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Imprensa

A mutação do blog

O blog, na sua versão atual, chega ao fim com este texto. Decidi antecipá-lo porque a próxima edição do Jornal Pessoal foi para a gráfica e deverá chegar às ruas na quinta-feira. A partir desse número, o 656, só ele – e eventualmente outros espaços que abrigam ou venham a abrigar o que escrevo, como o site Amazônia Real, uma vez por semana – divulgará a minha produção jornalística.

É o meu último esforço para salvar o JP, às vésperas do seu 31º ano de circulação. Remando contra a corrente que sentencia a morte dos jornais impressos em papel, sepultados pela mídia digital. Eu e meus leitores teremos mais cinco edições, até a primeira quinzena de setembro, data do aniversário, para ressuscitá-lo à beira do túmulo ou dar-lhe um glorioso fim. Para isso, tão ou mais importante do que qualquer contribuição em dinheiro (sempre vem-vinda, apesar de rara), será ir às bancas para comprá-lo, adquirir mais de um exemplar, enviar a pessoas de fora de Belém, apregoá-lo, dar um retorno.

Acho que este blog cumpriu mais ou menos a sua missão: colocou o conteúdo acima da forma, não fez concessões à pressa e superficialidade do jornalismo digital, acompanhou o cotidiano com notícias, interpretações e análises em cima dos fatos, suscitou polêmicas, estabeleceu um fórum de debates de alto nível, incomodou, abriu caminhos.

Gostaria muito de continuar essa experiência de jornalismo convencional com mídia pela internet, em padrão profissional, mas até o corpo estava tendo dificuldades para acompanhar essa ginkana. E o JP estava ficando para trás, sob a ameaça de encerrar seus dias em simples definhamento. Não honraria o seu passado.

Vou começar um novo projeto neste blog e nos demais, que espero voltar a alimentar: refazer a história pelas páginas do Jornal Pessoal, reproduzindo individualmente suas matérias e acrescentando-lhes contextualizações, quando necessário. Quem sabe, consigo demonstrar que o jornalismo continua tão vital quanto séculos atrás, quando uma única pessoa fazia tudo nele, antes da era das empresas jornalísticas? Não parece que é justamente o que venho fazendo desde o início do JP?

Ou me revelo, finalmente, um ser antediluviano, ou provo que a vanguarda é mesmo desconcertante.

Discussão

46 comentários sobre “A mutação do blog

  1. Lúcio, é comum algum tormento em relação à onda propagada em relação ao fim do impresso. Há quanto tempo lemos e ouvimos a respeito disso? Mesmo assim, algumas situações trazem alento: o retorno do centenário Jornal do Brasil, por exemplo, mesmo que apenas para o público carioca. Assim, o apoio ao JP que você menciona em tão boa hora significa mais do que um gesto de solidariedade dos seus leitores em Belém e de outras cidades. Porque o seu conteúdo e primorosa edição não só informam, mas ensinam o essencial da Amazônia Brasileira.

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    Publicado por Montezuma Cruz | 26 de junho de 2018, 10:37
  2. Corrigindo: Lúcio, é comum algum tormento em relação à onda propagada sobre o fim do impresso.

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    Publicado por Montezuma Cruz | 26 de junho de 2018, 10:38
  3. Espero que não seja tarde demais mestre, mas tomei esta liberdade, dado o avançado da hora e da situação.

    https://www.catarse.me/jornal_pessoal_lucio_flavio_pinto_2c7d?ref=ctrse_explore&project_id=79347&project_user_id=943415

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    Publicado por Marlyson | 26 de junho de 2018, 12:23
    • A quem interessar possa, e a quem couber poder, o link acima é uma tentativa voluntariosa de criar um método “digital” mais acessível de contribuição periódica (assinatura) ao blog e ao JP.
      Pelo volume e teor dos comentários tenho certeza que os leitores podemos mostrar ao Lúcio a plena viabilidade e retorno econômico que essa plataforma pode proporcionar, seja ao JP ou à continuidade do Blog, como já bem dito, com a periodicidade que ele conseguir ou interessar publicar aqui a partir de agora.

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      Publicado por Marlyson | 27 de junho de 2018, 17:55
      • Conforme expliquei, caríssimo Marlyson, vou tentar primeiro viabilizar o JP impresso em papel. Como o desafio é muito grande, quase impossível de vencer, o resto ficará para uma segunda etapa. Mas quem quiser contribuir pode usar a aba de assinatura da capa do blog. Obrigado mais uma vez.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 28 de junho de 2018, 09:27
  4. A alquimia mesmo sobreposta pela química, não deixa de ser o axioma básico dos fármacos atuais.

