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Justiça, Violência

O crime e a liberdade

Embriagado, Marco Antonio Soares Raposo, de 48 anos, dirigia em ziguezague e com excesso de velocidade uma camionete Ranger, às 6h30 da manhã de sábado, em frente ao supermercado Formosa da avenida José Bonifácio. Atropelou e matou na hora  o vendedor e motociclista Fábio Anderson Castro Coelho, de 38 anos, que saía da sua casa para o trabalho.

Marco Raposo, que é pré-candidato a deputado estadual pelo MDB, foi preso em flagrante. Mas acabou solto pouco mais de 24 horas depois, na manhã de ontem, por ordem do juiz da vara do plantão criminal de Belém, Heyder Tavares da Silva Ferreira. Em audiência de custódia, o magistrado concedeu liberdade provisória ao assassino, arbitrando fiança de 38 mil reais (40 salários mínimos), que ele pagou no ato, em cheque. Agora vai responder ao processo em liberdade. 

Como o cidadão comum não entende o mecanismo da justiça que autoriza esse tipo de decisão e se revolta com crimes desse tipo, reproduzo a íntegra da decisão do juiz da 1ª vara dos inquéritos policiais de Belém.

Termo de Audiência de Custódia

12 a Vara Criminal de Balem 29/04/2018

PRESENÇAS

Juiz

Advogado

Ministério Público

  1. HEYDER TAVARES DA SILVA FERREIRA

  2. THIAGO SILVA BRITO

DR ISAIAS MEDEIROS DE OLIVEIRA

DADOS DO AUTUADO

Nome: MARCO ANTONIO SOARES RAPOSO

Nome da mãe: Maria de Nazare Soares Raposo

Nome do pai: Tennyson Portelada Raposo

Data de nascimento: 26/11/1968

TIPO PENAL

Crimes de Trânsito

DETALHAMENTO DO TIPO PENAL

ART. 302, § 3°,DA LEI 9.503/97

FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO

1 — Mantenho o flagrante com base no art. 302, II, do CPP. Verifico ainda que foram atendidas as disposições previstas nos artigos 302 e seguintes do Código de Processo Penal, estando presentes nos autos o depoimento do condutor, de testemunhas, interrogatório do indiciado, Notas de Culpas, Notas de Ciências de Direitos e Garantias Constitucionais, e comprovante de comunicações das prisões a pessoas da família

2 — Inicialmente, há de frisar que, neste momento, ainda de forma indiciaria, restam dúvidas no tocante à suposta alcoolemia do flagranteado, mais precisamente da elementar do tipo ‘da capacidade psicomotora alterada’, uma vez que existe divergência razoável entre os dois exames de bafiimetro produzidos, uma vez que um relata uma quantidade de 0,30 miligrama de álcool por litro de ar alveolar e outro 0,40 miligrama de álcool por litro de ar alveolar, com o fato de que em sede de exame de corpo de delito realizado no preso, a médica do CPC Renato Chaves concluiu que o periciando não se encontrava em estado de embriaguez e nem com a capacidade motora alterada.

No mais, a jurisprudência das Cortes Superiores é remansosa no sentido de que a determinação de encarceramento do réu antes de transitado em julgado o édito condenatório deve ser efetivada apenas se presentes e demonstrados os requisitos trazidos pelo art. 312 do Código de Processo Penal.

No caso, não há elementos concretos que agravem a conduta além daquela já prevista abstratamente no preceito primário da norma penal. A despeito da notória gravidade e da reprovabilidade social do comportamento do recorrente (suposta embriaguez ao volante) – a ensejar, se demonstrada a imputação, correspondente e proporcional sancionamento penal – haveria de ser analisada a existência ou não de meios outros, que não a prisão preventiva, que pudessem, com igual idoneidade e eficácia, satisfazer as exigências cautelares do caso analisado, com carga coativa menor. (RHC 46.099/RJ, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA)

A ideia subjacente à subsidiariedade processual penal, que permeia o princípio da proporcionalidade, em sua máxima parcial (ou subprincípio) da necessidade (proibição de excesso), conduz a que o juiz somente deve decretar a medida mais radical – a prisão preventiva – quando não existirem outras medidas menos gravosas ao direito de liberdade do indiciado ou acusado, por meio das quais seja possível alcançar, com igual eficácia, os mesmos fins colimados pela prisão cautelar. (FIHC 46.099/RJ, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA)

No atual ordenamento constitucional a liberdade é a regra, e sendo o réu primário de bons antecedentes, não se justifica sua prisão, conforme iterativa jurisprudência: “A gravidade da infração, só por si, não induz necessariamente a custódia preventiva ou provisória se são bons os antecedentes do réu, ou se for primário e com residência e emprego fixos” (RT 601/321).

