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Imprensa, Justiça, Sem categoria

Lula e eu

Allan Araujo acaba de me fazer a seguinte pergunta pelo Facebook:

“Caro Lúcio Flávio Pinto, nunca te perguntei isso, mas o faço agora? Admites que todos os processos que a família Maiorana e outros picaretas poderosos moveram contra ti, uns 15 no total…sei lá, eram Guerra Jurídica (Lawfare)? Manobravam os bastidores do conluio com juízes camaradas pra te aniquilar. Os processos eram tantos (tomara já te tenhas safado de todos!) que nem conseguias mais deixar Belém por mais de uma semana, pq perderia prazos processuais. Me explicaste, muito bem por sinal, os mecanismos sutis de colaboração indecente entre magistrados e empresários. Ambos frequentadores do mesmo círculo social, com a mesma visão de mundo, produzidos nas mesma classe social, parceiros até de partidas de tênis. Não supões, nem por um min q a mesma patifaria (só por hipótese, tá, rsrs) esteja sendo cometida contra o Lula?”

Allan Araújo merece meu respeito e vou responder pelo próprio blog.

1.Nunca fui processado por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.

2. Do elenco dos que me processaram em 34 ações na justiça, os principais foram os irmãos Maiorana (Romulo Jr., Ronaldo e Rosângela), com 19 ações. Dois desembargadores (João Alberto Paiva e Maria do Céu Cabral Duarte). Um empresário (Cecílio do Rego Almeida). Um grileiro e madeireiro (Wandeir dos Reis Costa). E dois políticos: Edmilson Rodrigues, na época do PT, hoje no PSOL, que perdeu as duas ações, e o delegado Éder Mauro, que também perdeu.

3. Oito advogados, de centro-esquerda, que procurei quando as ações começaram se recusaram me defender porque então, em 1992, todas as cinco ações eram promovidas por Rosângela Maiorana Kzam, uma das donas do grupo Liberal. Tiveram medo. Como eu não tinha dinheiro (imagine só: ter como advogado o ex-presidente da OAB nacional), recorri a um amigo. Como ele não tinha escritório montado nem ia ao fórum, fiquei como seu bagrinho e auxiliar-contínuo.

4. Cada vez que havia um golpe sujo, eu o denunciava imediatamente, nos autos e, quando cabível, pelo Jornal Pessoal. Não fazia negociação de bastidores, nunca utilizei interpostas pessoas, jamais recebi um tostão de quem quer que fosse. De empresário, nem pensar.

5. Combati intensamente em juízo. No início, não esperava pela intimação, mesmo sendo réu e tendo como querelantes alguns dos mais poderosos personagens de Belém, do Pará e, no caso de C. R. Almeida, do país. Ia ao cartório de livre e espontânea vontade e me dava por intimado, para desespero do meu defensor. Nunca perdi prazo. Nunca deixei recursos para a hora final.

6.No caso dos Maiorana, a principal testemunha que indiquei foi a mãe deles, Déa Maiorana. Eles não permitiram que ela depusesse. Nas ações criminais dos dois irmãos, usei a exceção da verdade para provar tudo que dissera e ganhei a parada. Simples: tudo que disse era verdade objetiva. Tinha as provas e provei. E ganhei. Não havia como não ganhar. Nas ações contra mim, os autores nem apareciam para testemunhar. Era evidente que mentiam e manobravam para me intimidar, me calar e me afastar do jornalismo.

7. Joguei o jogo conforme as regras da lei e do regimento. Não refiz as regras ao perder. Perdi a ação na qual provei que Cecílio do Rego Almeida roubava não uns míseros hectares do Pará, mas SETE MILHÕES. O que fiz? Em protesto, aceitei a condenação pela justiça estadual (o Ministério Público Federal, que denunciou o grileiro perante a justiça federal e ganhou, me homenageou pela contribuição que dei à causa), denunciei o fato, fiz uma coleta e 770 pessoas contribuíram com 28 mil reais para indenizar moralmente o grileiro, dinheiro que depositei em juízo. O grileiro morreu, mas sua família nunca foi buscar o dinheiro. Espero que tenha sido recolhido pela justiça para a melhoria dos seus tão reclamados serviços.

8. Continuei a debater publicamente todos os assuntos e a me expor a todos os tipos de acusações e ofensas, sem deixar de responder. Nenhuma delas me acusando de ser corrupto ou lavar dinheiro, que nem tenho mais do que o declarado ao imposto de renda, fruto de trabalho intenso, a maioria dele sem me render pecúnia.

