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Polícia, Política, Segurança pública, Violência

No vazio, a insegurança

Bem posto e seguro num apartamento em Ipanema, bairro paradisíaco do Rio de Janeiro, Chico Buarque ironizou com seu mote popular: se está ameaçado, “chame o ladrão”. Seria menos perigoso do que chamar a polícia naquele 1974 em que ele compôs a música a que este letra pertence (Acorda, amor).

A frase entrou para a fraseologia nacional porque correspondia à verdade da época. Desde então, o paroxismo da violência estatal, numa ditadura que se consolidou em 1968, com o AI-5, foi contrabalançado pela alucinante evolução da bandidagem.

Organizado e com muito dinheiro disponível para recrutar gente, armá-la e colocá-la em ação, o crime, com seu centro fincado no tráfico de drogas, mas espalhado por muitas outras atividades, superou a ação estatal, que não consegue garantir sequer o ir e vir dos cidadãos. E perde terreno e batalhas para a criminalidade, como já está acontecendo em Belém.

O policial continua a ser temido por causa dos abusos cometidos por maus policiais, que agem com violência contra os cidadãos e se enredam nos desvãos da ilegalidade, como integrante de bandos criminosos ou formadores de milícias, que substituem a engrenagem oficial. Mas o bandido os excedeu – e muito.

A solução, evidentemente, não está em combater a polícia até extingui-la. Como ficariam as ruas sem os policiais, em especial os PMs? Certamente transformadas em campos de extermínio. Muitos policiais contribuem para essa selvageria. Mas não são poucos os que dão combate à marginalidade – e são os únicos. Logo, é preciso recuperar o aparato policial e qualificá-lo para desempenhar a arriscada e nobre tarefa de proteger a sociedade.

Para tornar possível essa transformação, o cidadão assustado precisa voltar a acreditar, confiar e estimar a polícia. Não chegará a essa atitude se a própria polícia não mudar. Para que mude, tem que estar motivada e se sentir apoiada, ao mesmo tempo vigiada, cobrada e punida se comete desvio de função.

Tem que haver comando efetivo e liderança autêntica. Há quanto tempo os policiais, em especial os militares, não veem o comandante-em-chefe da força, que é o governador? Simão Jatene foi a quartéis e delegacias para contato com seus subordinados, conversando com eles, ouvindo-lhes queixas e reivindicações? Compareceu a algum velório e sepultamento de policiais? Fez pronunciamento em cima do lance, dando a resposta cabível quando ocorrem conflitos, mortes, convulsões?

Se o chefe não chefia, cria-se um vácuo e nesse espaço cresce tudo, menos a segurança pública.

Discussão

12 comentários sobre “No vazio, a insegurança

  1. Enquanto isso, o Chico continua na mesma, pois ao apoiar a campanha Lula Livre, ele está basicamente chamando o ladrão para resolver os problemas nacionais.