    Do mesmo modo, sobre sua perspicácia, o suprassumo jornalístico continuará sendo absorvido e retransmitido nas narrativas surreais.

    Agradeço por todos os aprendizados contemplados deste blog. Por meio das publicações via Post’s. Agradeço à todas as leitoras e leitores que comentaram enriquecendo os debates.

    Apenas reconheço mas não imagino o desconforto físico pelo esforço intelectual em manter a oxigenação dos seus projetos.

    Acredito que reduzir a carga economize sua vitalidade e reverta em mais saúde e disposição para os afazeres pessoais e cotidianos.

    Mas sei que é apenas um fôlego para retemperar a espada!

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 26 de junho de 2018, 12:46
  5. Sempre te acompanhando, Lúcio, onde quer que escrevas

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    Publicado por Edyr Augusto | 26 de junho de 2018, 13:54
  6. Querido, Lúcio.
    Aqui de Altamira vai o abraço deste seu leitor que agora fica desamparado. Um abraço de agradecimento, um meu e um da floresta aqui da terra do meio!

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    Publicado por Paulo Vieira | 26 de junho de 2018, 14:27
  7. gratidão pela luz, e luz que não ofusca e pela força, a força que não oprime, com seu exemplo de honestidade, cuidado ético ao se referi aos seus semelhantes, mesmo quando desagrada, enfim, por não ter sido subgente no uso da internet,o que não é o caso das maiorias que dela fazem uso (bastando analisar com alguma decência as redes sociais para constatar isso), e todas as vidas ao nosso jornal pessoal, amigo!

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    Publicado por felipe puxirum | 26 de junho de 2018, 17:33
  8. Lúcio, que pena. Teu leitor assíduo lamento perder um excelente professor.

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    Publicado por Ronaldo Passarinho Pinto de Souza | 26 de junho de 2018, 17:36
  9. O JP pelo que entendi vai ser a nossa única Serra Pelada nesse Saara de boas e imparcias informações.

    Curtido por 1 pessoa

    Publicado por Cliff Puget Eulalio | 26 de junho de 2018, 19:06
  10. O JP pelo que entendi vai ser a nossa única Serra Pelada nesse Saara de boas e imparcias informações.

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    Publicado por Cliff Puget Eulalio | 26 de junho de 2018, 19:06
  11. Torço que não, mas parece que quer fazer gol contra. Porque Lúcio Flávio Pinto, o JORNALISTA, em qualquer espaço, é muito maior que o Jornal Pessoal, e esse espaço do blog vinha se consolidando como um espaço único de interatividade do jornalista com o leitor e com o cidadão, um espaço cativante de informação, debate e… LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Precisaria apenas se adequar aos novos tempos, como vários já sugeriram por aqui.

    Que seja feita sua vontade.
    Grande abraço.
    Saúde, sucesso e vida longa.

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    Publicado por Rosa Carla | 26 de junho de 2018, 20:20
  12. Li no Blog do Ercio o comentário acima e naquela ocasião, registrei:Lamenta-se o encerramento das atividades do jornalista no seu blog, e fica-se apreensivo com a situação delicada do Jornal Pessoal nos seus trinta anos de circulação. Apesar de saber que a imprensa escrita está sendo ameaçada de sobrevivência pela mídia digital, há de se encontrar uma fórmula capaz de sustentar sua existência, até hoje tão profícua, sob a batuta irrepreensível desse incansável perscrutador do conhecimento, em especial quando diz respeito ao complexo de água e floresta chamado: Amazônia. Em razão de sua corajosa, persistente e inteligente capacidade de discutir as questões políticas e sociais, merece de todos os seus simpatizantes, leitores ou não do Jornal Pessoal, um empurrão de estímulo para que não seja interrompida está louvável empreitada. Lembro ao editor deste Blog, que nos anos oitentas o único responsável pelo Jornal Pessoal travou uma memorável “batalha” com o seu finado irmão, Emir Bermeguy, sobre a construção da Hidrelétrica de Tucurui, nas páginas do jornal O Liberal.

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    Publicado por Rodolfo Lisboa Cerveira | 26 de junho de 2018, 22:14
  13. Lucio, tua disposição para o trabalho e teu amor pelo jornalismo são admiráveis. Ler você aqui neste blog é um privilégio para todos nós, seus leitores, mas te cobram um preço alto. Parabéns por todo seu empenho e por seu compromisso com a verdade. Que tua luta não seja vã. Obrigada por nos ajudar a refletir de maneira inteligente, honesta e critica.

