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Imprensa, Política

O inimigo de Lula

Num dos momentos de descontrole e destempero, durante o discurso que fez no palanque armado em frente à sede do sindicato dos metalúrgicos do ABC paulista, Lula disse que, se eleito novamente presidente da república, vai partir para cima da imprensa. Sua arma será a regulamentação (ou regulação) dos meios de comunicação, que manipulam informações, fazem campanhas dirigidas e mentem para a população. E, no caso que mais lhe interessa, o perseguem. O ataque à TV Globo veio imediatamente, como de estilo.

Depois de uma pausa, ele atacou diretamente a Record, a única, dentre as principais emissoras de televisão, que conseguiu posicionar uma câmera próximo ao palanque por Lula neste sábado, na presunção – ou na certeza – de contar com a boa vontade dos petistas. Escaldada pelos incidentes de outras ocasiões, a Globo se manteve longe (rodando pelo alto com seu helicóptero), embora tenha sido a única a manter seu braço, a Globo News, em trandmissão contínua e prolongada. Também a Bandeirantes foi cautelosa, ainda assim recebendo agressões.

Lula tem direito a uma mágoa profunda da Globo pela edição tendenciosa do debate que ele travou com Collor,em 1989. A emissora deu sua contribuição para a derrota do petista. Depois disso, porém, o próprio Lula esteve no gabinete de Roberto Marinho, passando a trata-lo de tal maneira que foi acusado, por sua própria gente, de ter favorecido a emissora em transações financeiras através do BNDES.

A convivência, de todo modo, nunca foi natural. Globo e Lula nunca se gostaram. Um, se pudesse, faria mal ao outro. Daí Lula ter comparecido à inauguração da Record News, sentando-se ao lado do mais do que suspeito bispo Edir Macedo. Dava, ali, seu estímulo para que a Record desbancar a Globo, como fizera com a Bandeirantes.

Hoje, como lhe foi conveniente, juntou todas elas no mesmo lado, ignorou os fatos e as acusou de atacá-lo como numa conspiração uníssona.

O diagnóstico do ex-presidente sobre certos males da grande imprensa é correto. Mas o remédio que quer para o mal, se aceita a sua análise, é muito pior do que os danos causados pelas empresas jornalísticas, como ficou provado na Argentina de Kirchner, na Venezuela de Chávez e Maduro, em todos os países socialistas, de partido único e imprensa adestrada e domesticada, e em todo projeto autoritário de poder, como, no fundo, é o de Lula. Uma amostra do que será se ele cumprir sua ameaça foram as agressões aos jornalistas que trabalhavam n cobertura do seu discurso, E ele ainda não voltou ao poder.

Discussão

9 comentários sobre “O inimigo de Lula

  1. Acaba de desqualificar tudo o que escreve(u) sobre como a imprensona manda e demanda no Pará.
    Creio que se lfp fosse propor um modelo, sugereria o modelo ianque em que um candidato contrata alguém pra comprar do superfacebook dados de eleitores indecisos e olha que só estamos falando do Face, nem vamos para o 4º poder imperialmente governado por murdoch

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    Publicado por Marlon A T Araujo | 7 de abril de 2018, 18:09
  2. O oligopólio de comunicações dá voz a muito poucos.
    E não estou falando de política.
    Quem gosta de cultura sabe: talentosos (as) escritores, cantores, poetas, atores, instrumentistas, ficam esquecidos porque a meia dúzia de grupos de comunicação não os escolhe.
    Muitas vezes gente sem nenhum talento é promovida à exaustão. Por que foram ungidos, ninguém sabe.
    Mais que os artistas, perdedores saímos nós, o púbico, que perdemos contato com arte de primeira linha, que se faz e que não é ungida.
    Anos atrás, um repórter da Folha perguntou a Gerald Thomas por que ele era tão querido da mídia. Ele respondeu: “Ué! Não sou eu que vou trás de vocês – vocês é que vêm o tempo todo atrás de mim!”
    Eu quero ver e ouvir os artistas talentosos de meu país. Quero que sejam divulgados.
    Para isso, é preciso romper o oligopólio.

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    Publicado por Paulo Barbosa Silva | 7 de abril de 2018, 18:17
  3. E tudo isto no dia em que se discute, no Dia do Jornalista, os perigos para o exercício da profissão jornalística.

    Se hoje no RJ os correspondentes das emissoras de jornais usam EPI’s para entrarem em regiões de guerra, como capacete balístico e colete a prova de balas.

    O que dizer de um cenário hipotético vociferado pelo nove dedos?

    Talvez em retaliação aos seus “perseguidores” ele dispense o monitor de televisão para não dar audiência ao índice do ibope para ninguém.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 7 de abril de 2018, 18:42
  4. Hoje há liberdade de imprensa. No jornal da band, há pouco, foram mostrados alguns vídeos de militantes esquerdistas agredindo repórteres da band, Globo e Reuters. Imagino a atuação da esquerda com a regulação da mídia. E eu que sou conservador é quem odeio. Mas o maior perigo da esquerda (pt, psol, psb, pc do b, pstu e satélites) no poder não é a venezuelização da imprensa, mas da economia.

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    Publicado por jjss555 | 7 de abril de 2018, 21:04
  5. O uso da metáfora do futebol parece um pouco deslocada. Porém, sabendo-se que é uma partida de 180 minutos (como diz a linguagem do futebol, para jogos de decisão), falta o jogo da volta.

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    Publicado por Luiz Mário | 7 de abril de 2018, 21:12
  6. Perdão pele erro de postagem acima. O comentário era para ser em outro texto: “O dono da bola”.

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    Publicado por Luiz Mário | 7 de abril de 2018, 21:22
  7. Falam da grande imprensa como a grande vilã das manipulações políticas e mediocrização das artes, esquecendo a força dos marqueteiros na formação da imagem de candidatos e consolidação de carreiras políticas, com muita propaganda, bem aceita, por essa mesma imprensa tão odiada por quem se vê atingido em seus telhados de vidro.
    Agora ninguém fala da caríssima rede estatal de comunicações, via canais próprios para difundir cultura, ciência, educação e notícia, além das rotinas do legislativo e judiciário, avaliando se is resultados são suficientes ou não para contrabalançar o que possa haver de adverso na rede privada de telecomunicações e jornais.
    Além disto, será que os instrumentos de incentivo e produção cultural, como a Lei Rouanet, são capazes de permitir aos que fazem arte de qualidade, criadores de sistemas de informações, incubação de talentos entre tantas iniciativas onerosas, sem lucro imediato, que não interessam ao lucrativo mercado mediático e entretenimento, um caminho exitoso com bons resultados a serem exibidos, proporcionalmente ao que é investido pela sociedade, de forma interessante ao público?

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    Publicado por Jab Viana | 9 de abril de 2018, 22:39

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