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Política

Que se cale

Na época em que ainda era “apenas” professor universitário e sociólogo, Fernando Henrique Cardoso impressionava por sua cultura fluência e charme. E pela vaidade, tão grande quanto a soma das suas qualidades.

Essa vaidade deve ter influído bastante na sua manifestação favorável a uma eventual candidatura de Luciano Huck a presidente da república. O apresentador de televisão seria, de fato, um elemento novo no quadro viciado de velhos políticos com seus antigos vícios. Mas o novo pelo novo é tão inconsistente quanto o antigo pelo antigo. Mera forma sem essência. Conversa para telespectador dormir.

Nada indica que Huck poderia vir a ser uma terceira via, um arejador da política, como especulou o ex-presidente três dias atrás. Não por ser “apenas” apresentador de TV. É porque seus eventuais vínculos com uma função política de representação popular ou com a causa pública se dão pelo velho assistencialismo, por uma visão muito limitada do social, por um esquema de superdimensionamento de ações isoladas e parciais, características da sua ação além dos limites do palco e da encenação, que constituem sua especialidade restrita.

Fora do poder, que hipertrofia a sua vaidade e atrofia a sua inteligência, FHC é um analista sagaz e positivo dos fatos, contribuindo para o entendimento das conjunturas. Aprende-se bastante ao lê-lo. Se comete erros tão primários na avaliação do que um nome como o de Luciano Huck pode representar para a política brasileira, é porque, movido pela vaidade, está de olho em um retorno ao centro do poder. Renuncia ao que o seu currículo, o seu patrimônio intelectual e a sua idade lhe conferiram, dando-lhe a condição de observador da realidade a partir de uma posição de sabedoria, para se tornar uma figura anacrônica, um bobo da corte.

Depois de ter acrescentado aos miasmas nacionais o diabólico instituto da reeleição, mantido até então à margem da república por uma sabedoria instintiva de defesa, FHC está novamente desservindo a pátria. Parafraseando o rei da Espanha, melhor que se cale.

Discussão

26 comentários sobre “Que se cale

  1. Isso que da passar muito tempo no ambiente uspiano. Acaba ficando longe da realidade.

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    Publicado por Jose Silva | 10 de fevereiro de 2018, 17:14
  2. Mais um passo em direção à cultura da corrupção, chancelada pela sociologia da reeleição:

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    Publicado por Luiz Mário | 11 de fevereiro de 2018, 08:44
  3. 15 anos depois e vocês ainda sentem remorso porque o primeiro metido-a-besta (vulgo intelectual) a assumir a presidência fez um governo medíocre. Superem, amigas.

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    Publicado por Giovana | 11 de fevereiro de 2018, 16:14
    • O FHC é um intelectual vaidoso, mas seu conceito vulgar de intelectual está errado. É uma pena que ele tenha feito besteiras demais. No entanto, mesmo com essa coisa maligna da reeleição (que já devia ter sido abolida) e privatizações nefastas, nos legou uma moeda e um sistema econômico melhor do que o anterior. Mesmo com um alto passivo, o saldo foi lucrativo.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 11 de fevereiro de 2018, 20:04
      • Desde a redemocratização somente o Itamar e o FHC, apesar dos uspimos deste último, deixaram algum legado positivo para a sociedade. Controlar a inflação e nos tirar daquele processo sem fim foi uma grande vitória.

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        Publicado por Jose Silva | 11 de fevereiro de 2018, 20:49
  4. Como pode uma moeda podre, de um país de terceiro mundo, ressurgir (?) mais forte que o dólar?

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    Publicado por Luiz Mário | 12 de fevereiro de 2018, 11:29
    • Luiz,

      Arruma uma fonte melhor. Como acadêmico este Aldo é um desastre. Tem somente três artigos na vida e em revistas pouco conhecidas. Em resumo: não faz pesquisa séria. Como militante, ele é isso mesmo, apenas um militante que não consegue sair da jaula ideológica que ele mesmo se enclausurou.

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      Publicado por Jose Silva | 12 de fevereiro de 2018, 21:14
  5. Viva as redes sociais, que têm desnudado o Financiamento Habitual da Corrupção e sua sociologia da reeleição.

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    Publicado por Luiz Mário | 13 de fevereiro de 2018, 10:32
  6. A que custo, caro Lúcio? A manutenção do status quo?

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    Publicado por Luiz Mário | 13 de fevereiro de 2018, 10:33
    • Se você olhar os números reais, você descobrirá que o fim da inflação teve muito mais impacto social positivo do que muitas das politicas ditas “sociais” do lulo-petismo. Na verdade, o lulo-petismo abraçou a politica macro-econômica do Itamar-FHC como base para os seus governos. Quando eles resolveram mudar, deu no que deu.

