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Cidades

O prefeito na parede

Se o prefeito Zenaldo Coutinho foi para a entrevista na 1ª edição do Jornal Liberal de hoje esperando a bola ser levantada para ele cortar, como geralmente acontece nessas ocasiões, deve ter se surpreendido. A entrevistadora Priscila Castro foi dura nas perguntas e a repórter de rua, Tainá, foi direta nas perguntas.

Ambas, falando em nome da população ou dando voz a algumas pessoas, cobraram a cota de responsabilidade da prefeitura no alagamento de Belém, que ameaça se repetir hoje e pelos próximos dias, até maio, na estação de chuvas prolongada e intensa.

É impossível evitar que a cidade fique debaixo d’água quando chuva forte coincidir com maré alta. O histórico desse fenômeno é imemorial. Agrava-se quando chove mais e por maior período. Atenua-se em fases de inverno menos molhado.

Mas também fica menos grave quando o administrador de Belém, consciente de se tratar de um fenômeno sazonal de todos os anos, se prepara para enfrentá-lo. Vira tragédia se o prefeito fica desatento e não se antecipa ao inevitável. É o caso da administração Zenaldo Coutinho, já no seu sexto ano, como a entrevistadora não se cansava de ressaltar.

O desespero da população atingida pelas águas é de não ver ao seu lado ou ao seu alcance um braço da prefeitura, uma extensão dos seus segmentos em tese competentes. Não interessa, no auge do sofrimento, perquirir sobre as causas de inundação maior. Esta é numa questão para tratar a seco.

De imediato, o que se deseja é uma equipe desobstruindo bocas de lobo ou agindo debaixo da chuva para impedir o bloqueio do cruzamento de ruas, que aumenta o congestionamento do trânsito. Dois agentes da Semob dispostos a se molhar organizariam o fluxo e tirariam as pessoas da condição de reféns.

Um serviço de botes infláveis transportaria pessoas ilhadas. Bombeiros e agentes da defesa civil teriam que ir aos pontos críticos tentar de alguma maneira ajudar os cidadãos, ao menos para se dar-lhe solidariedade e amparo.

O habitante da cidade teria que ver a presença da administração pública nesse momento de dificuldades extremas e não supor que mentalmente o prefeito e sua equipe estão pensando nos contribuintes.

O ponto mais alto de Belém não chega a 20 metros. A maior parte da cidade está ao nível ou abaixo do nível do mar. O prefeito disse que ontem caíram 80 milímetros – e não 14 – de água, quando havia maré de quase três metros. Talvez haja registros ainda maiores, iguais ou próximos desses valores.

Mais ou menos água, maior ou menor maré, o alagamento das partes baixas da cidade é inevitável. Mas, conforme estejam limpos e operando os diques e comportas, o efeito desse fator natural poderá ser atenuado. Poderá ser menor também se os canais estiverem desobstruídos, velhas drenagens que foram aterradas forem reabertas, o planejamento seja de longo prazo e contínuo e outras medidas – sempre prometidas, sempre transferidas.

Fica ao menos o consolo, da entrevista do prefeito, que para a TV Liberal acabou o namoro com o alcaide tucano. Ou foi temporariamente suspenso. Aproveitemos, enquanto ele não volta.

 

Discussão

14 comentários sobre “O prefeito na parede

  1. Então já podemos assistir aos noticiários da TV Liberal ?

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    Publicado por Pedro Pinto | 27 de fevereiro de 2018, 14:04
    • Vamos ver até quando.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 27 de fevereiro de 2018, 14:37
    • Não, Pedro Pinto. De jeito nenhum. Vai continuar a mesma porcaria de sempre. Não existe vida inteligente na emissora, mesmo diante de uma das piores administrações municipais. Essa foi só uma pequena conveniência (acertada) ante a queda vertiginosa de credibilidade perante o telespectador, enquanto a RBA ganha espaço mostrando o “ministro” penhorando a consciência do povo mais humilde do interior com dívidas de gratidão, por ações populistas com o nosso dinheiro.

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      Publicado por Anônimo | 27 de fevereiro de 2018, 14:42
  2. O Zenaldo além de raivoso e deselegante com as jornalistas é de uma cara de pau e de um cinismo exemplar do tipo psdebista parauara. Todo mundo que é um observador sistemático do cotidiano urbano ou desenvolve pesquisas acadêmicas nessas áreas criticas, sabe que existe uma indústria da coleta do lixo de entulho ,ou seja é lucrativo para a concessionária o descarte continuo e a coleta continua …sem que haja por parte do gestor público acoes eficazes de erradicar e interromper esse fluxo.Pena que as reportagens e as entrevistas de O Liberal e Diario não tenha esse alcance…Mas o MP,se quiser, pode muito bem chegar lá. .é só seguir a rota do dinheiro , dos contratos, das incoerências. …Aliás é muito estranho que mesmo com a prisão de Duciomar ainda não tenha tomado iniciativas neste sentido .

