//
você está lendo...
Imprensa, Política

Que Brasil é este?

Não sei se a Globo conseguirá se tornar um dos principais polos de influência na eleição de outubro e se a série O Brasil que eu quero tenha este objetivo. Independentemente de tal componente, essa iniciativa está permitindo, aos que a seguem, descobrir este Brasil continental, tão imenso quanto diverso e complexo.

Brasileiro não conhece o seu país e nem parece ainda suficientemente disposto (ou em condições de materializar essa disposição, se existente, por falta de fundos para custear dispendiosas viagens). É uma séria barreira ao amor pela nação. Mesmo meteóricas incursões pelo interior, num território de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, como as proporcionadas pela Globo, são proveitosas – por vezes, emocionantes. Que país é o Brasil!

É um Brasil, por sua distância do centro do poder e da fímbria litorânea de riqueza multissecular, que precisa trabalhar todos os dias para sobreviver. Efeito da grandeza física do país em que moram, prosperaram nos últimos anos, principalmente  pelos efeitos da expansão do agronegócio por mercados internacionais (com ênfase no chinês), com a valorização das commodities.

A Globo lhes deu voz e eles falaram como conjunto, com alguma unidade por suas origens e pelo que dizem, incoerências e contradições à parte. Contradições detectadas por alguns deles, como as moças paranaenses, que condenaram os que criticam o roubo de milhões pelos políticos e roubam milhos grandes – ou milhões – de plantios expostos à beira da estrada. É a moral privada desconectada – ou indiferente – da moral pública, quem aponta o dedo sem legitimidade para cobrar virtude que não pratica.

Por tudo isso, gostaria de ver a continuidade desse programa com suas raízes plantadas no que temos visto. E temos visto constantes denúncias de desperdício ou dissipação de dinheiro público (corrupção intensa à parte). Obras mal iniciadas, incompletas, abandonadas ou que nunca funcionaram são apontadas por moradores dos lugares nos quais elas estão instaladas, mais repórteres do que muitos jornalistas.

Por que não criar uma nova série só para dar a oportunidade aos cidadãos operosos deste Brasil de apontarem esses candentes exemplos de má gestão do dinheiro do povo? Eles teriam mais tempo (até um minuto) para detalharem essas denúncias, incluindo imagens internas, quando necessário. O serviço dos cidadãos seria complementado pela obtenção de maiores informações pela equipe da Globo e uma confrontação dos administradores públicos com as tarefas sob a sua responsabilidade e a palavra dos órgãos de controle externo, como os tribunais de contas e os ministérios públicos.

Reunido todo material, a Globo forneceria o dossiê a quem de direito para as providências da sua competência e jurisdição. Pela primeira vez, numa escala sem paralelo, a voz do povo teria que ser ouvida e ter consequências legais e práticas.

Poderia mudar este país pantagruélico, esta cruel monarquia republicana?

Discussão

19 comentários sobre “Que Brasil é este?

  1. Lúcio
    Acho que com a série “O Brasil que eu quero”, a Globo faz mais um exercício de entregar os anéis para não entregar os dedos.
    Quero dizer, faz alguma coisa para dizer que está fazendo e com isso deixar de fazer o que realmente deveria ser feito, que seria pugnar pelo amadurecimento da democracia brasileira.
    Aliás não só ela, mas todos nós deveríamos ter por meta, nos tornarmos uma democracia nos moldes europeus como dizemos querer.
    Ou não é esse o nosso objetivo?
    Ou o povo brasileiro é burro e jamais entenderá isso, como apregoam alguns?
    Uma vez posto isso como nosso objetivo, erros e acertos girariam em torno dessa busca.
    A forma de como colocar isso em prática, envolvendo vários setores da sociedade, já seria um grande exercício de democracia que não temos.
    A imprensa por sua vez, seria convidada, a realmente participar desse processo que tanto nos faz falta.
    Em vez dessa busca, somos bombardeados pela falsa promessa de que esse amadurecimento vira pelo simples exercício de votar.
    Por isso, em vez de se buscar acabar com os carrapatos, se busca apressadamente matar a vaca.
    Ou seja, em vez de se combater o errado dentro dos preceitos da democracia, destrói-se apressadamente com qualquer busca por organização social, que de início terá sim, seus erros e incongruências como tem todo processo.
    Creio que uma vez tendo uma democracia que assim pudesse ser chamada, ou sua simples busca, teríamos realmente como combater e diminuir as distorções e mazelas com as quais convivemos e toleramos.
    O resto é pura embromação, “encheção de linguiça”, para usar o termo popular apropriado.
    Por mais revestida de boas intenções que seja a “série”, não creio na sua objetividade.
    Afinal, quem não sabe que essas coisas acontecem aos montes no Brasil que não quero?
    No máximo, o que poderia ser apurado com a “voz dada pela Globo aos cidadãos”, seria o volume dos desmandos. Mas não acredito, que isso seria mais motivador para a apuração dos fatos.
    Afinal, quem de nós, minimamente informados, já não sabe do que se passa no Brasil?
    Além do mais, a série já é repetitiva e cansativa de mais, visto que muito embora mudem as paisagens, as ocorrências sempre serão monotonamente as mesmas.
    O volume é sim grande, mas os tipos de ocorrência são poucos.
    Por isso creio, que muito mais motivador e objetivo, seria buscar montar o quebra cabeça da nossa democracia, da qual temos poucas peças nas mãos.
    Esse é o desfio.
    Uma vez as instituições funcionando minimamente, com a devida vigília da população e da imprensa, seria a forma mais objetiva para diminuir o volume das ocorrências nefastas que hoje nos prejudicam.
    O resto é oportunismo de quem desvirtua a realidade para ter como como ferramenta de dominação, a desinformação, a confusão e a falta de consciência dos outros.
    Não fosse assim, as telas dos televisores do Brasil a fora, não estariam cheias de cultivo a falsos sentimentos, meias verdades impostas pela força, induções e falsas propostas que nunca foram e nunca serão solução para nada, muito menos para o Brasil que realmente queremos.