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      Publicado por Jose Silva | 13 de fevereiro de 2018, 11:03
  7. fhc é um jumento com títulos acadêmicos

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    Publicado por Alexandre moraes | 14 de fevereiro de 2018, 08:47
  8. Antes de qualquer coisa, é preciso então desmentir o Ciro Gomes.
    Ele diz que FHC e R$ tem tanto a ver quanto alho com bugalhos.
    Segundo Ciro, essa relação foi feita por markting politico para colar FHC a alguma coisa.
    Considera Ciro que tal associação não passa de uma piada.

    Não seria bom averiguar tal afirmativa?

    Por meu lado, tirando o feito do plano Real, questinado por Ciro, não consigo ver nada de positivo em FHC.
    Me parece que leu muito sobre um pais chamado Brasil, mas parece que não associou teoria à realidade.

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    Publicado por Alonso Lins | 14 de fevereiro de 2018, 09:10
    • Bem, o ministro das finances do Itamar era o FHC. Portanto, se ele soube formar uma equipe que conseguiu parar a inflação louca que tínhamos na época e colocar a economia do país um pouco em ordem, então grande mérito dele. Apesar de todos os uspimos do FHC, este mérito não pode ser tirado dele.

      Quando ele assumiu a presidência ela pediu para esquecerem o que ele escreveu. Pelo menos admitiu isso. Conheço acadêmico que morreu abraçado com ideias toscas mesmo apesar delas terem sido rejeitadas milhares de vezes pelas evidências.

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      Publicado por Jose Silva | 14 de fevereiro de 2018, 11:49
    • É inquestionável que todo arcabouço do Real é realização da equipe liderada pelo FHC. Todos os livros sérios escritos sobre o tema afirmam isso. O Ciro também é um caso patológico.
      O FHC deixou a lei de responsabilidade fiscal, as agências reguladoras e algumas coisas mais.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 14 de fevereiro de 2018, 11:52
  9. O Ciro no video “A VERDADEIRA HISTORIA DO PLANI REAL”, afirma que FHC não tem nada a ver com o Plano Real, que a equipe preparou tudo para o Tasso ser o candidato, que FHC se impos e que Tasso abriu mão da vaga.
    Que o resultado seria o mesmo porque Tasso conversava até melhor com a equipe.

    Só uma patologia mesmo, pode justificar tantos detalhes como narra os fatos, repetitivamente……

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    Publicado por Alonso Lins | 14 de fevereiro de 2018, 15:45
    • Ciro mente, como sempre. Tasso tinha sido um bom governador, mas não tinha nenhuma equipe técnica de confiança para tocar um plano complexo como o real. A equipe era majoritariamente do centro-sul, ou seja reduto do FHC, e a coordenação era do Clóvis Carvalho, que sempre foi homem de confiança do FHC. Por sim, o plano era uma jogada de risco. Podia ou não dar certo. Para a nossa sorte deu. De outra forma, estaríamos até hoje carregando bilhões de cruzeiros para pagar um pãozinho.

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      Publicado por Jose Silva | 14 de fevereiro de 2018, 23:53
    • Infelizmente, é patologia mesmo, Alonso. Há uma extensa bibliografia para contrapor a essa fonte solitária do Ciro Gomes em vídeo. Os “pais” do Real já escreveram e atestaram o que disse. Jornalistas também. Participantes diretos do processo. Estudiosos estrangeiros. Felizmente o Itamar não entendia nada de economia, mas era um mineiro esperto e um político tarimbado. Não estou tentando jogar confetes sobre o FHC. Minha visão é crítica. Escrevi numerosos artigos contra ele, inclusive sobre o filho fora do casamento com dona Ruth (conheci ambos em SP), tema evitado pela grande imprensa. Mas são os fatos, Alonso. Dos quais já tratei em muitos artigos no JP.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 15 de fevereiro de 2018, 08:12
  10. So quem não mente é quem está com FHC….

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    Publicado por Alonso Lins | 15 de fevereiro de 2018, 00:52
  11. E segue a Casa-Grande, com o real status quo chancelado pelo Financiador Habitual da Corrupção

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    Publicado por Luiz Mário | 15 de fevereiro de 2018, 10:49
  12. Sugestão:

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    Publicado por Luiz Mário | 15 de fevereiro de 2018, 18:35
  13. Meu Deus! Meu Deus!
    Se eu chorar não leve a mal
    Pela luz do candeeiro
    Liberte o cativeiro social

    Substitua “social” por “politico” or “ideológico” e o resultado sempre será o mesmo…

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    Publicado por Jose Silva | 15 de fevereiro de 2018, 19:08

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