De igual modo, a dúvida quanto a real condição da capacidade psicomotora alterada em razão do álcool, induz fragilidade ao decreto de medida constritiva extrema (prisão preventiva). Assim vem sendo decidido pelos tribunais pátrios: HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO AUTOMOBILÍSTICO COM DOLO EVENTUAL. PRISÃO PREVENTIVA. AUSÊNCIA DA PROVA CONCRETA DA PERICULOSIDADE DO RÉU, INTENÇÃO DE FUGA OU DE EMBARAÇOS À INSTRUÇÃO PROCESSUAL. IMODERAÇÃO NA FIXAÇÃO DA FIANÇA. DESNECESSIDADE. LIBERDADE PROVISÓRIA COM MEDIDAS CAUTELARES. CONCESSÃO PARCIAL DA ORDEM.

1 Paciente preso em flagrante por infringir três vezes o artigo 121, caput, do Código Penal, duas consumadas e uma tentada, mais o artigo 14 da Lei 10.826/03, eis que, estando embriagado, causou acidente de trânsito com vítimas fatais, recebendo liberdade provisória cumulada com medidas cautelares e arbitramento de fiança de sessenta e dois mil, duzentos e setenta e três reais, mais a suspensão do direito de conduzir automóveis por um ano.

2 A Constituição presume inocente todo cidadão, que pode se defender em liberdade, mas admite, excepcionalmente, a prisão antecipada de quem represente grave risco à incolumidade física ou psíquica das pessoas, nos casos descritos no artigo 311 e seguintes do Código de Processo Penal.

Não é ocaso de quem, aos cinquenta e dois anos de idade, incursiona pela primeira vez na seara do crime, sem que haja prova de contumácia em infrações de trânsito, o que, em tese, poderia justificar a cautela ante a periculosidade do réu. (…)

4 O Juiz há de perquirir a real necessidade de impor fiança para obrigar o comparecimento do réu a Juízo. Quando se trata de servidor público com endereço certo, família constituída, primário e que jamais transbordou os limites da lei penal, são remotas as possibilidades de reincidência,de fuga ou de perturbação à instrução do processo.

5 Ordem parcialmente concedida para excluir a fiança e dispensa o paciente de comparecer mensalmente em Juízo, mantendo a suspensão cautelar da Carteira Nacional de Habilitação. (Acórdão n.606801,20120020110766HBC, Relator: ROMÃO C. OLIVEIRA, Relator Designado:GEORGE LOPES LEITE 1a Turma Criminal, Data de Julgamento: 14/06/2012, Publicado no DJE: 07/08/2012. Pág.: 294)

Assim, entendo que não estão presentes, por ora, os requisitos para a decretação de sua custódia preventiva, sendo proporcional ao caso concreto a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão previstas no artigo 319, do Código de Processo Penal, a fim de garantir a instrução criminal e a aplicação da lei penal.

Avalio não existir, portanto, motivos que autorizem a manutenção da prisão preventiva do acusado. Vide jurisprudência do STJ: “Sendo o paciente comprovadamente primário, possuidor de bons antecedentes, residência fixa e emprego lícito, mister se faz, para a manutenção da sua custódia cautelar, a referência expressa a motivos concretos que desautorizem a concessão de sua liberdade provisória, não sendo suficiente, pois, mera alusão à regularidade do auto de prisão em flagrante. Ordem concedida para, reformando o acórdão impugnado e cassando o Decreto monocrático, deferir ao paciente a liberdade provisória nos termos do artigo 310, parágrafo único, do Código de Processo Penal, com o compromisso de estar presente a todos os atos e termos do processo, sob pena de revogação da medida”. (STJ — HC 18965 — RJ — V 1— Rel. Min. Hamilton Carvalhido — DJU 19.12.2002). “C..)

