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Imprensa, Justiça, Política

Conspiração contra Gueiros

O Liberal faz há dois anos uma campanha para conseguir a prisão do neto do ex-governador Hélio Gueiros, acusado na justiça de ter matado a esposa, em março de 2015. Não dá cobertura ao assunto em defesa da verdade, mas movido por interesse pessoal.

Também é pago pelo governador Simão Jatene, para atingir a memória de Gueiros e, talvez, por extensão, chegar ao MDB de Jader Barbalho, que ameaça derrotar o PSDB na eleição deste ano para o governo do Estado. Imprensa e governo empenhados ainda em um ajuste de contas com os Gueiros pelo passado de conflitos e tensões entre eles.

A hipótese é suscitada por Mônica Gueiros, mãe do advogado Hélio Gueiros Neto e esposa de Hélio Gueiros Júnior. “Helinho” foi indicado pelo pai ao médico Almir Gabriel para ser seu companheiro de chapa e se eleger vice-governador do Estado, em 1994. Mais tarde, quando Almir foi para São Paulo tratar da saúde, “Helinho” assumiu a titularidade do cargo. Uma das suas marcas foi investir contra Almir. Foi considerado traidor e inimigo.

Segundo Mônica, foi a partir daí que o grupo Liberal se tornou praticamente uma extensão do PSDB, favorecido por verbas oficiais e retribuindo com apoio total aos governos tucanos.

O episódio da morte de Renata Cardim teria sido o pretexto para o grupo de comunicação da família Maiorana fazer o seu ajuste de contas com os Gueiros. Os veículos da empresa passaram a destacar a tese de que Hélio Neto teria matado sua esposa por asfixia, na cama do casal, e depois simulado sua morte natural.

A hipótese se baseia num laudo cadavérico realizado por um perito particular do Rio de Janeiro, três meses depois da morte de Renata, que casara sete meses antes de morrer com Gueiros Neto, depois de seis anos de relacionamento.

Esse laudo contrariou a conclusão de dois laudos produzidos pelo IML do Pará, de que a morte foi por causa natural, provocada por um aneurisma no abdômen. O delegado que investigou o caso, com base na perícia encomendada pela família da vítima, indiciou o seu marido, o Ministério Público do Estado o denunciou por feminicídio e a justiça estadual acolheu a denúncia.

Através de um habeas corpus, a defesa de Hélio Neto tentou caracterizar a perícia particular como prova ilícita, que deveria ser desentranhada do processo, nele permanecendo apenas os pareceres oficiais. O recurso foi rejeitado por unanimidade pelo tribunal do Pará e novamente, na semana passada, também por unanimidade, pela 5ª turma do Superior Tribunal de Justiça

As acusações de Mônica Gueiros são graves, mas ainda não apresentam provas e nem sempre são embasadas em fatos. Elas apontam indícios fortes em defesa do que afirma e aponta fatos, como a manchete de O Liberal, anunciando que seu filho permaneceria preso, quando responde ao processo em liberdade. O jornal retificou a informação, admitindo seu erro, sem se livrar da suspeição. Mesmo assim, precisam ser consideradas e apuradas. Por isso, reproduzo a postagem que ela fez no facebook ontem, para provocar uma manifestação de todos de direito, em especial as autoridades públicas e políticas.

Essa morte – ou esse crime – precisa ser completamente esclarecido antes que o processo chegue ao fim.

O texto de Mônica Gueiros:

Em respeito à memória da minha nora, Renata Gueiros, eu tenho nos últimos dois anos e meio suportado as maiores injustiças feitas contra o meu filho Hélio Gueiros Neto. Chegou a um ponto, entretanto, que é impossível calar-se diante de tanta infâmia. Eu posso até entender um menino, como meu filho, que jamais lidou com a canalhice humana, deixar-se levar pela lábia de pessoas inescrupulosas e espertas, mas não posso aceitar que um representante do Ministério Público, como o doutor Edson Cardoso, ou alguns Juízes da Capital, pessoas calejadas e acostumadas à baixeza dos seres humanos, deixarem-se pautar pelos pedidos da senhora Socorro Cardim, acusada pela Polícia e pelo sr. Paulo de Lima, tio da Renata, de ser a mandante do assassinato do sr. José Maria de Lima, pai da Renata, de quem herdou os negócios. Essas autoridades, além do mais, são protegidas por decisões de seus superiores, que deveriam manter seus subordinados dentro dos limites legais.