Sem me alongar como exigiria uma plena e cabal resposta, espero ter lhe convencido de que Lula está preso por crimes que nem o pior dos meus inimigos (quanto mais poderosa é a pessoa, mais me detesta – amém): crime de colarinho branco.

Aliás, o primeiro que o cometeu no Brasil foi um paraense, em 1987, ano de fundação do Jornal Pessoal. E dei minha contribuição para que ele fosse preso, também o primeiro a sujar seu colarinho branco por detrás das grades. Espero que esse caminho continue a ser percorrido pelos ladrões do dinheiro público.

Com meu abraço.

Discussão

27 comentários sobre “Lula e eu

  1. Quanta vaidade.

    Curtido por 1 pessoa

    Publicado por Giovana | 10 de abril de 2018, 22:16
  2. O respeito segue forte e admiração também. Não é a discordância que os abalará. Entendi a argumentação e a óbvia diferenças dos casos, porém penso que outras forças sociais, empresariais e judiciárias podem sim fazer guerra jurídica contra políticos por razões ideológicas. No teu caso, as ações eram qs todas por crime contra a honra. No caso do Lula, foi crime comum, mas isso não significa (só por ter sido acusado de crime comum) que ele o tenha realmente praticado e que o MPF e o Moro (atuando qs como um assistente de acusação) tenham conseguido provar o crime. Já leste os textos da “Justificando”? Há várias incongruências na sentença. Há inclusive um livro “Comentários a uma sentença anunciada: o processo Lula” q trata disso. Sei que não vou te convencer, Lúcio, mas pela nosso diálogo bem bacana de longos anos e pela tua inteligência tão acurada, me sinto instigado a te “provocar” a pensar da perspectiva dos juristas que defendem o Lula e de seus argumentos.

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    Publicado por Allan Araujo de Sousa | 10 de abril de 2018, 22:25
    • Allan,

      Imaginando que a sentença do Moro estivesse cheia de incongruências e que as evidências apresentadas pelo MPF fossem frágeis, como é que os três juízes do TRF não só concordaram com a sentença, como aumentaram a pena? Será que existe mesmo uma operação orquestrada de todo o judiciário contra o Lula? Para quais fins?

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      Publicado por Jose Silva | 10 de abril de 2018, 23:28
    • Allan: li todas as denúncias, todas as defesas do Lula e todas as sentenças do Moro. Acompanhei a maioria das audiências. Vi a maioria dos vídeos disponíveis das delações premiadas. Vi as provas que chegaram ao público. Escrevi dezenas de artigos a partir desse imenso material. Critiquei algumas vezes o Moro e o MPF, além da PF.
      Fiz minhas avaliações e interpretações. Emiti opiniões. Ofereço essa produção para quem quiser criticá-la, à vontade, neste blog ou no JP.Estou sempre atualizando o meu conhecimento a respeito. Tenho consciência de manipulações e jogo de interesses. Sei que há gente que diz defender a verdade e está querendo acertar contas com o Lula pelo que ele fez de certo. Mas não tenho dúvida que ele se corrompeu no poder.
      Foi muito além de simples escorregões como morar de graça por oito ano na casa do seu compadre, o sagaz advogado Roberto Teixeira; receber mimos caros sem perquirir pela origem e finalidade da gentileza desinteressada (retribuído pela influência que passou a ter na Anac), nem fez muitas outras perguntas, sobre ele e os favores aos filhos. Lula nunca mais perguntou nada a respeito, nem sobre as palestras desmesuradamente remuneradas, os jatinhos particulares em voos internacionais, sem falar nas coisas muito maiores, de atos de governo, já aqui tão intensamente citados.
      Assim, meu caro, não é por desconhecimento que cheguei à posição que assumi. É pelo simples exercício da apuração dos fatos. Pode discordar o quanto quiser do que penso, mas me reservo a manter minha posição enquanto puder demonstrá-la com fatos.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 11 de abril de 2018, 07:27
      • Parece que Allan não se deu ao trabalho de ler todas as denúncias, todas as defesas do Lula e todas as sentenças do Moro. Acompanhar a maioria das audiências. Ver a maioria dos vídeos disponíveis das delações premiadas. Ver as provas que chegaram ao público. A propósito, se ele se der ao trabalho de ler a perícia do sítio…

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        Publicado por jjss555 | 11 de abril de 2018, 09:25
  3. Por isso é que Tú te tornaste uma personalidade nacional. Ouvida muito além do estado do Pará !,

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    Publicado por Justiça sempre!. | 10 de abril de 2018, 22:27
  4. Só o item nº 1 já seria o suficiente para dispensar maiores considerações a uma comparação esdrúxula por parte de quem certamente jamais buscou se inteirar do assunto e morre de amores por um corrupto.