II — Mesmo em sede de crimes hediondos, o indeferimento da liberdade provisória não pode ser genérico, calcado em mera repetição de texto legal ou, então, na gravidade do delito (Precedentes). Habeas corpus concedido. (…) (STJ – HC 15176 /RJ, HABEAS CORPUS 2000/0132709-7, Relator Ministro FELIX FISCHER, Órgão Julgador T5 – QUINTA TURMA, Data do Julgamento 17/05/2001, Data da Publicação/Fonte DJ 13/08/2001 p. 185)

Ante o exposto, concedo a liberdade provisória para MARCO ANTÔNIO SARES RAPOSO, filho de Tennyson Portelada Raposo e Maria de Nazaré Soares Raposo com base no art. 321 do CPP, imponho-lhe as seguintes medidas cautelares, com base no art. 319 do CPP e art. 294 da lei 9.503/97: 1— comparecer mensalmente em juízo para tomar ciência do andamento processual; II — informar qualquer alteração de endereço; III — pagamento de fiança no valor de 40 (cinquenta) salários mínimos, ou seja, R$ 38.160,00 (trinta e oito mil, cento e sessenta reais),nos termos do art. 325, II, e art. 326, ambos do CPP, em razão da gravidade da conduta, das consequências e da condição financeira do flagranteado; IV — Apresentação da habilitação no prazo de 24 horas, que ficará em juízo até conclusão de curso de reciclagem solicitado pelo Ministério Público; V — Determino ainda que o flagranteado apresente em juízo documentos necessários para família da vítima poder requerer seguro DEPAVAT. Oficie-se a DETRAN/PA encaminhando ao acusado para realização de reciclagem. Após o pagamento da fiança, expeça-se alva soltura.

Considerando o fato de que hoje é domingo e o valo fiança é alto, autorizo que a garantia da fiança seja paga media caução de cheque, que deverá ser substituído pelo boleto devidamente pago a ser emitido na segunda feita, dia 29/04/201 pela Vara de Inquéritos e buscado pela defesa do acusado na secretaria do juízo. 3. Informe a autoridade policial acerca desta decisão determinando que a mesma conclua o Inquérito Policial no prazo legal. 4. Após, redistribuam-se os autos à vara competente.

HEYDER TAVARES DA SILVA FERREIRA

Discussão

18 comentários sobre “O crime e a liberdade

  1. O senhor dr juiz não considerou o novo código de motoristas envolvidos em acidentes de trânsito sobre efeitos de embriaguez não cabe alvará de soltura do acusado lei sancionada pela presidência da República e cadeia diretor mas como se trata de um apadrinhado político dos Barbalhos isso é uma vergonha

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    Publicado por Carlos Roberto Rodrigues LOBO | 30 de abril de 2018, 23:04
  2. Matar ao volante, dependendo de quem seja o criminoso, é estratégico!
    Fico a me perguntar. E se fosse o contrário. O rapaz estaria imediatamente preso? E se fosse um irmão ou amigo de certo magistrado, a interpretação seria dessa mesma forma?
    E se um parente ou amigo do falecido já prevendo o desfecho quase sempre certo, uma insignificante pena, e quando há, que mais se parece com impunidade, vier depois tirar a vida desse condutor “mais ou menos” embriagado, ou será “mais ou menos” alcoolizado?
    Por qual razão esse parente ou amigo seria um criminoso? Diria um douto jurista: porque ele desrespeitou a lei! Porque estamos em uma sociedade civilizada! Doutro, para quem é a tal sociedade civilizada? Para pessoas que tem carro bem caro, que pode sacar 38 mil reais e pagar na hora, e sem pestanejar? Para coitadinhos como Lula que pode pagar os mais caros advogados do país e até do exterior? Para quem pode ir arrumando uma infinidade de recursos até que o crime prescreva?
    Mais criminosa não foi a lei e a super interpretação “hermenêutica”, para lá de leniente, dada ao “paciente-anjo” por um ser ou seres que se julgam detentores da vida e da morte? Até que ponto vale se sujeitar como cordeiro ou escravo a um compendio de leis que mais se parece com a própria injustiça?
    Quem ganha com o abismo interpretativo dessas leis? Por que tanta carga subjetiva e interpretativa? Alguém ainda acredita que só os parlamentares tem a prerrogativa de elaborar leis? Olhando para todos os exemplos que nos chegam, ainda temos dúvida que boa parte dos Juízes também não fazem leis? Lembram do ministro Ricardo Lewandowski e a cabeluda interpreta do “e” (perde o cargo “E” os diretos políticos; perde o cargo “ou” diretos políticos). Alguém ainda crer na fábula da independência dos três poderes?
    Para quem acha que o sistema é isonômico, pegue o seu carrinho de pipoca, espere algum parente ou os próprios homens da toga preta, e esbarre de leve (não vá fazer a loucura de passar por cima do pé dessa casta) na beira da roupa dessa gente, veja se dá tempo de pedir desculpa.

