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Cultura, Imprensa

O Marajó na Liberal

Finalmente, a TV Liberal acaba de exibir um programa criado localmente de boa qualidade, o Expedição Pará. Uma equipe bem pequena conseguiu preparar uma reportagem que se sustentou na tela por mais de uma hora, sem cansar, fornecendo informações úteis e imagens bonitas e expressivas sobre o mundo particular da ilha de Marajó. A equipe da televisão acompanhou 10 ciclistas (suponho que todos de Belém, liderados por Alan Cativo, excelente pessoa e profissional exemplar), que percorreram 300 quilômetros de um extremo a outro da ilha.

Lembrando da aventura, uma das ciclistas fez uma observação justa: o paraense anda pelo mundo atrás de informações e cultura e ignora que elas podem estar ao seu lado, como no magnífico Museu do Marajó, em Cachoeira do Arari, criado pelo padre Giovanni Gallo, um batalhador pela cultura marajoara, perseguido e incompreendido, mas que deixou uma obra fecunda, sempre carente de apoio.

Cachoeira, terra de Dalcídio Jurandir, merecia um programa exclusivo, mais detalhado e profundo. Revelaria o contraste entre a tradição e uma suposta modernidade e evolução, que, na verdade, a ameaça, como o arrozal do gaúcho Paulo Quartiero, que ocupa um terço do território municipal, açambarcando tudo em torno da cidade, inclusive cemitério, fontes de água  e trilhas, na busca pela produtividade usando perigosamente produtos químicos.

O programa deveria ter se desviado mais dos ciclistas e sua expedição e dar mais atenção ao próprio Marajó, dando-lhe excelente oportunidade para falar sobre os seus dramas, paradoxos, esperanças e frustrações, entre um tempo que parou no tempo, uma novidade que invade a ilha podendo trazer consigo novos males se não houver o que, há quatro décadas, o governo militar prometeu ao arquipélado e não cumpriu o compromisso: um plano de desenvolvimento, capítulo à parte do Polamazônia, concebido na mais tecnocrata das gestões do período, a do general Geisel.

Parabéns à equipe da TV Liberal. O Marajó espera uma revisita. Dessa vez, tendo o  próprio Marajó como centro e eixo. A vez dos expedicionários foi esta, que serviu de pretexto. Sem ele, talvez nem existisse o programa. Para que a nova expedição seja mais bem sucedida, a equipe terá que se preparar melhor. Na exibição dos créditos do programa, verificou-se que foi preciso recorrer ao acervo da TV Globo para realizar uma abordagem de tema local, ao alcance da afiliada. É um dos fatores que faz a diferença: o investimento na qualidade da informação, vaqueiro por aqui.

Discussão

3 comentários sobre “O Marajó na Liberal

  1. A RBS, nos bons tempos fazia isso pq tinha liberdade e horário flexível. Tomara que aconteça por aqui.

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    Publicado por jjss555 | 14 de abril de 2018, 18:45
  2. A ideia do programa é ótima. Lamentável é que o programa nasceu da ideia de uma profissional da empresa e foi entregue de mão beijada para o apresentador, que ficou com todos os louros.
    Coisas da gestão da TV Liberal

    Curtir

    Publicado por Anônimo | 16 de abril de 2018, 09:59

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