    Curtir

    Publicado por Alonso Lins | 21 de junho de 2018, 00:06
    • Acho que todas as suas respeitáveis objeções são insuficientes para se chegar à conclusão de que seria melhor se a Globo não tivesse tomado essa iniciativa.

      Curtir

      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 21 de junho de 2018, 06:43
      • Iniciativas da Globo para fortalecer a democracia e a sociedade:

        1. Telecursos. Mais de sete milhões de alunos com diploma e 40 mil professores formados

        2. Canal Futura

        3. Museu do Amanhã

        4. Museu da Língua Portuguesa

        5. Jovem Cientista

        6. Apoio a centenas de projetos culturais via Fundação Roberto Marinho

        7. Apoio a UNICEF para apoiar centenas de projetos sociais liderados por pequenas ONGs.

        8. Debates e programas na GloboNews, com pautas bem avançadas.

        9. Denunciar a falcatrua dos políticos em todos os jornais da emissora.

        A lista deve ser mais longa. Alguém pode dizer que a Globo fez o que deveria fazer. Eu concordo. Entretanto, compare o que a empresa fez com o que outras empresas fizeram até hoje. Quem está devendo?

        Curtir

        Publicado por José Silva | 21 de junho de 2018, 10:12
  2. Mestre, você descreveu uma versão pouco mais organizada e aprimorada do que foi o quadro semelhante do finado CQC da Band “Proteste já”? Sem dúvida um dos pontos altos da TV brasileira, falecido precocemente, depois de perturbar merecidamente umas poucas dúzias de péssimos, e não raro criminosos, gestores públicos.

    Curtir

    Publicado por Marlyson | 21 de junho de 2018, 15:46
  3. Lúcio

    Em nenhum momento eu disse que a Globo não deveria ter tomado a iniciativa de colocar no ar sua pesquisa.
    Questionei sua praticidade e sua intenção.

    O que disse, ou tentei dizer, é que antes dessa ou de outras iniciativas, como detentora de concessão pública – assim como todo e qualquer cidadão bem-intencionado – ela deveria ter a obrigação ética e moral, de buscar clareza e lucidez como fontes indispensáveis à democracia.

    Isso deveria ser feito, sem preferências, lados, imposições ou manipulações, que servem muito mais para confundir e desvirtuar a realidade, do que trazer supostos benefícios decorrentes de bondades oferecidas.

    Como exemplo prático quero dizer, que o fato de eu ter ensinado alguém ler e escrever, não justifica que eu roube ou manipule a consciência desse alguém.

    Para mim, uma vez cumpridos seus deveres éticos, ela poderia fazer o que bem quisesse, desde que tais iniciativas estivessem realmente revestidas de boas intenções, como algumas podem até estar.

    Lembro porém que oferecer bondades, não é de tudo inquestionável, já que é prática utilizada por oportunistas no mundo todo, que se valem da falta de visão e da ingenuidades de incautos, como ferramenta de manipulação, de domínio e de ganhos indevidos.