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    Publicado por Diniz | 1 de maio de 2018, 00:25
    • Muito bem posto, Diniz.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 1 de maio de 2018, 09:13
    • “Matar ao volante é estratégico”? Esse Diniz é uma piada. Faz comparações absurdas, e ainda julga com base na capacidade econômica dos envolvidos. Mas é um moralista versado na retórica lulista. Sabe nada de direito, inocente…
      Tomar como fundamento para dizer o que disse o julgamento do impeachment no Senado é de uma impropriedade atroz. Tomara não comece a falar de medicina por aqui, antes de ler a bula.
      O senso comum é mesmo uma m*.

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      Publicado por Anônimo | 1 de maio de 2018, 14:52
  3. O que mais chama a atenção: a defesa baseou-se na não embriaguez do acusado como pretexto para que o juiz terminou por solta-lo. Pouco importa, se a vítima morreu. Que dizer essas brechas da lei tem de ser revistas. Só que isso nunca irá acontecer, pois são essas que mantém a impunidade e advogados cada vez mais ricos com seus escritórios suntuosos nas áreas nobres de Belém onde pobre o máximo que pode ser lá é colaborador de serviços gerais. Se fosse a vítima quem tivesse assassinado o réu da mesma forma a lei argiria a favor desse do mesmo jeito? Só uma emissora de tv de Belém noticiou esse fato!

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    Publicado por Henrique Miranda | 1 de maio de 2018, 05:36
    • Como todos os dias há mortos ou feridos no trânsito de Belém e cada vez mais motoristas dirigem bêbados pela cidade, pondo em risco a vida de terceiros, este é um debate importantíssimo. Por isso transcrevi a sentença, que é exemplar de um modo de ver a criminalidade difusa e dissimulada em acidente de trânsito. O peso maior à formalidade da lei desnatura a sua razão de ser quando o crime é de morte, um evidente homicídio.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 1 de maio de 2018, 09:19
      • Sentença, Lúcio? Não seria apenas o termo de audiência de custódia, com uma decisão interlocutória pré-processual, de inquérito? E provisória, mesmo durante a fase inquisitorial. Porque pode ser substituída a qualquer momento por uma preventiva, caso fatos novos indiquem que o indiciado não cumpre mais os requisitos que ensejaram a liberdade provisória e atua de modo a dificultar a aplicação da lei penal (compra uma passagem para o exterior, p. ex.).

        Sim, indiciado por homicídio. Mas calma que isso aí ainda pode dar em co-culpabilidade. O ato por si só de o condutor estar sob efeito de bebida alcoólica é infração gravíssima, é crime!, mas não pode presumir culpa exclusiva ou dolo, na hipótese de se apurar, por imagens, que a vítima adentrou à via preferencial sem qualquer atenção, e sem o capacete que poderia ter-lhe evitado a morte – isso acaba dando em absolvição ou, no mínimo, atenuação da pena.

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        Publicado por Ana Maria Cordeiro | 1 de maio de 2018, 14:32
      • Corrijo: é o despacho, não a sentença. Obrigado.
        Destaco os critérios do julgador na ponderação das provas, o que o levou a não considerar o crime como doloso, apenas culposo. Você faria o mesmo?

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 1 de maio de 2018, 15:24
      • Bem observado, Ana.

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        Publicado por Anônimo | 1 de maio de 2018, 14:55
      • Pelo relatado na imprensa, não vi caracterizado o dolo direto, talvez o “eventual”, pela alcoolemia do condutor. Mas não vi também demonstrado que ele causou o acidente. Pelo que entendi, o condutor da moto saiu repentinamente da viela ao lado do supermercado (diferentemente do condutor bêbado de semanas atrás, que avançou o sinal e causou a morte de uma criança de dez anos na Duque – e já está em liberdade!). A pergunta a se fazer é: mesmo sem estar bebido e trafegando dentro da velocidade permitida, haveria como o condutor da picape (carro pesado) evitar a colisão? Não pode ter havido culpa do outro condutor, também? Não teria a vítima também agido com extrema imprudência ao acessar a via?