Se quiserem me processar, que me processem; se quiserem me prender, que me prendam; se quiserem me matar, que me matem. Não tenho medo. Podem fazer comigo o que quiserem, mas está na hora de deixar meu filho em paz, por não ter feito absolutamente nada a não ser casar com a filha da pessoa errada.

A senhora Socorro Cardim, no dia do falecimento de sua filha, não verteu uma lágrima, pensei que estivesse em choque, mas, estranhamente, no dia seguinte, enquanto meu filho, minha mulher e minha sogra, velavam e pranteavam a Renata junto ao caixão, foi dormir tranquilamente em um aposento nos fundos do salão. Na missa de Sétimo Dia, estava de escova e bem arrumada, nem parecia que a filha havia morrido. Faltou apenas sorrir enquanto recebia pêsames.

Essa senhora, durante dias, ficou oferecendo a meu filho que ficasse morando no apartamento do casal, que foi presente seu. Em seguida, ofertou a meu filho o dinheiro do seguro do cartão de crédito da falecida, tudo rejeitado pelo Hélio. Mais tarde seriam esses bens, segundo o delegado e o promotor, os motivos do assassinato da Renata. Simplesmente ridículo.

Contratou, em seguida, o advogado Américo Leal e o médico legista do caso Habib’s para conseguir, junto ao delegado Rolo, que indiciasse meu filho por assassinato, desprezando o laudo feito no dia da morte e o da exumação, ocorrida sem a intimação do Hélio, mas com a presença do legista do caso Habib’s.

Apesar de tanto esforço, nenhum promotor aceitou fazer a denúncia, até assumir como Procurador de Justiça, o doutor Gilberto Martins, à época, recentemente nomeado pelo governador Simão Jatene. Foi pura coincidência mudar o comando do Ministério Público e aparecer o promotor Edson Cardoso para fazer a denúncia.

Eu, sinceramente, tenho pena da senhora Socorro Cardim, não queria ter chegado nesse ponto, afinal ela é a mãe da Renata. Se tenho pena da mãe, não posso aceitar a canalhice e a vilania de O Liberal que, de maneira acintosa e premeditada, trabalha há dois anos colocar meu filho na cadeia, que sabe ser inocente, para satisfazer quem lhe paga. As surucucus repórteres voltaram a atacar, como sempre de maneira inescrupulosa. Mentem descaradamente para a população, tentando levá-la a acreditar que o Hélio matou a própria mulher.

Mas, na ânsia de condenar, o jornal O Liberal cometeu um erro indesculpável. De conluio com que tem poder para pagar suas manchetes, que não é, evidentemente, a senhora Socorro, precipitou-se e não esperou se confirmar os fatos que estavam previstos pelos bandidos que querem ver o meu filho atrás das grades.

O carnaval atrapalhou. A televisão, que é ao vivo, pode consertar, mas jornal impresso foi feito antes dos atos se confirmarem. Os personagens envolvidos – promotor e juíza – não tomaram as decisões passadas para O Liberal, por quem acreditava os ter sob o seu poder.

O grupo de comunicação foi pago para criar uma confusão, como eu já havia previsto, de que o Habeas Corpus, denegado 7 meses depois pelo STJ, referia-se à liberdade do meu filho, e não sobre a questão processual de retirar o parecer do legista do Habib’s do inquérito. Simplesmente má fé. Por isso a publicação da manchete que o meu filho foi preso, houve recurso e denegado o pedido de soltura.

O Liberal garantiu a todos os seus leitores que o Hélio Gueiros Neto passaria o carnaval preso. Pura armação. Que tipo de jornalismo é esse que faz da mentira, da empulhação, do engodo, um modo de ganhar a vida? E pior, não possuem qualquer resquício de moralidade que os impeça de querer destruir a vida de um bem sucedido jovem advogado.

O Liberal, desde sua fundação, foi um jornal político. Foi criado por Magalhães Barata, que confiou ao avô do Neto, o ex-governador Hélio Mota Gueiros, sua direção. Quando o Rômulo Maiorana, casada com a Dona Déa, parente do Barata, adquiriu o jornal, contratou novamente o Hélio Gueiros e também o Newton Miranda. Esses dois senhores dariam ao Jornal, através da coluna Repórter 70, o status e prestígio que até hoje possui, mas parece que isso não deixou nenhum laivo de gratidão aos filhos do Maiorana.
O grupo O Liberal, a partir do governo Almir Gabriel, passou a se constituir num porta-voz do PSDB, praticamente um braço político. Suas relações com o estado vão de propaganda a aluguel de aviões. Fazem parte da estrutura de poder montada pelo PSDB.

