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Polícia, Política, Segurança pública, Violência

PM perdendo a guerra

No dia 2, Maria de Fátima Cardoso dos Santos, cabo lotada na 2ª Companhia do 6º Batalhão de Polícia Militar, em Ananindeua, passou a integrar o Vítima, Programa, que é gerido pelo Centro de Inteligência da PM. O programa oferece “medidas protetivas à integridade física de militares, que são orientações de segurança e patrulhamento programado”.

A cabo Fátima tinha 49 anos e há 21 anos atuava na Polícia Militar “com comportamento excepcional”, segundo nota divulgada pelo comando da corporação. “No caso da militar, viaturas já acompanhavam tanto a saída para a 2ª Companhia do 6º BPM, assim como o retorno à residência”, acrescenta.

Não foi o suficiente: ontem, provavelmente quatro homens invadiram a casa dela e a mataram com três tiros. Foi uma execução, depois de ameaças que levaram a militar a registrar boletim de ocorrência e receber proteção. Os assassinos arrombaram a porta, que, de madeira, foi facilmente ultrapassada. Agiram com tranquilidade, sem se preocupar com a vizinhança. E fugiram em duas motos.

Há uma versão de que a cabo vivia há sete anos com um viciado em drogas, o que leva à suposição de que ele não pagou uma dívida e sua mulher se recusou a quitá-la. Depois de uma invasão anterior da sua casa, ela deixou de ficar com a sua arma depois de largar o serviço, como é comum na tropa.

Não melhorou a segurança da pequena casa, construída ao longo de 20 anos, nem se preocupou com seu isolamento em relação às outras moradias, naquele trecho do bairro de Curuçambá, em Ananindeua.

Mas se ela negligenciou, mais negligente foi o esquema de segurança, que a deixou exposta aos homens que já a tinham atacado. Eles tiveram um serviço de informações melhor e mais decidido do que o da Polícia Militar. Essa deficiência da força de segurança em relação aos criminosos faz a diferença e está sendo muito bem aproveitada pelos criminosos.

O protesto das esposas dos militares, que esvaziaram pneus da corporação, inclusive de um coronel, e bloquearam o acesso a uma instalação militar, deve servir de alerta. O contingente da tropa que vai para a rua, entra em confronto com criminosos e está cada vez mais exposta a morrer não está mais aceitando a situação, que se deteriora cada vez mais e, nessa progressão acelerada, vai acabar explodindo.

Discussão

7 comentários sobre “PM perdendo a guerra

  1. A estratégia da pronta retaliação (de ambas as partes – PM x CV) que culmina na escalada da violência, na impressão falsa de estabelecer a segurança, já indica a detonação do descontrole.

    O mais triste é que os candidatos teceram fórmulas milagrosas para estancar a violência e a população á míngua.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 1 de maio de 2018, 00:04
  2. Então o Estado (PM) não deve retaliar, e se preciso for, dependendo do confronto, não deve eliminar os bandidos? Devemos usar a tal polícia pacificadora? O Estado então deve sentar-se à mesa de negociação com os assassinos e ceder aos anseios deles? Como restabelecer a segurança? Dialogando com bandidos que não aceitam outra coisa, se não o controle total e absoluto das cidades? Eliminar bandido que é altamente perigoso e está disposto a matar e morrer é ato de descontrole?

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    Publicado por Diniz | 1 de maio de 2018, 00:44
    • Observe, a mais elementar postura que em sua essência preconiza não reagir diante do verdugo, ao menos teoricamente, deveria servir para encerrar a ressonância da onda de violência (e estou citando apenas um exemplo), com isto, sonhar alcançar o bom senso de barrar a violência para se evitar mais violência.

      Vetada em favor de doutrinas, políticas públicas, etc, medidas estas que revelam o rotundo fracasso que assistimos diuturnamente, e incluo para completar a tríade e engrossar o caldo indigesto o movimento deliberado de milicianos.

      Bases da antropofagia consumada pela virulência criminal, no entanto, apenas uma face -exteriorizada do problema.

      Na prática, além do “salve-se quem puder”, o sensato é compreender que adoecemos em proporção geométrica resistindo a sensação do medo e do perigo que nos acompanha.

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      Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 1 de maio de 2018, 13:19
    • Concordo com os seus comentários. Hoje eu consigo andar na cidade, pois a malandragem fugiu das ruas. É isso é fato! Todos os dias, eu pergunto para o meu porteiro, se passou muito “menino malino” na frente do prédio na noite anterior e nos últimos meses a resposta é que desapareceram! Parabéns a polícia militar!

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      Publicado por Fernando Dos Santos | 5 de maio de 2018, 10:18
  3. A morte encomendada do cabo Pety foi um sinal de que o crime organizado estava começando a reagir com firmeza a várias chacinas onde foi comprovada a participação de militares. É assim desde sempre: a violência gerando mais violência. E não há como esperar outra coisa senão o agravamento do caos. Se a justiça parasse de soltar bandido (rico e pobre) e o governo investisse em cadeias com recursos humanos voltados para a humanização dos detentos, haveria esperança.

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    Publicado por j.jorge | 1 de maio de 2018, 08:51
  4. Seria, supostamente, o Estado dentro do Estado?!

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    Publicado por Luiz Mário | 1 de maio de 2018, 10:28

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