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    Publicado por Alcemiades | 10 de abril de 2018, 22:28
  5. Enrolou e não respondeu à pergunta.
    E por que?
    A razão está na propria resposta sem retoques: julga com dois pesos e duas medidas a si e aos outros. Um excelente juiz como se vê, à altura do ídolo de Curitiba pelo qual baba sem parar.

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    Publicado por Marlon A T Araujo | 11 de abril de 2018, 00:19
    • Qual Moro? O que sentenciou Lula ou Eduardo Cunha?

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      Publicado por jjss555 | 11 de abril de 2018, 09:27
      • Os que dizem que Moro só pune o Lula esqueceram dos demais políticos. Aliás, o STF destituiu Cunha do cargo antes de Dilma ser afastada da presidência. E Cunha foi preso muito antes de Lula. E só agora seu HC será julgado. Conspiração contra o político exemplar, que Dilma cultivava antes de descobrir que ele queria a cabeça dela?

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 11 de abril de 2018, 11:27
      • Só o Cunha? É pouco. Muito pouco. Por que é tão difícil para vocês aceitar que a justiça é (e sempre foi) parcial?

        OBS: Não estou defendendo o Lula. Para mim, ele é corrupto e deve ser punido como tal.

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        Publicado por Jonathan | 11 de abril de 2018, 12:55
  6. Quando leio ou ouço aquilo que provocou essa pergunta, fico a me perguntar como é que alguém consegue ignorar uma montanha de realidade fática apresentada por todos os ângulos e virada do avesso para que não paire dúvida. Como é que se consegue fazer uma comparação em termos de pergunta, por mais educada que seja em seu invólucro, mas que no seu conteúdo só existe possibilidade para duas realidades: profunda alienação dos fatos (ingenuidade injustificável) ou bestialização existencial. É gravíssima qualquer uma das situações em um ser humano. É impressionante sentir isso de perto. Está nas universidades, política, justiça, igrejas, nos grandes meios de comunicação, nos formadores de opinião, escolas e em quase toda cultura. Será o vírus troglodita?
    Olhar isso na antiga URSS, Cuba, China, Venezuela…etc, foi e é uma coisa, mas ter a sensação que uma multidão de pessoas no teu país, das mais simples em termos de acesso aos bens que possibilita o exercício da cidadania plena, ou os mais afortunados, como professores universitários, e saber que reagem como zumbis diante do maior assalto que mundo viu ser perpetrado contra uma nação em pleno regime democrático, é estarrecedor. Assusta!
    Fazer uma pergunta dessa é negar todos os parâmetros de avaliação objetiva que estão diante de nós. A vida e o trabalho desses dois personagens, Lula e Lúcio, estão abertas para quem quiser estudar e avaliar. Uma pergunta dessa é o mesmo que alguém me perguntar se eu vi o assessor do Temer com uma mala cheia de dinheiro; é o mesmo que me perguntar se foi verdade que Gedel tinha um apartamento entupido de dinheiro; é me perguntar se a Petrobras sofreu a maior desvalorização de sua história, graças a grande corrupção de políticos; é o mesmo que me perguntar se a baia do Guajará existe; é o mesmo que perguntar se aqui é a terra do açaí.
    Se não conseguimos distinguir o vil e o precioso, como iremos mudar esse país?! Lembrei do discurso do Lula no sindicato dos metalúrgicos…ele disse que mesmo que morresse estaria na cabeça daquelas pessoas; que cada um dos ouvintes seria um Lula; eles deveriam continuar a luta…ele foi verdadeiro ao falar essas palavras. Muitos se tornaram um Lula. O ex-presidente não sabe mais o que é mentira ou o que é verdade. Mentiu tanto que ficou preso no seu próprio mundo fantasioso, mas não foi só ele que está preso nesse mundo louco. Quem conhece um pouquinho das cartas do cárcere, de Antônio Gramsci, sabe que Lula em seu discurso estava citando com riqueza de detalhes o catecismo revolucionário gramsciano.
    Conquistar ou tornar uma sociedade socialista-comunista, sem efetivar um disparo com arma de fogo, tomando ou ocupando os meios mais importantes de uma sociedade: imprensa, judiciário, política, forças armadas, igrejas, universidades…eis o sonho de Gramsci. Quase deu certo no Brasil. A Venezuela e a Bolívia não tiveram o mesmo destino, não deu para acordar antes. Se Lula não é o que é, eu não estou escrevendo tais palavras, e, portanto, não sou o responsável por elas, e você caro militante leitor, não pode ficar aborrecido comigo, sabe porque? Eu não existo! Sou um delírio cognitivo seu. Você nunca leu essas palavras que podem até aparecer ofensivas ao seu estilo de vida politico. Não gaste então o seu precioso tempo e saúde em me contraditar ou corrigir. Faça como o mestre Lula: não vi, não sei, foi a Marisa Letícia.