        Ao que parece, o laudo do etilômetro suscitou dúvida ao juiz quanto à sua aferibilidade, indicando discrepância entre duas medidas feitas logo após o sinistro (0,03 e 0,04 mg/L de sangue). Isso gera nulidade a ser arguida mais adiante pela defesa, na fase processual. Poderia, contudo, ter enviado o condutor ao CPC Renato Chaves, para exame de sangue, mas não o fez, permitindo a tão falada “brecha da lei” em favor do indiciado: “falta de provas” para qualificadora do tipo. É prova irrepetível. Em algumas horas não haverá mais álcool no sangue do condutor, tornando frágil um conjunto probatório para um decreto condenatório apenas embasado em provas testemunhais ou periciais.

        Portanto, deve ter se deixado levar pela dúvida ou alguma influência, e avaliando os requisitos do indiciado talvez não lhe tenha restado alternativa a não ser não decretar preventiva e conceder liberdade provisória. Fundamentou o despacho interlocutório, contudo, com jurisprudência já anacrônica, de mais de duas décadas atrás, quando esse tipo de crime (que nem era crime à época) era regido por outra legislação, e as medições, embora no caso dentro da hipótese de crime, deve ser considerada a margem de erro do INMETRO, 0,04 mg/L.

        De certo, pelos registros fotográficos feitos na cena do crime, se verifica pelos danos nos veículos uma possível alta velocidade do condutor da caminhonete, além sinais de que dirigia sob efeito de álcool. Mas isso, por si só, não seria o suficiente para um decreto de restrição da liberdade (prisão preventiva – sem prazo), o qual requer juízo mais robusto de probabilidade da culpa ou dolo e a conduta da vítima para o resultado. Assim é no nosso ordenamento. Posso estar dirigindo embriagada, mas não posso ser culpada se um sujeito se jogar sob os rodados do meu carro. Em tese, responderia por infração administrativa e criminal, mas não por homicídio, vez que em nada teria contribuído para o evento morte, nem teria tido como evitá-lo. Mas é também difícil julgar quando não se testemunhou o fato.

        Agora, como cidadã comum, posso dizer que se eu fosse a juíza da audiência de custódia, poderia julgar diferente e atender ao clamor público e decretar a preventiva pela reprovação da conduta, indicando à sociedade o endurecimento que se deve dar a casos do tipo. A irresponsabilidade realmente já passou da conta, e é à vida que se deve dar maior proteção, ao invés da liberdade de alguém que conduz veículo sob efeito de álcool. Porém, não é por essas razões que se deve julgar os requisitos para um decreto restritivo de liberdade. Talvez decidisse pelo contrário do que o juiz decidiu, mantendo-o preso, sem direito à fiança, embora acredite que seria posto em liberdade em pouco tempo. Afinal, o Brasil é terra de Lewandowskis, Toffolis, Mendes e Melos, numa era de monumental insegurança jurídica.

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        Publicado por Ana Maria Cordeiro | 1 de maio de 2018, 17:56
      • Muito obrigado pela sua judiciosa contribuição a este debate.
        Há testemunho de que o motorista conduzia o carro em ziguezague. Esse detalhe, mais a excessiva velocidade, além da dosagem alcoólica, poderiam servir de fundamento para a decretação da prisão preventiva. Seria a contribuição do juiz, dando a competente interpretação às provas, à lei, à doutrina e a jurisprudência, para inibir esse morticínio ao volante, que causa a morte de mais de 60 mil pessoas a cada ano no Brasil, mais do que as mortes de americanos na guerra do Vietnam. A sociedade já não tolera esse sacrifício de vidas creditado à irresponsabilidade de motoristas.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 1 de maio de 2018, 18:36
  4. É esse tipo de gente que governará o Pará caso a população resolva barbalhar. É isso mesmo que vocês querem?

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    Publicado por Jose Silva | 1 de maio de 2018, 07:32
  5. Essa é a “ciranda da impunidade” – a promíscua relação entre os poderes constituídos. O resto é verborragia para fingir que tudo foi juridicamente correto.

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    Publicado por j.jorge | 1 de maio de 2018, 08:39
  6. Bons costumes da Tradicional Família Brasileira, pois!

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    Publicado por Luiz Mário | 1 de maio de 2018, 10:21
  7. E pensar que a poeira das estrelas viajou dez bilhões de anos-luz para produzir uma sociedade deste tipo.