Os ganhos financeiros, durante os governos de Almir Gabriel e Jatene, foram nababescos. Eles podem ser medidos pelo suntuoso prédio construído na Avenida Romulo Maiorana, antiga 25 de Setembro. Não existe nada igual em Belém. Mas acusam a outros de se locupletarem do estado. Uma vergonha.

Diante da derrota iminente nas eleições que se realizarão, querem se descolar da imagem de apoio ao Jatene, e inventaram uma briga entre familiares para dizer que estão sob nova gestão e não mais apoiam o atual governo. Pura balela.

O Liberal não faz jornalismo. Não possui ética, nem decência. É simplesmente um instrumento torpe de se ganhar fortunas, e, como dizia meu pai, sempre por debaixo dos panos.

Discussão

16 comentários sobre “Conspiração contra Gueiros

  1. O que o Liberal ganharia atacando a família Gueiros, cujo poder político atual é nenhum?

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    Publicado por Jose Silva | 12 de fevereiro de 2018, 21:02
  2. Gente, que coisa bizarra! Não interessa essa intriguinha de comadre, existe um crime, uma pessoa foi assinada…

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    Publicado por Maria Azevedo | 13 de fevereiro de 2018, 01:24
  3. O Liberal ainda tem seu peso mas e os Gueiros?

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    Publicado por Gleydson | 13 de fevereiro de 2018, 09:55
  4. Independente da briga , tem um assassinato aí ? Ou o rapaz não matou a esposa? Tudo leva a crer que sim .

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    Publicado por Michelle | 13 de fevereiro de 2018, 10:07
  5. Na luta pelo poder um nicho eleitoral, a mais ou a menos, pode fazer a diferença.

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    Publicado por Luiz Mário | 13 de fevereiro de 2018, 10:28
  6. A trágica morte da esposa do Gueiros Neto foi discutida aqui. Se não me falha memória, havia a necessidade de mais investigações técnicas para apoiar or rejeitar a hipótese de assasinato. Desde então não se ouviu mais nada. Lucio, há alguma novidade que ilumine o que realmente aconteceu? Ou a parte técnica foi encoberta pela briga aberta entre as famílias?

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    Publicado por Jose Silva | 13 de fevereiro de 2018, 10:58
  7. Quando Hélio Gueiros estava em O Liberal atazanando a vida e a reputação dos outros, com seus métodos tão conhecidos quanto abomináveis, os Gueiros se davam bem com o Liberal não? Agora que estão com a corda no pescoço, lembraram que os Maioranas não prestam…

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    Publicado por Kleber | 13 de fevereiro de 2018, 16:58
  8. Briguinhas bestas essa sempre vai existir enquanto esse estado for dominado por esses dois canais de tv e jornais que nem preciso citar nomes……Agora com a morte dessa moça que seja revelada mesma a real causa da morte da mesma, para que enfim a alma dela fica em paz. E que essa acusação da sogra conta a mãe da falecida que seja realmente esclarecida

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    Publicado por HENRY SOUZA RODRIGUES | 14 de fevereiro de 2018, 00:00
  9. A Terezinha Gueiros não é ou foi secretária de educação na gestão Zenaldo/ PSDB?

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    Publicado por Angelo Souza | 14 de fevereiro de 2018, 17:47
  10. Mãe é Mãe , Vaca é vaca , isso deve ser coisa orientada de advogados para ajudar na defesa para tentar reduzir a pena , todo dia tem 5 mulheres que caem da escada ou escorregam no banheiro…………

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    Publicado por Pablo Xavier | 15 de fevereiro de 2018, 17:14
  11. Prezado Lúcio, no JP da 1ª quinzena de fevereiro, li a matéria completa sobre a morte da esposa do Hélio Gueiros Neto. Nela, os relatos mais abrangentes do que as informações deste post aqui.

    Quem lê aqui, pensa, de antemão, que é a mãe do rapaz, Mônica Gueiros que fez o texto que foi publicado no perfil pessoal do Facebook dela, mas quem a faz é o esposo, Hélio Gueiros Júnior. Ele apenas usou o perfil da esposa, pois creio que não queira se enveredar por esta rede social e criar mais polêmica em torno do caso.

    Gostei muito de lê a matéria no JP impresso, pois não sabia de detalhes da política paraense (de outrora) e que pode respingar nestas eleições de 2018.

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    Publicado por Paulo Santos | 9 de março de 2018, 18:29

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