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Cidades

No centro de Belém

Costumo de vez em quando ir ao centro velho de Belém não de passagem, mas para passear mesmo. Trabalhei ali durante décadas, com interrupções que me levaram a trabalhar em outros centros urbanos: os do Rio de Janeiro e de São Paulo. Tenho uma relação afetiva com eles, que reavivo em verdadeiros passeios: pausados, atentos, com o propósito de curtir visualizações, contatos e rememorações.

Circulando pelo caos, algumas vezes extravasando para o inferno visual, de barulho e desrespeito geral, fiz duas paradas.

A primeira para me surpreender agradavelmente com o resultado da obra de restauração do lindo prédio do Arquivo Público, que está completando 117 anos. Depois de três anos e investimento de três milhões de reais, o Arquivo foi reinaugurado em outubro. Só agora fui vê-lo, de improviso.

Guiado pelo jovem diretor, Leonardo Torii, que estava no batente com os funcionários, em fim de expediente, com o salão de consulta quase deserto, pude constatar a qualidade do serviço executado e as boas condições técnicas para o trabalho da instituição.

O potencial é o mesmo de qualquer outro bom arquivo existente no Brasil. Mas ainda falta pessoal especializado para proporcionar resultados a essas condições. E área para a expansão do armazenamento de documentos. Espero que a Secretaria de Cultura dê continuidade ao que já foi realizado.

Circulei também pela primeira loja de Y. Yamada, transformada em sede central com a expansão do grupo. Dupla tristeza: pela ausência de clientes e pela extrema pobreza de mercadorias em oferta. É um contraste com as instalações. Só há alguma vida no primeiro andar. O acesso aos demais está fechado.

O cenário é de ocaso na direção do fim. A tentativa de reconstituir o antigo império é impossível. Quase impossível é o recomeço, mesmo que em escala minúscula. Concorrentes surgiram e o “atacarejo” está saindo da periferia metropolitana para o centro da capital. O mercado mudou, enquanto a Yamada encolheu. A equação é inexorável.

Discussão

7 comentários sobre “No centro de Belém

  1. Primeiro, parabéns pela coragem de passear lá. Segundo, sabes dizer a causa da quebra da Yamada? A prisão determinada por Moro?

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    Publicado por jjss555 | 14 de abril de 2018, 12:06
  2. Lúcio, faltou uma palavra sobre a minha saudosa Escola de Engenharia, em frente da Yamada e hoje nem ao menos uma foto na parede. A Livraria Martins, o sebo, a igrejinha do Pombo, Província do Pará, tanta coisa. Por cinco anos peguei o cremação, descia no inīcio do Ver o Peso e subia a Campos Sales até a Escola. E sempre dando uma passada na Martins.

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    Publicado por Ademar Ayres do Amaral | 15 de abril de 2018, 00:06
  3. Que tal refletir sobre o fato que “iniciamos” num espermatozoide e mudamos até chegar num amontoado de vermes?

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    Publicado por Luiz Mário | 15 de abril de 2018, 10:59
  4. Perspicaz observação, caro Luiz Mário.

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    Publicado por Susana Santos | 16 de abril de 2018, 15:11
  5. Prezada Susana,

    Só a sociologia da reeleição, a serviço da corrupta elite, é que tenta negar o óbvio. Sedimentando a Cultura da Corrupção.

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    Publicado por Luiz Mário | 16 de abril de 2018, 18:11

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