    O que defendo, é uma sociedade atenta, bem informada, esclarecida e democrática, capaz de diferenciar o valor da bugiganga e do Pau Brasil.

    Curtir

    Publicado por Alonso Lins | 22 de junho de 2018, 16:18
    • Uma sociedade atenta, bem informada, esclarecida e democrática começa com acesso à educação e cultura. Sem isso, teremos apenas miseráveis correndo atrás de migalhas fornecidas pelos políticos corruptos. Sabendo ler, escrever e estando exposto ao que o mudo tem de melhor, mesmo que de forma virtual, permite a pessoa tomar as suas próprias decisões, incluindo, por exemplo, mudar o canal de televisão. Das inúmeras iniciativas sociais da Globo, não vi nenhuma que fosse contra a ideia central da formação de um cidadão responsável e crítico.

      A idéia de mostrar mensagens de vídeos de diferentes pessoas de diferentes pessoas do Brasil é excelente, pois indica que o país precisa de uma mudança radical e que o problema que se pensa local é na verdade nacional. Neste processo de expor cada vez mais as mazelas do país, a imprensa passa a ter inimigos. Entre os inimigos mais ferozes estão os partidos políticos tradicionais, porque, para estes, a transparência faz mal, muito mal. Os regimes totalitários e dogmáticos conhecem isso muito bem, por isso tentam, por todas as formas, controlar ou desqualificar a imprensa. É melhor ter uma imprensa imperfeita, mas livre, do que uma imprensa sem liberdade.

      Curtir

      Publicado por José Silva | 22 de junho de 2018, 18:16
  4. E quem vai levar educação, se não um estado democrático e eficiente?

    Um soba qualquer, para fazer valer suas ambições de poder, por meio de manipulações que analfabetos funcionais não conseguem perceber?

    Qual a maneira eficiente de combater toda espécie de corrupto, não só de políticos, se não uma democracia madura e um estado eficiente, com instituições independentes?

    Ou serão os verdugos punitivos com suas manipulações, preferências e lados?

    O fato de saber ler e escrever não dá consciência a ninguém. Conheço muito letrado analfabeto, que não tem a mínima leitura do que acontece ao seu redor, muito menos no mundo. E como conheço!

    Essa é uma afirmativa que além de equivocada é infeliz.

    Quem está defendendo partidos totalitários e dogmáticos?

    Se alguém não vê manipulação em programas que tem a clara intenção de cultivar falsos sentimentos e soluções que são verdadeiros engodos para iludir incautos, eu vou fazer o que?

    Melhor parar por aqui.

    É por posições como essas que podemos ver o tamanho do equívoco existente e porque a nossa democracia está tão combalida e desacreditada.

    Pode ficar cultuando sua imprensa imperfeita e “livre”.

    Eu continuarei criticando, se possível combatendo.

    Acredito que ela pode ser sim livre e muito melhor.

    Francamente….

    Curtir

    Publicado por Alonso Lins | 23 de junho de 2018, 19:05
    • Educação é uma ação de todos e não somente do estado. Creio que esse é o princípio número 1 de uma sociedade moderna, não?

      Ler e escrever é uma condição necessária mas insuficiente para consciência, como pode ser observado diariamente nos nossos políticos, gestores e eleitores que defendem o indefensável. De qualquer forma, a consciência no mundo moderno não pode ocorrer sem saber ler e escrever. Isso é básico como 1 +1= 2.

      Realmente não se pode fazer nada por quem já decidiu de antemão que tudo que existe não presta, que somente há pessoas que agem por egoísmo e para levar vantagem, e que o objetivo final de qualquer ação individual ou institucional é enganar o próximo. Deve ser realmente difícil viver assim com tantos fantasmas.

      Continue o seu combate. Boa sorte.

      Curtir

      Publicado por José Silva | 23 de junho de 2018, 19:48
  5. Claro que a educação é uma obrigação e todos, mas principalmente do estado que deve ficar atento às suas diretrizes.

    Quem garante que eu sou alguém que decidiu de antemão que tudo que existe não presta?

    Como já falei, procuro ver a diferença entre o valor do espelho e do Pau Brasil.

    Não acredito nem tenho fantasmas, mas que eles existem, existem!

    As vezes basta ligar a TV que eles aparecem, mas nem todo mundo consegue ver….

    Curtir

    Publicado por Alonso Lins | 24 de junho de 2018, 08:37
  6. O equívoco é bem maior do que parece.

    Quem usa tal recurso é avestruz.