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    Publicado por marly silva | 27 de fevereiro de 2018, 15:15
  3. É PSDB ISSO !!!

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    Publicado por Junior | 27 de fevereiro de 2018, 16:32
  4. Seria a confirmação do que é a real social-democracia?!

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    Publicado por Luiz Máriio. | 27 de fevereiro de 2018, 18:34
  5. Mais uma evidência da falta de preparação do Zenada para ser prefeito. Claramente ele não gosta de gerenciar a cidade. Prefere mesmo é ficar nas enganações típicas dos parlamentos. Será que depois de todo esta gestão desastrosa a população ainda enviará o dito cujo para o congresso, tal como fez com o Ed? Veremos se depois tanto apanhar a população tomou um pouco de juízo.

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    Publicado por Jose Silva | 27 de fevereiro de 2018, 21:34
    • Deixa o Edmilson em paz, rapaz.Já faz quase 13 anos desde que ele foi prefeito. Nenhum prefeito se compara em ruindade aos dois últimos que tivemos. Nem o Edmilson, nem Hélio Gueiros e nem Augusto Rezende.

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      Publicado por Anonimo | 27 de fevereiro de 2018, 23:29
  6. Também acho que a série de prefeitos e governantes ruins remontam ao início do século passado, quando os seguidores de Lauro Sodré escorraçaram o saudoso Antônio Lemos de Belém, humilhado pelos correligionários de seu inimigo político. Como penitência pela injusta omissão belemense, padecemos sob a gestão medíocre e/ou corrupta da maioria dos prefeitos conhecidos.
    Quando se fez a Universidade Federal do Pará, era a hora do Prefeito dos anos de 1964 em diante, fazerem a macrodrenagem da Estrada Nova, a Bernardo Sayão, até a Perimetral, pondo ordem e beleza na orla fluvial.
    Alacid tinha a faca e o queijo não mãos, a força nos braços e dinheiro ao alcance de um pedido aos generais amigos
    Faltavam ideias, que eram suprimidas pelo puxa-saquismo e medo de contrariar os déspotas da hora. Faltavam projetos, como até hoje faltam, de desenvolvimento urbano ambiental e socialmente sustentáveis. Moral da história: a cidade foi crescendo em todos os seus bairros mais populosos, feia, favelada e aterrada, entupida, pronta para transbordar a cada inverno.
    Sabiam trair e fazer intrigas. Projetos para Belém, nada. O que fizeram foram obras que descaracterizaram nosso patrimônio histórico, destruindo-se ferrovias e ferroviárias; caixas d’água de ferro, trilhos dos bondes e perdas de diversos casarões dos bairros nobres de Belém, para dar lugar a edifícios de arquitetura duvidosa quanto à beleza.
    Foi a era dos vereadores que aterravam igarapés, para ganhar votos de leitores das baixadas. Tudo sem ordem e sem critério.
    Quem ainda fez alguma coisa como Prefeito e Governador, apesar de sua polêmica autocracia, foi o Almir Gabriel, que executou junto com prefeitos, alguns de má vontade e atrapalhando, um projeto de macrodrenagem, que não primou pela qualidade e nem pela sustentabilidade ambiental e social das baixadas.
    Nem as comunidades foram reacomodadas em moradas dignas, nem as margens dos igarapés foram preservadas e/ou recuperadas, arborizadas e ajardinadas. O que se viu foi uma canalização horrorosa do igarapés, mortos em sua essência de sustentação da vida e fluxo das águas, dando lugar a esgotos a céu aberto, prontos para transbordar pela ação do lixo humano e volume das águas da quadra invernosa.
    Essa história precisa ser contada.

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    Publicado por Jab Viana | 28 de fevereiro de 2018, 22:43
  7. Viva as redes sociais que revelaram o que é a S. R., praticada pela Social…deixa pra lá!

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    Publicado por Luiz Mário | 1 de março de 2018, 18:52
  8. Certamente, LFP.
    O debate é ausente nos meios intelectuais, entre organizações e lideranças sociais e políticas. Faltam foros e eventos. A imprensa, também, não se apresenta para mediar e a classe estudantil parece totalmente a parte dos problemas. O poder público não se sente instado a receber ou apresentar projetos, em execução, ou a executar. Onde está o projeto de mobilidade urbana, envolvendo a integração de BRT, ônibus, ferryboats e alternativos?
    Onde estão os projetos para a limpeza urbana, coleta seletiva e aproveitamento dos resíduos, entulhos e lixo?
    Os projetos de macrodrenagem? de educação integral e creches? de saúde? de segurança pública e social?
    Ninguém sabe, ninguém viu, os problemas existem, cada um tem uma opinião, palpite ou razão, mas não se debate e faz-se tudo ou parte de forma inadequada e sem a efetividade necessária.

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    Publicado por Jab Viana | 1 de março de 2018, 22:57
  9. Bons costumes dos bons-moços da Tradicional Família Brasileira, pois!

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    Publicado por Luiz Mário | 2 de março de 2018, 12:42

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