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    Publicado por Diniz | 11 de abril de 2018, 01:01
  7. Lula ousou jogar o jogo no terreiro da corrupta elite, usando todas suas regras, e revelar as apodrecidas entranhas dela. Algo imperdoável. O jogo continua?!

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    Publicado por Luiz Mário. | 11 de abril de 2018, 10:24
  8. A Diniz falou tudo.
    O condenado não é tão grande para que sofresse uma macro-conspiração, sem comparações no mundo, envolvendo empresários, justiça, o executivo, os “coxinhas”, a grande media, as redes sociais e parlamentares de todas as colorações, para vê-lo preso e derrotado, quando sem nenhum alarde e alianças espúrias, já impossibilitadas, não se elegeria presidente, mesmo com os votos de seu fã-clube e seguidores fanáticos que consegue hipnotizar.
    Ele, sem dúvida, é um fenômeno que merece ser estudado, pois, mesmo passando 13 anos no Governo, não realizando nenhuma reforma estrutural importante no País, além da de seu triplex e sítio; piorando-se ou melhorando muito pouco os indicadores sociais nesse ciclo; com um uma infraestrutura sucateada e um despreparo gigantesco na formação básica e técnica da força de trabalho nacional, que não consegue competir com asiáticos e outros emergentes em produtividade e custos, ocasionando a perda de competitividade dos produtos manufaturados brasileiros no mercado global, além da destruição do patrimônio nacional com a falência não declarada de empresas como a Petrobras e esquemas públicos revelados, continuam procurando desculpas para o processo sofrido por seu maior líder, o “amigo” das empreiteiras e dos países bolivarianos e africanos, falidos, que beneficiava com empréstimos do BNDES, obras e oportunidades em seu Governo.
    Milhões de famílias sofrem pelo precário atendimento do SUS; milhões de crianças e jovens são aliciados pelo crime organizado e traficantes exportados pelas FARCs junto com drogas e armas e morrem nessa guerra da violência. Enfim, mesmo com um quadro social dantesco, procurar desculpas para justificar o que aconteceu em 13 anos de desgovernos e querer culpar a justiça pela perseguição do líder maior, que beijou as mãos de Maluf, preso; Eduardo Cunha, preso; Cabral; preso e tantos outros presos ou que esperam essa condição, torcendo para que o STF reforme o ato de prisão para a terceira instância, ainda me aparece alguém querendo comparar os caos judiciais de um jornalista, todos no cível, com os de um condenado por crimes, que teve todos os direitos de defesa e um batalhão de advogados das melhores bancas, pagos com “milhões” de dólares que o LFP nem sonha ganhar, mesmo que na mega-sena, é desesperador, no mínimo.

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    Publicado por JAB Viana | 11 de abril de 2018, 11:43
    • Os meus processos foram cíveis e criminais. Os criminais por enquadramento na lei de imprensa, a do regime militar (6383, de 1969), por alegado crime de injúria, difamação e calúnia. Ou seja, pelo exercício da liberdade de imprensa, também de pensamento e de expressão. Mas provei tudo que disse.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 11 de abril de 2018, 12:35
  9. Certo está o Cristovam Buarque. Ele disse que o PT sempre apoiou a prisão em segunda instância. Quando as coisas mudaram, agora eles querem usar o jeitinho que tantos corruptos, como o Maluf, usaram para escapar da prisão. Para o Cristovam, a esquerda, se fosse honesta, deveria estar lutando contra o foro privilegiado e pela prisão na segunda instância.

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    Publicado por Jose Silva | 11 de abril de 2018, 13:01
  10. Torquemada faz escola…

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    Publicado por Luiz Mário. | 11 de abril de 2018, 13:27
  11. Sugestão:

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    Publicado por Luiz Mário. | 11 de abril de 2018, 18:27
  12. Boa, JJSS555. Sempre os bons-moços, filhos da Tradicional Família Brasileira e seus bons costumes para “surpreender”.

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    Publicado por Luiz Mário | 12 de abril de 2018, 11:06

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