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Polícia, Segurança pública, Violência

Na linha de frente

A cabo Maria de Fátima Crdoso dos Santos, de 49 anos, é o 21º policial morto no Pará neste ano. Mas sua morte tem características que acentuam a gravidade desse caso. Primeiro, é mulher, menos visada do que o homem. A sua morte foi por execução, uma execução que vinha sendo anunciada já há bastante tempo. Ela chegou a registrar um Boletim de Ocorrência na polícia. E que de nada adiantou: quem disse há tempos que iria matá-la, a matou. Os órgãos de segurança nada fizeram para impedir o cumprimento da ameaça, mesmo a vítima sendo da corporação.

Os assassinos não a mataram na rua: invadiram a casa dela, no bairro do Curuçambá, com vários tiros, sem preocupação com vizinhos. Tiraram o celular da militar e a filmaram, morta, na cama. O celular foi usado pelos assassinos para mandar a imagem de sua vítima e fazer ironia com ela. Provavelmente ficaram com a arma da policial. Ignoram a polícia ou dela debocham.

Praças, soldados, cabos, sargentos e tenentes da Polícia Militar, sem a companhia dos seus comandantes, seus oficiais superiores e das autoridades máximas da segurança pública, estão entregues à própria sorte. Como se comportarão diante da crescente ameaça às suas vidas?

Discussão

12 comentários sobre “Na linha de frente

  1. Como devemos interpretar o silêncio e a omissão do governador? Como você acha que os policiais, cada vez mais acuados, devem interpretar? Só um tolo não vê que está situação é uma bomba de retardo; a qualquer hora ela explodirá. Quero aproveitar este espaço para convidar as feministas, que te atacam por aqui, a se manifestaemr a acerca desse crime. A vítima era mulher, pobre e negra, morta dentro de sua casa por homens selvagens. Não despertará o interesse das ativistas por ser policial?

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    Publicado por Marilene Pantoja | 29 de abril de 2018, 18:46
  2. Meus sentimentos e solidariedade à família dessa Servidora Pública que tomba ante ao silêncio (?!) e inépcia das Autoridades constituídas! Urge que o comandante do Estado se manifeste publicamente, sobre quais providências e, em que medida se aplicam o planejamento de segurança e cidadania, como retaguardas imediatas. A Alepa, no mínimo, precisa unir esforços, apontando audiência pública em conjunto com todos setores representativos.
    Cada mulher sente sobre si mesma, o impacto da agressão torpe e hedionda desferida contra sua semelhante. Sobretudo àquelas tão vilipendiadas em sua mínima dignidade, na labuta diária, com parcos e vergonhosos marcos de remuneração (3 categorias a valorizar: professor, profissionais da saúde e segurança pública). Ressaltando que vivemos num Estado produtor de insumos e extrativista básico c/ alto rendimento em divisas. Propaga e aceita esse modelo exploratório, difusor de arrecadação expressiva. Por onde se situa nossa razão em imaginar concessões de isenções fiscais bilionários que sim, nos fazem muitíssima falta aos equipamentos estatais e remunerações/custeios às categorias citadas. Cadê o TCE em fiscalizar as Contas do gasto público?…
    O retrato escabroso, frio e ignominioso que nos recae enquanto sociedade adoecida, que vivemos reféns, nao apenas do crime organizado, mas do alcance que as ORCRINS se apoderaram do aparelho estatal, que já é sabido pelo que nos demonstra o Mecanismo do Sistema propineiro desvelado pela Op.LavaJato.
    Seria esse o impecilho de não desfrutarmos nenhum serviço público decente neste estado? Bem assim a maioria dos seus servidores abandonados também na sua dignidade?!
    O marca-passo de nossa reação enquanto sociedade civil, por ora quase ausente, alimenta o silêncio atroz de nossos representantes políticos.

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    Publicado por Amelia A. Oliveira | 29 de abril de 2018, 21:43
  3. Lúcio, ela não receberá a mesma atenção. Fátima não era “ícone”, não era garota propaganda da vitrine “causa”. Da mesma forma como não recebeu atenção de ninguém a sargento que foi assassinada no Rio Grande do Norte. Mulher de farda não é mulher para esses grupos oportunistas-feministas. Só se torna mulher, só se torna ser humano quando serve para uso político das “camaradas” e dos companheiros. Essas ativistas são uma piada! Não sei como certas mulheres conseguem se sujeitar a esse jugo! Fátima lamentavelmente virou estatística, número que se fosse possível apagar para não ser lembrado, seria riscado do mapa.
    Confesso que estou ansioso para ler os comentários dos que consertam tragédias como essa só com belas palavras irreais e com ações hipócritas. Os eternos dialogadores. Tenho percebido que eles deram no pé daqui. Colocaram a viola no saco e foram cantarolar em outra freguesia. Na hora do vamos ver, eles são os primeiros a borrar as calças e saírem correndo. Ajudam a armar e promover parte dessa cultura do meu bandido predileto, ou como ficou já conhecido, dos “mano”.