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    Publicado por Jose Silva | 17 de abril de 2018, 12:13
  2. Lúcio, seria menos perigoso para quem chamar a polícia no período militar? Para Chico Buarque; Carlos Mariguela; MR8; Carlos Prestes; Dirceu; Dilma; Frei Beto; Leonardo Bofe; Guerrilheiros do Araguaia; os presos “políticos” da Ilha Grande no Rio de Janeiro? Não é nenhum absurdo afirmar, mediante os fatos históricos de ontem e de hoje, que a maioria dos que criminalizaram todas as ações militares, eram criminosos, alguns da mais alta periculosidade. Os atores sociais que gritavam e atiravam ontem, com armas ou com palavras, são basicamente os mesmos que privatizaram a preço de banana (que crime), pilharam, corromperam e destruíram a economia desse pais.
    Creio que já passamos do ponto de tratarmos essa parte da nossa História como de fato ela foi. Os vícios absurdos das versões e perversões cometidos por professores de “história”, Geografia, Filosofia e Sociologia marxista, dentre outros comparsas, já não cabe mais no mundo real. Por outro lado as lacunas dos militares e algumas versões bem menos grave, até porque eles não construíram a versão oficial da “história” mais bem aceita e divulgada como incontestável e irretocável, precisa ser avaliada com o rigor dos fatos, não das versões e perversões.
    Chico Buarque e o clube dos esquerdistas sempre foram mestres de meias verdades. Naquela época e hoje, se está ameaçado, chame a polícia! Jamais chame gente como esse bandoleiro metido a pensador de miolo de pote. Contraponho “se está ameaçado, chame o ladrão” com uma frase de outro compositor, Bezerra da Silva, “se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”! Os erráticos, mas necessários milicos, pisaram na bola, mas a frase do Bezerra da Silva não pode ser aplicada como máxima a eles, porém ontem e hoje pode e deve ser aplicada com a mais justa justiça aos destruidores do erário público. Eles ontem e hoje sempre foram isso o que hoje sentimos e vemos.
    Os “Chicos” da vida no mirante de marfim nos Rios de Janeiros da louca existência ainda não acordaram do sonho-pesadelo juvenil. As FARC foi um caso tardio do que logo aconteceu bem cedo no Brasil, Venezuela e Bolívia, criminosos sendo reconhecidos como partidos aptos a se tornarem membros do aparelho estatal. Chico, Chico…para cima de quem a tua absurda música ainda é torpor? Só para os teus súditos sodomizados pela mentira absurda. Para essas pessoas não há saída, a não ser a devida punição pelos mais altos crimes praticados.
    É preciso que se diga com todas as letras que esse Francisco (Chico), considerado um “intelectual”, fez e faz parte do pensamento que vitimizou e vitimiza o crime e o criminoso. É bom lembrar também que os partidos de esquerda jamais postularam qualquer tipo de democracia, sempre quiseram uma DITADURA ESQUERDISTA. Nunca é demais rememorar que a luta armada era o núcleo central dos maiores e mais influentes líderes e falanges esquerdistas. Foram essas figuras que primeiro apertaram o gatilho da morte nesse pais.
    Os fatos mais significantes cometidos por militares e esquerdistas estão diante de nós. Não há uma historiografia mais próxima da verdade porque as universidades e os governos aparelhados não permitiram, até hoje. Tentaram recriar a História com a absurda comissão da “verdade”. A esquerda jamais conseguiu desmentir os fatos, seria a mesma coisa que tentar desligar o Sol.
    É lamentável, triste e amargo dizer que para o nosso país, não para certas castas, os militares foram menos pior do que a esquerda. O remédio constitucional foi lício e amargo, mas necessário, teve efeitos colaterais sérios? Teve! É bom que se faça o necessário para não tomarmos mais uma dose. Ao olhar o mundo onde a mentalidade esquerdista pisou e governou com todas forças das suas ideias, nos deparamos com muito: sangue, roubo, DITADURA ABSOLUTA, bagunça, loucura, prostituição de menores legalizada, tráfico de drogas e armas, falência e escravidão quase total dos cidadãos…etc. Qualquer servidor público deve ser punido com rigor, se cometer crime, principalmente aqueles que trabalham com armas de fogo, e que tem ou tinham, o necessário dever e direito de ceifar a vida de quem se apresenta com a clara intensão de oferecer perigo letal para o cidadão de bem, e isso inclui a força policial. Se o verdadeiro judiciário gritar pega ladrão, não fica nenhum Chico, Francisco, Hoffmann, Dirceu, Manteiga, Cardozos, Temer, Aécio…são tantos… sem falar naquelas excelências supremas…

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    Publicado por Diniz | 17 de abril de 2018, 13:28
  3. Triste ver que um jornalista como o Lúcio Flávio Pinto tenha virado ídolo de uma das alas mais idiotas existentes no Brasil. Aquela que adora um revisionismo e acha que um dos períodos mais sinistros que o Brasil viveu como a Ditadura Militar não teve nada demais. Que acha que os militares nunca mataram e nem torturam ninguém apenas por discordar do governo. Acham que a ditadura nunca perseguiu jornalistas e artistas que apenas faziam críticas como todo mundo faz hoje em dia. Acham que tudo é invenção da esquerda das universidades.

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    Publicado por Jonathan Pires | 17 de abril de 2018, 14:48
    • Fui processado pela Lei de Segurança Nacional, em 1976, por denunciar a violência brutal da polícia num suplemento que então editei em O Liberal, chamado encarte. A ´partir do testemunho do grande repórter Paulo Ronaldo Albuquerque, abri duas páginas de textos e fotografias chocantes. O governador Aloysio Chaves mandou instaurar inquérito. No meio do caminho, o objetivo deixou de ser a violência policial. Passou a ser a manipulação da imprensa. Jornalistas covardes tinham declarado ao presidente do inquérito, o então major (depois coronel e secretário de segurança), Antônio Carlos Gomes, que tinham montado as fotografias. Como fui o último a depor, o major, com quem até então tinha boas relações profissionais, me mostrou os depoimentos e me disse para mudar o meu. Claro: mantive-o. Era a pura verdade. Fui processado pela LSN com o Paulo, palmilhado (sem qualquer acompanhante) na Polícia Federal e levado a julgamento na Auditoria Militar. Mas era algo tão absurdo que fui absolvido. O processo foi desaforado para a justiça comum, onde a minha absolvição foi confirmada.
      Também fui o único repórter a dar cobertura ao único protesto saído de dentro do Exército, da responsabilidade do comandante da principal unidade operacional no norte, o 2º BIS, coronel Nivaldo de Oliveira Dias, contra o atentado do Riocentro. Em boletim interno, ele afirmou com todas as letras que a autoria não era da esquerda, mas da direita, atacando os péssimos militares que tinham participado do atentado. Durante dias, um homem forte e ameaçador (era do DOI-Codi, viemos a saber depois) foi à redação de A Província do Pará perguntar por mim. Mas não me intimidou. Nem, felizmente, o jornal. Tratamos do assunto até o grande coronel ser punido e voltar a Recife.
      Não me faça ocupar o tempo dos leitores para me defender. Por gentileza: ao menos me faça justiça, pesquisando fatos antes de dizer inverdades. Mais do que me ofendem, ela ofendem a história, que vira qualquer coisa na mente de quem por ela não tem respeito.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 17 de abril de 2018, 19:53
  4. Abandonando este blog!