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    Publicado por valdenor | 1 de maio de 2018, 18:51
  8. Farei apenas uma observação sobre o tétrico comentário, lá em cima, o quinto. É constrangedor fazer isso, pois vejo que o comentário desse ser é de uma inépcia, é abjeto e vil. Creio que por isso ninguém se dignou em comentar a pueril e absurda “palpitada”. Vejam como ele destoa e delira em relação a tudo o que foi postado. Não que a voz da maioria seja a voz de Deus, ou deva ser aferida como a máxima expressão da verdade.
    Como o “palpiteiro” vive em outro mundo, o dos duendes e dos cadáveres, ele não sabe ou ignora que é exatamente isso: é estratégico matar ao volante, principalmente se você tem poder econômico. Porque tendo tal poder, você pode e vai encontrar juízes-advogados a lhe oferecer as benesses que aos outros reles mortais não se daria, isso é quase regra em um judiciário corrupto. Foi com base no poder que Dilma-Lula tinham que o antigo presidente do supremo estuprou e criou uma nova constituição. Nem o Collor teve tamanha ventura. Mas o que eu estou a dizer! Estou responder a um louco! Como o dito cujo não sabe nada do mundo objetivo dos vivos e dos fatos, pois o mundo dele é o dos cadáveres, não poderá entender a menor comparação que seja em relação ao mundo objetivo de quem palmilha o chão da realidade. Não entendi nada de Dilma, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e companhia limitada. É um brincante!
    Ah, certo local de trabalho está se tornando uma montanha de cadáveres a cada dia que passa. Algo que qualquer vivo cravaria com tamanha precisão, e com o magro senso comum, que certos doutos chamam de “m”. Esse “douto” não conseguiria enxergar a “m” do e no senso comum, nem mesmo se estivesse servido de um conjunto de lentes poderosas como as do satélite Hubble. Sabem por que ele não conseguiria ver? Porque simplesmente a ignorância cadavérica e tétrica o impede de abrir os olhos. Passa muito tempo com a medicina dos mortos, e esquece ou não sabe que o pouco de lei terapêutica que ainda há do e para os vivos, está sendo sumariamente enterrada para maioria dos que não tem poder, principalmente o econômico.
    Também era obvio e de senso comum que a imprensa repercutiria a nota do IML gritando que os peritos já estão com sobrecarga de trabalho. Que o instituto precisa de peritos e de outros servidores para o IRC, pois mais do que nunca a contratação de mais profissionais se faz necessário para o monumental serviço de periciar cadáveres. O cara não acerta uma, nem com a “m” óbvia do senso comum que ele escarneceu. É um pária!
    Piada é ver que todos os comentários aqui estão se colimando para o mesmo ponto de vista, com diferentes formas e profundidades, isso é óbvio, mas todos convergindo para o mesmo ponto “óbvio”, que alguns chamam de uma “m”, mas que não deixa de ser o espelho da verdade maiúscula. Mas para o “cidadão” do mundo dos mortos, não.
    Piada é alguém aparecer dirigindo um carro “opinioso” e sair atropelando a todos com o carro da morte. Ele atropela a todos que estão corretamente constatando a mesma tragédia em que se encontra o mundo dos vivos, mas que estão morrendo como moscas, porém o dito cujo acha que está certo. Boçalidade já tem um novo endereço, o caleidoscópio míope de certos anonimatos.
    Piada é está na contramão desse mundo de análises. Piada, e de péssimo tom, é ignorar essa montanha de verdades e análises que as pessoas fizeram acima, com variadas matizes e ângulos, claro. Destaco a análise técnico-jurídica que Ana Maria do Socorro fez. Ela disse o que eu tantos outros acima disseram, só que outras palavras, inclusive o dono do espaço, Lúcio. Piada é oferecer palavras tacanhas e canhestras para servir de pretensa ofensa. Um desserviço ao debate. Próprio de seres cadavéricos de ideias.
    Como já anteriormente disse ao piadista, que os mortos enterrem os seus mortos! Tem gente que não tem vergonha mesmo, é masoquista até com e no cadáver. Vai procurar um pé de briga inútil em outro lugar. Aqui não há espaço para isso. Aqui todos estão de saco cheio dessa cegueira. O silêncio-resposta de todos em relação ao comentário-piada é sintomático. Só um idiota ou morto não percebe. Esse fórum é pequeno demais para comentário-piada sem noção. O espaço sepulcral do silencio e da irrelevância está decretado para piadistas.

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    Publicado por Diniz | 3 de maio de 2018, 02:39

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