    Como cidadão tenho que enfrentar a realidade, para tentar muda-la.

    Apagar a TV ou mudar de canal não muda essa realidade.

    Por isso que tem gente que acredita em determinadas falsas soluções.

    Não é mesmo?

    Curtir

    Publicado por Alonso Lins | 24 de junho de 2018, 19:14
    • Não. Você pode entrar em contato com a realidade de outras formas: visitando uma baixada, andando na rua, fazendo trabalho voluntário, participando de associações. O grande equívoco é achar que a a realidade só existe se for passada na tela da televisão de uma única emissora.

      Curtir

      Publicado por José Silva | 25 de junho de 2018, 07:35
  7. Já fiz tudo isso e muito mais.

    Por isso sei diferenciar o espelho do Pau Brasil.
    Minha fonte de informação não é o que passa na tela da televisão, mas não posso desconhecer a capacidade de alienar da “máquina de fazer doido” como dizia Stanislaw Ponte Preta.

    Procuro fazer as coisas de modo objetivo.
    De que adianta eu querer ser bonzinho fazendo um trabalho qualquer, visitando baixadas e desconhecer que alguém está jogando contra o patrimônio, alienando milhões?

    Aí não adiante apagar a TV, não é?

    Deve ter quem resolva os problemas do mundo com o recurso proposto. Outros acreditando em engodos vendido pela mesma.

    Curtir

    Publicado por Alonso Lins | 25 de junho de 2018, 18:13
    • Acho que você superestima em muito a capacidade de uma empresa de televisão alienar as pessoas e subestima muito mais ainda a capacidade crítica da sociedade na qual você vive.

      Curtir

      Publicado por José Silva | 25 de junho de 2018, 23:48
    • Este é um artigo muito fraco de uma jornalista brasileira que combina dados de uma forma macarrônica com uma interpretação particular da programação de uma tv comercial. Creio que se ela passasse um dia todo assistindo qualquer tv comercial no mundo ela escreveria a mesma coisa.

      Como você gosta de exigir evidências concretas para apoiar os seus argumentos, ficarei aguardando as provas.

      Curtir

      Publicado por José Silva | 26 de junho de 2018, 20:12
  8. Não é uma questão de provas.

    É uma questão de percepção.

    A Globo não é a única a cultivar a ignorância como ferramenta de dominação, mas com certeza é um importante agente dessa mentalidade.

    Porque então somos um país tão atrasado?

    Se alguém não quer ver isso, paciência….

    Curtir

    Publicado por Alonso Lins | 26 de junho de 2018, 22:04
    • Qualquer cientista social sabe como mensurar percepção. Até onde eu sei nenhum estudo foi publicado até hoje mostrando que a Globo influencia negativamente a população brasileira. Até lá, tudo não passa de discurso político sem argumento consistente.

      Não somos um país atrasado. Se você comparar com outros países ao redor do mundo, estamos até indo bem, apesar dos nossos políticos. O que somos é um país que desperdiça oportunidades como nenhum outro, possivelmente porque acha que a riqueza natural existente dentro dos nossos limites territoriais é infinita.

      Somos sim um povo que esbanja. Do ponto de vista econômico, se você olhar o livro recente do Jorge Caldeira sobre o desenvolvimento econômico do Brasil, você descobrirá algumas das razões reais do que você chama de atraso. Há outros livros baseados em dados discutindo o desenvolvimento avacalhado no Brasil durante a sua história.. Até onde eu sei, nenhum deles culpou a Globo. Se você encontrar algo diferente, por favor compartilhe conosco.

      Curtir

      Publicado por José Silva | 27 de junho de 2018, 08:20
  9. Um artigo publicado no New York Times, que é um dos jornais com maior credibilidade no mundo não tem importância então.

    Para ver uma influência negativa que salta aos olhos de qualquer adolescente bem informado é preciso mensuração por trabalho acadêmico.

    Se o alto índice de corrupção, de homicídios e IDHs baixíssimos Brasil afora não indicam atraso? O que mais vai indicar então?

    Apesar de alguns avanços civilizatórios e de boas qualidades que temos, somos atrasados sim. Os índices que citei mais a fragilidade de nossas instituições como estão se revelando mais ainda agora, são indicativo de que?

    A tentativa de atrelar desenvolvimento econômico a desenvolvimento humano é outro equívoco. Podem ser coisas distintas.

    Pelo visto tais dados e argumentações são usados a gosto do freguês, conforme suas conveniências e convicções.

    Curtir

    Publicado por Alonso Lins | 29 de junho de 2018, 16:14

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: