento a população, como se tudo isso fosse coisa de comunista, ou pior, um crime. O mesmo vale quem fala só da direita e bolsonaros.
    Isso tudo não é muito diferente de Jayda Frasen, a mesma que compartilhou videos de supostos videos de intolerância dos muçulmanos. ela entrava dentro de mesquitas para conversar com muçulmanos depreciando e falando mal da religião tentando fazer convencer-los de que não deveriam voltar lá. Parece ótimo para alguns, mas não quando se pensa em alguém entrando na sua igreja ou ambiente religioso e fazendo o mesmo a tentar -lhe convencer.
    Todos sabemos que há radicais em todos os lados, que sempre deve-se combater, mas que principalmente eles vão repreender os críticos mais isentos por não se posicionarem em um dos extremos por não poder classificar-lo como amigo ou inimigo mortal a ser combatido.
    A tal tolerância que se prega parece estar passando do limite do razoável. Mas irá quem intenda errado ou pior deturpe o que digo, isso não é uma defesa a ultra censura em um extremo paroxista, mas apenas um critica reflexiva. Rodrigo Constantino não é e nunca foi o baluarte da tolerante como ele parece ser nesse artigo mostrado. Acreditar nisso também é descer nas trevas da intolerância como diz o titulo do texto. Não sei o resto, não conheço, mas aceito a indicação de leitura do D. A. Carson.

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    Publicado por Fabricio | 14 de dezembro de 2017, 14:56

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