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    Publicado por Jorge Andrade | 17 de abril de 2018, 17:16
  5. Ao ilustre cidadão do mundo das falenas. O que não é mais possível e suportável é continuar com essa versão
    historiográfica extremamente absurda, sem a mínima base científica, que a maioria das universidades brasileiras criaram sobre o período militar. É muita falta de honestidade afirmar que as universidades não produziram essa versão podre da nossa história. Quem criou, formou, divulgou e massificou essa versão tétrica foram os professores universitários esquerdistas, e com todo suporte da imprensa. A maioria dos professores universitários são sim esquerdistas. Sou professor e sei do que falo, mas não é preciso ser professor para chegar a essa conclusão óbvia. É assim também com a maioria dos professores que escrevem os livros usados nas universidade, ensino fundamental e médio. E foi graças a maior parte da imprensa esquerdista e oportunista que tudo isso se tornou o que temos hoje.
    Os militares cometeram tortura? Possivelmente sim. Mas não havia como acontecer coisas desse tipo lamentável. Alguém acredita que guerrilheiro e bandido entregaria tudo sem o uso de força? Alguém acha que os terroristas que estavam (ou estão) dispostos a tudo iriam deixar aquele “ótimo” plano “democrático” sem resistência? Quem acredita nessa irrealidade são os mesmos que acreditam nas UPPS. Polícia pacificando traficante…tem que ser muito sonso para acreditar nessa conversa para boi dormir e dançar. É como disse o general Leônidas Gonçalves:”Quem começa a guerra, não pode lamentar a morte”. É duro? Muito! Mas verdadeiro! Ah! o blog não é meu, mas não creio que esse espaço seja saudável para carpideiras e vivandeiras.

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    Publicado por Diniz | 17 de abril de 2018, 18:35
  6. Boa, Lúcio!

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    Publicado por Frederico Guerreiro | 17 de abril de 2018, 18:39
  7. Só para clear a discussão. O período militar foi medíocre, tanto do ponto de vista econômico como do ponto de vista social. Além disso gerou uma geração de políticos corruptos que deixou marcas terríveis na história do país. Qualquer estudo decente mostra isso. A mediocridade do período militar foi de alguma forma continuada com o lulopetismo, com o nacionalismo das campeãs nacionais, com corrupção enorme nas estatais e, pior, com o uso de grandes obras como mecanismos de arrecadar dinheiro para as campanhas. Exatamente a mesma estratégia. Nos dois períodos, ditadura e lulopetismo, o Brasil perdeu a chance de se estruturar e virar uma grande potência mundial.

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    Publicado por Jose Silva | 17 de abril de 2018, 20:19
  8. Para pessoas como os “Pires” da vida, alta periculosidade é só para seres que fazem uso de armas de fogo de grosso calibre, ou para quem é traficante de drogas e armas como um fernandinho beira-mar. Aí é avacalhar a guerra com baladeira. Olha o nível de discernimento dessas criaturas. É por isso que essa gente não considera os poderosos do colarinho branco como gente de alta periculosidade. Com um microfone, um violão, algumas rimas, ideias bem encadeadas e uma voz bem fanhosa, posso ser a arma humana mais poderosa e perigosa, ou posso dar suporte e legitimidade através desses e outros instrumentos para os meus comparsas. Posso ser um “artista” arma branca. Ah! Não disse que o período militar foi uma mar de rosas. Nem que não houve corrupção. Mas há uma grande distancia entre o nível, a extensão e a compulsão da corrupção de hoje para a do período militar. Só cego por conveniência não enxerga.

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    Publicado por Diniz | 18 de abril de 2018, 00:28

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