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    Publicado por Marilene Pantoja | 26 de junho de 2018, 22:47
  14. Lúcio , o Coletivo “25 com os pés no chão”/Caminhadas no Marco da Légua” deve ao apoio decisivo deste blog , o arquivamento do projeto urbanístico de “reurbanização” do prefeito-devastador, Zenaldo Coutinho-PSDB , que pretendia derrubar uma das poucas áreas verdes que sobrevivem nesta cidade-deserto-necrópole : a avenida 25 de setembro no bairro do Marco.
    A Secretaria de Urbanismo do Munícipio (o braço forte do mercado imobiliário/ dirigida pelo primo do prefeito ) foi obrigada a recuar graças às denuncias aqui veiculadas , mesmo com a grana já na boca do caixa….
    obrigada!

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    Publicado por Marly Silva | 27 de junho de 2018, 00:16
  15. Lúcio, teu blog era minha infalível leitura depois do trabalho e, às vezes, durante. Sempre me abastecia nele quando queria esclarecer e checar notícias sobre o mundo mineral onde atuo. Em muitas ocasiões transmitia todo o teu texto para solidificar minhas informações. Uma pena, mas vamos correr às bancas, todos, em busca do JP. Grande abraço e boa sorte.

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    Publicado por Ademar Amaral | 27 de junho de 2018, 00:21
  16. Destaco ainda a contribuição do debate travado neste blog para o fortalecimento do movimento cultural de resistência ao fechamento abrupto do Museu de arte Casa das Onze Janelas , numa investida insidiosa do governador Jatene-PSDB para lá implantar um pólo gastronômico em parceria com o cozinheiro-paulista-celebridade Alex Atala , que ao fim e ao cabo foi parar lá no Parque do Utinga …Amém (rs).
    E muitos outros movimentos ….
    Essa foi , a meu ver, a mais importante contribuição deste blog : o fortalecimento das lutas sociais .

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    Publicado por Marly Silva | 27 de junho de 2018, 00:39
  17. Não existe assinatura paga para o JP digital?

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    Publicado por Fernando | 27 de junho de 2018, 06:36
  18. Não sepulte o JP. Transforme-o em JP digital, em pdf. Venda-o através de assinaturas com acesso pelo blog. Vendas avulsas, mensais, trimestrais, semestrais ou anuais, por cartão de crédito ou boleto. Problemas para desenvolver o projeto? Peça auxílio a especialistas de TI entre seus milhares de leitores.

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    Publicado por bernstil | 27 de junho de 2018, 07:13
  19. Caro Lúcio, por há muito saberes meu pensar, sobre o papel e o digital, resta-me neste espaço meu , Namastê.

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    Publicado por valdemiro | 27 de junho de 2018, 08:18
  20. Lúcio, por qualquer meio que venhas a utilizar, sempre estarei na leitura, pois vc faz a diferença.
    Mas vejo que precisamos (seus leitores) buscar uma forma emergencial para que o JP continue em sua missão!!!

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    Publicado por Alvaro Maia | 27 de junho de 2018, 10:00
  21. Vamos às bancas e, torço p/ q se viabilizem teus projetos pós-setembro. Este espaço é crucial ao debate e reflexões democráticas qualificadas.
    Saúde Sempre e tudo de melhor pra ti.

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    Publicado por Amelia A. Oliveira | 27 de junho de 2018, 13:16
  22. Certamente é uma perda, mas não podemos exigir do jornalista aquilo que lhe foge do alcance. Essa interatividade intensa e imediata e a relação com leitores de vários saberes e ideologias, é riquíssima e desconheço um grupo de interlocutores interagindo com tal intensidade, que se chega a perder o fôlego e, muitas vezes, debates que estão em ótimo nível são colocados de lado, pois outras frentes não param de surgir. Há uma troca de conhecimentos, farpas e opiniões impressionante.
    Sugere-se ao jornalista que não escolha o 8 ou o 80, nem o meio termo. Talvez uma nova forma de manter vivo o debate a partir do Jornal Pessoal, que é quinzenal e pudesse ser enriquecido com um debate de algumas matérias alavancadas pelo mesmo, fechando-se em cada quinzena com os assuntos mais instigantes dissecados pelos interlocutores, sob a mediação do autor.
    É uma ideia.

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    Publicado por Jab Viana | 1 de julho de 2018, 20:17
    • Você me antecipou, JAB. Eu ia fazer essa mesma sugestão. O fórum de debates em que este blog se transformou continuará ativo se as pessoas se dispuserem a trazer para cá seus comentários sobre matérias do jornal. Um tema que precisa ecoar é a ampliação do trem de Carajás, que vai ajudar a exaurir as jazidas de min´rio de ferro do Pará muito mais cedo do que o saudável e favorável.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 2 de julho de 2018, 08:31
  23. Fico feliz em participar e estar sintonizado con o jornalista e com o grupo. Vamos em frente.

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    Publicado por Jab Viana | 3 de julho de 2018, 23:00

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