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    Publicado por Diniz | 29 de abril de 2018, 22:10
  4. Mais uma tragédia para enlamear a história da região metropolitana de Belém. Espero que a população pense 100 vezes antes de votar na próxima eleição.

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    Publicado por Jose Silva | 29 de abril de 2018, 23:51
  5. Excelente observação, caro José Silva. Como nas mortes no campo, como nas montanhas de crimes ambientais, como na imposição do estupro político/sócio/cultural, pela social-democracia, que tenta negar o que é a Amazônia.

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    Publicado por Luiz Mário | 30 de abril de 2018, 18:41
  6. Não vejo um recorte de gênero no assassinato da cabo Maria de Fátima ,ainda que a farda tenha dois sexos .

    Ele é , a meu ver, a expressão inconteste da miséria em que se encontra a politica estadual de segurança pública , deixando a todos desprotegidos, inclusive os/as funcionários/as da base da hierarquia funcional das Policias, , ou seja, os mais pobres e mais mal remunerados , expostos à insegurança máxima .

    Imagina , uma pobre mulher funcionária do Estado , ter que dar conta de juntar um dinheirinho contado na ponta do lápis para melhorar a sua casinha na periferia , durante anos e anos e ainda ser responsabilizada publicamente por não reforçar a sua proteção residencial de miliantes e criminosos que proliferam em uma cidade miserável …. Quando em verdade, um Estado de Direito socialmente responsável, devia prover os funcionários da Segurança , de moradia digna e estrategicamente apropriada à defesa desses agentes .

    Portanto , não hesito em dizer que o primeiro e o maior responsável pela morte dos/as funcionários/as do braço armado do Estado , é o próprio Estado, corrupto, inepto, incompetente , autoritário, fisiológico e assassinato !

    E aproveito para me solidarizar com a escritora Paloma Franca Amorim . Mais respeito com esta pessoa linda e generosa . A única das mulheres que frequentam este blog , que foi capaz de se mobilizar para socorrer o Jornal Pessoal de uma das suas crises financeiras . Enquanto homens e mulheres que aqui a atacam e atacam as feministas nada fazem NADA!!!Absolutamente nada ! a não ser atacar na covardia dos seus anonimatos ou não. . Como as pessoas tem memória fraca , meu deus !

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    Publicado por Marly Silva | 2 de maio de 2018, 15:14
  7. assassino!

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    Publicado por Marly Silva | 2 de maio de 2018, 15:19
  8. Esse choro e ranger de dentes da Marly Silva é o retrato da parcialidade com relação aos fatos que aqui estão documentados. Das discussões que até agora participei e acessei, não vi em nenhum momento agressão a escritora Paloma. Teve, sim, divergências de ideias e criticas, duras, mas nenhum tipo de agressão existiu. Agora, se você não sabe ou não quer fazer essa diferença, é outra coisa.
    É notório nas postagens de vocês o comportamento nada democrático, e extremamente contrário ao espírito salutar de confrontar ideias. Você ajudou esse comportamento quando concordou e amplificou a agressão disparada pela Paloma. Quem primeiro chamou de covarde? Sejamos justos, até com nossos adversários.
    Marly Silva, é bom lembrar que foi inestimável a iniciativa e ajuda da Paloma em relação ao JP, mas é preciso que também fique muito claro que ela não esteve só. Marly Silva, essa louvável e nobre ação da Paloma não pode servir de crédito para que concordemos com ela sobre quaisquer assuntos ou opiniões que não nos pareça correto. Minha cara, gratidão é a capacidade de receber e reconhecer um bem, olhando sempre olho no olho do bem feitor, nunca encurvado e subserviente. É saber ser agradecido ao bem feitor pelo resto da vida, mas sem perder o senhorio de si mesmo. É ser grato sem não abrir mão das convicções.
    Outro detalhe muito importante. Essa desgraça que se abate sobre o Pará, é culpa sim do governador e de seus antecessores, mas é loucura consumada querer esquecer ou ignorar que esse problema da criminalidade a muito tempo deixou de ser algo do estado A, B, ou C. Estamos diante de um monstro de proporções nacional e internacional.
    Nunca é demais lembrar que os 8 anos do FHC, mas 8 do Lula e quase 6 da Dilma nos trouxeram até este vale de lágrimas generalizado. Todos esses tem culpa, e muito. Votaram ou ajudaram a fazer essas leis que tanto ajuda os assassinos. Foram e são tão responsáveis quantos os que hoje se sentem fortes e impunes para puxar o gatilho. Não esqueçamos da corrupção que causou fratura exposta no país. Essa vai durar muito tempo para sarar. Lanço um desafio a você. Prove onde está a agressão que foi praticada contra você ou a Paloma.

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    Publicado por Diniz | 4 de maio de 2018, 23:42

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